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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)

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17 Junho e Crítica Literária

por talesforlove, em 16.06.21

Fica aqui, hoje, uma fotografia pelas vítimas dos incêndios de 2017 em Portugal.

Um pequeno nada.

17junho2021.JPG

 

Apresenta-se igualmente a Tentativa de Crítica Literária

“Anzóis do Tempo . Poemas minimalistas .” por Claudete Soares

 

O Livro “Anzóis do Tempo . Poemas minimalistas .” de Claudete Soares é mais uma agradável surpresa da Autora.

Anzóis são objetos metálicos, consistência sólida, ponta encurvada e afiada, com formato próprio para conter uma isca que servirá de chamariz para um peixe.

Um peixe é um ser vivo aquático que além de ser considerado um alimento humano, por vezes é decorativo e outras vezes é ainda um símbolo. Todavia, está ausente do título, no qual surge, a palavra “tempo”. Como se refere “do” e não “de” assumimos que o tempo é o utilizador dos anzóis. Ele é o pescador! Mas quem é este Tempo? São momentos, instantes, em que surgem impactos em nós, os quais são sentimentos, pelo menos é o que parece transparecer em grande parte do vasto conjunto de belos poemas.

O adjetivo “minimalista”, que igualmente surge no título, só pode dizer respeito à dimensão dos poemas, quando medidos por número de palavras ou versos, i.e., uma única frase em composição poética, sendo que, neste caso concreto, são três. A sua mera inclusão na primeira porta de entrada da Obra, poderá ser visto como algo depreciativo, à luz determinados olhares e, nesse caso, é injusto pois a cada um dos conjuntos de três versos corresponde a procura a posteriori corresponde à tarefa hercúlea de retratar o que se sente, a fazer lembrar os poemas Japoneses do estilo Haiku.

Partindo do título para depois olharmos para os versos, parece surgir um enigma: “Porquê este Tempo?!” Este parece querer pescar-nos através de pequenos acontecimentos, também eles apenas pequenos ou minimalistas, só se olharmos para os segundos que tomam nas nossas vidas. Acredito que vem à superfície emocional de quem lê este Livro que somos o que sentimos, o que este Tempo nos fez sentir e que tantas vezes não controlamos e portanto, não somos assim tanto o que comemos, como por vezes parece ser lugar comum assumir; afinal, estes anzóis não dizem respeito à comida que queremos ver no nosso prato.

Aliás, até podemos pensar que somos devorados por este tempo, que somos nós as vítimas ou sortudos(as) destes anzóis predatórios que não são metálicos mas de matéria do dia-à-dia. Claro, estimada(o) leitor(a), que qualquer Livro nos pode fazer pensar sobre o Tempo, sucede, porém, que este contém poesia do Tempo, a qual pode ser vista como o resultado de uma pescaria do Sr. Tempo. E este resultado poético, surge às mãos de Claudete Soares: uma pessoa que investe o seu Tempo e recursos para partilhar o que vê ou julga ver, tal qual lhe é humanamente possível. E tudo se desenrola, eventualmente, como se o peixe escrevesse sobre a sua experiência aquando do processo de ser pescado…

Aqui o olhar poético sobrepõe-se ao olhar mais pragmático, sobrepondo à morte a vida, revisitada em cada instante, em cada página voltada, como se fosse um passo no decorrer dessa vida dominante, a qual é vista a partir de três pontos distintos em capítulos separados: … das horas; … da vida; e, … natureza. E aqui o papel do Tempo parece ser inferiorizado pela Autora, ao referir “Pescando instantes”. Não há dúvida que se não fosse o seu (o nosso) olhar atento, para o labor do Tempo, nada retiraria mas, como diria Isabel Allende: “en las historias radica el secreto de la vida y del mundo”, ou seja, ela, enquanto observadora e ladra de histórias da vida poderia sobreviver enquanto escritora. Não seria mais que isso.

Neste Livro, nesta Obra esmerada, delicada e bela, esteticamente e literariamente, Claudete Soares é também ela alguém que tenta capturar para si o mundo e utiliza o seu dom poético natural para poder retratar e nos fazer sentir, aquilo que é o Sr. Tempo que dita. Importa ser…

 

A própria nos transmite um rebuliço de Tempo na página 83:

Os olhos da noite

Pranteiam saudade.

Nem a lua dorme

 

E, “imediatamente” antes, na página 22, paradoxal, transmitindo imensidão temporal, surge:

Beijos de anjos

acendem lanternas

do tempo

 

Sonhamos a cada momento, com esta união de grafismo e literatura, sendo que o primeiro apelo estético, só mesmo com o livro nas nossas mãos se poderá realmente sentir e compreender.

Que bela leitura e que belo tempo passado a contemplar estas paisagens literárias talhadas pelo tempo.

 

Obrigado pela vossa atenção.

 

Este Livro pode ser encontrado em:

www.travassoseditora.com

travassos@travassoseditora.com

 

imagem do livro.jpg

 

 

Até breve.

A Poesia da pintura e do tempo

por talesforlove, em 11.01.20

Hoje é dia de poesia.

 

O tempo, por Viviane P.

 

Olhe para o seu rosto no espelho,

Comece a avaliar as mudanças

Quantas rugas e manchas

Estão aí comprovando que suas células

Cederam ao tempo o poder de lhe matar?

E, implacável, não hesita em deixar claro

Quem é que está no comando de tudo.....

E você que cuida tanto de seu corpo ainda jovem,

Se assusta ao ver o velho pelas ruas tão disforme!

Ele é você em outro tempo!

Já foi belo nu em pleno dia!

Hoje você se assusta até com o vento

Que muda seus cabelos de lugar

Que pensar, então, sobre o tempo

Que está aqui na esquina a lhe esperar?

Cuide, sim, do importante,

Pensamentos, gestos, sentimentos,

Eles são invulneráveis, o vento não poderá levar!

 

Soneto 138 de William Shakespeare, tradução por Ana Luísa Amaral

Sempre que minha amada me jura ser sincera,
Eu acredito nela, mesmo sendo mentira;
Deixá-la imaginar-me um jovem inocente,
Pouco entendido em falsas subtilezas do mundo.
Pensando, pois, em vão, que ela jovem me julga,
Embora bem sabendo que tive melhores dias,
Na sua língua falsa eu finjo acreditar,
E assim, de ambos os lados, a verdade é escondida.
Mas porque não diz ela que não é sincera?
Porque não digo eu a minha vera idade?
O hábito do amor é parecer confiar,
E o amor na idade gosta de a não contar.
Com ela me deleito, mentindo, e ela comigo,
E, a mentir nossas faltas, em deleite existimos.

 

A capa de um livro a não perder:

Karina Capa.jpg

 

Até breve.

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