Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)
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Hoje partilhamos duas fotografias de Lisboa por estes dias de final de ano e Natal e um poema recebido no contexto do Concurso Literário África 2025.
Os resultados do Concurso Literário África 2025 e do Concurso Literário Natureza 2025 vão ser divulgados durante os dias 28 a 30 de Dezembro. As leituras têm sido gratificantes e inspiradoras.
Poema sem nome a África, por Igor C.
Àfrica minha terra amada aonde me viu a nascer e crescer África havemos de voltar aonde o teu encanto deixa a minha alma apaixonada por ti ohhh minha doce África de onde a nossa poeira do musseque trás brilho nos nossos olhares eterna e amada África onde a pele negra identifica a tuas raízes e origens Africana oooooh África
A COP30 realizou-se e ficou um conjunto de decisões e informações sobre a nossa realidade ambiental atual. Um dos resultados mais relevantes deste evento, parece ser a iniciativa o Mutirão Global que surge pela sensibilidade ao fenómeno do calor extremo e algumas dificuldades em encontrar um consenso global para reduzir o consumo de combustíveis fósseis.
Aqui pode ser encontrada diversa informação: https://brasil.un.org/pt-br/305077-na%C3%A7%C3%B5es-unidas-e-cop30-mobilizam-mutir%C3%A3o-global-contra-o-calor-extremo
É muito inspirador ver os jardins urbanos que combinam a beleza das plantas com alguma arte. Como uma empatia entre áreas de conhecimento classificadas como distintas, nomeadamente a biologia e a arte, e consequentemente entre todas as pessoas que por ali passam, independentemente dos seus interesses ou atividades do dia-à-dia. Claro que uma das preocupações sublinhadas na conferência foi a de conciliar proteção da casa comum com qualidade de vida das populações ou resultados económicos, algo nem sempre equivalente. Fenómenos como as três semanas de calor extremo este verão, em Portugal, ou a subida do nível médio do mar, a afetar países formados por ilhas com baixa altitude, colocam pressão sobre as soluções. No final, fica-se com o sentimento que estamos perante outro encontro a meio de um percurso, que não se esgota nos poucos dias em que o tema da sustentabilidade ambiental se torna o foco de parte importante do planeta terra.
Ficam hoje estes poemas e contos recebidos no contexto do Concurso Literário Natureza 2025. Os resultados devem ser publicados na segunda metade de Dezembro.
CURSO D’ÁGUA, por Elizete C.
O lugar onde cresci Era um lugar sem mar E sem verde para olhar. Havia a luz dos vaga-lumes, Pardais malabaristas, E três rios (um ao lado do outro) Com nomes de peixe, na língua tupi. As moças ribeirinhas Banhavam-se nos rios da minha infância. Os rios seguiam o curso d’água sem pressa, Ajustando-se com simplicidade A pobreza do lugar. O sol iluminava as ruas sem calçadas, E a lua no espelho das águas dos rios Era a beleza que faltava mirar. Eu pisei o barro da terra em cores. Eu molhei meus pés nas águas enchentes. Mas não conheci as águas dos rios Que me encharcam a alma De uma saudade água nascente.
RAIZ DE SILÊNCIO, FLOR DE AUSÊNCIA, por Thaise N.
A natureza humana é uma caverna translúcida, onde ecos sussurram em línguas sem nome, o medo, pedra vestida, às vezes dança, enquanto a memória escava túneis — e some.
A terra não é chão: é o espelho onde se enreda o espanto do tempo em camadas invisíveis, cada folha é um verso que cai e se levanta, cada raiz, um braço que abraça a ausência.
O amor, esse alquimista sem rosto, transmuta o silêncio em melodia vibrante, é chama que não queima, mas apaga o vazio, é um rio que corre ao contrário de sua fonte.
Somos ar e barro, sombra e semente, língua que goteja em gestos de luz. O peito é bosque onde cresce o silêncio, e a alma, um fruto que amadurece em pudor.
No encontro do homem com o pulso da terra, a noite germina, a solidão se abre em flor. O tempo é a raiz que sonha com alturas, e o chão se dissolve nos braços do Inventor.
Na linguagem das coisas, a cadeira senta-se, o silêncio fala, e a memória esquece-se. Somos a dança entre o afeto e o absurdo, um universo que cabe no ventre do mundo.
Por isso choro — não lágrima, mas vento, pois no coração habita o som infinito, e na fusão da carne com o verde eterno, o humano desvela o segredo escondido.
Outros poemas recebidos:
NA CURVA DE UM RIO, por Isabella F. (Brasil)
Na curva de um rio, três amigos se calam enquanto as águas e a natureza falam de sobreviventes Na curva de um rio, as águas revelam cantigas represadas em manhãs ensolaradas de primaveras distantes Na curva de um rio, as águas são acordes, sonoridades são travessias, na outra beira estão as memórias erguidas de vento Na curva de um rio, três amigos se curvam ao chamado vivo da natureza, e se tornam águas, pássaros, pétalas amarelas sobre a terra úmida Na curva de um rio, tudo se movimenta na quietude que se faz e, na certeza do mar, em seu borbulhar, as águas vão em paz.
Borboletra, por Liliane S. (Brasil)
Largar ta no em ti n’erário da borboleta.
Não é alter nativa, e sim uma Oriente ação.
Vou ar Fogo Terra Água E ter Força para, ao cansar, seguir Cá Sã -ando.
O corpo é casulo na natureza da vida.
Nesta mesma vida, sem uma outra ex-pressão, borbo letramos.
Sugestão para este final de ano e Natal: comprar produtos mais amigos do ambiente.