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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)

Contos das Estrelas

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As Tribos, A Cidade e uma música de Caetano Veloso

por talesforlove, em 24.12.21

Caras Amigas e Amigos Leitores(as) e Autores(as),

 

É com alguma melancolia, que verifico que se aproxima o Natal e sobretudo o final do ano de 2021. Este ano foi marcado por várias situações de saúde desagradáveis para as quais muito contribuiu a Covid-19. Todavia, a poesia resistiu.

A Antologia Natureza, no seu primeiro volume em papel, o Número 0, contém, entre muitos outros trabalhos o seguinte por Luís Amorim. “As Tribos” fala-nos de beleza e natureza, aves e pessoas, criando um texto com um toque de “magia”.

 

As Tribos, Luís Amorim, Portugal

 

Tantas árvores desciam pelos vales que tínhamos pela frente num postal de beleza paisagística a fazer jus ao que de melhor a natureza poderia oferecer. Com ela a fauna ia voando parecendo não ter poiso certo ou talvez querendo apreciar toda a envolvência tão natural. Atentamente observámos até surgir a pausa de aves onde escolha recaiu. Foi numa das partes mais verdejantes e com ausência de humana intervenção. Mais à frente, onde boa opção de fauna não se verificava para o poiso que atrás referimos, o ser humano já lá deixara marcas suas. Não eram pegadas simples, antes complexos vestígios onde não nos era possível vislumbrar começo e fim, muito menos divisões individuais. A tal fauna tinha na envolvência do poiso dito toda a flora que necessitava enquanto na rejeitada zona nada tinha que a pudesse cativar, para além da sua natural aversão ao que os humanos costumam apelidar de progresso. Em vias de chegar a ele ou do nosso recatado dito posto narrativo, em trânsito para o seu destino caso surpresas não se antecipassem. Tribo ali por diante decidiu que o melhor caminho para o progresso tão indispensável chegar seria a subtração de natureza e nestes tempos últimos antes de nós aqui chegarmos para a narrativa, trataram de fazer das suas que é como quem diz «Isto agora tudo nosso é e nem sequer pausa iremos fazer pois fauna não somos nem flora precisaremos.» Mas como em parte qualquer que o mundo tenha, tribos nunca irão faltar, pensando diferente umas das outras. E se houve tribo que antes deu aval para o que se passou por ali no antes, tribo nova surpreendeu-nos porque já vinha a caminho numa longa comitiva para o desfazer tido como tão urgente. Até se questionavam entre eles, os membros efetivos tidos como de direito à admissão que igualmente acontecido tinha no antes da chegada nossa, sobre a presença de artefactos sem falta. Sim, porque para desfazer o mal que vinha de um atrás, longínquo não muito, preciso ser poderia uma série de ferramentas que porventura no inicial momento do que ali constava não foram chamadas à presença. Legislativamente tudo no tratado se encontrava e a fauna até bem aplaudia como se tivesse lido o legislativo manuscrito que também vinha na comitiva. Esta como foi dito ou escrito um pouco mais atrás, longa era pois a primeira secção era a tribo do desfazer e a segunda constante era a tribo do fazer pois que a natureza requer sempre uma intervenção ativa para o crescimento que vem sempre depois do verbo semear. E a do fazer, informados fomos no a seu tempo devido, também era acertadamente designada por tribo do semear. A fauna alegremente voava pois antecipava o que aconteceria no futuro quase a dar-se como presente, até pelo debandar da tribo primeiro apresentada, discretamente pelo lado oposto, eventualmente com diversas compensações, mas isso já a fauna lido não tinha no tal manuscrito que acompanhava a comitiva.

 

Por hoje, apresenta-se apenas com outro poema, um clássico, talvez possamos dizer, escrito por Sophia, através do qual ela nos fala da nostalgia de não contactar com a natureza quando se vive numa cidade. Afinal, muitos de nós somos hoje cada vez mais impedidos de ter um tempo de qualidade em contacto com a natureza, e eventualmente, incapazes de perceber o quanto esta pode sofrer com a nossa ação pouco inteligente, por exemplo, ao usufruir de uma alimentação pouco equilibrada e/ou excessiva, algo que, a ser analisado, seria com uma análise longa.

 

A Cidade, de Sophia de Mello Breyner Andressen, Livro Sexto

 

Cidade, rumor e vaivém sem paz nas ruas,

Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,

Saber que existe o mar e existem praias nuas,

Montanhas sem nome e planícies mais vastas

Que o mais vasto desejo,

E eu estou em ti fechada e apenas vejo

Os muros e as paredes e não vejo

Nem o crescer do mar nem o mudar das luas.

 

Saber que tomas em ti a minha vida

E que arrastas pela sombra das paredes

A minha alma que fora prometida

Às ondas brancas e às florestas verdes.

 

 

Para terminar, talvez por este ano, com uma música de Caetano Veloso, que todos reconhecemos e que nos fala de leões, ou seja, nos fala de natureza de uma forma poética.

 

 

Até breve.

Feira do Livro de Lisboa 2021, Pandemia, Esperança

por talesforlove, em 01.09.20

Por estes dias decorre a Feira do Livro de Lisboa e que alegria que decorra. Nos anos anteriores, poderemos dizer desde sempre… este evento foi um símbolo de magia nas nossas vidas, nós que adoramos alguns livros (não todos) como uma Princesa no topo da sua torre de sonhos inalcançáveis, como algumas poetisas Portuguesas do passado nos poderiam sugerir. Relembro, como se fosse uma lembrança trazida pelo vento que nos parece ser um mensageiro do passado, aquelas noites de verão em que as pessoas passeavam despreocupadas de banca em banca, com uma calma quase a roçar o desdém por alguém ali ao lado, fosse qual fosse a sua condição, e agora percebo que isso era só tranquilidade, como se existisse ainda um amanhã garantido e um pouco depois sempre fiel e sempre real, mesmo ali, naquele momento, naquele presente, verdadeiramente como um presente, que poderíamos desembrulhar a cada momento, qual dádiva sempre certa nas nossas vidas.

A cada noite, com um pouco de sorte, um pouco de perfume de jacarandá, a emprestar um pouco de exotismo e daquele azul em pólen refeito. Um cosmopolitismo que ali se edificava a cada momento e que se perfumava ainda com uma bela sardinha no prato, num Junho de Santos Populares. Ah! E aquela noite de Santo António com uma “procissão” de casados de Santo António a passear-se por aquela noite feita de livros, sonhos, comes e bebes, turistas, alegria quase eterna, negócios feitos, novos autores, literatura e quase literatura, técnica e construções por edificar.

As festas entre flores feitas de papel e Marchas Populares novas, renovadas e trazidas do passado afinal tão presente por ali, por todo o lado, nos nossos corações alfacinhas e forasteiros. Até parecia que o entardecer, cor de melão maduro, da Lisboa da Rua do Alecrim nos tomava por inteiro, num sabor a eterna juventude, eterna ilusão. E para rematar tudo isto, um sentimento de musicalidade vindo da Rua das Janelas Verdes, Lar da Madona, sim da Nossa Madona, que nos trazia esse sentimento de recentramento do mundo na nossa capital, como um crer capital no ser-se positivo e realisticamente vencedores.

E ali para os lados da Rua da Politécnica, ainda o nosso rasto, num passeio mesmo antes da Feira do Livro, sim porque literatura é vida, é crer, é imaginar mas é também técnica, é também ecologia. O Jardim do Museu de História Natural e o por do sol, por ali mais cor torrada leve, com as suas árvores centenárias e testemunhas de outros verões e outras pandemias, permitindo-nos relativizar tudo e manter os olhos no futuro que ai vem, mais esclarecido e marcado por um novo olhar mais inseguro e mais humilde.

Estes dias de Feira do Livro são dias de passeio com amigos, convívio e paz, nem que sejam com moderação e como recordação. “Viver é já vencer” eis a nossa nova crença e a nossa força para cada passo.

Ao fundo, como tantas vezes referido, o Tejo, com as suas águas tantas vezes reluzentes, a convidar o nosso olhar para o Oceano sempre lá, como marco gigantesco dos limites de todos nós como seres humanos, que nos inunde de sede de viver e nos faça agarrar a vida com as duas mãos e com todo o nosso sorriso.

Ali ao lado, do Parque Eduardo VII, fica o Jardim Botânico de Lisboa, com as suas pequenas paisagens tão… simplesmente, bonitas. No passado as estrelas cadentes davam direito a um desejo, e por ali, uma bela noite, uma estrela passou, e alguém desejou mais saúde, quero imaginar, e foi-lhe concedida. Cada árvore transformou-se numa testemunha desse momento e consta, imagino, que a cada noite segredam entre si, aquelas noites do passado agora se refazem e de novo podem trazer tudo o que queremos.

Ao passar por ali, um transeunte mais distraído, viu tudo e deteve-se por momentos. Os seus passos lentos, quase em desespero, reganharam ânimo. O céu daquela noite era todo feito de estrelas, quase sem luzes artificiais e assim, aquela abóbada de esperança se abateu sobre ambos. Os aviões também não rasgavam os céus e assim era a humanidade, de novo, mais carne, osso, sentimento que máquina e nadas. Uma noite de amor pela humanidade e uma tranquilidade em comunhão com aqueles seres sem sistema nervoso mas com sentir que não podemos explicar: as árvores, as plantas daquele jardim.

Depois com o nascer do sol, o acordeão e alguém a cantar enquanto outros comiam o pão feito pelos padeiros e padeiras daquela noite, a trabalhar para todos poderem viver e sorrir. Sim, porque na Pandemia do início do Século XX, também havia medo, esperança e alegria, pois que a coragem era ainda maior naqueles tempos.

Hoje, de novo na Feira do Livro, será tão melhor olhar para o social do evento e aqueles momentos de diversão mesmo que a comer uma qualquer sandes que ali seja vendida. Alguma música é tão importante para nos alegrar e fazer voltar a desejar ler um livro ou simplesmente olhar para uma capa e imaginar o que lá vai dentro.

 

Sonhar é acreditar e acreditar é esperar o melhor, mesmo enquanto o pião não volta a rodar despreocupado. Mas que importa……. Vou mergulhar nas águas geladas do mar de Carcavelos e aguardar mais um final de dia ardente de verão.

 

Até breve.

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