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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo. :)

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1 de Julho 2018

por talesforlove, em 01.07.18

Julho começa com chuva e alguns raios de sol. Junho foi o mês do 1º aniversário da tragédia de Pedrógão, das Festas dos Santos Populares, do final da Feira do Livro 2018 e de tantas outras situações que vão além da capacidade deste blog para transmitir.

Neste blog, Julho começa também com poesia, com balanço ecológico, com divulgação de livros de qualidade, com belas fotos, em resumo: também com o impacto de um Verão tímido.

 

Um ano após os fogos que vitimaram tantas pessoas e abalaram tantas vidas, faz sentido olhar para a floresta hoje. Parte dela, da que ardeu e que hoje se veste novamente de verde… Muitas vezes do verde do eucalyptus globulus mas também de outras plantas que tentam colorir de verde a paisagem.

 

heucaliptos1.jpg

 

  

A par dos fogos florestais, outra tragédia de várias zonas do interior do país é a vespa asiática, a destruir a abelha de mel. Todavia, com uma armadilha simples (mel, açúcar até obter alguma espuma, água morna, 1 colher de sopa de vinagre por cada litro de água) é possível vencer esta batalha. Veja-se a fotografia que se segue e que não deixa margem para dúvidas.

 

vespaasiatica.jpg

 

 

 

Felizmente, este blog pretende ser uma luz no firmamento, no sentido positivo e “coletivo”, dai que é tempo de voltar-mos à poesia positiva. Fica o convite a ler a poesia de Juanita E., primeiro em Inglês e depois a sua tradução. Que sejamos iluminados por estas palavras… com a sua mensagem simples, forte e cativante.

 

LIGHTING UP THE WORLD, by Juanita E. (EUA)

 

THE INFUSION OF LIGHT BEAMS

CAN BE FOUND ALL OVER THE WORLD.

THESE BEAMS CARRY WITH THEM

THE SEEDS OF KINDNESS, TOLERANCE

AND LOVE.

THEY LIGHT UP A CONFUSED AND

DARKENED WORLD.

WHEN THOSE BEAMS OF LIGHT CAUSE

OUR PLANET TO BECOME THAT SHINING STAR

IN OUR UNIVERSE,

THERE WILL BE PEACE, LOVE AND JOY AMONG

ALL PEOPLE.

 

 

 

ILUMINANDO O MUNDO, por Juanita E.


A INFUSÃO DOS FEIXES DE LUZ
PODE SER ENCONTRADA EM TODO O MUNDO.
ESTES RAIOS DE SOL CARREGAM COM ELES
AS SEMENTES DA BONDADE, TOLERÂNCIA
E AMOR.
ELES ILUMINAM UM MUNDO CONFUSO E
ESCURO.
E QUANDO ESSES FEIXES DE LUZ TORNAREM
O NOSSO PLANETA UMA ESTRELA BRILHANTE
NO NOSSO UNIVERSO,
HAVERÁ PAZ, AMOR E ALEGRIA PARA
TODAS AS PESSOAS.

 

 

Foi Junho o mês de saltar a fogueira,

De cantar ao luar, e dos Santos,

Mostrar aqui as festas da cidade brejeira,

A preencher todos os nossos cantos.

 

Fica assim aqui também o convite a verem estas fotos de Lisboa em festa, como se este convite fosse também um verso de manjerico vendido numa banca da cidade. Não é dos melhores mas rima e alegra 😊 Que saudade de Junho e também do cheiro a Tília e doce das flores, entre os livros da Feira do Livro de Lisboa de 2018…

 

festa1.jpg

  

O cair do pano na Feira do Livro de Lisboa de 2018, a deixar uma promessa de regresso e a deixar a certeza que mais do que ler é preciso fazer.

 

finaldafeiradolivro2018.jpg

   

E ainda neste caminho dos livros em Lisboa, fica aqui exposto o livro “O Último Ultramarino” por Xavier Figueiredo, que aqui divulgamos a convite da Editora ULISSEIA – BABEL.

 

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INFORMAÇÃO PARA A IMPRENSA

O ÚLTIMO ULTRAMARINO – na saga da descolonização de Angola

 

 

Em 2018, quarenta e cinco anos depois de iniciado o processo de descolonização dos antigos territórios que Portugal detinha em África (que muitos afirmam ter tido início em Setembro de 1973, quando o PAIGC declarou unilateralmente a independência da Guiné-Bissau), o tema da presença portuguesa em África e o processo de descolonização continuam a ser assuntos quase tabu.

 

capa.jpg

 

No seu mais recente livro, O Último Ultramarino – na Saga da descolonização de Angola, o jornalista Xavier de Figueiredo pega neste tema para nos falar sobre uma das mais trágicas consequências da descolonização de Angola: a debandada de cerca de 500.000 pessoas, em estado de sofrimento e de perda, a que se seguiu o seu lento desaparecimento como últimos abencerragens um corpus, o dos ultramarinos, que ao longo de 600 anos marcou a História de Portugal.

Inserido no género “faction”, o livro mistura factos com ficção. A ficção cinge-se às personagens, às quais foi preciso dar nome, vida, pensamento e memória. Reais são os factos que foram por essas personagens vividos e presenciados ou que chegaram ao seu conhecimento.

 

XAVIER DE FIGUEIREDO  nasceu em 1947, na cidade do Huambo, Angola – à data chamada Nova Lisboa. A sua longa carreira de jornalista foi iniciada em 1971, ao serviço do jornal  A Província de Angola, principal diário de Luanda. Em Maio de 1975, recém radicado em Portugal, ingressou no Jornal Novo – publicação de que fora correspondente em Luanda, nos meses imediatamente anteriores. O ano de 1977 foi o primeiro de outros nove passados ao serviço da antiga ANOP, cinco dos quais como delegado da Agência em Bissau e em Maputo, sucessivamente. Foi mentor, fundador e director da primeira publicação de temática africana lançada em Portugal (Agosto de 1984), o quinzenário África Jornal. Em 1985, fundou a primeira de diversas newsletters de assuntos africanos, o África Confidencial. Seguiram-se, por ordem cronológica, África Focus, África Intelligence e, em 2005, África Monitor. Tem colaboração dispersa por vários jornais e revistas, em Portugal e em países africanos. Foi comentador de assuntos africanos de duas estações de televisão em Portugal. É autor de dois livros de História, Crónica da Fundação do Huambo/Nova Lisboa e Ceuta, primeira conquista de Portugal Além-Mar.

 

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De regresso ao verde, a música de Nicola Benedetti - The Lark Ascending, para podermos ver o verde das ervas e o azul revolto do mar, sempre ao lado das falésias.

 

O mar e o Verão convidam, por um lado, a uma viagem até à praia, para saborear o calor e ver aquela natureza feita de água, mas, por outro lado, também nos devem levar a beber mais água a bem da nossa saúde. Por estes motivos alertamos para os cuidados a ter quando vamos a banhos, pois é bom não esquecer que o perigo de afogamento é sempre uma realidade, e para a necessidade de ter em atenção que beber água de qualidade, ou seja, limpa e com as características químicas adequadas, é importante, é fundamental. Existem diversos estudos sobre as reações do nosso organismo quando exposto a águas contaminadas por compostos químicos prejudiciais, para que se possa resolver essa situação com o mínimo de efeitos nefastos para a nossa saúde. Existe também um conjunto de estudos sobre modelos toxico-cinéticos relativos a interações fisiológicas, ou seja, interações com o nosso organismo. De tal forma é óbvia a importância desta questão da contaminação das águas que podemos beber, que existem também estudos epidemiológicos para avaliar a propagação dos contaminantes aquíferos em determinada população, como se de uma doença se tratasse. O objetivo é também o de identificar a origem geográfica e química da contaminação.

 

Com a poluição a ameaçar o nosso bem estar, por exemplo, com os plásticos no mar e com a diluição de alguns compostos químicos perigosos, a verdade é que o melhor é colocar os olhos num futuro melhor, sem estes “produtos” a nadar ao nosso lado à beira mar e a tomar banhos de sol, ao lado das nossas toalhas…

Nunca nos devemos esquecer de recolher o nosso lixo quando vamos à praia, esse gesto de higiene é também muito útil para a natureza. Fica ainda a sugestão de evitar o automóvel durante um Domingo, ou seja, tentar fazer o nosso passeio de Verão nesse dia, ou nosso dia de folga, de tal forma a não poluir a atmosfera. Além de um belo exercício físico, poderá ser uma forma de redescobrir até onde podemos ir a pé e conhecer melhor certos locais, encantadores, bem perto de nós.

 

mangericos.jpg

 

Bons sonhos e boas leituras.

Até breve.

Fevereiro...

por talesforlove, em 01.02.18

Fevereiro começa hoje... talvez o melhor seja vermos algumas fotografias “de alegria” em Dezembro, em Lisboa.

 

lisboa1.gif

lisboa2.gif

lisboa3.gif

lisboa4.gif

 

Com a naturalidade com que uma águia-de-bonelli caça durante o dia ou uma coruja-das-torres durante a noite, assim chega ao fim o Concurso Literário Natureza 2017-2018! Ainda em Fevereiro contamos divulgar os resultados das categorias poesia e conto.

Antes de lermos um poema por António do C., ainda antes de lermos um conto vencedor de 2017, e ainda antes de ler a Revisão crítica de “Adágios” por José Vieira, ou ouvir dois programas “O Amor é”, por Inês Meneses e Professor Júlio Machado Vaz, e finalmente ainda antes de ler “Esperança em pedaços (2)” por Rui M., do livro “Pedaços de esperança” a editar em 2018, convém-nos refletir sobre a ligação “perigosa” entre literatura, natureza e arte.

Por exemplo, o quadro “A Primavera”, por Sandro Botticelli (1444 ou 1445 - 1510), nascido em Florença, cidade berço do Renascimento Italiano. Sem querer olhar com um detalhe exaustivo para esta obra, será de enfatizar a existência da figura da Deusa Flora, Deusa floral, com o seu vestido florido e recebe como dote um jardim fecundo, com floração abundante. Vénus, a Deusa do amor, surge como elemento apaziguador da natureza, por vezes, rigorosa, do amor. E cometendo a “traição à obra” de por simplicidade de análise esquecer todos os seus outros elementos, fica ainda a observação da existência de uma profusão de flores que para alguns botânicos é um notável efeito pictórico... com laranjeiras, acianos, miosótis, cravos, etc. Finalizando, esta pintura possui também uma dimensão de mudança, que surge associada à própria identidade da natureza, e é envolta em mistério. Afinal, quais as mudanças a que se aludem na pintura?! A obra tem uma dimensão mística, naturalística e literária, dado que o próprio pintor assumiu influências poéticas nas suas obras, sem exceção. Algo é certo, as muitas poesias recebidas ao longo do nosso Concurso Literário ligam natureza a humanidade mas também ao desejo mutante da natureza. Fica, por agora, o convite a continuação de boas leituras e contributos para uma natureza mais conservada e respeitada.

 

Por António do C. em 14/01/2018

 

Deram-me uma fotografia 

Como no título do livro de Paula Hawkins, 
estava escrito na água, 
que esta fotografia seria minha: 
luz em redomas de vidro, 
cercadas pela escuridão, aprisionadas por ela, 
irmãs de um mesmo meio de dispersão 
que nos solta espetros de contraluz. 

Tão simples, tão redondas, 
como as flores de um jardim: 
como o Jardim da Estrela, 
tudo cheio de uma cor, 
e tudo tão sem festa 
sem ilusão ou necessidade de perdão 

Serenidade é esta fotografia. 
Como se eu fosse um miúdo, de novo, 
e me sentisse em paz com o mundo. 
A bênção da infância é crer que basta crer, 
que ele nos deixa fazer tudo e sermos 
essa única ilusão. Verdadeiro refúgio. 

 

bolasdeluz2018.jpg

 

 

 

Um dos contos vencedores em 2017

 

4º Lugar

 

CHUVA NO DESERTO, por Alberto Arecchi, Itália

 

Está chovendo. Chove no deserto do Saara.

Com certeza, não se trata da nossa "chuva de março", nem do tempo triste do outono.

Na noite passada, vimos umas grandes nuvens negras engrossando para oeste, um pouco acima do maciço de Adrar, a antiga montanha sagrada que se levanta no meio do deserto. Depois do pôr do sol, a escuridão do céu estrelado foi subitamente atingida por raios, a partir daquela mancha negra, sobre a montanha distante. Nosso guia perscrutou o horizonte e nos mandou deslocar o campo para uma posição mais elevada. Geralmente arranjamos o campo em alguma depressão, abrigada dos ventos. Ontem à noite, porém, fomos para um morro bastante alto, fora do vale do rio, a salvo de súbitas inundações.

Parece paradoxal falar de cheias aqui, a frente do leito de um rio seco como uma esponja espremida, depois de quarenta dias de seca absoluta, sob o céu claro, sem que a gente veja uma única gota de água. No entanto, cerca das cinco horas da manhã, acordou-nos um ruído distante, que logo se tornava um rugido maçador. Um fenômeno bastante preocupante, que parecia aproximar-se. Crescidos com os filmes de cowboys, tínhamos a impressão de uma manada de bisões galopando em volta da nossa posição.

Vinte minutos depois, precedida por uma frente de ar muito frio, no álveo do rio chega uma montanha de água preta, com uma altura de cinco metros e a velocidade de um trem. O leito do riacho enche-se rapidamente. Se tivéssemos acampado lá, estaríamos reduzidos a escombros e arrastados até alguns quilômetros mais adiante, juntamente com as pedras que rolam no fundo, levadas pela cheia. Nossa sorte foi nos encontrar a uma pequena distância dos montes e da nuvem negra, e podermos assim nos tornar conscientes da chuva iminente. Cinquenta quilômetros mais adiante, a cheia iria chegar e atingir as caravanas sem nenhum aviso de alarme.

Ficamos atordoados, enquanto nosso guia se apressa para pegar as barracas, e cravar tudo o que possa ser arrastado pelo vento, e grita para nos colocar em lugares protegidos. Na verdade, após a onda de água suja da cheia - quase imediatamente - está chegando uma violenta tempestade de vento, com poeira grossa e com as primeiras rabanadas de chuva. É como se alguém estivesse lançando, em ondas repetidas, uma enorme quantidade de areia, terra e pequenas pedras afiadas, tudo misturado com água. Estamos fechados nos caminhões, mas nenhuma vedação poderia guardar-nos dos salpicos de água e terra, que penetram no interior. Pelas janelas não podemos ver além de poucos metros, nem perceber se - por acaso - escorregarmos no fundo do rio, tirados pela força da água. Somente os choques do forte vento, que balançam os meios de transporte, confortam-nos a não ser debaixo da água e ainda termos as rodas apoiadas no chão, e tranquilizam-nos por não ser sido arrastados pela força da água.

Na escuridão total, jogados como um trem desgovernado, em uma tempestade de poeira de carvão molhado. O ar é irrespirável, saturado de umidade. Um pesadelo de quarenta minutos.

Rápida e súbita, como quando ela chegou, a chuva vai acabar. A luz aparece timidamente entre os vapores emanados a partir do solo molhado, cheio de poças.

A tempo para ver o nascimento de um grande arco-íris para o leste, em torno dos primeiros raios do sol que perfuram as nuvens.

Abaixo de nós, no leito do rio, a água parou a formar uma barreira, que nos impede qualquer passagem.

Ao nosso redor, o deserto enche-se rapidamente, animando-se como o passeio do sábado. Enxames de insetos voam no ar e concentram-se sobre as poças, moscas, mosquitos, efemerópteros com asas iridescentes. Besouros de cores vivas emergem do solo. Reconheço um inseto vermelhão, que aqui é chamado “o anjo da chuva”: claro que não podia faltar. Lagartos e sapos pequenos aparecem do nada, e com eles uma infinidade de pássaros. Afinal, há até alguns mamíferos que chegam para beber. Uma pequena gazela tenta pegar uma bebida, mantendo sua distância de nós. Um fenech (raposa do deserto) ousa em vez mais e se aproxima de nossas provisões, em busca de comida. Antes da tarde, os horizontes distantes aparecem como pastagens. Não é uma miragem, mas o resultado da revitalização de sementes que estavam na terra, esperando umas gotas de água - talvez por anos. É como se a terra tivesse aberto seu ventre, para desencadear uma segunda criação. Aqui no deserto a gente percebe e entende todo o esplendor e a energia total dos elementos primordiais: fogo, terra, ar, água. A água é o elemento final, em que tudo acaba e tudo renasce com um novo ciclo de vida.

Decidimos ficar por alguns dias neste pequeno oásis improvisado. O recomeço da nossa viagem, agora, entre as rochas e as areias molhadas, poderia ser muito perigoso, porque correríamos o risco de afundar com as rodas na lama. Mas - o que é mais importante - não queremos perder esta alegria primordial, a maravilha de sentir-nos no início da criação, para ver o nascimento e a primavera da vida, onde havia primeiro o Saara, o ‘grande nada’.

O sol desce no horizonte, nem sequer vê-se uma nuvem. Um escorpião captura a sua presa, uma pequena rã, já paralisada pelo veneno da sua cauda. Um grande lagarto de cabeça amarela assiste à cena e balança a cabeça, como um ser humano continuando a negar a evidência. O fenech decide ir-se embora: ele sabe que o lagarto se deu conta da sua presença, e sabe que é mais ágil do que ele. Hoje terá que encontrar outro jantar.

Nosso guia alarga o tapete para a oração do pôr do sol e se inclina em direção ao leste, onde o céu escurece rapidamente. Movimentos antigos, no seio de uma natureza em que acabaram de repetir-se os eternos rituais de nascimento, vida e morte. Sentimo-nos como folhas leves, transportadas neste cenário por uma nuvem passageira e um sopro de brisa.

Chegou a noite, outro dia passou. Brincamos como crianças, olhando com binóculos e lentes de telefoto para todas as espécies de plantas e animais que apareciam, para fixar a memória daquele fenômeno raro. O deserto agora vive e é como se todos os seres que nele habitam surgissem de um jogo de armário, e cada um vai, para ocupar seu lugar, num espetáculo teatral. Mas sabemos que amanhã será outro dia, acordaremos e nos encontraremos no deserto de sempre, murcho e seco.

 

Revisão crítica de “Adágios” por José Vieira      21 Julho 2017

 

“Adágios” (2017) é o terceiro livro publicado por José Vieira, pseudónimo da autora Teresa Vieira Lobo, nascida na década de 80 do século passado em Gaula . Esta obra surge após o amadurecimento literário proporcionado pelo primeiro livro “Estranhas Coincidências”, publicado em 2014, e pouco depois, em 2016, com o romance “Dedicação, Palavra e Honra”. Alguns contos publicados na revista literária “Submersa” e na plataforma “Quem conta um conto”, somam-se a esta atividade literária laboriosa.
“Adágio significa provérbio popular com mensagens de teor moral, ditado. Assim, considerando apenas o título “Adágios”, poderíamos supor que no interior deste livro iríamos encontrar uma coletânea de ditados, todavia, tal não é verdade pois, encontram-se 5 contos autónomos, todos eles, é certo, com mensagens morais explícitas com diversa gradação na forma como nos surgem.
Em prosa cativante, em ritmo marcado pela ação e emoção, surgem diante de nós as vidas, realistas, de cinco mulheres que procuram o melhor para si, e para os seus, em contextos frequentemente tormentosos mas também frequentemente felizes, muitas vezes em simultâneo, sem dúvida que a par e passo; em relato de luta entre o bem e o mal.
Na contracapa diz-se que “Adágios é um livro de vidas. De mulheres. De luta. Um dia foram elas... Amanhã seremos nós.” Convém olhar com algum cuidado esta sequência afirmativa. As vidas são, sem dúvida, o núcleo central deste trabalho, são elas que lhe dão corpo. São-no na perspetiva das mulheres, o que adiciona detalhes comoventes e familiares ou mesmo de “amor quase maternal”, como às páginas tantas se menciona, de tal forma que, quando em certo momento se fala de “essência”, já compreendemos, antecipadamente, o que se pretende referir ou pelo menos isso assumimos, dada a profundidade de alguns dos conflitos éticos com que se deparam as personagens.
Quero todavia acreditar que vários destes elementos dramáticos seriam parte destas histórias caso se de homens se tratasse... A luta ética é algo que pode dizer muito a todo o ser humano e é de seres humanos que versam estas páginas, sensíveis e cativantes. Todavia, não se concorda com a afirmação que remete para amanhã esta luta, pois por vezes podemos esquecer mas ela nos envolve a cada momento e em cada ação pois somos seres dotados de livre arbítrio.
Em resumo, a leitura de “Adágios” leva-nos longe, quem sabe a olhar “por dentro” a natureza humana. A certa altura com um prisma religioso e em outros tantos momentos tão só pelo sentir que, de facto, nos transmite. Se assumirmos que a literatura proporciona mudança ou alicerces a quem dela frui, este livro pode ser entendido como um bom caso de “literatura de catarse”. São páginas que valem a pena ser lidas.

 

Referência da obra:

Vieira, J. (2017), “Adágios”, Chiado Editora, Lisboa, pp. 97

 

Tem interesse no livro?

Aqui tem o contacto da Autora: teresavieiralobo@sapo.pt

 

O Amor é

 

Este mês apresentamos dois programas “O Amor é”, de Inês Meneses e o Professor Júlio Machado Vaz, com sua autorização. É com grande satisfação que os partilhamos. 
O primeiro dos programas que partilhamos é o “O Amor é (Fim de Semana) - Eugénio de Andrade e os amigos. | 27 Jan, 2018”. Eugénio de Andrade, a sua escrita, poesia, é o foco de uma conversa que nos procura elucidar um pouco mais acerca dos meandros do amor. A natureza humana é aqui observada pelo prisma, fascinante, da amizade. Igualmente se fala da vida do escritor, e de uma forma um pouco mais abrangente das vidas dos escritores, bem como com a possibilidade da sua escrita ser o reflexo dessas vidas ou não ser necessariamente assim. A escrita pode não refletir mesmo a vida do escritor. O melhor é mesmo ouvirmos este programa que nos permite vaguear também pela vida literária. 

 

https://www.rtp.pt/play/p266/o-amor-e-fim-de-semana

 

O segundo programa que aqui se partilha é o “O Amor é (Fim de Semana) Pedrogão - dar a volta. | 30 Dez, 2017”. Como o próprio nome nos revela, tem um tema também ligado ao ambiente, tanto quanto a tragédia dos fogos florestais em Portugal nos permite, por fatalidade, admitir. A abordagem é a da psicologia, ou será antes, poderemos dizer, a estrita visão humanista desta situação, ainda associada à mudança de ano, e a tentativa de nos libertarmos de fantasmas, ou por outras palavras, nos vermos livres de situações adversas nas nossas vidas. Pedrógão é o exemplo aqui sublinhado e o efeito, positivo, da solidariedade gerada nas e pelas pessoas. As famílias humanas são claramente uma realidade profundamente ligada à natureza. Nós somos a natureza. Fica o convite, a ouvirem este programa que nos elucida sobre uma ou várias vertentes das nossas vidas. Quem sabe nos poderemos tornar melhores pessoas, que apoiem a natureza, mas também melhores escritores?

 

https://www.rtp.pt/play/p266/e323082/o-amor-e-fim-de-semana

 

Por Rui M.

Do livro “Pedaços de esperança” a editar em 2018

 

Esperança em pedaços (2)

 

Pequenas partes de mim são esperança,

de um dia maior, de uma luz abrasadora,

de calor, de amor, de sonhos cativos de livros,

de livros que mendigam sonhos para existir.

 

Todos mendigamos um dia a claridade da manhã,

Porque ela nos liberta dos nossos nadas...

Porque nos alimenta com raios atómicos...

Porque não queremos deixar de sentir.

 

E quando um dia, ainda sonhado, ainda por vir,

virem pedaços de vidro às cores pelo chão...

Não são. São partes da minha esperança a resistir.

A sonhar, a orar, a acreditar; nos sonhos que virão.

 

 

Obrigado pela visita.

Até breve.

 

 

 

 

 

 

Poema - "Novo Dia"

por talesforlove, em 20.08.17

mararcoiris.gif

 

Novo Dia


Que vens do sol, luz, que lhe escapa

Ninguém jamais te poderá deter...

Jamais és cativo de um livro na sua capa.

A tua força extravasa tudo; não te posso ter.


Não és de ninguém, viril e fero!

As distâncias tens de ganhar!

O sol tornar cativo do arco-íris!

E tornas a estrela sol um arco, vencido.


Tu és o que há de novo, destroços de inverno,

Vences raízes amaldiçoadas, canções escuras,

E és, em mim, um devir, alto do tamanho do oceano.

Os teus arautos são de fogo; Tu, tudo curas!

 

 

NOTA:

Hoje ficou-se a saber que regressam os Guardas Florestais, o que é uma excelente notícia, até porque será um investimento que se paga a si próprio.

Infelizmente, faleceu um piloto de helicóptero, durante o combate a um fogo. Teria sido evitável se o helicóptero fosse equipado com um sensor para detecção de cabos de alta tensão. Algo simples que deve ser tomado como lição em contextos em que mesmo de dia, devido ao fumo, não é possível avistar objectos de grande volume em serras sinuosas.

 

lixonapraia1.gif

 

Save

Uma página com imagens inspiradoras do Piódão - (Arganil-Portugal)

por talesforlove, em 01.08.17

 

 http://joaofarinha.blogs.sapo.pt/a-qualidade-da-luz-131689

 

 

Poema - Minha Natureza

por talesforlove, em 23.07.17

Minha Natureza

Sou todo teu. Ossos, carne, pó.
E basta estar ao teu lado, nu
Para me não sentir jamais só.
Somos assim: pedaço do mundo cru.

E quando um dia morrer...
Aceitar-me-ás de novo; teus braços.
Feliz estarei por sermos de novo um crer.
Renascerei em flor, árvore, em cor, de sóis baços.

Sou teu, é este o meu eterno verde dever.
Folha, sol, mar, sal, amanhecer: ser.

 

por Rui M.

Poesia - "A flor do calor" por António do C.

por talesforlove, em 16.05.16

A flor amarela da Primavera desponta no campo,

com o mesmo calor da estrela ao entardecer.

E esta trás-me a timidez da mesma luz,

que me seduz, no doce e terno amanhecer!

 

por António do C.

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