Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo. :)

Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo. :)

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

1 de Maio de 2019: Poesia e o Livro "Rosa Branca Floresta Negra"

por talesforlove, em 01.05.19

 

Alguns Poemas

 

"Mitocôndrias", Por Viviane P. (Brasil)

 

 

É até estranho falar que  existem dentro de mim coisas tão pequeninas.

Elas se ajeitam e  fazem tudo acontecer em minhas  células.

Sem que eu o sinta,  enquanto  aqui fora a vida  acontece também.

Não, não  é simples assim, a meu ver....

Há um conjunto de fatores que  transforma esta organela celular em algo importante.

Nesta  energia que meu corpo precisa tanto!

Engraçado isto.

Pensei que a energia de que falo fosse fruto de meus pensamentos!

 

Na verdade, as tais  mitocôndrias é que são as baterias do meu viver!

Sim, estes  fios granulados , dinâmicos, sempre metabolizando ,

Quebrando carboidratos  e ácido graxos geram energia em mim!

Sim! Estão  relacionadas com a produção de energia para a célula,

Um processo conhecido como respiração celular.

E, até nos gametas estão, pois   garantem   sua capacidade de locomoção.

 

Mas, afinal, e eu?  O que sou  então?

Nada mais  que um indivíduo  que cria confusão,

Que cria medo, vingança, ódio e paixão!

Quisera ser mitocôndria  no mundo, energia geradora de vida,

No trânsito, no trabalho,  em casa,  na avenida......

Mas, como qualquer um  inserido no contexto social,

Me limito , entre acordar e dormir,  a fazer o mal.

Com tanto estrutura  em mim ( como lamento),

  Não sou capaz  de gerar energia para o bem!

Pobre de mim, ser civilizado,

Procurando mitocôndria onde ninguém tem!

 

 

 

Um poema por Regina G. (Brasil)

 

O silêncio tece o tempo.

Mansos os rebanhos,

plangentes os chocalhos.

A melancolia funde-se com o pó

que se evola do chão.

              Esparsa, a sombra dos arvoredos.

Muros de xisto, centenários,

   ostentam flores róseas nos silvedos,

anunciando as negras amoras

que aguardam o Verão.

Colho uma.

Tépido, um fio de sangue 

desponta na mão.

                in Quando o mel escorre nas searas

 

 

"IDAI!", por Emerson Zulu (Moçambique)

 

Porquê devastas a minha terra
E me torturas depois de ter sido palco de uma desnecessária guerra
Porquê tu matas as cenas?
Tu me darás as pernas?
Porque os seus ventos fortes
À pista do zinco desgovernado, a elas amputaste

E daí se amo ficar a Beira do mar
Tinhas é que me atirar por baixo da árvore?
Ou lançar sobre mim a parede que jurei erguer para oprimir a minha vergonha!

IDAI!
Ainda evocas a fúria das águas
Para arrastar os corpos por si estatelados no seu grito de mágoa
Veja a minha CHIVEVE, para um passeio já não serve
Veja a minha MUNHAVA
A sua cumplicidade já não caça o Mbava

IDAI!

Sabes tu o valor de uma vida?
Vejo me em dívida!
Porque a minha colheita tu e as águas destruíram
Como farei então para pagar a dívida que os outros contraíram
Te lembraste de ventanejar com força nos bolsos dos políticos
Como na maternidade o fizeste?

Sem vergonha…!

Aos mortos mataste continuamente
Nem em casa mortuária te convenceste
Ao corpos as paredes derrubaste
Lá vai o pranto malvado e veloz
Exumar as sepulturas
Destruir as infra-estruturas
E ainda apagar a Luz
Para no sombrio envergonhares a nossa espécie

Inundações!
Vocês serão a educação para minha geração?
Porque nesta noite te fizeste de mansinho para melindrar o meu coração.
Acaso devo eu a ti alguma justificação?
Veja quão descomunal é o meu aparecimento
De que te ergues tu com o nosso sofrimento?

Vai para onde não desabroches mais
Vai que a ti mesmo te sufoques da sua fúria
Para que a minha nação outra vez sorria.

 

Um Segundo olhar sobre “Rosa Branca Floresta Negra”

 

O Livro “Rosa Branca Floresta Negra” também suscita interesse porque tem uma dimensão ecológica que desde logo cativa e envolve, começando pelo seu título que nos dá uma pista sobre a sua apologia implícita de defesa da natureza, que nos embala ao longo das nossas vidas tal qual ao longo desta história. É verdade que, aquando da instrução militar dada a John, o aviador norte-americano caído na Floresta Negra, se refere que a natureza tanto nos pode ajudar como voltar-se contra nós e por isso devemos estar sempre atentos, e também é verdade que se nomeia a guerra como um “animal feroz”, mas é a esta natureza em parte “neutra” em parte “benévola” que devemos as nossas vidas.

A Rosa Branca não é aqui apenas um nome puramente estético, cativo da beleza que nomeia, nem sequer unicamente um símbolo no contexto histórico das vivências que a autora nos propõe no decorrer temporal desta obra. É muito mais que isto, é mesmo algo intemporal. Na Antiguidade, era uma flor consagrada a deusas da mitologia, como Afrodite, a deusa Grega do amor, que seria Vénus para os Romanos. Afrodite teria nascido da espuma do mar e esta tomou a forma de uma rosa branca, significando pureza e inocência. Mais tarde, durante a Idade Média, a rosa, independentemente da sua cor, ao ser colocada no teto da sala de reuniões significaria o segredo relativo a tudo o que ali fosse falado. Atualmente, pode significar charme, humildade, pureza, verdade, segredo, jovialidade, sendo para a Igreja, símbolo da Virgem Maria. Sem que seja revelado o porquê de termos Rosa Branca no título do livro, podemos já tentar adivinhar o motivo e acreditar que ele é positivo. Todavia, não o revelarei aqui.

A Floresta Negra deve o seu nome ao verde-escuro dos seus pinheiros, o qual não evita a beleza da sua paisagem, garante quem a já visitou pessoalmente, e não emocionalmente, como a maioria de nós. Trata-se de um local com mística e inspirador de alguns contos tradicionais muito antigos. Esta floresta, em pleno Inverno, não irá dar alimento a Franka e John, mas sim abrigo, ou seja, permite-lhes preservar a vida e mesmo a neve e o gelo ajudam a camuflar a sua existência vulnerável e quase invisível. E esta observação é mesmo assim, porque, este não é um livro que se pretenda afastar da realidade; é a própria autora que logo no início nos diz que a narrativa é inspirada em acontecimentos reais, embora alguns factos e datas tenham sido alterados em seu benefício.

Assim, seres vivos como a rosa e os pinheiros da floresta, são elementos fundamentais desta história, por vezes mais aventura, por vezes mais romance. Biologicamente são-nos complementares, pois libertam o oxigénio que nós “consumimos” e consomem o dióxido de carbono que nós “produzimos”. Emocionalmente são-nos benéficos, na medida em que nos amparam nos momentos de maior debilidade, caso tenhamos a oportunidade ou bênção de os ver. Nesta obra, homens e plantas surgem num mesmo contexto histórico, ao mesmo nível de reflexão e esperança num futuro de paz e serenidade. A confiança entre estranhos e entre homens e natureza, em tempos de guerra, é também central neste livro, e a sua construção surge de forma gradual, tal qual o fim do Inverno e das neves, e é por tudo isto que este livro, na sua simplicidade e profundidade, se revela fascinante.

 

Alguma Bibliografia:

ASTROCENTRO (Acedido 16 Abril 2019); “Significado de Rosa Branca”; https://www.astrocentro.com.br/blog/bem-estar/significado-rosa-branca/

RETRATOS E RELATOS (Acedido 16 Abril 2019); http://retratoserelatos.com/quem-tem-medo-do-lobo-maulobo-mau/

 

 

(2/2) Dedicado ao meu Amigo André Mendes

 

Saxophonist Amy Dickson - Philip Glass' Violin Concerto No 1. - Exclusive C Music TV video

O link: https://www.youtube.com/watch?v=ZdUWPA_AX6o

 

Até breve.

 

 

"Rui" um poema por Viviane P. (Brasil)

por talesforlove, em 31.08.18

Rui
 
Rui Carlos de Avelar
Rui Raposo  Aragão
Rui Alcântara Moreira
Rui Augusto de Queiroz
Rui Alberto Porto e Silva
Rui de Castro Andrade Costa
Tua  escrita me deu voz!
 
 
 
Rui Batista Brito Sousa
Rui Mota Borges Vaz
Rui das Fontes Alencar
Rui Mathias de Bragança
Rui Felipe de Albuquerque
Rui Mendonça Escobar
Rui Seabra Maciel
Rui: me destes esperança!
 
 
 
Rui Machado de Aguiar
Rui Lopes de Assunção
Rui Rodrigues Pereira
Rui Mendes Valadão
Rui Fernandes de Jesus
Rui Pereira Pinto Alves
Rui : eterna gratidão!

 

Muito obrigado pela gratidão e apoio.

Sabe bem ser bem-vindo e reconhecido.

 

Até breve.

 

meta

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D