Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)

Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Desenvolvimento sustentável, poesia e documentário

por talesforlove, em 10.01.26

Boa noite.

 

Hoje apresenta-se uma breve definição de desenvolvimento sustentável. Seguida de dois poemas do Concurso Literário Natureza 2025. Finalmente, apresenta-se o filme "Lindo" o qual nos permite saber mais sobre o impacto da poluição marinha nas tarturas e peixes que vivem nas águas de São Tomé e Príncipe.

Logo que possível inicia-se a divulgação dos outros trabalhos seleccionados para a Antologia. Os trabalhos que já foram publicados neste blog, recebidos no contexto do Concurso Literário Natureza, farão todos parte deste livro digital.

 

Conceito de desenvolvimento sustentável

Desenvolvimento que permite a satisfação das necessidades do presente sem comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras.

A sustentabilidade ambiental surge em igualdade com a sustentabilidade financeira e outras dimensões de sustentabilidade.

 

Fonte:

Assembleia Geral das Nações Unidas. (1987). Report of the world commission on environment and development: Our common future (Relatório da comissão mundial sobre ambiente e desenvolvimento: o nosso futuro comum). Oslo, Noruega, Desenvolvimento e Cooperação Internacional: Ambiente.

 

Alguns poemas do Concurso Literário Natureza 2025:

 

Nossa Lei, por Simone S. (2º Lugar)

 

As leis se dobram como véus,
Sobre os olhos de quem cala...
Enquanto o grito do justo ecoa
Num tribunal que não fala.
 
 
Prometem justiça às claras...
Mas operam na penumbra do texto.
Onde há norma, há exceção...
Onde há réu pobre, há pretexto.
 
 
O tempo da lei é cego e mudo...
Caminha lento, ou se arrasta...
Mas corre, se for conveniente,
Na pele do fraco, a espada gasta.
 
 
Brechas? Não são descuidos.
São passagens cuidadosamente esculpidas,
Por mãos que escrevem a norma...
E apagam as feridas.
 
 
O interrogatório, tardio ou não,
É só o espelho do que se quer mostrar.
Mas nos bastidores do processo,
A verdade aprende a se calar.
 
 
E eu, que estudei cada artigo,
Vejo o silêncio como sentença...
Pois não é a lei que falta,
É a justiça ─ e sua presença.

 

 

A Montanha do Ser, por Shirley L. (3º Lugar)

 

Há dias em que o peito quer voar,
Outros o chão parece sumir
Somos feitos de ânsia de alcançar,
E de medos que vêm insistir.

 

Num instante, a coragem se acende,
Logo após, a incerteza nos chama.
Entre o caos e o amor que surpreende,
Respira a nossa natureza humana.

 

Queremos amar sem nos ferir,
Mas do amor vem também a dor.
Queremos sorrir sem desistir,
Mesmo quando o mundo perde a cor.

 

Ser humano é subir e escorregar,
É cair sem perder a direção.
É no abismo também se encontrar,
E no erro aprender compaixão.

 

É lutar contra o próprio espelho,
Encarando a verdade no olhar.
Ser inteiro, mesmo sendo imperfeito,
E, em silêncio, também se perdoar.

 

Cada passo é um novo renascer,
Mesmo em noites de sombra e neblina.
Há beleza em continuar a viver,
Pois ser humano é luz, é rotina.

 

Fica aqui o convite a conhecer o filme "Lindo". Com as suas imagens coloridas de verde e das cores de aves e frutas nativas, enquadra a nossa descoberta da vida das tartarugas marinhas, sempre confrontada com a pesca e a poluição marinha. Por exemplo, os plásticos que são levados pelas correntes marítimas até aos locais mais improváveis.

Uma cena muito cativante é a da "caminhada" de uma tartaruga recém-nascida até às águas do mar. Um percurso feito muito vagarosamente e deixando ficar um rasto na areia: o das barbatanas a impulsionar o corpo deste pequeno ser vivo. A filmagem é feita durante a noite e a escuridão do horizonte e o som das águas tornam ainda mais envolvente esta cena.

 

Até breve.

 

Fogo de Vulcão e Fogo da Humanidade

por talesforlove, em 01.10.21

Recentemente, a erupção de um vulcão em Las Palmas, Ilhas Canárias, tornou evidente que existe poluição de origem natural e com impacto na saúde humana. Um artigo científico, sobre a atividade vulcânica nos Açores e seu impacto na saúde humana é o seguinte: "Sleeping volcanoes, awaking health issues: the hazardous effects of hydrothermal emissions on the human respiratory system" por Patrícia Garcia et al.. Infelizmente, este trabalho encontra-se apenas disponível em Inglês. Neste texto refere-se o impacto da poluição atmosférica através das vias respiratórias. Para evitar os efeitos nefastos, sugere-se, por exemplo, que quem vive em habitações térreas durma nos pisos superiores.
No conto seguinte, incluído na Antologia Natureza 2020-2021, refere-se um outro fogo, causado por ação humana. Também ele igualmente perigoso... Entretanto, fica a nota que ainda não foi possível iniciar a publicação de um conto em parcelas, periodicamente, tal como já referido anteriormente.

 

“Projecto Urano” por Alberto A.


Nos anos 1980-2000, a região do Corno da África foi “terra de ninguém”,
afundando sempre mais em uma sangrenta guerra civil. O tráfico ilegal
fundara por aí o paraíso internacional das descargas de lixo. Barcos,
carregados com lixo tóxico e radioactivo, viajavam da Europa em
direcção ao Oceano Índico. Recifes, caranguejos, lagostas, conchas do
mar, palmeirais e manguezais, o perfume de incenso e mirra, as memórias
épicas de comerciantes e viajantes... Todo aquele mundo ficou poluído,
submerso sob montes de lixo tóxico e radioactivo. Os marinheiros
pagavam as consequências, quando tomavam banho no mar.
Para resolver os problemas da poluição radioactiva na Europa, um
engenheiro realizou o “Projecto Urano”: torpedos, carregados com
escórias radioactivas, eram jogados no fundo do Oceano, ao longo das
praias da Somália.
No mês de Dezembro de 2004, um terremoto sacudiu a ilha de Sumatra.
Vagas gigantes, com até trinta metros de altura, atravessaram todo o
Oceano Índico. Houve quase trezentos mil mortos, mas as perdas ao longo
da costa africana não foram graves, pelo menos não em termos de vidas
humanas. A maré do maremoto arrasou e deslocou milhares de metros
cúbicos de areia, destruindo grandes extensões de recifes de coral,
trazendo à luz tambores, torpedos e recipientes de resíduos perigosos.
Muitos daqueles recipientes começaram a flutuar, abrindo-se e
derramando seu conteúdo nas praias.
Luminescências raras podiam ser vistas à noite, nos recifes, e a morte
de caranguejos e lagostas se espalhava como uma epidemia ao longo da
costa. Tapetes de peixe morto ficavam colados nas praias ao pé das
palmeiras. Centenas de animais no fundo do mar morreram de
contaminação. As populações costeiras relataram distúrbios raros:
anemia, inchaço, problemas respiratórios, insuficiência hepática.
Um pescador encontrou um pedaço de metal brilhante, preso no recife.
Ele tocou o cilindro e recebeu uma cruel sensação de queimação. O braço
enfraqueceu e a pele caiu, queimada, como se tivesse tocado uma
substância ácida. Então o cabelo começou a cair. Ele morreu lenta e
dolorosamente. Um fogo interior o devorou, nenhum médico, nenhuma cura
poderia salvá-lo. O que ele encontrara era lixo radioactivo, uma
pequena parte da imensa quantidade de lixo que os navios despejaram
na costa da região.
Mohamud era um menino de seis anos, brincava com seus amigos na praia.
À medida que a maré baixava, eles perseguiam os caranguejos. Com a
27
maldade ingênua das crianças, os chutavam, como se estivessem jogando
bolas.
Um dia, Mohamud viu uma caixa escorrendo um líquido verde denso e
vagamente fluorescente. O garoto tocou e esfregou as mãos, como fazia
com sabão. Foi o maior erro de toda a sua jovem vida. Desde então, o
menino foi consumido por uma dor terrível. Não comia, não dormia e se
contorcia, não conseguia mais se segurar nas pernas. Todo o cabelo dele
caiu. Ficou rapidamente debilitado. Para o nosso amiguinho,
infelizmente, nada podia ser feito. Mohamud ainda não tinha sete anos.
Quem sabe que o sacrifício dele – e de outros como ele – não constitua
o preço por que aquela terra, com seu mar, retorne à paz e à beleza
do passado? Queria lembrá-lo como um pequeno símbolo, uma gota no oceano
de sofrimento que continua assombrando o Corno da África. Um sacrifício
que pode nos convencer a salvar os povos, os mares, as praias dos países
equatoriais, paraísos condenados, em um mundo sem paz nem
desenvolvimento.

 

Até breve.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D