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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via blogsnat@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo. :)

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Fernando Pessoa: D. Dinis em Mensagem

por talesforlove, em 16.04.20

Um poema de Fernando Pessoa.

 

Sexto

 

        D. DINIS

 

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo

O plantador de naus a haver,

E ouve um silêncio múrmuro consigo:

É o rumor dos pinhais que, como um trigo

De Império, ondulam sem se poder ver.

 

Arroio, esse cantar, jovem e puro,

Busca o oceano por achar;

E a fala dos pinhais, marulho obscuro,

É o som presente desse mar futuro,

É a voz da terra ansiando pelo mar.

9-2-1934

Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 (Lisboa: Ática, 10ª ed. 1972).

 - 31.
 

nomuseu1.jpg

Nota: fotografia no Jardim do Museu de História Natural de Lisboa (Fevereiro 2020)

 

Até breve.

Biólogo e Artista Plástico

por talesforlove, em 09.09.19

O Artista Plástico e Biólogo Fernando Grade faleceu ontem, aos 64 anos, vítima de cancro. Era um defensor de causas ambientais e gostava de falar do impacto da ação humana no Algarve, que era a sua terra. Evidentemente, o facto de ser Biólogo proporcionou-lhe uma visão mais detalhada, mais próxima, da realidade e por isso, e também por ter ousado ser também Artista Plástico, o seu legado deverá continuar a ser tido em conta. Muitos de nós não o conheceríamos, todavia, tal não se deverá ao seu desmerecimento mas acima de tudo à nossa limitação humana. Sim, hoje, a luta pela conservação da natureza parece revestir-se, ironicamente, de contornos "artísticos", no sentido de ser uma arte delicada, de difícil execução e até, não raras vezes, difícil compreensão.

A Arte surge aqui como uma intermediária sensível entre a debilidade da ação humana e quem com ela contacta, através deste "filtro", este olhar, frequentemente sem palavras, que nos faz sentir de novo uma realidade, uma dualidade: entre o que gostaríamos de ser, ao agir, e aquilo que realmente conseguimos ser, ou quase ser... Trata-se de um alerta, através de uma linguagem individual, mas movida por causas e não só estética.

Duas páginas que nos podem informar mais sobre o seu legado:


https://www.sulinformacao.pt/2019/09/morreu-fernando-grade-artista-plastico-e-defensor-de-causas/

https://www.sulinformacao.pt/2018/07/pedro-cabrita-reis-esta-exposicao-e-uma-luz/

 

Até breve.

Por Castelo Novo (Fogo no Fundão e não só) e Árvore que cai no Funchal

por talesforlove, em 15.08.17
Fernando Pessoa

Como um vento na floresta,

Como um vento na floresta,

Minha emoção não tem fim.

Nada sou, nada me resta.

Não sei quem sou para mim.

 

E como entre os arvoredos

Há grandes sons de folhagem,

Também agito segredos

No fundo da minha imagem.

 

E o grande ruído do vento

Que as folhas cobrem de som

Despe-me do pensamento:

Sou ninguém, temo ser bom.

 

30-9-1930

Homenagem a todos nós que acreditamos num futuro melhor...

por talesforlove, em 22.06.17

Porque é nos momentos difíceis que devemos ser maiores (e seremos):

 

Para ser grande, sê inteiro: nada

        Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

         No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

         Brilha, porque alta vive.

 

Ricardo Reis (Fernando Pessoa), 1933

 

 

Quase no Final da Feira do LIvro de Lisboa... 2017

por talesforlove, em 14.06.17

Uma frase de Fernando Pessoa:

 

"Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?"

 

Fernando Pessoa

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