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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)

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Um poema, um conto e uma notícia

por talesforlove, em 29.12.25

Boa noite.

 

Amanhã divulgamos os resultados do Concurso Literário Internacional Natureza 2025.

Hoje aqui fica um poema, um conto e uma notícia.

 

Alma da Mata, por R. Santi

 

Antiga é a neblina na floresta.
O verde desperta e me resta.
O cipó se enrola em tronco antigo.
Segredo que guarda, mistério amigo.

O sabiá canta no ar silencioso.
A vida vibra em tom precioso.
A chuva cai, cristalina e fina.
Banha a terra, pura e divina.

Macacos saltam de galho em galho.
Flores abrem-se em suave trabalho.
O rio murmura contos ancestrais.
Ecoam na alma, sons imortais.

Amar a mata é sentir a vida.
Cada raiz desperta a alma contida.
Abraçar o verde é ato de paixão.
Viver a Terra é pura devoção.

 

O peru, por Eduardo da Silva

 

Seu José, um homem simples do interior tinha uma fazenda, quatro metros de terra, sim, uma fazenda, lá criava não galinhas d’angola, pavões de resplendorosas plumas, perus.
Todos criados com muita dedicação e zelo, afinal, fazia parte do sustento da família, mas um deles em particular era o xodó, chamado carinhosamente de Clarêncio pela neta do fazendeiro e sua esposa. Ruana tinha um apreço muito grande pelo bicho, ele era um dos mais fortes do lugar, respeitado pelos outros machos e aclamado pelas fêmeas, mas sempre ficava isolado e nem dava valor aos filhotes.
Todos os dias quando acordava a garota nem escovava os dentes ou lavava o rosto, saia em disparada para ver seu bichinho de estimação, ela aos gritos chamava pelo nome dele: “Clarêncio, Clarêncio, ele de longe respondia, não como um canto bonito do sabiá, ou qualquer outra ave de sonoridade audível, era um tal de “gluglu” para lá e “gluglu” para cá, bicho sem graça, se deixasse a menina passava o dia inteiro lá.
Da janela, os avós observavam encantados e de certo apreensivos, todos sabiam o destino deles, mesmo assim, ao observá-la as rugas em suas faces eram evidenciadas após o sorriso que ia de canto a canto da boca, ela era as alegrias dos velhinhos.
Às vezes o avô preocupado conversava com a esposa e pensava em reclamar desse apego que a garota tinha ao animal, mas a esposa argumentava: “Deixa ela, a menina é carente de pai e mãe!”.
Clarêncio era dotado de certa esperteza e frieza, não ficavam junto dos outros, sempre perto da cerca e sozinho, parecia que estava com a cabeça em outro lugar. Tinha um olhar de cólera para seus criadores e quando se aproximavam ele sempre os bicava, só ficava quieto com a menina. Também não dava valor e parecia não gostar dos filhotes, sempre que se aproximavam eram logo afugentados.
A mãe da garota engravidou de um homem atraente que aparecia de tempos em tempos quando tinha festa da quermesse, era encantador, deixava todas garotas aos seus pés, mas depois desaparecia, diziam até que ele era parente do boto. Ela o procurou muito, depois descobriu que era sobrinho de uma vizinha, ela disse que mal tinha contato, era um parente distante, mas que conseguiria o endereço dele para ela mandar carta, tempos depois, estava já com três meses de grávida quando conseguiu o endereço, enviou inúmeras cartas, ele só respondeu depois de muito tempo dizendo em letras garrafais:
“TEM CERTEZA QUE É MEU?”
Depois disse que não poderia assumir porque era casado e mesmo assim não gostava de crianças.
Que ironia, a garota amava seu animal de estimação que tinha as mesmas características do seu pai, não ligava para esposa e filhos, mas o primeiro é irracional até onde sabemos.
Nunca mais teve contato com ele...
A moça teve um final de gestação complicado e acabou morrendo no parto, a bebê ficou sob os cuidados dos avós.
O fazendeiro acostumado a lidar com os bichos sabiam quais eram os mais fortes e saudáveis só de olho, eram anos naquela lida. Aos sábados ele separava os mais gordos, colocava na carroça e seguia para a feira, onde vendia ou trocava por outros mercadorias com os outros feirantes. Dona Antônia ficava em casa cuidando da horta e do pomar, enquanto a neta estava estudando.
Todos os anos era costume em dezembro, dia 24, fazer a ceia para comemorar a data festiva e o aniversário da neta, no dia, deixaram ela na casa de uma vizinha distante para não ver os preparativos da festa, todos os anos faziam “surpresa”, achavam que ela não sabia de nada, mas fingia para não os deixar tristes. A avó foi buscar a neta, entrou pela porta dos fundos e logo mandou ela tomar banho e se arrumar para jantar, colocou na menina um vestido de chita florido, escovou os cabelos dela várias vezes e colocou um laço de fita rosa.
Na cozinha, a mesa com uma toalha de plástico fazendo alusão à data festiva, em cima, no centro, um gordo peru assado, ao redor arroz, farofa, bolos, frutas locais e suco de maracujá, parece que adivinhara que alguém precisaria de calmante. Ao lado da árvore de Natal simples um embrulho de presente, dentro um lindo vestido de crochê e uma boneca de pano, ambos, feitos por Dona Antônia.
Quando a garota, com os olhos cobertos pela avó chegou na cozinha que viu aquele animal na mesa ficou estarrecida, era educada e calma, mas caiu no choro e começou a gritar e rolar pelo chão como uma menina birrenta
“Quero meu bichinho de volta, porque fizeram isso com o Clarêncio?”
“Que maldade, que maldade”, repetiu isso várias vezes.
Os avós acalmaram a garota e disseram que aquele ali da mesa não era ele, mas sim, seu irmão, mas que seu bichinho de estimação tinha morrido pela manhã após uma tentativa de fuga, mas como estava fraco, com “gogo”, um tipo de gripe que dá nas aves, tentou fugir e não resistiu, explicou Seu José. A garota correu ao quintal e viu que ele estava em uma caixa, morto, enfeitado com algumas flores que a avó colheu e colocou, enterraria com a garota no outro dia para não estragar a festa.
Como se tivesse traçado um plano há tempos, o galo marcou carreira e tentou voar por cima da cerca, caiu enrolado no arame farpado e ficou grugulejando, até que após alguns minutos a senhora ouviu e foi ajudar, mas já era tarde demais, estava muito fraco.
A garota se despediu do amigo, dos sonhos e do espírito natalino.
Coitado, acabou morrendo de véspera de qualquer jeito, foi carma ou destino, sei lá.

 

É notícia o evento do dstgroup que, em parceria com a Associação Paisagem Periférica e com o apoio da Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Braga, promoveu, pelo segundo ano consecutivo, as Consultas Poéticas, uma iniciativa que voltou a aproximar a arte das pessoas em situação de sem-abrigo e vulnerabilidade social.

Sem dúvida algo muito único.

 

Até breve.

“Verdes Anos”

por talesforlove, em 16.02.25

O título da publicação de hoje parece um desejo de anos vindouros mais amigos da nossa mãe natureza. Não é verdade. O desejo pode ser verdadeiro, mas a verdadeira razão de ser de “Verdes Anos” é mesmo homenagear Carlos Paredes que hoje faria 100 anos, pois nasceu em Coimbra a 16 de fevereiro de 1925.


A forma tão única de tocar a guitarra portuguesa está também profundamente relacionada com o facto de ser um intérprete do fado de Coimbra, que tem as suas particularidades, quando comparado com o de Lisboa. Existe uma envolvência muito própria, a qual é amplificada e enriquecida, com a “genica” do seu dedilhar das cordas e a sua mão a correr pelo braço do instrumento como se fosse uma sua parte móvel.

Aqui alguma informação no Museu do Fado:
https://www.museudofado.pt/fado/personalidade/carlos-paredes

Aqui um vídeo para podermos apreciar o tema “Verdes Anos”, com música de Pedro Tamen, que foi criada para o filme de 1963, “Os Verdes Anos” de Paulo Rocha.
Carlos Paredes - Canção Verdes Anos [Official Audio]

 

 

Fica aqui também um poema sobre o fado, de José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo', pois ontem faleceu Pinto da Costa, ex-presidente do Futebol Clube do Porto e um grande apreciador de poesia e fado, sendo um verdadeiro embaixador deste poeta.

 

Fado Português

 

O Fado nasceu um dia,
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão, meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Fonte: https://www.citador.pt/poemas/a/jose-regio

 

Finalmente, uma notícia “verde” que marca esta semana: a chegada da associação Greenpeace a Portugal. Podemos encontrar mais informação aqui:
https://www.publico.pt/2025/02/16/azul/noticia/greenpeace-chega-portugal-atenta-proteccao-oceanos-2122609

 

Até breve.

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