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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)

Contos das Estrelas

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“A grande extinção” por Joaquim B. - Antologia 2019 - Portugal

por talesforlove, em 09.02.21

A grande extinção


Albbano chegou cedo ao “Fetal”, com o coração de sangue frio em agonia. Na véspera,
vários dos seus torossauros poedeiros davam mostras de mal-estar e doença. Alongou o olhar
pelo extenso paúl em que habitualmente pastavam e não pôde evitar o desalento. Só meia
dúzia ainda era visível. Em ansiedade, apressou o passo para a chocadeira central.
O sol iniciava o percurso descendente sobre a área predominantemente agrícola que
será conhecida, sessenta e cinco milhões de anos depois, por Lourinhã e se estende bem para
dentro do espaço que será mar no futuro. Em todos os ninhos urbanos terminaram já as
diligências alimentares do período zenital, exceto no ninho de Albbano. Não é comum ele
atrasar-se, quanto mais não aparecer em tempo de tão vital necessidade. Almmina mantinha
quentes as fatias de ovos de anquilossauro com caules tenros de rhynia, enquanto, inquieta,
espreitava o caminho, na esperança da chegada iminente do companheiro. A certo momento,
achou que tamanho atraso não podia significar nada de bom e resolveu pedir ajuda ao filho de
ambos, através do comunicador. Alccino não se surpreendeu com a chamada da mãe, porque
era frequente ela ligar-lhe só para contar pequenas peripécias domésticas, mas quando ouviu a
voz angustiada da mãe a dizer que o pai ainda não chegara para se alimentar, entregou de
imediato as tarefas de extração salina que executava numa bacia marinha interior e correu a
procurar o pai. Já não era a primeira vez que ele se perdia ou dava sinais de desorientação.
— O teu pai saiu do ninho mal raiava o sol e disse que ia ao Vale Fetal, como todos os
dias — informou ela. — Estamos na época em que eclodem muitos ovos e é preciso não haver
descuidos com as dificuldades das crias.
— Está bem, mãe, não te preocupes que eu vou procurá-lo. Assim que o encontrar,
comunico contigo — sossegou-a ele.
Alccino transpôs rapidamente a distância até à exploração pecuária do pai. Com o olhar
percorreu as suaves ondulações cobertas de polipódios, onde pastavam pachorrentamente
uma dúzia de torossauros, e a tentar discernir que animais chafurdavam na lonjura dos paúis
das zonas baixas. Não viu a silhueta altiva do pai, um parassaurolofo corpulento, mas um pouco
dobrado pela idade. Entrou na chocadeira central, e os funcionários disseram que o tinham
visto cedo, mas que ficara abatido quando soubera de mais três eclosões goradas.

Alccino pediu a dois para, em conjunto, fazerem uma busca na exploração.
— Eu vou pela encosta do lado esquerdo, e vocês procurem no vale, junto à zona
húmida! A propriedade é grande e ele pode estar caído em qualquer lado.
Embora achasse que era mais provável encontrá-lo nas zonas baixas, pensou que, em
cotas mais elevadas podia avistar maiores distâncias e descobri-lo. Após um tempo de
caminhada atenta pela vertente da ladeira, alcançou o alto da colina. Cheiros adocicados
embebiam-no. Por momentos, abstraiu-se do que o trouxera ali. Olhou em toda a volta. Para
norte, a vista admirável e querida do seu Vale Fetal, com o verde de vários matizes a colorir a
distância até à vertente oposta e mais além. Para sul, a dois vales de distância, as manchas
redondas e ocres dos ninhos urbanos da povoação. Mais perto, os vales dos vizinhos e amigos
Olvvonos e as suas explorações pecuárias de alamossauros, os enormes herbívoros ternos e
pachorrentos. Seria possível que o pai tivesse vindo visitar os amigos? Antes de decidir procurálo junto dos vizinhos, pensou entender o que acontecera. O pai tinha ficado desanimado com as
notícias da manhã na chocadeira e, com a idade, isso desorientara-o. Veio-lhe à memória outro
episódio de há muitos anos, quando uma epidemia lhe matara dezenas de animais. Nessa
altura, foram encontrá-lo amodorrado numa enorme rocha lisa virada ao sol do oeste, donde se
avistava o mar e aonde só se chegava por uma vereda. Avisou a mãe e pôs-se a caminho.
Realmente foi encontrar o pai alapado na Pedra do Poente em grande prostração. A
crista, habitualmente alaranjada, era agora cinzento-esverdeada. Não parecia ferido, só
abatido. Aproximou-se suave, mas não furtivamente. Queria ajudá-lo, não invadir a sua
privacidade.
— Então, pai! Está aqui! Estávamos a ficar preocupados...
Não obteve reação. Albbano mantinha um olhar de enorme tristeza perdido na lonjura.
Nada parecia poder animá-lo.
— Não fique assim, pai! — disse Alccino cheio de ternura. — São só mais três ovos
gorados. Já aconteceu muitas vezes.
O rosto do ancião baixou, em dor interior, sem responder.
— Tem de aceitar, pai! Os tempos de fartura e fertilidade já lá vão. Este é o mundo que
temos agora.
Alccino comunicou com a mãe a sossegá-la e continuou a tentar animar o pai, com
argumentos racionais de relativização dos prejuízos. Finalmente, Albbano começou a falar em
voz baixa, pausadamente.
— Não são só mais três ovos gorados, filho! Nós estamos a extinguir-nos. O ambiente
está envenenado com os compostos de irídio que servem para tudo. As crias não conseguem

romper a casca. Está cada vez mais dura e inquebrável. E não é só com os animais. Como já te
contei algumas vezes, para tu nasceres, houve que quebrar a casca artificialmente. Nós, os
parassaurolofos, praticamente já só nascemos de crustatomia. Se não fossem os cuidados
obstétricos, desaparecíamos. O panorama geral é preocupante. As crias não conseguem romper
a casca, os ovos não são fertilizados, as populações de todas as espécies estão a diminuir a um
ritmo assustador. Todos os anos desaparecem muitas espécies para sempre.
Calou-se, por momentos, como que a lembrar-se de outros exemplos. Alccino respeitou
o silêncio do idoso.
— A destruição da vida no planeta, tal como a conhecemos, está a tomar proporções
gigantescas. Dantes, além, avistava-se o tremeluzir da superfície do mar. Agora, o que se vê são
reflexos de objetos a flutuar. Mantas de tralha a cobrir enormes áreas de oceano. Há quanto
tempo lá não vais? É triste, deprimente, apetece não voltar lá mais. Como nos deixámos chegar
a esta situação? Estamos mesmo em perigo, acredita!
Fez uma pausa, a ganhar alento.
— Eu vou-me informando, sabes! Recebo revistas científicas. Já houve outras épocas da
Terra com indícios semelhantes e que resultaram em enormes extinções. A maior foi há 185
milhões de anos, que fez desaparecer 96% das espécies marinhas e 70% das terrestres. Devido
à gravíssima situação que atravessamos, os cientistas já lhe chamam a Extinção em massa do
Cretácico, a época atual, ou a Quinta Extinção. Estão registadas cerca de 800 espécies extintas,
nos últimos quinhentos anos, mas, como a maioria não está documentada, os cientistas
calculam que é mais provável que se tenham extinguido entre vinte mil e dois milhões de
espécies, só no último século. E, tendo em conta os limites do conhecimento atual, a taxa anual
de extinção pode chegar às 140.000 espécies. Estamos no limiar da catástrofe.
Alccino agachou-se, abatido pela força terrível dos números que o pai lhe atirava. A
preocupação com o desaparecimento do progenitor desvanecera-se, mas agora um peso
inesperado acabrunhava-o. Como era possível que nunca tivesse ouvido falar disto?
— Percebes, agora, porque estou desanimado, sem esperança? — interpelou-o
Albbano. Há muito que me vou dando conta do que os cientistas vão divulgando.
— Mas, pai — reagiu Alccino —, não são só teorias malucas de tipos que veem um
mosquito e lhes parece um alamossauro? É que eu nunca ouvi falar disso…
— Não, Alcci, quem afirma que a extinção atual é um facto são cientistas conceituados
entre os seus pares. Dão conferências, mostram dados, mas parece que ninguém os ouve. E
dizem mais; dizem que somos nós — a espécie dominante —, que estamos a provocar a
extinção em curso. Com a caça intensiva, a introdução de organismos perigosos para os nativos,
a destruição dos habitats naturais, a desflorestação, a sobreexploração agrícola, a poluição e o
envenenamento com agrotóxicos e hormonas pecuárias. Isto, sem falar do problema que está
na raiz de todos estes: o crescimento populacional contínuo da nossa espécie e o consequente
sobreconsumo.
— Mas sempre houve espécies a desaparecer de maneira, digamos, natural, pela natural
seleção natural…
— Sim, só que com a nossa ação, a que alguns também chamam natural, mas de
extensão e intensidade avassaladoras, a perda de biodiversidade é dez a cem vezes mais rápida.
E seremos nós que acabaremos por pagar um preço demasiado alto, pela rápida diminuição do
único conjunto de vida que conhecemos no Universo. Ficaremos sozinhos.Sem a concorrência
que vencemos, extinguimo-nos também.
— Isso não pode ser assim tão dramático, pai. Nós somos a espécie mais bem sucedida
de toda a história do planeta...
— Este sucesso começa a parecer demasiado catastrófico. Quando há tipos que, como
eu, prestam atenção aos problemas ambientais, também não sabem como resolvê-los ou
ajudar a minorá-los. A minha “solução” hoje foi esta: deprimir-me. A da nossa espécie devia ser
positiva, assertiva, concertada, global, muito profunda. Eu não quero mostrar-te para onde
deves olhar, só gostava que tomasses consciência de que há muita coisa a distrair-nos e que
nos deixamos alegremente ocupar com problemas menores. A maior razão da minha
desesperança é que não acredito que algum dia consigamos inverter o caminho de razia que
trilhamos. Quando deteriorarmos o planeta a um nível irreversível, seremos nós a extinguirnos. Ironicamente, essa pode ser a solução para o planeta: livrar-se de nós.
Albbano calou-se. Pai e filho mantiveram-se pensativos ainda por algum tempo. Talvez por ter
desabafado, Albbano começou a sentir-se com forças para regressar. Em passos brandos,
porque já anoitecia, dirigiram-se para casa, em silêncio. Por cima do horizonte, ia nascendo o
cometa, que, havia meses, iluminava as noites em todo o mundo. A enorme cauda ocupava já
todo o lado nascente do céu. Caminhando para aquele clarão, pareceu-lhes que a esperança
num mundo renovado aumentava no seu ânimo.

 

Até breve.

“Mentes reutilizáveis” por Diana Pinto

por talesforlove, em 07.02.21

Partilhamos um conto selecionado para a Antologia 2018-2019.

 

“Mentes reutilizáveis” por Diana Pinto, Portugal

 

– Temos que separar! É uma necessidade. – Disse a professora de português no final da aula
aos seus alunos do nono ano.
Rita saiu da escola e caminhou até à paragem de autocarro sempre a pensar nas palavras da
docente. Em casa nunca separavam o lixo. Sempre colocavam os sacos nos caixotes de lixo
comum. Era o único que tinham perto de casa.
A estudante sabia que seria um problema convencer a mãe a separar o lixo. A progenitora era
de mente pouco aberta, tinha medo da mudança e ainda possuía pensamentos do século XX.
Era uma mulher cinquentona, trabalhadora e honesta. Seria um desafio para a jovem, mas ela
parecia animada. Iria convencer a mãe. Ela tinha a certeza disso.
Chegou a casa e entrou na cozinha. A mãe estava a preparar alguma coisa que Rita não
conseguiu saber.
– Então, querida, como correram as aulas?
– Bem.
Antes de falar em separar o lixo, Rita começou a tentar convencer a mãe a retirar o plástico do
lar.
– Podemos começar a utilizar sacos de tecido.
– Foi a tua professora quem te disse isso?
– Sim.
– Pelo menos, não pago dez cêntimos por cada saco.
Rita sorriu.
– E sem garrafas de água de plástico. Copo térmico para tudo!
A mãe olhou, escandalizada. A filha continuou a dizer que teriam que usar cotonetes 100%
algodão, ou de metal. A mãe nem sequer sabia que isso existia.
– E temos de escolher sempre as embalagens de papel. É pena, mas temos poucas alternativas,
de momento. Mas ainda acredito que vamos a tempo de salvar as florestas!
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A mãe respirou fundo.
– Já entendi que percebeste o que aconteceu durante a última aula.
– Sim, mãe, sabias que, para os peixes, plástico é uma refeição?
– Sim, sei. Mas diz-me uma coisa, tu por acaso sabes que não deitar lixo para o chão também é
uma sugestão que todos fazem?
Rita engoliu em seco. Era um erro que cometia quando estava a passear na rua. Ela era
“adepta” da chamada “lei do menor esforço”.
– Quando começares a fazer isso, deixo-te separar o lixo. Caso não saibas, também eu conheço
a política dos 3 R’s.
Rita saiu da cozinha, envergonhada. Afinal, a mãe já sabia. Mas, pelo menos, agora as duas
iriam ajudar o planeta. Iriam fazer a coisa certa.

 

Até breve.

Concurso Literário - "Natureza 2020-2021" - O Universo Nossa Casa

por talesforlove, em 27.12.20

0Estamos de regresso com a Edição 2020-2021 do Concurso Literário Natureza. Vivemos tempos diferentes, que nos obrigam a rever a nossa forma habitual de nos posicionarmos perante a vida. O lado positivo, é aquele que sempre interessou a este Concurso e é-o especialmente hoje: dia em que começou o processo de vacinação em Portugal, contra a Covid-19!

O convite é semelhante ao feito o ano passado:

Concurso Literário - "Natureza 2018-2019" - O Universo Nossa Casa - Contos das Estrelas (sapo.pt)

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/concurso-literario-natureza-2018-2019-47274

 

Convida-se à escrita de um poema ou conto breve tendo como principal fonte de inspiração a Natureza. Em toda a sua beleza e força, como sinal de esperança e crença num 2021 cheio de Paz e Felicidade. Também a Natureza do Universo, é digna de um poema ou conto, tal qual em edições anteriores!

O tema dos micro plásticos e o tema da poluição atmosférica, são aqueles que mais nos chamaram a atenção este ano. Por exemplo, ao reparar um eletrodoméstico, poderá alterar o volume de resíduos que vão acabar a poluir o ambiente e assim evitar que o plástico se degrade sem controlo, até formar pó e ser absorvido pelos organismos vivos. Igualmente, se se deslocar mais vezes nas proximidades da sua habituação e a pé, poderá também reduzir a libertação de fumo na atmosfera. Adicionalmente, uma apresentação em Power Point com um fundo escuro e sobre ele letras claras, irá permitir um consumo inferior de energia elétrica, a qual, ainda hoje, é maioritariamente produzida com fontes de energia não renováveis, se olharmos para o conjunto do planeta.

 

O Regulamento para 2020-2021 é o seguinte:

 

  1. A participação neste concurso é gratuita.

 

  1. Qualquer pessoa de qualquer país pode participar desde que submeta trabalhos escritos em português.

 

  1. Cada participante pode enviar um poema, sem limite de palavras, e um conto, com um máximo de 3000 palavras.

 

  1. As obras devem ser enviadas por e-mail para Rui M. (blogsnat@gmail.com) juntamente com nome, país, contacto eletrónico. O assunto do email deve ser "Concurso Literário Internacional 'Natureza - 2020-2021'". Espaçamento entre linhas: espaçamento simples; Dimensão da letra: 12; Tipo de letra: Calibri; textos no corpo do e-mail e não em ficheiro.

 

  1. Os autores participantes concordam em receber e-mails no futuro que tenham como objetivo principal divulgar futuras iniciativas literárias. Devem subscrever o blog (caixa no topo).

 

  1. Os finalistas vencedores de primeiros prémios têm direito a um certificado digital.

 

  1. Todos os poemas selecionados serão publicados em antologia, que estará disponível em formato PDF (possibilidade de existir no Windows), com um custo de 2,5 € (pagamento de uma doação pelo PayPal). Os autores premiados têm direito a uma versão gratuita.

 

  1. Direitos do autor: os autores têm os seus direitos sobre os trabalhos publicados, a fim de publicar como quiserem em qualquer outro lugar. A organização do Concurso detém direitos totais sobre os trabalhos publicados no contexto da Antologia digital do Concurso ou Obra do Concurso em papel.

 

  1. Prazo para participação: de 13 de Março a 13 de Abril de 2021.

 

  1. Eventualmente, haverá um mês extra de Concurso mas tal só se saberá após 13 de Abril 2021.

 

  1. Os resultados finais serão anunciados cerca de dois meses depois do final do concurso em http://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt e, quando possível, em outros websites a indicar no futuro próximo.
  2. Publicação impressa via financiamento coletivo, sem obrigação de participação de Autores, com abdicação de Direitos de Autor conforme contrato. Edição sujeita a número mínimo de participantes atendendo a viabilidade da obra.
  3. O primeiro de cada categoria terá direito a um prémio: obra de arte (uma pintura A4) enviada pelo correio.

 

Membros do júri:

 

Karina I.

Escritora Brasileira

 

Lince Verde

Escritor Português

 

Outros: A designar.

 

Parceiros:

A confirmar.

 

Este ano também homenageamos Marco Paulo, o grande Cantor de música ligeira e romântica, que é uma referência para a música Portuguesa.

Convidamos a uma visita à página da Wikipédia e a procurarem as canções do Cantor e procurarem nelas numa inspiração para um poema ou breve conto. Se for possível incluírem a Natureza nesse trabalho então tanto melhor.

Marco Paulo – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_Paulo

 

Estas são as nossas fotografias para inspiração:

flor1.JPG

flores4.JPG

Adicionalmente, ficam aqui alguns poemas inspiradores:

Fim, por Viviane P. (Brasil)


São sequências de infinitos caminhos....
Um meu, um teu e um do mundo.
E, aqueles encontros programados ou não,
Não são mais possíveis nem agora , nem nunca.
Minha trajetória mudou,
E nem fui eu que escolhi, na verdade.
Mas, ainda com essa perspectiva de fim,
Tão iminente, tão presente,
Não posso esconder dentro de mim,
Outro sentimento que não seja amor,
Amor demais, de várias formas latente.
Pois, se nunca é muito tempo,
Para o amor, imagina a eternidade!

 

CAFEZAL EM FLOR, por Judite O. (Brasil)
 
Como é bonito um cafezal em flor
e nele eu vivi desde a tenra idade,
deleitando-me com o seu olor
e o lindo verde da tonalidade.
 
Nosso cafezal perdeu seu vigor
ao chegar à sua longevidade,
ficando inviável o seu labor,
mas deixou para nós muita saudade.
 
meu cafezal, nós temos semelhança,
repletos de vigor quando criança,
mas o nosso destino é desigual.
 
Perdemos o vigor aqui na terra,
no entanto a nossa vida em Deus se encerra
e vivemos a vida imortal.
 
na XIV Coletânea da Academia Taubateana de Letras
2018, ATL - Academia Taubateana de Letras
http://academiataubateanadeletras.com.br/

 

DOÇURAS, por Claudete S., Brasil

Escorrem de mim atravidas doçuras,
de achar tudo deliciosamente delicioso.
O tempo colore as horas com saborosas iguarias,
sempre novas, disponíveis,
podendo ser lambuzadas,
salpicadas,
pingadas em todo lugar.
Cabe em mim esse universo de criança,
em que não existe tempo,
as horas se esparram,
caudalosas,
em agitadas travessuras.


E ainda o inicio de outro Poema.

VIM TE VER

Vim te ver, pois sei que o sol apareceu no teu dia,
vim te ver, pois sei que me invades quando de mim foges,
quando não percorres destinos
e não sabes para onde ir.

[...]

Para descobrir o Poema na sua completude, o melhor será contactar
a Autora, em
"Fazendo Amor com o Universo em Versos"

Qualquer pedido para: claudete@msrg.com.br

 

Um profundo obrigado a todos quantos têm aguardado por esta edição do Concurso Natureza.

Até breve, e um grande abraço com votos de muita Saúde.

Domingo - O Conto “Ilha de Santa Luzia” por Luísa F. - Pandemia

por talesforlove, em 22.11.20

Boa tarde.

Hoje apresentamos um conto por Luísa F. (Portugal) o qual foi premiado na Antologia Natureza 2018-2019. Nestes tempos de pandemia, recomenda-se cuidado na proximidade social em qualquer circunstância, de tal forma que as nossas vidas não sejam ainda mais afetadas. Neste momento, já temos a esperança de uma vacinação algures nos próximos meses.

 

Recomenda-se a leitura do conto “Ilha de Santa Luzia”.

 

Ilha de Santa Luzia


Quando me sentei, senti-os moverem-se debaixo das minhas pernas, sem os ver,
verdadeiramente, como se fossem transparentes; chamavam-lhes caranguejos fantasmas por terem a cor da areia fina e se confundirem com o ambiente. Tive
a clara impressão de estar em família e a sensação estranha de já ter estado
naquela ilha, a única com nome de santa no arquipélago das ilhas Afortunadas.
Por respeito a esses fantasmas tão familiares, por medo do ridículo, mas também
por ignorância, não me atrevi a falar no assunto ao meu pai, Branco (apesar de
ser um ilhéu muito tisnado) e um dos biólogos daquela pequena expedição.
Pedro era o seu assistente e tinha como missão principal a proteção da cagarra
de Cabo Verde, uma ave que nidifica no ilhéu vizinho e que o seu próprio pai
tinha caçado durante trinta e cinco anos, assim como muitos outros pescadores,
por se tratar de uma atividade tradicional. Milhares de crias foram dizimadas
nessa época, e não apenas as cagarras mas também os rabos-de-junco, com as
suas longas caudas, os alcatrazes, parecendo cavalheiros de nariz comprido, as
almas-negras de plumagem escura...que eram depois vendidos como cagarras.
Pedro achava que tinha uma dívida pessoal perante a natureza, contraída pelo
seu pai; mas, no seu entender, cabia-lhe a si e aos outros jovens devolver à ilha
essas espécies quase extintas.
A minha história começara muitos anos antes de eu nascer, mas os episódios
mais marcantes que recordava da infância eram os pesadelos frequentes com
enormes gatos e ratos vindos sabe-se lá de onde, que engoliam crias de aves
cujos ninhos estavam encravados na terra como pequenas manjedouras ou
berços de palha. O pediatra da altura descartou a hipótese de apneia do sono
mas tentou inteirar-se da nossa história familiar. Não foi difícil para o meu pai,
solteiro e dedicado, perceber que a explicação se encontrava naquele espantoso
lugar, que visitaríamos um dia. Explicou-me o que eram animais exóticos:
— Não são, como pensamos, aqueles animais estranhos e com um aspeto
diferente, fora da rotina e muito extravagantes, sabes? Quer dizer, não são só
esses; exóticos e invasores, para nós, são animais que vêm de outros sítios, de
outras terras e climas, estranhos à forma de vida da terra onde nos encontramos.
Exótico, como emigrante ou imigrante, como estrangeiro, está relacionado com
o nosso ponto de vista.
O meu pai não sabia exatamente o que era ser criança, porque ele próprio tinha
sido criado assim pelos meus avós, Luzia e Vicente. Quando as explicações se
alongavam, eu adormecia ao som das suas palavras, do alto dos meus seis anos,
sabendo que nessa noite não voltaria a ter pesadelos mas talvez sonhasse com
belas aves, com peixes-agulha e peixes-voadores muito curiosos e ágeis, com
águas cristalinas através das quais se viam os nossos próprios pés e o fundo do
mar.
Luzia era uma mulher falsamente seca e voluptuosa, que tinha abandonado a
ilha na década de 1970 com Vicente, quando ambos andavam pelos trinta. Não
se sabe em que circunstâncias se terão lá fixado, pois fizeram segredo disso até
à hora da partida, que ocorreu de forma misteriosa, depois de terem criados os
dois filhos, Branco e Raso, cujos nomes homenageavam os ilhéus vizinhos (os
outros dois integrantes da reserva natural), formando o que se tornaria, em
1990, património público, em conjunto com a ilha de Santa Luzia, deserta, mas
não solitária, ou, por assim dizer — deserta por deixar de sê-lo. Nessa época já
os dois irmãos tinham atingido a maioridade.
Acontece que a minha avó não engravidava porque a ilha estava interdita à presença humana,
salvo raras exceções, como eles, alguém que se batesse pelas espécies nativas; mas ainda assim
a santa exigiu que em troca da promessa de fertilidade o casal batizasse os filhos com os nomes
dos ilhéus circundantes, que seriam para sempre os seus orientadores de carácter e mentores,
quando os pais já não pudessem cumprir essa função por darem por terminada a sua vida terrena
(depois de se terem banhado em águas claras e convivido com as mais magníficas espécies de
aves da região, e aprendido a dar os bons dias aos caranguejos-fantasmas).
Os filhos vieram, assim, após inúmeras preces, depois de Vicente ter subido à
Topona, o ponto mais alto da ilha (quase quatrocentos metros acima do nível do
mar) e aí ter rogado a Santa Luzia que os abençoasse com descendência. Vicente
parecia por vezes um pouco distante, porque reservado, mas podia mostrar-se
também muito próximo, afetuoso e atento aos detalhes.
Luzia juntara-se ao marido nessas preces, apesar de estar cada vez mais
convencida de que era estéril; mas quando abandonaram a ilha tinham a certeza
de que seriam pais em breve. Santa Luzia era quem lhes poderia valer, por ser
mulher, por ser santa e por ser, também ela, desabitada de seres humanos.
Branco, o meu pai, ao contrário do meu tio, sempre tinha sido um cético e
escusava-se a falar de coisas que não pudesse explicar pela ciência, mesmo que
fizessem parte da sua história. A verdade é que oito meses depois dava-se ao
mundo, já com um tufo de cabelo como uma crista rochosa, e nove meses mais
tarde nascia o tio Raso, à distância de um olhar. Os dois irmãos sempre se
distinguiram em tudo, no feitio, no aspeto, nos interesses. Raso protegia dezenas
de aves marinhas que sobrevoavam as arribas aproveitando a riqueza das águas
que circundavam o seu patrono, de relevo quase predominantemente plano, e
seis espécies diferentes que aí construíam os seus ninhos. Era cada uma mais
bonita que a outra. O meu tio era um homem pequeno e castanho, mas bastavam
três dias de chuva para lhe converter o ar apagado numa exuberante alegria. Já
o meu pai tinha como mascote o lagarto-gigante, o qual, felizmente, nunca se fez
presente nos meus sonhos; constava que tinha sido extinto no início do século
XX, no entanto ele mantinha a convicção de que alguns espécimenes pudessem
ter sobrevivido nos rochedos escarpados do ilhéu Branco, seu homónimo e
padrinho.
Pedro e eu fomos dar uma volta pelos ilhéus antes de darmos por findo o dia em
Santa Luzia; contei-lhe dos meus pesadelos com gatos e ratos e ele confidencioume que começavam a ser um problema na ilha. Eram espécies exóticas — e não
pude deixar de sorrir ao lembrar-me das explicações detalhadas do meu pai.
Falei-lhe nos meus avós e com surpresa constatei que era um assunto do qual
não tinha o menor conhecimento. O meu pai não falava da família, era austero
e reservado, com um temperamento acidentado e espinhoso, a léguas do seu
irmão, plácido e previsível. Pedro apenas conhecia a lenda — a história que se
contava entre os pescadores — segundo a qual nos anos 1970 o casal que ali
vivia tinha abandonado a ilha de Santa Luzia.
Dizia-se, em conversas de homens do mar, que eles talvez não tivessem dali saído
e que ainda hoje andariam disfarçados de caranguejos confundindo-se com o
vasto areal para permanecerem em paz. Fiquei arrepiada com aquela
interpretação que assumi como uma revelação, uma vez que eu própria já o tinha
intuído. Mais um assunto que o meu pai não entenderia.
Estávamos em 2014, quando eu acabara de cumprir vinte anos e terminava uma
licenciatura em Biologia Marinha. Pedro mostrou-me as pequenas calhandras
do Raso e os seus ninhos no solo e eu tive que confessara-lhe que o meu pai
sempre me pedira que desse continuidade ao seu trabalho na proteção dessa e
de outras espécies exclusivas da região, que chamávamos endémicas. Tal como
as tartarugas-marinhas, também essas espécies estão em vias de extinção,
principalmente por causa da predação humana. Santa Luzia era um local onde
se fazia caça indiscriminada, longe dos olhares indiscretos, mas agora também
os pescadores estão sensíveis aos problemas ambientais e ajudam a protegê-las.
Entretanto os turistas não são ainda bem-vindos, assim como no tempo em que
Luzia e Vicente ali conceberam o seu primeiro filho.
Voltámos finalmente a Santa Luzia e junto com o resto da equipa rumámos a
São Vicente, mesmo em frente. Pedro e eu fomos ficando cada vez mais
próximos e decidimos acampar em Santa Luzia, completamente isolados,
enquanto tentávamos perceber como varia a fauna da região e procurávamos
conhecer-nos melhor. O meu pai acatava tudo o que fosse para o bem da região
e das espécies endémicas, porém reagiu com alguma desconfiança.

Prometemos trazer-lhe resultados em breve, para o convencer. O biólogo
concordava mas o pai resistia. A nossa rotina incluía a vigilância de ninhos de
cagarras para verificar o crescimento das crias. Pedro e eu pesámos
criteriosamente todas essas pequenas aves e sei que, nessa agradável rotina,
ele sentia que resgatava a dignidade do pai. A ilha já não era deserta, mas
tampouco era habitada: nós fomos privilegiados por, durante alguns dias,
poder acompanhar o pulsar da vida naquelas paragens. Agora fazemos idas e
vindas regulares com os pescadores, sem o pai de Pedro, que já cristalizou no
fundo do mar. Tentamos reintroduzir a raríssima calhandra em Santa Luzia,
essa ilha que nos habita e que apadrinha a nossa descendência.

 

Até breve.

 

 

 

Ao Domingo

por talesforlove, em 08.11.20

Poderá não ser apenas ao Domingo mas, em tempo de mais pandemia, justifica-se um pouco mais de partilha. Tentaremos publicar com maior frequência este mês de Novembro.

Fica aqui hoje um conto da Escritora Brasileira Maria Coquemala, incluído no seu livro FLASHES, publicado pela Editora Porto de Lenha (contato@portodelenha.com - Brasil). É um exemplo, claro da profundidade dos temas que procura abordar nos seus contos, de leitura agradável e convidativa. Fica o convite.

Logo que possível publicaremos um trabalho de outro Autor.

Até breve.

 

Settembrini

 

O tempo escorreu ao longo dos dias, meses, anos... Mas nítidas as lembranças do suceder de acontecimentos que nada neste mundo prenunciava. E como num filme de longa metragem, posso me ver e a eles, personagens deste relato que tomaria por inverossímil, não tivesse sido eu co-participante dos surpreendentes episódios no hospital, para onde tinha sido levada numa madrugada, acometida de dores.

            Nos dias de internação que se seguiram, embora com dificuldade, tentava continuar lendo um romance cuja trama romântica me atraía menos que as longas reflexões sobre a vida, a morte, o amor, a paixão, o tempo e a doença. Em especial, o tísico personagem Settembrini me fascinava, querendo salvar o mundo através da Arte, da Razão e da Ciência. Então interrompia a leitura, refletindo sobre suas belas teorias humanistas.

            E foi num momento assim que Settembrini, qual personagem pirandeliano, de algum modo estava no quarto, como descrito no livro, baixinho, meia idade, a fronte alta, os olhos negros, fios brancos nas têmporas, vestindo amplas calças de xadrez amarelado e paletó muito comprido. Inexplicável, mas nenhuma surpresa me causou. Apesar das vestes puídas, ali estava um cavalheiro.

            E sempre gentil me deu o braço, atravessei com ele o longo corredor do hospital, abrindo as portas dos quartos. Enfermos se levantavam de seus leitos, nos acompanhando. Cruzamos com macas, médicos e enfermeiros, ouvindo a tosse cavernosa dos tuberculosos, gemidos, sirene de ambulâncias... Amparada no seu braço, caminhamos lentamente para o jardim. Gotas da chuva recente ainda caíam das árvores, o ar estava limpo e fresco, apanhávamos folhas de ervas cheirosas pelo caminho, que recendiam, esmagadas pelas nossas mãos. Sentamos no banco de um caramanchão, os enfermos nos rodearam sentados no chão, e Settembrini se pôs a declamar na melodiosa língua italiana, um poema de DAnnunzio,

            Su le soglie del bosco non odo parole che dice humane,

            ma odo parole piu nuove  che parlano gotiole i foglie lontane...

            A sonoridade dos versos me parecia reproduzir os pingos remanescentes da chuva caindo sobre o solo, sobre as folhas, a beleza da criação poética humana se mesclando à da natureza. Então, entre outros versos de imorredoura beleza, Settembrini falou de Carducci, Petrarca, Leopardi, Virgílio, poetas que ele amava. E da sua luta, que era a de todos os humanistas, contra a ignorância e a maldade, em favor da dignidade do Homem.

            Como um professor consciente da sua autoridade, ciente da profunda atenção dos ouvintes seduzidos por suas belas palavras, falou da doença, da luta do Humanismo contra o conceito supersticioso de ser ela um nobre caminho para a perfeição do espírito, um caminho para o céu. Na verdade, enfatizava ele, uma humilhação dolorosa do Homem, um insulto à idéia, um rebaixamento que, no caso individual, pode merecer tolerância e cuidado, mas seria uma aberração homenageá-la espiritualmente, sendo ela o início de todas as demais aberrações espirituais.

            Uma enferma se referiu ao fanatismo religioso de todos os tempos, gerador de violência, guerra, sofrimento, morte, qualquer que fosse o nome da crença e dos povos que a tinham.  Da repulsa que lhe causava o sacrifício de animais, enfatizando a morte de cordeiros em cerimônias sangrentas ainda vigentes, dóceis animais, vítimas inocentes de religiões inexplicáveis.

            - Somente através do trabalho, através do progresso, o Homem será libertado da ignorância e da superstição, completava Settembrini.

            Ponderei que os erros dos homens nem sempre eram evitáveis, dado que podíamos traçar os rumos para nossa vida, porém rumos que forças universais condicionam. Mas Settembrini contra argumentava,

            - A inteligência humana sairá vitoriosa do embate com tais forças. Basta que a razão humana queira ser mais forte do que elas, e logo o consegue. E falou com entusiasmo do princípio do movimento, da rebelião e do aperfeiçoamento do mundo, que, por natureza, não é um princípio muito pacífico já que teria que vencer grandes obstáculos antes de triunfar em toda parte e antes de se realizar a república universal, grande e feliz”

            Alguém citou Lutero queimando a Bíblia em reivindicações de livre interpretação, atitude que certamente fora um dos fatores do Iluminismo.

            - E da fogueira luterana surgindo centenas de outras igrejas, numa verdadeira reação em cadeia, acrescentou outro, e cujos representantes, em sua maioria, muito ao contrário do libertário Lutero, se multiplicaram com suas verdades intocáveis.

            Outro enfermo começava a lembrar o Buda, a compaixão e a eliminação dos desejos, como necessários a uma vida tranquila, quando foi interrompido por uma mulher que começou a chorar e enxugando as lágrimas com as costas das mãos, emocionada, falou sobre o filho morto, que Deus levara por sua insondável vontade, as falas a remetendo ao tempo dele criança, adolescente, moço, e que só lhe dera orgulho e alegria. E o acidente no trânsito, a morte em plena juventude. O sofrimento, a revolta, a dor da perda se estendendo por dias e noites. Só na religião encontrara algum consolo. Religião que procurava levar a outras mães e assim preenchendo o vazio da própria vida. Vida de mulher pobre, um dia mãe solteira, casada depois, mas filho nenhum. Pela vontade divina. Um dia aconteceria o reencontro, assim acreditava. Chorando, desculpava-se com Settembrini, mas só a religião a consolava da dor maior da perda, da saudade sem fim que a acompanhava.

            Settembrini tomou-lhe as mãos, nada disse, chorou. Ele sabia ser tão grande no silêncio quanto expondo seus belos pensamentos.

            Alguém lembrou que se pode destruir em minutos o planeta inteiro só com as armas de arsenais americanos e, numa reação em cadeia, atingir até o Universo longínquo, cujos limites nem podemos imaginar, mas não se pode devolver o filho à mãe que grita em desespero. Pode-se destruir uma vida sob quaisquer das suas formas, desde as mais simples às mais complexas, mas é impossível recriá-la.

            Settembrini continuou calado, gentil e compassivo. Também me emocionara, ouvindo, pensando que a religião que eu desejava ainda não chegara. Religião de um tempo em que poder nenhum, divino ou humano, separasse mães e filhos. Um velho enfermo se perguntava até que ponto todos nós que não participáramos da vida do moço morto, que não cruzáramos seu caminho, éramos também inconscientemente responsáveis pelo seu prematuro fim terrestre. Pois nada lhe parecia individual quando se tratava do universo humano, num inter-relacionamento que parecia estender-se ao espaço sideral, ao universo inteiro. Responderíamos todos a um desígnio superior cuja explicação não se alcançaria, exceto pela fé? Ou a própria Natureza, indiferente à dor humana, comandaria a vida e a morte, nossa liberdade de escolhas nada mais sendo que uma ilusão, tendo em vista as nossas inteirações com outros fatores, definindo nossa jornada na Terra?

            Um jovem se referiu a Nietzsche, o homem que tinha tido a coragem de desafiar seu tempo, propondo a vinda do Super-homem contra as forças da ignorância e do atraso, mas que se tornaria ele próprio um sub-homem, doente, ferido no que tinha de mais privilegiado, sua mente maravilhosa. Ele, que declarara ser humilhante a compaixão. E que acabaria por tornar-se objeto dela.

            - A tragédia, acrescentou Settembrini, começa onde a natureza se mostrou para destruir, ou para tornar de antemão impossível a harmonia da personalidade associando um espírito nobre, cheio de vitalidade a um corpo pouco apto para a vida.       

            Alguém se levantou. Era um homem pequeno, magro escanhoado, de uma fealdade chocante. Apresentou-se como Naphta. Olhou-nos de tal modo que era como se soubesse ser ele o portador da verdade única, que expôs em palavras candentes,

            - Todos os castigos da Igreja, inclusive a fogueira, inclusive também a excomunhão, foram impostos para salvar as almas da pena eterna. Toda justiça que não brote da fé no Além é uma sandice bestial. E quanto ao aviltamento do homem, sua história coincide exatamente com a do espírito burguês. O Renascimento, A Época das Luzes, as ciências naturais e a economia política do século XIX, não ensinaram nada, absolutamente nada, que desfavorecesse esse aviltamento, começando pela nova astronomia, em virtude da qual o centro do universo, o magnífico cenário onde Deus e o Diabo disputaram a posse da criatura por ambos almejada, foi transformado num insignificante planetazinho e que pôs um fim provisório à grandiosa posição do homem sobre a qual se fundava a astrologia. A fé é o órgão do conhecimento e o intelecto é secundário.

            Fez-se silêncio perante a convicção do orador, ninguém querendo contradizê-lo.

            Mas, um velho enfermo, com voz tranquila, como se desculpando, falava,

            - Não se pode excluir da existência os nobres ideais de que nos fala Settembrini, razão de ser de uma vida, rumo à dignidade do ser humano. Como também não se pode excluir a fé religiosa de que fala Naphta. Nenhum de nós, como ensinou Platão, pode contemplar a verdade inteira. Sabemos desintegrar uma gota de água, mas não como reconstruí-la, como sabiamente  já se falou aqui em termos de vida humana. Que somos nós? Nosso corpo, nossas ideias e emoções, tudo energia num círculo vicioso, de que falava esse Nietzsche enlouquecido, condenados a um eterno retorno? Como saber? Quem é o Criador de tudo? Nossa mente não alcança. Tracemos, pois um caminho de respeito ao próximo, a suas ideias, emoções e crenças.

            Sua voz ainda provocava diferentes reações, quando Dr. Thomas, o médico pneumologista se aproximou, pedindo-nos que voltássemos aos leitos. 

            Um a um, enfermos foram retornando aos quartos, às enfermarias, as tosses ecoando pelos caminhos. Settembrini me conduziu ao quarto, sorriu, tirou o casaco úmido. Vinda do corredor, ouvimos a sarcástica gargalhada de Naphta. Então começou a tossir, o sangue escorreu do nariz, seu lenço branco se avermelhou. Passado o acesso de tosse, consternado e pálido, despediu-se e entrou no livro.

            Com o passar do tempo, a memória perde conteúdos de pouca importância, porém o registro do essencial no transcorrer da vida é preservado, ensinam os cientistas. São nítidas as minhas lembranças. Mas, hoje me pergunto se tais fatos ocorreram mesmo ou passageira alucinação, fruto do feitiço daquele personagem sedutor de A Montanha Mágica de Thomas Mann, o romance que eu lia no hospital.  Penso também nos medicamentos tomados. Na existência, não se sabe como, se redefinindo em outras paragens. 

            Como quer que seja, ainda hoje, anos passados, vejo Settembrini num gesto de nobreza daqueles que, como ele, acreditam na redenção do Homem pelos instrumentos da ciência, da razão e da beleza.

.............................................................................................................................................

Settembrini e Naphta são personagens de A Montanha Mágica, de Thomas Mann.

 

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"Espelho das lindas estrelas" por Ana M. (Brasil - 3º Lugar - Antologia 2018-2019)

por talesforlove, em 01.08.20

 

É incrível como tudo na natureza e no nosso universo está conectado de alguma forma. Um
exemplo dessa doce conexão são os rios e as estrelas.
Os rios são muito abundantes na região Norte do Brasil que é onde moro. Morar em lugar que
tem rio é muito bom, pois durante o dia eles podem servir de meio de transporte, principalmente
nas regiões um pouco mais afastadas das cidades e podem proporcionar diversão, pois sempre é
possível dá um mergulho e nadar neles. Um banho gelado que acalma um pouco o calor.
Já durante a noite os rios se transformam em um lindo espelho da Lua e das estrelas. Tanto que
tem até uma lenda indígena que fala de uma índia que mergulhou atrás do reflexo da Lua por
acreditar se tratar da própria Lua que ela tanto admirava. E em um local com muitas árvores é
quase como se as estrelas ficassem mais brilhantes, mais felizes por não terem que competir com
as luzes artificiais da cidade. É como se por alguns momentos o próprio rio adquirisse um pouco
do brilho delas. Na natureza admiramos as muitas belezas da criação de Deus.
O ser humano quer chegar cada vez mais perto das estrelas, sem entender que elas já estão
perto dele. Basta ele se conectar com a natureza para as admirar em toda sua beleza. Os olhos
humanos assim como os rios são espelhos das lindas estrelas.

 

 

"A VIAGEM DO GRÃOZINHO DE AREIA" por Alberto A. (Itália - 2º Lugar - Antologia Natureza 2018-2019)

por talesforlove, em 01.08.20

A VIAGEM DO GRÃOZINHO DE AREIA

Antes do que o ar for criado, o céu era preto e a luz era dura, sem esfumaduras. Tudo era silêncio, as
árvores ficariam firmes... Na verdade, se querermos expressar toda a verdade, nem havia árvores ou
animais. Só uma paisagem fantasmagórica, feita de montanhas ásperas e vulcões. As rochas - que
pareciam cortadas com um machado - ressaltavam como silhuetas contra um céu sempre preto. Os rios
corriam impetuosos, negros como tinta, refletindo o céu. Um dia, do nada, uma pequena esfera
transparente começou a inchar, como uma bolha de sabão, tornou-se cada vez mais gigantesca, e em
seguida abriu-se e lançou o vento. Foi como um sopro de liberdade... O azul explodiu no céu e as águas
reverberavam-no com mil tonalidades. Finalmente, a vida das plantas e dos animais podia começar, as
árvores podiam roçar, alguém poderia ouvir o barulho do vento e das pedras caindo. O que tinha
acontecido? Um elfo, livre de herança e riqueza, implorou ao Criador para dar-lhe um sopro de vento,
algo que não custaria nada, apenas um sopro, e foi assim que houve o ar. Como todos sabem, a
respiração e a palavra não custam nada, mas são o mais que exista de vital. As cores se mexiam num
arco-íris iridescente com reflexões e transparências evanescentes, como as asas de uma libélula enorme.
O mesmo elfo que tinha aplicado para se tornar "mestre do vento", olhando no seu rosto reflexo em
uma poça de água, descobriu as próprias sombras e esfumaduras... Detalhes que faltavam até um
momento antes, quando seu rosto parecia uma meia-lua, meio claro e meio completamente preto.
Até aquele tempo, não havia pássaros nem outros seres voadores, até mesmo faltavam todos os
animais que respiram. Também faltavam as plantas, que precisam de ar para viver. Portanto, em toda a
Terra, apenas os elfos e os cristais foram testemunhas do evento maravilhoso. Os elfos contam isto em
suas tradições, que permanecem gravadas em uma veia de ouro puro, como em um livro secreto, na
parede mais escondida, na caverna mais profunda de todo o planeta. Esta página de sua história não
tem título "O nascimento do ar", mas começa com a frase: "No dia em que se viu o primeiro arco-íris".
Os elfos, de fato, não precisam de ar para respirar, mas ficaram tão impressionados com a grande
explosão das cores, como em uma bolha de sabão iridescente, ricas de tons e matizes, nunca vistas
antes, que marcaram a data, desde então e para sempre, como "tempo zero" de seu calendário.
A primeira rajada de vento levantou turbilhões. A coisa mais leve do mundo, na época, era um grãozinho
de areia, porque ainda não havia folhas ou penas. Esta é a história de um grãozinho que foi levantado,
nos desertos da Ásia Oriental, e começou a rodopiar com os redemoinhos de areia. Conheceu muitos
outros grãozinhos como ele, arranjou um monte de amigos e descobriu o mundo com gosto. Tanto
gosto que, a partir daquele momento, nunca mais voltou para o chão. Ele percorreu um caminho igual a
mil vezes em torno da Terra, mas - mesmo assim - não foi capaz de ver tudo. Nosso grãozinho ficou por
muito tempo confuso em uma nuvem vermelha, que girava acima dos desertos da Mongólia. Não poderíamos dar-lhe um nome mais familiar? O chamaremos Paulinho, permitindo-nos um pouco de
familiaridade, apesar de sua idade. Então, o grãozinho Paulinho se embarcou para uma longa viagem,
velejando com alguns amigos para a costa do Oceano, e então viu pela primeira vez, abaixo dele, o
verde das árvores.
Paulinho sentiu o fardo da umidade, quando o vento forte do deserto se mudou com a brisa do mar. A
viagem tinha-lhe - por assim dizer - entrado para a corrente sanguínea, e não queria parar. Sob ele
estava voando uma criatura estranha, nunca antes vista, com duas grandes asas abertas, deslizando
suavemente, e conseguindo assim pegar cada mínimo sopro de ar, de maneira que nunca descia da
altitude. Com uma manobra inteligente, Paulinho entrou em uma pena da asa desse grande pássaro.
Agora, ele poderia aproveitar a viagem sem se preocupar com a umidade ou com o calmo de vento. Ele
tinha certeza de que seu carreiro iria levá-lo para qualquer lugar do mundo, sem sequer fazer-lhe pagar
o bilhete. Veio porém um dia em que o grãozinho percebeu que seu transportador não estava mais em
movimento. Paulinho já não sentia a sensação do ar e percebeu que seu hospedeiro não podia mais se
mexer. Uma comoção, muito barulho ao redor. Bicos enormes batendo de todos os lados, para comer a
carne da ave que o tinha guiado pelos céus do mundo. De repente, tudo em volta dele ficou escuro e
Paulinho encontrou-se em um mundo de enzimas quentes e úmidos, ricos em ácidos e outras
substâncias estranhas que ele não conhecia. Foi uma sorte que a sua compleição forte, de quartzo e
sílica, lhe permitiria evitar ser digerido, e nem sequer ser atacado por todos aqueles sucos. Ele ainda
podia sentir o movimento da viagem, mas por um tempo não sentiu mais o ar por cima de si.
Finalmente, a libertação. Paulinho viu novamente a luz e logo se encontrou rodando em um céu
flamejante, feito de fogo ardente. Não era um pôr do sol tropical, mas a erupção de um vulcão enorme.
Paulinho de areia se viu apanhado no vórtice de uma enorme nuvem de cinzas, que pairava sobre o
planeta. De lá, via os continentes, mares e rios. Uma paisagem verdadeiramente estupenda.
Uma partícula minúscula de pedra-pomes se agarrou a ele. Paulinho nunca tinha-se visto a si mesmo em
um espelho. Naquele dia, sua amiga disse-lhe que era uma maravilhosa peça de quartzo iridescente,
uma gota de vidro vulcânico, que refratava as mais belas cores do espectro... Uma pena verdadeira, que
ela não se pudesse admirar!
Por muitos séculos, a nuvem da erupção cobriu os céus do mundo. Foi a longa lua-de-mel com a
Pomicinha sempre ligada com ele. Abaixo deles, as cores se tornaram obscuros. Era a sombra de sua
nuvem, que cobria e resfriava o globo. Na altitude, no entanto, que maravilha de luz e cores! Os
grãozinhos rodavam, arrastados por cada sopro de vento, para compor todas as tonalidades do arco-íris,
todas as reflexões, todas as transparências que podem sair dos jogos entre os minerais nascidos no
ventre da Terra. Nessa altura a Terra, vista do espaço, deve ter parecido um grande globo luminoso, ou
pelo menos cercado por uma espécie de lenço brilhante.
Ao longo do tempo, a nuvem era destinada a assentar-se. Um dia, finalmente, Paulinho viu a superfície
da Terra: quanto tinha mudado! Tudo era verde, o mundo era povoado por animais de todos os tipos. A
corrente de vento que levava os grãozinhos foi assentando-se. Foi então que Paulinho e a sua parceira
decidiram não parar nunca mais na superfície do globo. Era demasiado agradável viajar, levados pelo
vento, e ver o mundo mudando, com todas as cores e todos os seus perigos. Quantas vezes arriscaram de ser queimados pela erupção de um vulcão! Um par de vezes as correntes do ar, nas montanhas, os
levaram até os limites da atmosfera. Nessas altitudes, Paulinho viu novamente o céu negro acima dele,
como no início de sua existência.
As coisas ao seu redor mudavam. Os sopros de ar os arrastavam de cima a baixo, por todos os
continentes e sobre os mares, e faziam sentir vivo o Paulinho, com a sua parceira Pomicinha. Os dois, no
entanto, não mudavam, ficando sempre os mesmos que no primeiro momento da sua existência. Eles
nunca foram alterados, não respiravam, não cresciam, não estavam vivos. Durante a longa viagem,
suspensos no ar do planeta, tinham visto muitos seres vivos nascendo, crescendo, envelhecendo e
morrendo. Os dois, no entanto, como todos os grãozinhos de areia, mantiveram-se sempre iguais, como
no primeiro dia da sua existência. O ar era importante, essencial para o movimento contínuo, mas
podiam também existir sem ele. Até viam com maravilha que os seres vivos do mundo animal e do
mundo vegetal, nesse globo rico de cores, ao qual eles também pertenciam, não poderiam existir sem
aquela camada de ar, que não só dava-lhes as cores, as sombras, mas também o movimento e mesmo a
vida.
Um dia apareceu um longo cilindro branco, flamejante, subindo rapidamente, disparado a partir do solo.
Eles queriam experimentar a emoção de apanhar esse objeto: eles tinham ouvido dizer que era a mais
recente descoberta, em termos de viagens, e que poderia levantar-se muito mais alto, até onde
ninguém tinha ido antes. O longo tubo de metal branco foi rapidamente para o céu azul, mas alguns
instantes depois, o céu tornou-se negro, completamente preto e cheio de estrelas, como no primeiro dia
do mundo. Em princípio, Paulinho e Pomicinha não percebiam a sensação de viajar com uma velocidade
assustadora. Então eles viram debaixo deles o globo azul, que se tornava visivelmente mais pequeno, e
eles sabiam que aquele era o mundo em que sempre tinham sido, desde o primeiro de seus dias. Por um
momento, sentiram uma sensação nunca experimentada, um tipo de medo ou ansiedade, algo que um
grãozinho de areia nunca deveria sentir. O ar não estava mais lá, mas voavam, com uma velocidade
impressionante, no espaço profundo, sem ruídos, sem toques, porque não havia mais o fluxo de ar
sobre eles.
A expedição espacial terminou com um pouso na superfície da Lua. Com o impacto, os dois grãozinhos
de areia foram lançados a partir da casca do navio e caíram sobre uma pilha de poeira lunar. A viagem
de Paulinho e Pomicinna tinha parado. Nos céus negros desprivados da atmosfera, nunca mais poderiam
encontrar nem um sopro de ar para os levantar. Só podiam observar desconsolados - para sempre -
aquele grande globo azul, alto no céu da Lua, em que podiam ver ventos e tempestades a mover
continuamente enormes nuvens brancas, rodando em forma de espirales. Em Paulinho e na sua
companheira surgia, a partir de profundo, uma espécie de saudade.
O mundo do movimento contínuo tinha-se mudado para eles no mar da Paz Eterna, onde nada muda e
onde o céu é sempre preto. O reino da quietude eterna. Próximo a eles, plantado no solo da Lua, um
mastro com uma bandeira que nunca poderia bater no vento.

 

 

Até breve.

 

A Antologia Natureza 2018-2019

por talesforlove, em 11.08.19

Caros Amigos e Autores,

É com enorme prazer que informamos estar “concluída” a produção da Antologia Natureza 2018-2019.

A conclusão deste trabalho poderia nunca ser dada como real, dada a tamanha beleza dos trabalhos recebidos e selecionados e a inspiração por ela suscitada.

Este ano, a Antologia divide-se em Caderno 1 e Caderno 2, em quase 300 páginas de sucesso crescente.

 

Fica um abraço suave e incondicional, como o de uma árvore, tal qual a árvore e o amor na música seguinte:

“Ombra Mai Fu” (“Sombra nunca foi” ou “A árvore nunca foi sombra”) por Franco Fagioli.

 

 

E como estamos em Agosto, tempo de regresso a Portugal de imensos Emigrantes Portugueses, fica uma música de homenagem, com um vídeo realizado durante uma dessas viagens de regresso, por exemplo, a partir de França.

 

“Meu querido mês de Agosto” por Dino Meira.

 

https://www.youtube.com/watch?v=KmIQws6geFY

 

Um enorme Muito Obrigado a todos e Até Breve.

 

Obrigado ao Júri do Concurso Literário "Natureza 2018-2019"

por talesforlove, em 09.04.19

Agora que nos preparamos para iniciar a produção da Antologia "Natureza 2018-2019" é mais que tempo para agradecer a todos os elementos do júri, sem os quais este projeto não seria o sucesso que é. 

Obrigado Edweine Loureiro, pelo empenho mesmo durante os tempos especiais. 
Obrigado Karina Issa pelo entusiasmo insuperável. 
Obrigado a quem de forma anónima deu o seu trabalho, e conhecimento astronómico, em nome do Observatório Astronómico de Lisboa. 
E obrigado a quem, também de forma anónima, deu o seu contributo, em nome da Universidade de Lisboa. 

Um grande abraço e até breve. 

obrigado ao juri.jpg

 

Contos Vencedores - Natureza 2018-2019

por talesforlove, em 28.02.19

É com grande alegria que partilhamos o resultado da Edição 2018-2019 do Concurso Literário Natureza:

 

“A Borboleta e o Pássaro” Maia Piva Brasil 1° Lugar 
“A VIAGEM DO GRÃOZINHO DE AREIA” Alberto Arecchi Itália 2° Lugar
“Espelho das lindas estrelas” Ana Carolina Machado Brasil 3º Lugar

 

Menções Honrosas:

“Sophia e o recomeço do mundo” Marcos Neves Jr Brasil 
“Ecos de uma viagem” Evandro Valentim Brasil
“Anêmona.” Luna Braga Brasil
“A vida nos olhos das asas de Ferentina” Murilo Melo Brasil
“Um menino sonhando” Sonia Rodrigues Canadá
“NINA BEBÊ” Margareth Leite Brasil

 

Parabéns.

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