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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo. :)

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2 de Abril de 2019: Água, Ambiente, Moçambique e “Rosa Branca, Floresta Negra”

por talesforlove, em 02.04.19

A água é considerada fonte de vida, sem dúvida, mas, o furacão Idai com o a sua força e água associada acaba por ser um exemplo de que esta, quando em excesso, pode ser uma fonte de morte. A falta de água, ao contrário, provocando uma seca, como tem sucedido várias vezes em Portugal Continental durante este século, tem suscitado forte preocupação e também ela exige uma adaptação da nossa forma de viver.

 

Água fonte de vida

 

Ontem e hoje recomeçou a chover abundantemente em várias regiões de Portugal, sendo, sem dúvida, um sinal de esperança para todos nós.

Mas, veja-se o que estava a suceder em Portugal antes destas chuvas:

https://www.ipma.pt/pt/oclima/observatorio.secas/

 

A situação é de tal modo digna de atenção que já existe um “Observatório das Secas”. A necessidade de novos comportamentos torna-se importante, portanto, para acautelar um futuro mais seguro para todos nós. Por exemplo, se tivermos em atenção o custo do tratamento da água potável que bebemos nas nossas casas e que sai das nossas torneiras, talvez, seja uma boa ideia aproveitar captar e armazenar alguma água da chuva, quando possível, para pequenas tarefas diárias como lavar vegetais ou lavar janelas ou o carro. Imagine-se o impacto que este pequeno gesto teria se multiplicado por muitos lares. Repare-se que mesmo a água utilizada para estas tarefas simples é tratada como se fosse utilizada em consumo humano. Algo que só pode ser justificado pelos custos de distribuição da água, a qual não deve ser feita de forma duplicada.

 

Furacão Idai e Morte em Moçambique e África

 

É certamente do conhecimento de todos nós o impacto que o Furacão Idai teve em África e sobretudo em Moçambique. Muitas vidas roubadas, localidades inteiras destruídas, de novo o debate sobre as alterações climáticas e mesmo a localização de habitações face ao mar, cujo nível médio das suas águas tende a subir.

Basta olhar para estes dois jornais online e podemos ver detalhes que nos podem fazer levar a pensar na efemeridade das nossas vidas e da sua fragilidade:

https://www.mundoportugues.pt/tag/ciclone-icai/

https://www.publico.pt/mocambique?page=2

 

É neste contexto que aqui deixamos um poema por Stelio F. que obteve o 2º Lugar na Categoria Poesia no Concurso Literário “Natureza 2018-2019” (Versão em Inglês)

 

Paint me

 

Paint with forgetfulness

like the wall of time

with smoke flashing souvenirs

in all private emotions

Paint me with a brush

Paint me

grab me

No brush

With coal

  ripping me off the ground

slowly paint without haste

with dry ink

that prides itself

on this screen that is life

without coming

in the roots of my being

from my intimate pleasure

 

Tradução para Português por Rui M.

 

Pinta-me

 

Pinta com esquecimento

tal como a parede do tempo

com lembranças psicadélicas de fumo

com todas as emoções privadas

Pinta-me com uma escova

Pinta-me

Agarra-me

Sem pincel

Com carvão

   arranca-me do chão

pinta-me lentamente sem pressa

com tinta em pó

que se orgulha

neste ecrã que é a vida

sem vir

nas raízes do meu ser

do meu prazer íntimo

 

foto2ok.jpg

foto3ok.jpg

 

 

“Vozes da Primavera” (2017) por Maria A. S. Coquemala

 

Novamente, com a Primavera, justifica-se uma nova visita ao livro “Vozes da Primavera” (Editora Porto de Lenha, Brasil, contato@portodelenha.com) o qual nos encanta com a beleza da sua escrita. O livro é composto por um conjunto de contos com uma prosa muito cativante e com um ritmo muito próprio. Sem dúvida, uma oportunidade de leitura cativante e instrutiva, nesta Primavera que agora começa (em Portugal).

 

É tempo agora de olhar, pela primeira vez, um livro que nos fala de personagens que salvam as suas vidas na Floresta Negra. As árvores bebem a água para viver.

 

Um primeiro olhar sobre o livro “Rosa Branca, Floresta Negra”, por Eoin Dempsey (Irlanda)

 

“Aqueles que queimam livros acabarão um dia por queimar pessoas.” Esta parece ser a frase-chave no livro “Rosa Branca, Floresta Negra” (Editora Minotauro) a qual se bastaria a si mesma para nos fazer pensar. A profecia desta frase concretizou-se durante o regime Nazi na Alemanha da 2ª Guerra Mundial. Não será o objeto livro que está em causa mas sim as ideias que nele se perpetuam e através delas as pessoas que com elas viveram e nelas acreditaram. Hoje, os nazis poderiam queimar equipamentos kindle, por exemplo, para alcançar o mesmo propósito. Em “Rosa Branca, Floresta Negra” a crueldade contra as outras pessoas surge-nos como um crescendo: 1º anulam-se as pessoas psicologicamente, de forma cada vez mais absoluta, e depois, em 2º lugar, anulam-se fisicamente… Talvez hoje os Nazis tivessem de desligar toda a internet pois a liberdade não era um valor em que confiassem. 
Quem não se adequava aos padrões de Adolf Hitler, o Furer, seria aniquilado fosse ou não fosse Alemão e foi isso que a heroína, a enfermeira Franka Gerber, viveu, perdendo toda a família, ainda que o seu pai tivesse sido morto por um bombardeamento dos Aliados a edifícios civis. Fruto da depressão profunda que se apoderara dela, ela dirigia-se um dia para a Floresta Negra, para se suicidar, mas, todavia, não o fez, porque encontrou um soldado recém caído de paraquedas na neve, com ambas as pernas partidas. Salvando-o salvou-se.

 

[Continua]

 

Até breve.

Texto de quase crítica literária ou de cinema sobre o filme “Pedro e Inês” (2018)

por talesforlove, em 31.01.19

 

O filme “Pedro e Inês” (2018) do realizador António Ferreira e Tathiani Sacilotto é baseado no livro “A trança de Inês” de Rosa Lobato Faria (2001). É possível dizer que provavelmente este é um exemplo de uma nova forma de olhar para a história do nosso país, vendo-a de uma forma e, de certa forma, provocando-a, porque, além de se olhar para a evolução material e cultural temos ainda a história de Dom Pedro e Inês de Castro, que é um pretexto para nos questionarmos como seria esta narrativa nos nossos dias ou mesmo no futuro. Sabemos que Dom Pedro desafiou os limites sociais e familiares do seu tempo e foi-lhe atribuído o cognome de O Justiceiro e surge a pergunta sobre qual seria o seu comportamento e o das outras personagens principais, Dona Constança e Dona Inês, nos nossos dias, por exemplo. E enquanto leitores do livro e espectadores do filme, podemos ainda perguntar quais as razões que levaram a autora a acreditar que esta narrativa seria possível e realista.

Gostei de ver este filme, na sua configuração surpreendente, leva-nos a um passado que me parece bem retratado, leva-nos a um presente imaginado, aparentemente muito lisboeta, e a um futuro intrigante e ecológico, simultaneamente como um regresso aos primórdios, um fechar de círculo. Brincando com o que vemos, podemos dizer que estamos perante uma máquina do tempo consciente em que a história contada e o cinema não coincidem por completo, ao contrário do que aconteceu com as primeiras projeções de Auguste e Louis Lumiére, por exemplo, L’árrivée d’un train engare de La Crotat (Lopes, J.; Maio 2018; p. 19). Ao ver o filme podemos ficar confusos, e parece ser esse o objetivo do realizador, pois não sabemos bem se o Pedro de hoje está louco ou apenas mais recolhido a um estado superior de consciência do que é a sua vida. Senti que o filme é suficientemente complexo para o olhar sob três perspetivas: a do retrato do passado (histórico); a do presente “imaginário”; e a relativa a um “futurível”. Trata-se de algo a fazer lembrar os trabalhos de Paul Gaugin, nomeadamente as suas películas sobre o Tahiti e a designação a eles atribuída “De onde vimos/quem somos/para onde vamos” (Lopes, J.; Maio 2018; p. 23).

 

PASSADO

Parece ser essencial uma breve introdução histórica com contexto cronológico, para que nos seja possível compreender que a abordagem apresentada nesta película é muito balizada pela história real vivida pelos protagonistas ou personagens principais. Apresento de seguida uma breve sequência cronológica de eventos conhecidos ou que se julgam ser reais. A esta segue-se uma muito breve explicação social.

 

Coimbra a 8 de abril de 1320: nasce Dom Pedro I, filho de Dom Afonso IV e Beatriz de Castela;

1334: casa com Infanta Dona Constança, nascida em data incerta e falecida em 1345 (filha de D. João Manuel, infante de Castela);

Cerca de 1325: nasce Dona Inês de Castro, que viria a falecer em Coimbra, na Quinta das Lágrimas (Quinta das Lágrimas; 2019), em 1354, sendo mais tarde coroada Rainha por Dom Pedro I e sepultada, ao seu lado, em Alcobaça em 1361 (filha de D. Pedro Fernandes de Castro a de D. Aldonça Soares de Valadares, de Castela);

Dom Pedro I é neto de Dom Dinis, o Rei Poeta, e entre os seus filhos encontramos Dom João, Mestre de Avis, fundador da segunda dinastia, cuja mãe é Teresa Lourenço, nascida a 14 de Agosto de 1356 (Portal da História; 2019).

 

Os fios condutores desta sequência de eventos, são: i) o sentimento de infortúnio por parte de Dona Constança, em contraste com o amor entre Dom Pedro e Dona Inês; e o ii) o desconforto feroz de Dom Afonso IV, pai de Dom Pedro, que considera o comportamento do filho inaceitável por ser inoportuno, também porque contrário à sua vontade, e sobretudo por ser algo com possíveis consequências para a Coroa, podendo provocar um conflito com Castela.

 

PRESENTE

 

Este presente sugere-nos um Pedro que se casa com Constança porque as circunstâncias da vida o levam a isso, ou seja, com a naturalidade de quem namora com alguém e a leveza do habitual o conduz a esse “desfecho”, ou seja, não sendo obrigado, como no passado, também não se questiona nem vê alternativa. Inês surge no local de trabalho e Pedro sucumbe ao impulso amoroso imediatamente. Tal como no passado a história não nos compromete com um julgamento com culpados e inocentes, sendo todavia mais discreta a fronteira pois aqui não existe uma obrigação de matrimónio.

Também aqui Constança tem uma via de ação diferente, sentindo-se injustiçada, ela não morre e não se mantém em silêncio, pelo contrário, vinga-se, de uma forma que não quero aqui descrever para não contar todo o enredo. A sua ação pode-nos levar a questionar a sociedade em que vivemos ou a forma como a escritora olhava para a sociedade a que pertence. Assim, a violência extrema continua a existir mas não já praticada por Pedro, mantendo-se todavia a tragédia desta história de amor. Talvez tenha sido este sentir que a escritora queria que permanecesse, independentemente da história ser considerada verosímil nos nossos dias ou entendível. Algo é certo: a violência continua nas vidas dos protagonistas pese embora a suposta evolução de centenas de anos da sua sociedade. Não poderia ser diferente?

O filme retrata esta sequência de eventos de uma forma sensível, primeiro mostrando um certo estilo de vida lisboeta e depois tentado revelar uma Constança que deveria sair de si, enlouquecer, ao ponto de agir de forma tão descontrolada. Parece-me que não é suficiente este retrato no filme, e provavelmente também no livro, para aceitar este desfecho, possível mas incómodo.

 

FUTURO

 

Intercalado com o passado e o presente vai-nos surgindo igualmente o futuro, como se os três elementos do tempo fossem comparados a par e passo, revelando possibilidades distintas das mesmas vidas, sem um propósito que não se consegue perceber. Para contextos diferentes parece existir a preocupação de manter uma carga dramática igual, justificando a descrição de “amor intemporal” este vivido entre Pedro e Inês e, evidentemente, Constança. Não importa nada se as ações das personagens são legítimas aos nossos olhos de hoje e parece existir uma grande preocupação do realizador para acentuar esta constância na expressão de cada cena em momentos chave que parecem comuns a tempos distintos.

O nome Constança, tal como numa peça de teatro clássica, parece remeter para uma atitude constante em termos emocionais, resistente, mas essa postura não se verifica nem no presente nem no futuro, embora com consequências díspares. A Constança do futuro surge enquadrada numa comunidade ecológica. Esta comunidade comporta-se como uma máquina com engrenagem em que quando surge um elemento ou possibilidade de desarmonia, leva ao distúrbio e consequentemente ao resultado trágico. Como no passado, nota-se uma certa rigidez de contexto social, e a dureza das expressões deste pai Afonso, denotam isso mesmo: uma força externa aos protagonistas amorosos. O filme capta esta força sendo que no presente me parece menos real, menos presente.

 

 

 

 

 

Para finalizar: um breve olhar global...

À medida que vamos vendo o filme ficamos estupefactos por sermos surpreendidos pela história, pois, afinal, deveríamos conhecer tudo, dado que o filme tem uma forte componente histórica. Esta surpresa é muito gradual, tal como a possibilidade de uma tragédia porque vamos muito suavemente sendo “abraçados” pelos acontecimentos, sem existir nada que nos abale emocionalmente, num primeiro olhar. A música contemporânea e com um toque de mistério só sublinha esta sensação inesperada.

Em dado momento, tudo parece modificar-se e mesmo a leveza dos cenários parece ganhar um novo peso. Sente-se um pressentimento mau, acompanhado de um travo metálico na boca, como que anunciar uma tragédia eminente e quando de facto algo acontece, algumas pessoas podem mesmo ser forçadas a voltar a face no decurso de algumas cenas, tal é a sua força.

Na minha opinião, o trabalho dos realizadores é sublime. 

Quem vê este filme vê mais que um filme de entretenimento, vê quase um documentário histórico, vê algumas cenas rodadas na Quinta das Lágrimas, em Coimbra, vê uma tragédia romântica que leva a pensar sobre a sociedade e sobre nós próprios, na forma como nos deixamos, ou não, ser influenciados pelo que nos rodeia.

Um belo filme intimista sobre Portugal.

 

Agradecimentos:

O texto foi lido pelo profissional de imagem David. C. que amavelmente cedeu a sua opinião.

 

Bibliografia:

 

Lopes, J. (2018), “Cinema e história”, Fundação Francisco Manuel dos Santos, pp. 88

Website: Quinta das Lágrimas (2019); http://www.centerofportugal.com/pt/quinta-das-lagrimas/

Website: Portal da História (2019); http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/pedro1.html

 

Trailer oficial:

 

 

Para terminar, um belo vídeo Italiano (Estúdios APSHOR)para uma impressionante canção Portuguesa, por Dulce Pontes.

Quantas vezes somos mais valorizados no estrangeiro do que no nosso país.

 

Dulce Pontes - Canção do Mar

É possível gostar aqui: https://www.youtube.com/watch?v=YzCaGytvgzQ

Amanhã contamos divulgar os resultados intercalares do Concurso Literário Internacional "Natureza 2018-2019". É a listagem dos trabalhos escolhidos para a Antologia, entre os quais serão escolhidos os vencedores. Todavia, mesmo entre os autores não escolhidos pode surgir um contacto, no futuro próximo, com o objetivo de propor a sua publicação no blog.

 

Até breve.

 

 

 

O Livro "Paralelismos" por José Vieira

por talesforlove, em 31.12.18

Paralelismosminimo.jpg

A obra "Paralelismos" é constituída por três contos que nos encaminham a histórias carregadas de humanismo, sobretudo quando observamos também a violência das circunstâncias da vida de algumas personagens que têm como objetivo a simples vivência tranquila, que buscam sem cessar. Três histórias que iluminam os caminhos da nossa reflexão, muitas vezes inconsciente dos seus caminhos possíveis. Três aventuras únicas, contadas de uma forma acessível e envolvente.

 

Contacto do autor: teresavieiralobo@sapo.pt

 

Até breve.

Bom Ano Novo.

O Livro "(IN) CONSTANTE" por José Vieira

por talesforlove, em 31.07.18

Tentativa de crítica literária da obra (IN) CONSTANTE (2018)

 

(IN) CONSTANTE é um livro de poesia que parte dos conceitos de inconstante, ou seja, que é instável, e constante, ou seja, que é firme, o oposto do primeiro. Todavia, logo na poesia UM se refere “Era noite e ela partiu.” Assim, física e emocionalmente o autor nos leva a um movimento entre estes dois polos da existência. Em impulso, este livro parece resultar do objetivo aparente de se pretender construir um “pêndulo poético” que confronta o “absurdo”.

Surgem muitas perguntas e muitas respostas ao longo desta obra que nos parece querer confrontar mais que apaziguar e, se nos apazigua, é porque, por vezes, nos relembra o que já sabemos, se o soubermos, como um relógio despertador que nos quer arrancar de um sono letárgico. A obra pode ser vista como um instrumento de questionamento e por essa via de moldagem da ação do leitor.

E, quando encaramos o poema TRINTA, que começa com:

“Viver

É como uma folha de árvore

Que cai numa tarde de Outono”

surge na nossa mente uma questão: “porquê?!” não nos surpreende um poema longo, talvez demasiado, arriscando a repetibilidade, atendendo a que refere o mito de Sísifo, ou talvez não o seja, considerando que a pergunta inicial remete implicitamente, neste caso, para complexidade, cuja resposta ou explicação não é banal.

Sim, este livro pela poesia sem rima, “livre” e questionadora, convida a releitura se a vida para isso nos preparar…

 

Contacto do autor: teresavieiralobo@sapo.pt

 

O livro: https://www.leyaonline.com/pt/livros/poesia/in-constante-ebook/

 

NOTA: Tal foi a força criadora do autor que alguns erros ortográficos passaram para esta primeira edição. Algo que pode esclarecer através do contacto disponível.

 

Até breve.

Dia de 1 de Junho 2018

por talesforlove, em 01.06.18

Junho começa com o Dia da Criança. Símbolo também da esperança, futuro, sonho e presente.

Em Portugal, neste Junho, pela primeira vez, recorda-se o um ano após as mortes nos fogos florestais de 2017; sobretudo a tragédia de Pedrógão. Todos nós sabemos o que isso significa e significou; não é necessário, portanto, esclarecer o que esclarecido está. Queremos um novo horizonte mas, ainda neste mês de Maio esse evento, muito atual, se fez de novo nos seus tons próprios. Faleceu uma pessoa anónima, de seu nome João, a cortar erva/mato quando caiu de uma barreira com cerca de 2 metros de altura. Fim breve e com a simplicidade que fora a sua vida. Convém homenagear o anónimo, pois quem o faz?! O herói simples do dia comum que ninguém menciona por não se julgar merecer o gasto de tempo na escrita de um breve texto. Aquele que mesmo que fosse esquecido, ninguém repararia nesse facto e para quem ninguém tem necessidade de fazer a derradeira vénia publica. A homenagem aos mais notáveis faria quase um sentimento de dignidade a quem a faria mas, neste caso, esse sentimento é-nos mais pessoal, um exemplo, vindo de uma parte do mundo mais remota.

Entretanto, voltando a página, redescobrimos ou recordamos a combinação ardente de 2017: fogos florestais e a Feira do Livro de Lisboa. Em 2018, a pena mecânica criou mais um exército de livros comercialmente dispostos e apresentados (quase sempre), no Parque Eduardo VII. O tempo mais fresco brindou o país com a sua presença “salpicada”, um ou outro dia, com subtil chuva, pelo menos até ao dia de hoje. Mas será Junho assim tão morno?

À parte de perguntas como esta, “difusas”, dizem as “más línguas” que uma imagem pode erradicar a necessidade de 1000 palavras; motivo pelo qual vos oferecemos estas fotos:

 

 

1feira2018.jpg

 

2Feira2018.jpg

3Feira2018.jpg

 

 

Queremos acreditar que este ano a Feira terá ainda mais visitantes; nota-se uma enchente de famílias, de leitores, de turistas, de simples “olharapos”, que parece antever tal hipótese. Sem esquecer a nostalgia de feiras passadas… Afinal, onde está o telescópio que nos permite ver, lá longe, a lua cheia, redonda e perfeita como gostaríamos que fossem as nossas vidas?!
As poesias impõem-se pois novamente.

Por Joan B. (EUA – Califórnia)

 

WHY ME?

 

There are so many times in one’s life

When we quietly murmur “Why Me?

Complications, frustrations and worry

Seem to take over our lives and

Depression sets in.

We must remember that we are not alone

In how we feel.

The world today is full of negative images and writing.

How much more do we need to take hold of our own

Self in a determination to bring thoughts that are positive.

We are thankful for the gifts we have been given

And take in the beauty that surrounds us in nature.

Healing does not take place overnight but as we

Take one day at a time and look at a beautiful sunset or

Perhaps an aura of a rainbow stretching across the sky,

We look to our future with strength of mind and the knowledge

That there will be brighter days ahead.

 

Tradução para Português, por Rui M.

 

Porquê eu?

Quantas vezes na vida de alguém
Quando silenciosamente murmuramos “Porquê eu?”
As complicações, frustrações e a preocupação
Parecem dominar a nossa vida e
A depressão se instala.
Temos de nos recordar que não estamos sós
Na nossa forma de sentir.
O mundo dos nossos dias está repleto de imagens e literatura negativa.
Tornando tão maior a necessidade de nos apropriarmos da nossa própria literatura
Com a determinação para materializar pensamentos positivos.
Nós estamos gratos pelos presentes que nos têm sido dados
E tomamos para nós a beleza que nos rodeia através da natureza.
A cura não acontece durante a noite mas na forma como nós
Encaramos cada dia de cada vez e vemos um maravilhoso pôr-do-sol ou
Talvez a aura de um arco-íris que se espraia pelo céu.
Nós olhamos para o futuro com confiança e o conhecimento
De que haverão dias mais cintilantes à nossa frente.

 

Nota: Dedicamos este poema a todos quantos sabem o que é a depressão e a todos quantos respeitam esta doença; em especial aos bons, os verdadeiros, profissionais de saúde que se preocupam com a dignidade da pessoa. Aqueles e aquelas que abraçaram a sua profissão por vocação e não como resultado de um mero exercício contabilístico.

 

E também se impõe a alegria de perceber que o livro que originou este blog, “Tales For The Ones in Love” já chegou ao Brasil. Ei-lo forte e intemporal, nas mãos da talentosa Escritora Brasileira Maria Coquemala.

 

LivroM2018.jpg

 

 

Para terminar, fiquemos com a força das ideias, feitas música.

Que as entenda quem tiver olhos para as sentir.

 

2 Cellos – Theme from Schindlers’ List

 

 

 

Até breve.

A Feira do Livro de LIsboa - 2018 - Começa Hoje

por talesforlove, em 25.05.18

 

http://feiradolivrodelisboa.pt/

 

Revisão crítica de “Adágios” por José Vieira

por talesforlove, em 11.08.17

“Adágios” (2017) é o terceiro livro publicado por José Vieira, pseudónimo da autora Teresa Vieira Lobo, nascida na década de 80 do século passado em Gaula . Esta obra surge após o amadurecimento literário proporcionado pelo primeiro livro “Estranhas Coincidências”, publicado em 2014, e pouco depois, em 2016, com o romance “Dedicação, Palavra e Honra”. Alguns contos publicados na revista literária “Submersa” e na plataforma “Quem conta um conto”, somam-se a esta atividade literária laboriosa.
“Adágio significa provérbio popular com mensagens de teor moral, ditado. Assim, considerando apenas o título “Adágios”, poderíamos supor que no interior deste livro iríamos encontrar uma coletânea de ditados, todavia, tal não é verdade pois, encontram-se 5 contos autónomos, todos eles, é certo, com mensagens morais explícitas com diversa gradação na forma como nos surgem.
Em prosa cativante, em ritmo marcado pela ação e emoção, surgem diante de nós as vidas, realistas, de cinco mulheres que procuram o melhor para si, e para os seus, em contextos frequentemente tormentosos mas também frequentemente felizes, muitas vezes em simultâneo, sem dúvida que a par e passo; em relato de luta entre o bem e o mal.
Na contracapa diz-se que “Adágios é um livro de vidas. De mulheres. De luta. Um dia foram elas... Amanhã seremos nós.” Convém olhar com algum cuidado esta sequência afirmativa. As vidas são, sem dúvida, o núcleo central deste trabalho, são elas que lhe dão corpo. São-no na perspetiva das mulheres, o que adiciona detalhes comoventes e familiares ou mesmo de “amor quase maternal”, como às páginas tantas se menciona, de tal forma que, quando em certo momento se fala de “essência”, já compreendemos, antecipadamente, o que se pretende referir ou pelo menos isso assumimos, dada a profundidade de alguns dos conflitos éticos com que se deparam as personagens.
Quero todavia acreditar que vários destes elementos dramáticos seriam parte destas histórias caso se de homens se tratasse... A luta ética é algo que pode dizer muito a todo o ser humano e é de seres humanos que versam estas páginas, sensíveis e cativantes. Todavia, não se concorda com a afirmação que remete para amanhã esta luta, pois por vezes podemos esquecer mas ela nos envolve a cada momento e em cada ação pois somos seres dotados de livre arbítrio.
Em resumo, a leitura de “Adágios” leva-nos longe, quem sabe a olhar “por dentro” a natureza humana. A certa altura com um prisma religioso e em outros tantos momentos tão só pelo sentir que, de facto, nos transmite. Se assumirmos que a literatura proporciona mudança ou alicerces a quem dela frui, este livro pode ser entendido como um bom caso de “literatura de catarse”. São páginas que valem a pena ser lidas.

 

Referência da obra:

Vieira, J. (2017), “Adágios”, Chiado Editora, Lisboa, pp. 97

 

Tem interesse no livro?

Aqui tem o contacto da Autora: teresavieiralobo@sapo.pt

Entrevista a Paula Hawkins na Feira do Livro de Lisboa em 2017

por talesforlove, em 09.07.17

Autora das obras "Escrito na Água" e "A Rapariga no Comboio"

 

O que ser escritora significa para si?
Escrever é mais uma vocação que uma profissão: sou suficientemente sortuda para poder ganhar a vida a escrever, mas penso que escreveria – tal como sempre escrevi – mesmo que eu não fosse publicada. Desde a infância sempre tive grande prazer em escrever histórias: todavia foi apenas quando cheguei aos meus 30 anos que ganhei confiança suficiente para mostrar essas histórias a outras pessoas, mas a necessidade de criar ficção nunca me abandonou.

Que período da sua vida pensa que mais influenciou a sua escrita?
Possivelmente a fase final da minha adolescência ou os meus vinte anos mais jovens que correspondem ao tempo em que abandonei o Zimbabué, onde cresci, e em que me mudei para Londres, onde vivo atualmente. Esses anos foram agitados, e frequentemente solitários – escrevi muito durante esse tempo. Aos dezanove anos, mudei-me para Paris e vivi lá durante um ano. Essa foi a primeira vez que vivi sozinha, numa cidade estrangeira, a falar uma língua que eu tentava dominar mas com dificuldade. Foi solitário, novamente, mas excitante também.

É possível para um escritor criar o seu trabalho sem ter em conta os sentimentos das pessoas em seu redor?
Penso que talvez seja possível, embora eu não esteja certa que tal deva suceder. Escrever é, para mim, um exercício de empatia, na compreensão dos outros, em ser capaz de se colocar na posição do outro e imaginar os seus pensamentos e sentimentos. Assim, seria estranho, se ao imaginar os pensamentos e sentimentos de personagens ficcionais, ignorássemos os sentimentos das pessoas reais da sociedade em que vivemos.

Quase no Final da Feira do LIvro de Lisboa... 2017

por talesforlove, em 14.06.17

Uma frase de Fernando Pessoa:

 

"Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?"

 

Fernando Pessoa

Menções Honrosas - Categoria "Conto"

por talesforlove, em 22.02.17

 

"In Carcere" por Vítor de Lerbo, Brasil

"Camiranga" por Thásio Ferreira, Brasil

"As Tribos" por Luis Amorim, Portugal

"Da Natureza Humana" por Jober Rocha, Brasil

"Os sorrisos verdadeiros vinham em momentos especiais" por Eduardo Ferrari, Brasil

"Lição de vida" por Edweine Loureiro, Japão

"Barco Solitário" por Evandro Gaffuri, Brasil

"Sementes Invisíveis" por Louise Ribeiro, Brasil

"Derrame-se a natureza" por Nilton Silveira, Brasil

"A cor da noite" por Eduardo Soares, Brasil

"Uma prosa inusitada (a fábula contemporânea)" por Ricardo Lavaca, Brasil

"Moradores do alto" por Arai Santos, Brasil

"Mestres em Gaya" por Iná de Siqueira, Brasil

"O chorão" por Aparecida Gianello, Brasil

"Destino de Flor" por Cavaleiro de Cervantes, Brasil

 

Parabéns.


Alguns contos extras serão incluídos na Antologia final e tal será conhecido aquando da disponibilização do livro digital.


Entretanto, está prevista a divulgação do resultado da categoria "Poesia" em inícios de Março. Pedimos desculpa pela demora mas a qualidade dos trabalhos recebidos obriga a uma leitura muito cuidada dos mesmos.
 
Até breve.
A Equipa

 

 

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  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D