Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via blogsnat@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo. :)

Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via blogsnat@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo. :)

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

15 de Outubro 2019

por talesforlove, em 15.10.19

A 15 de Outubro de 2017 abatia-se sobre Portugal uma enorme tragédia e que infelizmente parecia ser uma repetição da tragédia de 17 de Junho do mesmo ano. O fogo voltava a consumir enormes áreas de floresta e a destruir, para sempre, vidas humanas, apanhadas num contexto terrível sem que tivessem uma verdadeira oportunidade de fuga. Hoje atualiza-se este blog, em memória dessas vítimas.

 

A sequência é a seguinte:

Parte I – Tentativa de crítica literária de “Flashes” por Maria Coquemala

Parte II – O testemunho “de fogo” do autor do blogue

Parte III – Cantinho da ciência: plantas e exoplanetas

Parte IV – Poesias

Parte V – Tempo de balanço, um adeus até Janeiro 2020

 

Parte I – Tentativa de crítica literária de “Flashes” por Maria Coquemala

 

O livro “Flashes” por Maria Coquemala, é composto por um conjunto de contos e crónicas, assumidamente curtos, pensados para leitores sem tempo para ler. São cerca de 170 páginas de prosa que nos revelam as motivações que levam a escritora a criar este conjunto de obras singulares: dar testemunho, por vezes criticar algumas realidades, incluir a natureza no enredo dos sentimentos humanos, mesmo os mais profundos, em resumo, “ser futura poeira cósmica” com um passado digno de ser respeitado e recordado, porque teve impacto nas nossas vidas.

Do ponto de vista da natureza e do momento histórico em que vivemos, marcado pela preocupação suscitada pelas alterações climáticas e pela destruição dos ecossistemas, existem nestes contos diversas questões que levam à reflexão sobre os nossos comportamentos e supostos desejos de preservação e fruição da beleza natural, que nos faz sentir bem, porque comunica com o mais íntimo de nós. No contexto de uma história imaginária, é frequente o leitor deparar-se com um dilema que o deixa a “pensar na vida”, ou seja, a sua atitude perante os outros seres vivos e o confronto com o seu agir fortemente influenciado pelo contexto social em que ele se insere enquanto indivíduo. Este facto, parece ser favorável a uma experiência enriquecedora enquanto leitor(a) e na minha opinião é mesmo assim; assumindo que o(a) leitor(a) tem pouco tempo para ler, não irá abandonar-se a uma longa leitura do livro, ainda que se apaixone pela história, porque os deveres diários são mais importantes. São?! A forma como o texto surge não é o da filosofia e, todavia, existe profundidade nos temas e na forma como nos são apresentados. Sim, temos uma leitura breve, aparentemente simples, só que se revela impactante, temos uma sequência de factos que não só nos faz pensar como também nos encaminha à imaginação de novas soluções ambientalmente amigas, mesmo que em contextos poéticos pouco comuns. Maria Coquemala consegue redigir “contos breves, com sumo”, ou seja, nos quais o(a) leitor(a) em pouco tempo consegue ler algo de relevante, belo, que faz acreditar que, após o final do conto, se acrescentou algo digno de nota à sua vivência. Talvez mesmo reler parte do texto, seja um pretexto para uma ligação renovada com a mãe natureza. Como exemplo deste “pretexto” sugiro a leitura do conto “Corações na praça”.

Adicionalmente, acrescentam-se a algumas narrativas elementos sentimentais que se dirigem estritamente ao sentir da natureza humana. A pessoa não será antagonista da natureza selvagem, é também ela própria parte de um conjunto, por vezes em conflito, mas que tende para um equilíbrio. A ciência surge como uma chave que permite novas perguntas, como por exemplo no conto “Criogenia”, e o amor como “elemento-esperança”, por exemplo, no conto “Conto Nupcial”. Verdadeiramente, todos estes elementos surgem em quase todas estas breves narrativas, sendo mais vincados em algumas delas.

Se a literatura pode ser breve e bela, esta obra revela-nos que “sim”, mas que poderá perdurar se o(a)s leitores(as) não tenham tempo, não sei, e talvez seja um prenúncio de dúvida, e não uma qualquer coincidência, que leva a que o último conto proposto seja intitulado “Enigma”.

Hoje não se consegue vislumbrar uma resposta para esta última questão, no que diz respeito a esta obra, mas o livro é digno de fazer parte da constelação de obras dignas de fazerem parte da nossa leitura exigente. Sem dúvida, este é um belo fruto de trabalho humilde e persistente, confirmando Maria Coquemala, como uma valorosa “tecelã das letras”.

capaflashes.JPG

 

Para contactar a autora e/ou adquirir um exemplar, recomenda-se o seguinte e-mail: maria-13@uol.com.br

 

Parte V – Tempo de balanço, um adeus até Janeiro 2020

por talesforlove, em 15.10.19

 

Nas nossas vidas, por vezes, somos tentados a fazer um balanço de tarefas importantes que conseguimos implementar durante um longo período de tempo. Este é o sentimento que agora invade este blog: o sentimento de um tempo de balanço que se impõe. Tempo de olhar para o passado, enquadrá-lo no presente e aguardar para que o futuro, de novo presente, se imponha. São já alguns anos de literatura e ativismo ambiental e atualmente, com vários movimentos ambientais com grande impacto a ser notícia todos os meses (dias?!), parece que este trabalho deve ser repensado. Quem sabe para fazer mais e melhor ou simplesmente para continuar igual a si mesmo?!

 

Algumas críticas literárias a recordar:

 

1 de Outubro: Texto de quase crítica literária “Palavras Kaléidoscopiques”

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/1-de-outubro-texto-de-quase-critica-63348

 

Sobre “Cinco ensaios lógico-filosóficos” de Gottlob Frege

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/sobre-cinco-ensaios-logico-filosoficos-56151

 

Tentativa de crítica literária da obra (IN) CONSTANTE (2018)

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/o-livro-in-constante-por-jose-vieira-44680

 

Revisão crítica de “Adágios” por José Vieira

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/revisao-critica-de-adagios-por-jose-27825

 

Texto de quase Crítica literária - "No topo das árvores" por Kiara Brinkman

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/texto-de-quase-critica-literaria-no-24859

 

 

Ficam alguns poemas a recordar, entre outros:

 

Poema a Brumadinho por João Alberto Araújo

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/poema-a-brumadinho-por-joao-alberto-53161

 

Poema - "Va pensiero…" por Regina Gouveia (Brasil/Portugal)

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/poema-va-pensiero-por-regina-50169

 

"Rui" um poema por Viviane P. (Brasil)

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/rui-um-poema-por-viviane-p-brasil-45640

 

Dois poemas por Ricardo S. (Brasil)

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/dois-poemas-por-ricardo-s-brasil-44374

 

Um poema…

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/um-poema-43938

 

Poema "Incêndio" por N. Lopes - Recordando os Fogos de Pedrógão

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/poema-incendio-por-n-lopes-43599

 

Fogo da Floresta e Fogo do Amor

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/fogo-da-floresta-e-fogo-do-amor-31009

 

Flor que Renasce (Em Pedrógão) / Poema

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/flor-que-renasce-em-pedrogao-poema-29523

 

"Existe um outro céu" por Emily Dickinson (1830-1886)

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/existe-um-outro-ceu-por-emily-dickinson-28043

 

Poema – Minha Natureza

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/poema-minha-natureza-26225

 

Esperança para Pedrógão Grande após o incêndio - um poema

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/esperanca-para-pedrogao-grande-apos-o-24016

 

Um poema com tradução para Dinamarquês

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/um-poema-com-traducao-para-dinamarques-18363

 

MINHA ILHA por Shmavon Azatyan - Arménia

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/minha-ilha-por-shmavon-azatyan-6889

 

Um poema sobre a natureza - Árvore de Pedro Barroso

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/um-poema-sobre-a-natureza-arvore-de-5204

 

Gostaria de pensar que vários(as) dos(as) visitantes deste blog um dia, apenas pelo sentimento suscitado pelo que aqui leram, foram capazes de ser mais amigos(as) da natureza e, quem sabe, plantar uma árvore, uma planta, uma esperança.

Ao longo destes anos este blog semeou alegria em muitos autores premiados nos concursos literários e criou esperança em tantos outros, ao mesmo tempo que patrocinava a plantação e o semear de árvores, plantas e arbustos, tudo de uma forma amiga do ambiente. Igualmente, surgiram muitos poemas e até livros inspirados pela veia naturalística deste blog e ainda relações de amizade e de profissionalismo, além de trabalhos de equipa e de sucesso, sempre a pensar no bem comum que é um ambiente preservado, amigo da humanidade. Um verdadeiro espaço de partilha de arte que por vezes, não teria outra forma de ser conhecida, ou mesmo não teria o estímulo para existir.

Sim é tempo de balanço e de descansar com um forte sentimento de dever cumprido.

Ficam as músicas inspiradoras, “4 Estações” de Vivaldi, em fundo ecológico e um fado por Gerónimo Caracol, que gentilmente nos cedeu uma música para aqui ser partilhada. Ambas têm um forte toque da natureza.

 

Antonio Vivaldi - The Four Seasons - Julia Fischer - Performance Edit (Full HD 1080p)

[“As quatro estações” de Vivaldi nos jardins de Gales]

Jerónimo Caracol, no fado a Fanhões, de Euclides Cavaco, no fado santa Luzia.mp3

 

Fica igualmente uma foto inspiradora:

foto12019.png

 

 

Um abraço.

Até breve.

balanco.gif

 

1 de Outubro: Texto de quase crítica literária “Palavras Kaléidoscopiques”

por talesforlove, em 01.10.19

O livro “Palavras Kaléidoscopiques”, tem duas partes: um livro de poemas e outro de artes impressas, arte digital, num total de 109 páginas. A poesia é fruto do empenho da poetiza Jeanete Shimara e a arte visual é da autoria de Juan Alarcón. Os poemas surgem, em cada página, em 4 línguas: Francês, Inglês, Espanhol e Português, e é sempre diferente, em alternância, a ordem das línguas dos poemas dispostos em cada página, como se esse espaço fosse um universo próprio. Cada poema é um breve retrato de um sentimento, o qual é bem-sucedido, pois sentimos o que a poeta nos pretende transmitir. Cada um destes retratos nos absorve e nos “liberta” do mundo que nos rodeia, para entrarmos noutro local, que não conseguimos explicar, sendo, eventualmente, o mundo da poetiza que afinal de contas também é nosso… Uma viagem plena de interesse.

O livro de artes impressas, é composto por um conjunto de desenhos digitais, com padrões e jogos de cores que, sendo sempre diferentes, nos fazem sentir que afinal, possuem sempre algo em comum. Existe uma fantasia, metade premeditada, metade incontrolável, a que o artista se parece entregar, abandonando-se à sua “sorte”, deixando-nos sem norte mas felizes. Uma abstração poética feita de formas; quase em 3 dimensões.

Mas não, não é só por tudo isto e muito mais, que vale a pena adquirir esta obra. Muitos de nós podemos sentir algo mais pois Juan Alarcón é Venezuelano, “autoexilado” no Brasil, e portanto este trabalho é também um ato de coragem para seguir em frente, após uma tempestade na vida de alguém. Assim, o livro é um testemunho “histórico” do momento que hoje se vive na Venezuela e pode-se assumir que também nos países de acolhimento, pois saber acolher bem pode ser um desafio com dificuldades muito próprias.

Em resumo, Jeanete Shimara + Juan Alarcón, são a dupla perfeita; os fazedores de oportunidades e quando se fecha o livro fica a saudade, a vontade de a ele regressar, como que a uma frutuosa terra distante. É assim inevitável o convite à leitura de um poema e a apreciação de uma imagem deste livro único.

PK-01ok.jpg

poema1.jpg

 

Podem-se contactar os Autores através de:

poesiemaisart@gmail.com

@poesiemaisart

Mais informação em:

https://twitter.com/ftcmag/status/977573298321154049?fbclid=IwAR3YnUJc_JxndPDhULCR-oAd43Vrs29eRxGf-4st6hyD1hSk1HdwWhK9o6U

 

Hoje é o Dia Nacional da Água em Portugal.

Podemos saber um pouco mais sobre este dia, aqui:

https://www.calendarr.com/portugal/dia-nacional-da-agua/

 

Até breve.

Texto de quase crítica literária ou de cinema sobre o filme “Pedro e Inês” (2018)

por talesforlove, em 31.01.19

 

O filme “Pedro e Inês” (2018) do realizador António Ferreira e Tathiani Sacilotto é baseado no livro “A trança de Inês” de Rosa Lobato Faria (2001). É possível dizer que provavelmente este é um exemplo de uma nova forma de olhar para a história do nosso país, vendo-a de uma forma e, de certa forma, provocando-a, porque, além de se olhar para a evolução material e cultural temos ainda a história de Dom Pedro e Inês de Castro, que é um pretexto para nos questionarmos como seria esta narrativa nos nossos dias ou mesmo no futuro. Sabemos que Dom Pedro desafiou os limites sociais e familiares do seu tempo e foi-lhe atribuído o cognome de O Justiceiro e surge a pergunta sobre qual seria o seu comportamento e o das outras personagens principais, Dona Constança e Dona Inês, nos nossos dias, por exemplo. E enquanto leitores do livro e espectadores do filme, podemos ainda perguntar quais as razões que levaram a autora a acreditar que esta narrativa seria possível e realista.

Gostei de ver este filme, na sua configuração surpreendente, leva-nos a um passado que me parece bem retratado, leva-nos a um presente imaginado, aparentemente muito lisboeta, e a um futuro intrigante e ecológico, simultaneamente como um regresso aos primórdios, um fechar de círculo. Brincando com o que vemos, podemos dizer que estamos perante uma máquina do tempo consciente em que a história contada e o cinema não coincidem por completo, ao contrário do que aconteceu com as primeiras projeções de Auguste e Louis Lumiére, por exemplo, L’árrivée d’un train engare de La Crotat (Lopes, J.; Maio 2018; p. 19). Ao ver o filme podemos ficar confusos, e parece ser esse o objetivo do realizador, pois não sabemos bem se o Pedro de hoje está louco ou apenas mais recolhido a um estado superior de consciência do que é a sua vida. Senti que o filme é suficientemente complexo para o olhar sob três perspetivas: a do retrato do passado (histórico); a do presente “imaginário”; e a relativa a um “futurível”. Trata-se de algo a fazer lembrar os trabalhos de Paul Gaugin, nomeadamente as suas películas sobre o Tahiti e a designação a eles atribuída “De onde vimos/quem somos/para onde vamos” (Lopes, J.; Maio 2018; p. 23).

 

PASSADO

Parece ser essencial uma breve introdução histórica com contexto cronológico, para que nos seja possível compreender que a abordagem apresentada nesta película é muito balizada pela história real vivida pelos protagonistas ou personagens principais. Apresento de seguida uma breve sequência cronológica de eventos conhecidos ou que se julgam ser reais. A esta segue-se uma muito breve explicação social.

 

Coimbra a 8 de abril de 1320: nasce Dom Pedro I, filho de Dom Afonso IV e Beatriz de Castela;

1334: casa com Infanta Dona Constança, nascida em data incerta e falecida em 1345 (filha de D. João Manuel, infante de Castela);

Cerca de 1325: nasce Dona Inês de Castro, que viria a falecer em Coimbra, na Quinta das Lágrimas (Quinta das Lágrimas; 2019), em 1354, sendo mais tarde coroada Rainha por Dom Pedro I e sepultada, ao seu lado, em Alcobaça em 1361 (filha de D. Pedro Fernandes de Castro a de D. Aldonça Soares de Valadares, de Castela);

Dom Pedro I é neto de Dom Dinis, o Rei Poeta, e entre os seus filhos encontramos Dom João, Mestre de Avis, fundador da segunda dinastia, cuja mãe é Teresa Lourenço, nascida a 14 de Agosto de 1356 (Portal da História; 2019).

 

Os fios condutores desta sequência de eventos, são: i) o sentimento de infortúnio por parte de Dona Constança, em contraste com o amor entre Dom Pedro e Dona Inês; e o ii) o desconforto feroz de Dom Afonso IV, pai de Dom Pedro, que considera o comportamento do filho inaceitável por ser inoportuno, também porque contrário à sua vontade, e sobretudo por ser algo com possíveis consequências para a Coroa, podendo provocar um conflito com Castela.

 

PRESENTE

 

Este presente sugere-nos um Pedro que se casa com Constança porque as circunstâncias da vida o levam a isso, ou seja, com a naturalidade de quem namora com alguém e a leveza do habitual o conduz a esse “desfecho”, ou seja, não sendo obrigado, como no passado, também não se questiona nem vê alternativa. Inês surge no local de trabalho e Pedro sucumbe ao impulso amoroso imediatamente. Tal como no passado a história não nos compromete com um julgamento com culpados e inocentes, sendo todavia mais discreta a fronteira pois aqui não existe uma obrigação de matrimónio.

Também aqui Constança tem uma via de ação diferente, sentindo-se injustiçada, ela não morre e não se mantém em silêncio, pelo contrário, vinga-se, de uma forma que não quero aqui descrever para não contar todo o enredo. A sua ação pode-nos levar a questionar a sociedade em que vivemos ou a forma como a escritora olhava para a sociedade a que pertence. Assim, a violência extrema continua a existir mas não já praticada por Pedro, mantendo-se todavia a tragédia desta história de amor. Talvez tenha sido este sentir que a escritora queria que permanecesse, independentemente da história ser considerada verosímil nos nossos dias ou entendível. Algo é certo: a violência continua nas vidas dos protagonistas pese embora a suposta evolução de centenas de anos da sua sociedade. Não poderia ser diferente?

O filme retrata esta sequência de eventos de uma forma sensível, primeiro mostrando um certo estilo de vida lisboeta e depois tentado revelar uma Constança que deveria sair de si, enlouquecer, ao ponto de agir de forma tão descontrolada. Parece-me que não é suficiente este retrato no filme, e provavelmente também no livro, para aceitar este desfecho, possível mas incómodo.

 

FUTURO

 

Intercalado com o passado e o presente vai-nos surgindo igualmente o futuro, como se os três elementos do tempo fossem comparados a par e passo, revelando possibilidades distintas das mesmas vidas, sem um propósito que não se consegue perceber. Para contextos diferentes parece existir a preocupação de manter uma carga dramática igual, justificando a descrição de “amor intemporal” este vivido entre Pedro e Inês e, evidentemente, Constança. Não importa nada se as ações das personagens são legítimas aos nossos olhos de hoje e parece existir uma grande preocupação do realizador para acentuar esta constância na expressão de cada cena em momentos chave que parecem comuns a tempos distintos.

O nome Constança, tal como numa peça de teatro clássica, parece remeter para uma atitude constante em termos emocionais, resistente, mas essa postura não se verifica nem no presente nem no futuro, embora com consequências díspares. A Constança do futuro surge enquadrada numa comunidade ecológica. Esta comunidade comporta-se como uma máquina com engrenagem em que quando surge um elemento ou possibilidade de desarmonia, leva ao distúrbio e consequentemente ao resultado trágico. Como no passado, nota-se uma certa rigidez de contexto social, e a dureza das expressões deste pai Afonso, denotam isso mesmo: uma força externa aos protagonistas amorosos. O filme capta esta força sendo que no presente me parece menos real, menos presente.

 

 

 

 

 

Para finalizar: um breve olhar global...

À medida que vamos vendo o filme ficamos estupefactos por sermos surpreendidos pela história, pois, afinal, deveríamos conhecer tudo, dado que o filme tem uma forte componente histórica. Esta surpresa é muito gradual, tal como a possibilidade de uma tragédia porque vamos muito suavemente sendo “abraçados” pelos acontecimentos, sem existir nada que nos abale emocionalmente, num primeiro olhar. A música contemporânea e com um toque de mistério só sublinha esta sensação inesperada.

Em dado momento, tudo parece modificar-se e mesmo a leveza dos cenários parece ganhar um novo peso. Sente-se um pressentimento mau, acompanhado de um travo metálico na boca, como que anunciar uma tragédia eminente e quando de facto algo acontece, algumas pessoas podem mesmo ser forçadas a voltar a face no decurso de algumas cenas, tal é a sua força.

Na minha opinião, o trabalho dos realizadores é sublime. 

Quem vê este filme vê mais que um filme de entretenimento, vê quase um documentário histórico, vê algumas cenas rodadas na Quinta das Lágrimas, em Coimbra, vê uma tragédia romântica que leva a pensar sobre a sociedade e sobre nós próprios, na forma como nos deixamos, ou não, ser influenciados pelo que nos rodeia.

Um belo filme intimista sobre Portugal.

 

Agradecimentos:

O texto foi lido pelo profissional de imagem David. C. que amavelmente cedeu a sua opinião.

 

Bibliografia:

 

Lopes, J. (2018), “Cinema e história”, Fundação Francisco Manuel dos Santos, pp. 88

Website: Quinta das Lágrimas (2019); http://www.centerofportugal.com/pt/quinta-das-lagrimas/

Website: Portal da História (2019); http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/pedro1.html

 

Trailer oficial:

 

 

Para terminar, um belo vídeo Italiano (Estúdios APSHOR)para uma impressionante canção Portuguesa, por Dulce Pontes.

Quantas vezes somos mais valorizados no estrangeiro do que no nosso país.

 

Dulce Pontes - Canção do Mar

É possível gostar aqui: https://www.youtube.com/watch?v=YzCaGytvgzQ

Amanhã contamos divulgar os resultados intercalares do Concurso Literário Internacional "Natureza 2018-2019". É a listagem dos trabalhos escolhidos para a Antologia, entre os quais serão escolhidos os vencedores. Todavia, mesmo entre os autores não escolhidos pode surgir um contacto, no futuro próximo, com o objetivo de propor a sua publicação no blog.

 

Até breve.

 

 

 

Louças e Donativos

por talesforlove, em 09.12.17

Os donativos em louça para as vítimas dos incêndios têm sido uma realidade! 
Muito obrigado a todos.

 

donativo1.jpg

 

 Exemplo de louça típica Portuguesa, nova pronta a usar:

 

tipica1.jpg

 

Serviços deste blog para angaria fundos para plantar árvores:

tradução de poema para Italiano - 5 Euros (por página A4);

tradução de poema para Inglês - 5 Euros (por página A4);

tradução de poema para Françês - 5 Euros (por página A4);

 

Crítica de poema - 5 Euros;

Crítica de conto - 5 Euros;

 

Relembramos:

Pode subscrever o blog utilizando o e-mail, logo no início da página.

 

Até breve.

Concurso Literário Internacional "Natureza 2017-2018"

por talesforlove, em 15.11.17

É com grande alegria que anunciamos o início do Concurso Literário Internacional “Natureza 2017-2018” o qual este ano decorre entre 1 de Dezembro de 2017 e termina a 1 de Fevereiro de 2018. A 19 de Fevereiro são anunciados os pré-finalistas e a 28 de Fevereiro os principais vencedores.

Referimos alegria neste anúncio porque este é o reencontro de todos nós nesta aventura literária que tem por um dos seus grandes objetivos sensibilizar para a proteção da natureza. Um reencontro entre amigos. Este ano, pelo menos em Portugal, as alterações climáticas são mais evidentes: os grandes fogos florestais de 17 de Junho e de 15 de Outubro, parecem provar essa realidade. O sofrimento das pessoas foi enorme e notar a substituição de um manto verde pela cor da cinza, é triste. No mundo, o facto de as concentrações de CO2 na atmosfera estarem em níveis muito elevados, só nos pode deixar também atentos.

É tempo de agir, pelo que fica aqui também o convite à vossa participação neste concurso e de seguida as condições de participação e outros detalhes.

 

Nesta edição, procuramos novamente HOMENAGEAR também a comunidade emigrante Portuguesa, através da homenagem a Shawn Mendes!

“Nunca Estarás Só (Escrito à mão)”

https://www.youtube.com/watch?v=N7VCLNBNJQs

 Sem, é claro, esquecer os que ficam em Portugal!

 

 

 

O vídeo de “Nunca Estarás Só (Escrito à mão)” tem uma proximidade com a natureza e uma imagem de uma floresta conservada e verde que só nos pode inspirar e a letra é muito apelativa. Com efeito, é importante que não estejamos sós neste trabalho em prol da natureza.

 

Fica a nossa tradução desta letra para Português:

Nunca Estarás Só (Escrito à mão)

 

Eu prometo que um dia eu estarei do teu lado

Eu te manterei sã e salva

Neste momento tudo é uma loucura

E eu não sei como parar ou ir mais devagar

 

Ei

Eu percebo que há muito para falar entre nós

E eu não posso ficar

Deixa-me apenas abraçar-te um pouco mais agora

 

Toma um pedaço do meu coração

E faz com que seja todo uma parte de ti

Assim, quando estivermos separados

Nunca estarás só

Nunca estarás só

 

Tu nunca estarás só

Quando sentires a minha falta, fecha os olhos

Eu Posso estar longe, mas não ausente

Quando adormeceres hoje à noite

Lembra-te que nos deitamos sob as mesmas estrelas

 

E, ei

Eu percebo que há muito para falar entre nós

E eu não posso ficar

Deixa-me apenas abraçar-te um pouco mais agora

 

Toma um pedaço do meu coração

E faz com que seja todo uma parte de ti

Assim, quando estivermos separados

Nunca estarás só

Nunca estarás só

 

Tu nunca estarás só

Tu nunca estarás só

Tu nunca estarás só

Tu nunca estarás só

 

E toma

Um pedaço do meu coração

E faz dele um pouco de ti

Assim, quando estivermos separados

Nunca estarás só

Nunca estarás só

 

 

Detalhes de Regulamento 2017:

  1. A participação neste concurso é gratuita.
  2. Qualquer pessoa de qualquer país pode participar desde que submeta trabalho redigido em português.
  3. Cada participante pode submeter um poema, sem limite de palavras, e um conto, com um máximo de 3000 palavras.
  4. Os trabalhos devem ser enviados por e-mail para Rui M. (ruiprcar@gmail.com) juntamente com nome, país, contacto electrónico. O assunto do e-mail deve ser “Concurso Literário Internacional ‘Natureza – 2017-2018’”.
  5. Os autores premiados finalistas têm direito a certificado em formato digital.
  1. Todos os poemas seleccionados serão publicados em antologia, a qual estará disponível em formato PDF (possibilidade de vir a existir em Windows), com um custo de 2,5 € (pagamento de donativo por PayPal). Após descontados os custos do concurso, o valor restante será utilizado na compra de árvores e sementes. Os autores premiados têm direito a uma versão gratuita.
  2. Data limite de participação: 1 de Fevereiro de 2018.
  3. Pré-finalistas anunciados a 19 de Fevereiro.
  4. Os resultados finais serão anunciados a 28 de Fevereiro em  http://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/.
  5. O primeiro classificado de cada categoria terá direito a prémio no valor de 10 Euros.

 

Tema principal: "Proteção à natureza"

Tema de apoio: "A canção de Shawn Mendes"

 

 

Organizador do concurso:

Rui M.

 

Responsável do Júri:

Edweine Loureiro

Poeta e escritor Brasileiro radicado no Japão.

Premiado internacionalmente.

 

Principal patrocinador:

Rui M. Publishing

 

==================================

Parceiros iniciais 2017 (lista não definitiva):

  

1) Jornal Bom Dia - Luxemburgo

http://bomdia.eu 

 

2) Blog do Lucabe - Brasil

http://www.lucabe.com.br/

 

Este ano a App LinbonTourism em associação (sem custo; basta seguir botão lado esquerdo):

https://www.microsoft.com/store/apps/9nblggh3335s

 

Para nos seguir:

http://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/data/rss

ou, no início do blog, submeter o e-mail e seguir os passos indicados.

 

Pinturas disponíveis:

folhas1withletters.jpg

flor1comletras.jpg

 

Um filme a ver: Indice Médio de Felicidade (Portugal Agosto 2017)

por talesforlove, em 11.09.17

Podem ver o trailer aqui:

 

Na minha opinião, este filme aborda de forma agradável o tema delicado da crise financeira global que tem afetado Portugal nos anos recentes. É bom verificar como os amigos e família podem ajudar os protagonistas desta história a centrarem a sua via no essencial e a (re)construírem a sua vivência com base em sentimentos que podemos identificar como "de felicidade".
Sim, é um filme bonito que ajuda a encontrar horizontes renovados para o presente (e para o futuro). A imagem "final" do trailer, uma longa ponte, ajuda-nos neste sentido... Que bom!

 

Boas leituras.

Save

Revisão crítica de “Adágios” por José Vieira

por talesforlove, em 11.08.17

“Adágios” (2017) é o terceiro livro publicado por José Vieira, pseudónimo da autora Teresa Vieira Lobo, nascida na década de 80 do século passado em Gaula . Esta obra surge após o amadurecimento literário proporcionado pelo primeiro livro “Estranhas Coincidências”, publicado em 2014, e pouco depois, em 2016, com o romance “Dedicação, Palavra e Honra”. Alguns contos publicados na revista literária “Submersa” e na plataforma “Quem conta um conto”, somam-se a esta atividade literária laboriosa.
“Adágio significa provérbio popular com mensagens de teor moral, ditado. Assim, considerando apenas o título “Adágios”, poderíamos supor que no interior deste livro iríamos encontrar uma coletânea de ditados, todavia, tal não é verdade pois, encontram-se 5 contos autónomos, todos eles, é certo, com mensagens morais explícitas com diversa gradação na forma como nos surgem.
Em prosa cativante, em ritmo marcado pela ação e emoção, surgem diante de nós as vidas, realistas, de cinco mulheres que procuram o melhor para si, e para os seus, em contextos frequentemente tormentosos mas também frequentemente felizes, muitas vezes em simultâneo, sem dúvida que a par e passo; em relato de luta entre o bem e o mal.
Na contracapa diz-se que “Adágios é um livro de vidas. De mulheres. De luta. Um dia foram elas... Amanhã seremos nós.” Convém olhar com algum cuidado esta sequência afirmativa. As vidas são, sem dúvida, o núcleo central deste trabalho, são elas que lhe dão corpo. São-no na perspetiva das mulheres, o que adiciona detalhes comoventes e familiares ou mesmo de “amor quase maternal”, como às páginas tantas se menciona, de tal forma que, quando em certo momento se fala de “essência”, já compreendemos, antecipadamente, o que se pretende referir ou pelo menos isso assumimos, dada a profundidade de alguns dos conflitos éticos com que se deparam as personagens.
Quero todavia acreditar que vários destes elementos dramáticos seriam parte destas histórias caso se de homens se tratasse... A luta ética é algo que pode dizer muito a todo o ser humano e é de seres humanos que versam estas páginas, sensíveis e cativantes. Todavia, não se concorda com a afirmação que remete para amanhã esta luta, pois por vezes podemos esquecer mas ela nos envolve a cada momento e em cada ação pois somos seres dotados de livre arbítrio.
Em resumo, a leitura de “Adágios” leva-nos longe, quem sabe a olhar “por dentro” a natureza humana. A certa altura com um prisma religioso e em outros tantos momentos tão só pelo sentir que, de facto, nos transmite. Se assumirmos que a literatura proporciona mudança ou alicerces a quem dela frui, este livro pode ser entendido como um bom caso de “literatura de catarse”. São páginas que valem a pena ser lidas.

 

Referência da obra:

Vieira, J. (2017), “Adágios”, Chiado Editora, Lisboa, pp. 97

 

Tem interesse no livro?

Aqui tem o contacto da Autora: teresavieiralobo@sapo.pt

Breve crítica visual ao filme “Rei Artur: A Lenda da Espada” (2017)

por talesforlove, em 03.08.17

O filme “Rei Artur: A Lenda da Espada” é um filme dirigido por Guy Ritchie, e escrito o guião por Joby Harold, Guy Ritchie e Lionel Wigram, o qual estreou em Maio de 2017.
A lenda da espada está associada, desde a Idade Média, à legitimidade de ocupação do trono na Grã-Bretanha, e deu origem a vários trabalhos literários por exemplo, a trilogia em verso escrita pelo poeta Francês Robert de Boron's Merlin, cerca de 1200 (Timeless Myths; 2017).
Em termos visuais a informação relativa ao tempo da ação é essencial para estabelecer uma relação de “confiança” entre o filme e o espetador, pois este último, atualmente, está bem informado sobre o que corresponde, à Idade Média Europeia, tanto em termos civilizacionais, bem como no que diz respeito a um certo imaginário que conota esta época com uma determinada “Idade das Trevas”. Algo que, em boa verdade, não é totalmente certo, sendo que para este contexto interessa apenas a 1ª impressão mais vulgarmente aceite.
As imagens do filme permitem-nos ser transportados para um tempo diferente do nosso, sendo nós levados, confiantes, pois o retrato corresponde ao que já havíamos preconcebido. Os efeitos visuais, adicionados ao trabalho dos atores, no mesmo plano, conferem um grau extra de impacto ao drama que nos envolve, passo a passo, suavemente, como se nos puxasse para dentro da tela.
Eventualmente, por vezes, os efeitos especiais podem ser usados em demasia em certas zonas de conjunto, a tal ponto que por vezes podemos ficar confundidos com a imagem de um qualquer jogo de computador. Esta situação, não sendo algo necessariamente mau, pode contribuir para que alguns espetadores não se sintam tão atraídos. Adicionalmente, o desempenho dos atores principais parece ser excelente, na minha modesta opinião, sendo que talvez um pouco mais de tratamento da cor da pele dos atores, poderia acentuar o “ar” grave e de extremo contacto com a natureza rude que a ação parece exigir.
O filme é excelente, muito interessante e envolve-nos; sendo que vale a pena ser visto, tanto pelo imaginário Europeu como pelo realismo dramático de várias sequências.

Leva-nos a crer que tem uma certa aura, no sentido de Walter Benjamin.

 

Biografia:

Timeless Myths (2017), https://www.timelessmyths.com/arthurian/excalibur.html.

Para breve - tentativa de crítica ao filme "A lenda da Espada" - Trailer

por talesforlove, em 24.07.17

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=VCFkCZZDutA

 

meta

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D