COP30 e Mutirão Global e Concurso Literário
A COP30 realizou-se e ficou um conjunto de decisões e informações sobre a nossa realidade ambiental atual. Um dos resultados mais relevantes deste evento, parece ser a iniciativa o Mutirão Global que surge pela sensibilidade ao fenómeno do calor extremo e algumas dificuldades em encontrar um consenso global para reduzir o consumo de combustíveis fósseis.
Aqui pode ser encontrada diversa informação:
https://brasil.un.org/pt-br/305077-na%C3%A7%C3%B5es-unidas-e-cop30-mobilizam-mutir%C3%A3o-global-contra-o-calor-extremo
É muito inspirador ver os jardins urbanos que combinam a beleza das plantas com alguma arte. Como uma empatia entre áreas de conhecimento classificadas como distintas, nomeadamente a biologia e a arte, e consequentemente entre todas as pessoas que por ali passam, independentemente dos seus interesses ou atividades do dia-à-dia.
Claro que uma das preocupações sublinhadas na conferência foi a de conciliar proteção da casa comum com qualidade de vida das populações ou resultados económicos, algo nem sempre equivalente. Fenómenos como as três semanas de calor extremo este verão, em Portugal, ou a subida do nível médio do mar, a afetar países formados por ilhas com baixa altitude, colocam pressão sobre as soluções.
No final, fica-se com o sentimento que estamos perante outro encontro a meio de um percurso, que não se esgota nos poucos dias em que o tema da sustentabilidade ambiental se torna o foco de parte importante do planeta terra.
Voltaremos a este tema.
Entretanto continua o Concurso Literário Natureza África agora com um prazo até 15 de Dezembro. Mais informação em:
https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/concurso-literario-africa-mocambique-194439
Ficam hoje estes poemas e contos recebidos no contexto do Concurso Literário Natureza 2025. Os resultados devem ser publicados na segunda metade de Dezembro.
CURSO D’ÁGUA, por Elizete C.
O lugar onde cresci
Era um lugar sem mar
E sem verde para olhar.
Havia a luz dos vaga-lumes,
Pardais malabaristas,
E três rios (um ao lado do outro)
Com nomes de peixe, na língua tupi.
As moças ribeirinhas
Banhavam-se nos rios da minha infância.
Os rios seguiam o curso d’água sem pressa,
Ajustando-se com simplicidade
A pobreza do lugar.
O sol iluminava as ruas sem calçadas,
E a lua no espelho das águas dos rios
Era a beleza que faltava mirar.
Eu pisei o barro da terra em cores.
Eu molhei meus pés nas águas enchentes.
Mas não conheci as águas dos rios
Que me encharcam a alma
De uma saudade água nascente.
RAIZ DE SILÊNCIO, FLOR DE AUSÊNCIA, por Thaise N.
A natureza humana é uma caverna translúcida,
onde ecos sussurram em línguas sem nome,
o medo, pedra vestida, às vezes dança,
enquanto a memória escava túneis — e some.
A terra não é chão: é o espelho onde se enreda
o espanto do tempo em camadas invisíveis,
cada folha é um verso que cai e se levanta,
cada raiz, um braço que abraça a ausência.
O amor, esse alquimista sem rosto,
transmuta o silêncio em melodia vibrante,
é chama que não queima, mas apaga o vazio,
é um rio que corre ao contrário de sua fonte.
Somos ar e barro, sombra e semente,
língua que goteja em gestos de luz.
O peito é bosque onde cresce o silêncio,
e a alma, um fruto que amadurece em pudor.
No encontro do homem com o pulso da terra,
a noite germina, a solidão se abre em flor.
O tempo é a raiz que sonha com alturas,
e o chão se dissolve nos braços do Inventor.
Na linguagem das coisas, a cadeira senta-se,
o silêncio fala, e a memória esquece-se.
Somos a dança entre o afeto e o absurdo,
um universo que cabe no ventre do mundo.
Por isso choro — não lágrima, mas vento,
pois no coração habita o som infinito,
e na fusão da carne com o verde eterno,
o humano desvela o segredo escondido.
Outros poemas recebidos:
NA CURVA DE UM RIO, por Isabella F. (Brasil)
Na curva de um rio, três amigos se calam enquanto as águas e a natureza falam de sobreviventes
Na curva de um rio, as águas revelam cantigas represadas em manhãs ensolaradas de primaveras distantes
Na curva de um rio, as águas são acordes, sonoridades são travessias, na outra beira estão as memórias erguidas de vento
Na curva de um rio, três amigos se curvam ao chamado vivo da natureza, e se tornam águas, pássaros, pétalas amarelas sobre a terra úmida
Na curva de um rio, tudo se movimenta na quietude que se faz e, na certeza do mar, em seu borbulhar, as águas vão em paz.
Borboletra, por Liliane S. (Brasil)
Largar
ta
no
em ti
n’erário
da borboleta.
Não é alter
nativa,
e sim uma
Oriente ação.
Vou ar
Fogo
Terra
Água
E
ter
Força
para,
ao
cansar,
seguir
Cá
Sã
-ando.
O corpo é casulo
na natureza da vida.
Nesta mesma vida,
sem uma outra ex-pressão,
borbo letramos.
Sugestão para este final de ano e Natal:
comprar produtos mais amigos do ambiente.
Até breve.