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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via blogsnat@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo. :)

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1 de Setembro 2019 – Parte 2 – Livros, Jorge de Sena e Lítio

por talesforlove, em 01.09.19

Hoje, mesmo hoje, termina a 4ª Festa do Livro em Belém, uma iniciativa da Presidência da República de Portugal. O programa está disponível em:

 

http://www.presidencia.pt/?idc=199

 

Uma iniciativa que também recorda, este ano, os 100 anos do nascimento de Jorge de Sena, um poeta que vale a pena conhecer. Fica aqui a sua história de vida:

 

http://cvc.instituto-camoes.pt/seculo-xx/jorge-de-sena-55876-dp1.html#.XWtVFy5KjIU

 

Convida-se à leitura do poema “Uma Pequenina Luz” por Jorge de Sena:

 

Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla
… em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indeflectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha

 

 

Após a leitura deste poema, que nos apresenta inúmeros “recantos” e motivos de interesse, somos tentados a continuar a pensar em poesia…

 

Apresentamos o poema em 3º Lugar, também Vencedor da Antologia “Natureza 2018-2019”:

 

“Chuva” por Maria Catarina Canas de Portugal

 

 

CHUVA

 

Sinto que a chuva me pede respostas

Por ao cair uma canção entoar

Será que eu posso e canto com ela ?

Será que apenas devo observar ?

O que as gotas pequenas e grandes

Dizem no céu no seu voltear

É um mistério sempre estranho

Que muito anseio poder desvendar

Em toda a canção o encanto está

No poder perceber as notas dispersas

Que parecem encetar muitas conversas

Mas melodia as gotas entoam

E quem com elas souber entoar

Música infinita irá encontrar

 

Atualmente, existe algo de novo que surge em Portugal e que pouco tem a ver com poesia mas sim com trabalho e pragmatismo e ambiente, ou seja, o início da exploração de lítio a ser utilizado em baterias dos carros elétricos. Pode-se dizer que sim, que existe uma nova arte nas engenharias, o de proporcionar tecnologia mais amiga do ambiente e que isso é poético. E sim, com carros elétricos abre-se a fabulosa oportunidade de termos transportes menos poluidores, com menor emissão de dióxido de carbono e menor ruído. Sim, tudo isto é verdade. Mas, então porque temos manifestações em Portugal contra esta exploração de lítio? 
Veja-se esta notícia: 

 

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/cerca-de-400-pessoas-unidas-na-serra-da-estrela-contra-a-exploracao-de-litio

 

A verdade é que existe o receio de ver multiplicados os impactos negativos de outras explorações mineiras, os quais frequentemente não são minimizados. Assim, o teste de novas soluções para minimizar este impacto poderá ser benéfico. Afinal, hoje existem inúmeros estudos para acautelar a exploração de Marte e não se acautela a exploração da Terra? Por exemplo, existem estudos que sugerem a utilização de cianobactérias para produção de oxigénio no espaço, e estes resultados são divulgados, e seria excelente ver a divulgação e exemplos reais de uma exploração mineira mais amiga do ambiente.

No mundo do cinema existem alguns filmes que exploram o eventual fracasso da nossa exploração da Terra, como principal instigador de uma exploração do espaço. Veja-se este trailer do filme Interstellar:

 

 

 

Até breve.

Sobre Agustina, Manoel de Oiveira e o dia de Hoje

por talesforlove, em 03.06.19

Hoje fica o conselho para ler, entre tantas opções possíveis, o seguinte texto, simples e curto, sobre Agustina Bessa-Luís.

https://bomproveito.blogs.sapo.pt/saio-da-gaiola-com-agustina-20994

Até breve.

Texto de quase crítica literária ou de cinema sobre o filme “Pedro e Inês” (2018)

por talesforlove, em 31.01.19

 

O filme “Pedro e Inês” (2018) do realizador António Ferreira e Tathiani Sacilotto é baseado no livro “A trança de Inês” de Rosa Lobato Faria (2001). É possível dizer que provavelmente este é um exemplo de uma nova forma de olhar para a história do nosso país, vendo-a de uma forma e, de certa forma, provocando-a, porque, além de se olhar para a evolução material e cultural temos ainda a história de Dom Pedro e Inês de Castro, que é um pretexto para nos questionarmos como seria esta narrativa nos nossos dias ou mesmo no futuro. Sabemos que Dom Pedro desafiou os limites sociais e familiares do seu tempo e foi-lhe atribuído o cognome de O Justiceiro e surge a pergunta sobre qual seria o seu comportamento e o das outras personagens principais, Dona Constança e Dona Inês, nos nossos dias, por exemplo. E enquanto leitores do livro e espectadores do filme, podemos ainda perguntar quais as razões que levaram a autora a acreditar que esta narrativa seria possível e realista.

Gostei de ver este filme, na sua configuração surpreendente, leva-nos a um passado que me parece bem retratado, leva-nos a um presente imaginado, aparentemente muito lisboeta, e a um futuro intrigante e ecológico, simultaneamente como um regresso aos primórdios, um fechar de círculo. Brincando com o que vemos, podemos dizer que estamos perante uma máquina do tempo consciente em que a história contada e o cinema não coincidem por completo, ao contrário do que aconteceu com as primeiras projeções de Auguste e Louis Lumiére, por exemplo, L’árrivée d’un train engare de La Crotat (Lopes, J.; Maio 2018; p. 19). Ao ver o filme podemos ficar confusos, e parece ser esse o objetivo do realizador, pois não sabemos bem se o Pedro de hoje está louco ou apenas mais recolhido a um estado superior de consciência do que é a sua vida. Senti que o filme é suficientemente complexo para o olhar sob três perspetivas: a do retrato do passado (histórico); a do presente “imaginário”; e a relativa a um “futurível”. Trata-se de algo a fazer lembrar os trabalhos de Paul Gaugin, nomeadamente as suas películas sobre o Tahiti e a designação a eles atribuída “De onde vimos/quem somos/para onde vamos” (Lopes, J.; Maio 2018; p. 23).

 

PASSADO

Parece ser essencial uma breve introdução histórica com contexto cronológico, para que nos seja possível compreender que a abordagem apresentada nesta película é muito balizada pela história real vivida pelos protagonistas ou personagens principais. Apresento de seguida uma breve sequência cronológica de eventos conhecidos ou que se julgam ser reais. A esta segue-se uma muito breve explicação social.

 

Coimbra a 8 de abril de 1320: nasce Dom Pedro I, filho de Dom Afonso IV e Beatriz de Castela;

1334: casa com Infanta Dona Constança, nascida em data incerta e falecida em 1345 (filha de D. João Manuel, infante de Castela);

Cerca de 1325: nasce Dona Inês de Castro, que viria a falecer em Coimbra, na Quinta das Lágrimas (Quinta das Lágrimas; 2019), em 1354, sendo mais tarde coroada Rainha por Dom Pedro I e sepultada, ao seu lado, em Alcobaça em 1361 (filha de D. Pedro Fernandes de Castro a de D. Aldonça Soares de Valadares, de Castela);

Dom Pedro I é neto de Dom Dinis, o Rei Poeta, e entre os seus filhos encontramos Dom João, Mestre de Avis, fundador da segunda dinastia, cuja mãe é Teresa Lourenço, nascida a 14 de Agosto de 1356 (Portal da História; 2019).

 

Os fios condutores desta sequência de eventos, são: i) o sentimento de infortúnio por parte de Dona Constança, em contraste com o amor entre Dom Pedro e Dona Inês; e o ii) o desconforto feroz de Dom Afonso IV, pai de Dom Pedro, que considera o comportamento do filho inaceitável por ser inoportuno, também porque contrário à sua vontade, e sobretudo por ser algo com possíveis consequências para a Coroa, podendo provocar um conflito com Castela.

 

PRESENTE

 

Este presente sugere-nos um Pedro que se casa com Constança porque as circunstâncias da vida o levam a isso, ou seja, com a naturalidade de quem namora com alguém e a leveza do habitual o conduz a esse “desfecho”, ou seja, não sendo obrigado, como no passado, também não se questiona nem vê alternativa. Inês surge no local de trabalho e Pedro sucumbe ao impulso amoroso imediatamente. Tal como no passado a história não nos compromete com um julgamento com culpados e inocentes, sendo todavia mais discreta a fronteira pois aqui não existe uma obrigação de matrimónio.

Também aqui Constança tem uma via de ação diferente, sentindo-se injustiçada, ela não morre e não se mantém em silêncio, pelo contrário, vinga-se, de uma forma que não quero aqui descrever para não contar todo o enredo. A sua ação pode-nos levar a questionar a sociedade em que vivemos ou a forma como a escritora olhava para a sociedade a que pertence. Assim, a violência extrema continua a existir mas não já praticada por Pedro, mantendo-se todavia a tragédia desta história de amor. Talvez tenha sido este sentir que a escritora queria que permanecesse, independentemente da história ser considerada verosímil nos nossos dias ou entendível. Algo é certo: a violência continua nas vidas dos protagonistas pese embora a suposta evolução de centenas de anos da sua sociedade. Não poderia ser diferente?

O filme retrata esta sequência de eventos de uma forma sensível, primeiro mostrando um certo estilo de vida lisboeta e depois tentado revelar uma Constança que deveria sair de si, enlouquecer, ao ponto de agir de forma tão descontrolada. Parece-me que não é suficiente este retrato no filme, e provavelmente também no livro, para aceitar este desfecho, possível mas incómodo.

 

FUTURO

 

Intercalado com o passado e o presente vai-nos surgindo igualmente o futuro, como se os três elementos do tempo fossem comparados a par e passo, revelando possibilidades distintas das mesmas vidas, sem um propósito que não se consegue perceber. Para contextos diferentes parece existir a preocupação de manter uma carga dramática igual, justificando a descrição de “amor intemporal” este vivido entre Pedro e Inês e, evidentemente, Constança. Não importa nada se as ações das personagens são legítimas aos nossos olhos de hoje e parece existir uma grande preocupação do realizador para acentuar esta constância na expressão de cada cena em momentos chave que parecem comuns a tempos distintos.

O nome Constança, tal como numa peça de teatro clássica, parece remeter para uma atitude constante em termos emocionais, resistente, mas essa postura não se verifica nem no presente nem no futuro, embora com consequências díspares. A Constança do futuro surge enquadrada numa comunidade ecológica. Esta comunidade comporta-se como uma máquina com engrenagem em que quando surge um elemento ou possibilidade de desarmonia, leva ao distúrbio e consequentemente ao resultado trágico. Como no passado, nota-se uma certa rigidez de contexto social, e a dureza das expressões deste pai Afonso, denotam isso mesmo: uma força externa aos protagonistas amorosos. O filme capta esta força sendo que no presente me parece menos real, menos presente.

 

 

 

 

 

Para finalizar: um breve olhar global...

À medida que vamos vendo o filme ficamos estupefactos por sermos surpreendidos pela história, pois, afinal, deveríamos conhecer tudo, dado que o filme tem uma forte componente histórica. Esta surpresa é muito gradual, tal como a possibilidade de uma tragédia porque vamos muito suavemente sendo “abraçados” pelos acontecimentos, sem existir nada que nos abale emocionalmente, num primeiro olhar. A música contemporânea e com um toque de mistério só sublinha esta sensação inesperada.

Em dado momento, tudo parece modificar-se e mesmo a leveza dos cenários parece ganhar um novo peso. Sente-se um pressentimento mau, acompanhado de um travo metálico na boca, como que anunciar uma tragédia eminente e quando de facto algo acontece, algumas pessoas podem mesmo ser forçadas a voltar a face no decurso de algumas cenas, tal é a sua força.

Na minha opinião, o trabalho dos realizadores é sublime. 

Quem vê este filme vê mais que um filme de entretenimento, vê quase um documentário histórico, vê algumas cenas rodadas na Quinta das Lágrimas, em Coimbra, vê uma tragédia romântica que leva a pensar sobre a sociedade e sobre nós próprios, na forma como nos deixamos, ou não, ser influenciados pelo que nos rodeia.

Um belo filme intimista sobre Portugal.

 

Agradecimentos:

O texto foi lido pelo profissional de imagem David. C. que amavelmente cedeu a sua opinião.

 

Bibliografia:

 

Lopes, J. (2018), “Cinema e história”, Fundação Francisco Manuel dos Santos, pp. 88

Website: Quinta das Lágrimas (2019); http://www.centerofportugal.com/pt/quinta-das-lagrimas/

Website: Portal da História (2019); http://www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/pedro1.html

 

Trailer oficial:

 

 

Para terminar, um belo vídeo Italiano (Estúdios APSHOR)para uma impressionante canção Portuguesa, por Dulce Pontes.

Quantas vezes somos mais valorizados no estrangeiro do que no nosso país.

 

Dulce Pontes - Canção do Mar

É possível gostar aqui: https://www.youtube.com/watch?v=YzCaGytvgzQ

Amanhã contamos divulgar os resultados intercalares do Concurso Literário Internacional "Natureza 2018-2019". É a listagem dos trabalhos escolhidos para a Antologia, entre os quais serão escolhidos os vencedores. Todavia, mesmo entre os autores não escolhidos pode surgir um contacto, no futuro próximo, com o objetivo de propor a sua publicação no blog.

 

Até breve.

 

 

 

A Bernardo Bertolucci...

por talesforlove, em 10.12.18

Para o realizador de "O Último Tango em Paris"

"Summer in Paris (Hommage à Satie)" - Luke Faulkner

Tradução "Verão em Paris" por Luke Faulkner

 

Até 15 de Dezembro, pode participar no nosso "Concurso Literário Natureza 2018-2019". Condições em publicação de Setembro 2018.

Até breve.

Para breve um texto sobre o filme "Pedro e Inês"

por talesforlove, em 07.11.18

 

Tentativa de Crítica sobre o filme “O que de verdade importa” (27 e 28 de Outubro 2018)

por talesforlove, em 28.10.18

O filme “O que de verdade importa”, realizado por Paco Arango, tem como personagem central Alec (Oliver Jackson-Cohen) o qual possui um negócio de reparação de equipamentos elétricos e leva uma vida desregrada. Além de jogar a dinheiro continuamente, pese embora perca quase sempre, dorme com todas as mulheres que pode, não obstante tal realidade não preencher o vazio que sente no seu coração. Evidentemente, o seu negócio, com a marca “O Curandeiro”, ressente-se e está à beira da falência; facto evidente quando o seu único empregado recebe a visita do senhorio que o ameaça de despejo. É neste contexto que surge o seu tio, oferecendo-lhe a “salvação”: paga-lhe todas as dívidas se ele se deslocar de Inglaterra, onde vive, para Nova Escócia (Canadá).

Não, o objetivo desta tentativa de crítica cinematográfica não é contar toda a história do filme, por este motivo, paro por aqui esta descrição, a qual considero ser já suficiente para enquadrar o leitor neste universo muito particular.

A primeira imagem que me vem à cabeça quando me recordo deste filme, é a luz refletida nas águas de um lago, uma cena que nos transporta para um mundo de paz, serenidade, no qual, tal como na publicidade desta película, tudo é 100 % positivo. Tanto mais que a câmara se vai gradualmente afastando dessa luz cintilante, como um conjunto de pontos nas pequenas ondulações, a fazer lembrar as estrelas no azul celeste, das quais nos afastamos, ao encontro do verde das encostas montanhosas. Numa mesma panorâmica, o verde esperança e a oportunidade cósmica com o calor atómico feito escuro. Aquele dia de sol empresta-nos a calma que merecemos. Aliás, durante os 120 minutos durante os quais esta história se desenrola somos confrontados com estes pontos de vista, contrapondo alguma tensão emergente em dado momento, com a sensibilidade pictórica que nos abraça; torna mais leve o drama que por vezes parece dominar.

Alec, talvez o herói deste filme, é confrontado consigo próprio e são os outros e não ele próprio que o levam a aceitar-se tal qual é: não apenas um “curandeiro” da eletricidade mas também, e principalmente, um curandeiro da saúde de quem o rodeia, ou mais ainda, alguém capaz de reparar a vida dos outros, que afinal já o esperavam antes mesmo de ele chegar… Ele nunca aceitaria tal tarefa, a qual considera estar muito além de tudo o que considera razoável ser possível, ficando pois em plena crise de identidade quando em choque frontal com essa realidade. Tal como Alec, que se perdeu devido à morte do seu irmão, todos podemos reparar as nossas vidas quando também temos as mãos certas estendidas na nossa direção.

Em determinados momentos da vida, somos todos confrontados com estas duas visões sobre a nossa identidade: o nosso ponto de vista sobre nós próprios e o ponto de vista dos outros, quando nos veem, ou julgam ver… e como é de positividade que aqui se fala, quero dizer que queremos sempre em nós negar alguma capacidade que efetivamente temos. Não a conseguimos reconhecer. Por exemplo, apenas uma mínima parcela das pessoas que vão ler este texto é médico(a) mas todos podemos ajudar na luta contra o cancro, com um pequeno donativo para o IPO (Instituto Português de Oncologia), bastando assistir a este filme no cinema, uma ou mais vezes, em Portugal.

No final da película o propósito MAIOR desta história é revelado a todos: apelar à solidariedade. Não admira que o “tema cancro” surja nesta história, encarnado na personagem Abigail (Kaitlyn Bernard), a par e passo com o sofrimento das outras pessoas que julgam nada poder fazer para lutar contra a doença. Afinal, neste contexto, como noutros, todos nós podemos fazer algo de positivo, por pequeno que possa parecer o nosso contributo. É de facto uma excelente iniciativa, uma bela oportunidade para fazermos algo de bom.

100 % solidário é também o comovente sucesso, visível em cada sala de cinema que se apresenta sempre composta. Os cenários, a trama, as interpretações, na minha modesta opinião, são muito boas, sem que seja óbvia alguma pretensão de obter um OSCAR. Parece-me que, para esta equipa de realização, o maior prémio é ser ela própria o agente de cura nas vidas de muitos de nós. E consegue, pois que com a simplicidade despretensiosa com que o drama se interliga com a comédia, somos levados a refletir e a concordar com o que Margarida Rebelo Pinto defende: “é na arte da simplificação que reside 80 % da felicidade”. Quando acaba este filme sentimo-nos felizes.

 

 

"A Paixão de Van Gogh" Um filme com poesia...

por talesforlove, em 18.10.17

 

Como foi feito:

 

Estreia amanhã em Portugal.

Um filme pintado.

Morte do Sr. Jorge Listopad, a 2 de Outubro de 2017

por talesforlove, em 02.10.17

Hoje faleceu o Sr. Jorge Listopad, escritor e encenador Polaco, de 95 anos, nascido em Praga (Polónia) e que vivia em Portugal desde a década de 50 do século passado.
Entre os livros que escreveu contam-se:
"Meio conto" (1993), "Álbum de família" (1988), "Biografia de Cristal" (1992), entre muitos outros.
Entre as peças de teatro que encenou contam-se:
"Diário de um Louco", de Gógol, "O Porteiro", de Pinter, "Huis Clos", de Sartre, "Dança da Morte", de Strindberg, "A Vida é um Sonho", de Calderón de la Barca, "A Forja", de Alves Redol, e "Macbeth", de Shakespeare, entre muitas outras.

Com este trabalho e pela saudade que deixa, o Sr. Jorge Listopad é a prova de que uma vida nunca é demasiado Longa.
Pela Riqueza, Diversidade e Empenho no Trabalho e Mundo, a sua vida jamais poderia ser considerada Errante.

Um abraço para o Sr. Jorge Listopad.
Com saudade.

Em sua homenagem um excerto de poema por Lord Byron:

Por profundo que seja o teu torpor,
Teu espírito não vai adormecer,
Em ti as sombras nunca se dissipam,
Ideias que não sabes afastar.
Por virtude de ti desconhecida,
Não poderás tu nunca ficar só;
Serás envolto como num sudário.
E ficarás cativo de uma nuvem;
E para todo o sempre hás-de viver
Em tal encantamento prisioneiro.

Byron, L. (2002), "Manfredo", Tradução por João Almeida Flor, Relógio D'Água, Lisboa, p.37

Um filme a ver: Indice Médio de Felicidade (Portugal Agosto 2017)

por talesforlove, em 11.09.17

Podem ver o trailer aqui:

 

Na minha opinião, este filme aborda de forma agradável o tema delicado da crise financeira global que tem afetado Portugal nos anos recentes. É bom verificar como os amigos e família podem ajudar os protagonistas desta história a centrarem a sua via no essencial e a (re)construírem a sua vivência com base em sentimentos que podemos identificar como "de felicidade".
Sim, é um filme bonito que ajuda a encontrar horizontes renovados para o presente (e para o futuro). A imagem "final" do trailer, uma longa ponte, ajuda-nos neste sentido... Que bom!

 

Boas leituras.

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Breve crítica visual ao filme “Rei Artur: A Lenda da Espada” (2017)

por talesforlove, em 03.08.17

O filme “Rei Artur: A Lenda da Espada” é um filme dirigido por Guy Ritchie, e escrito o guião por Joby Harold, Guy Ritchie e Lionel Wigram, o qual estreou em Maio de 2017.
A lenda da espada está associada, desde a Idade Média, à legitimidade de ocupação do trono na Grã-Bretanha, e deu origem a vários trabalhos literários por exemplo, a trilogia em verso escrita pelo poeta Francês Robert de Boron's Merlin, cerca de 1200 (Timeless Myths; 2017).
Em termos visuais a informação relativa ao tempo da ação é essencial para estabelecer uma relação de “confiança” entre o filme e o espetador, pois este último, atualmente, está bem informado sobre o que corresponde, à Idade Média Europeia, tanto em termos civilizacionais, bem como no que diz respeito a um certo imaginário que conota esta época com uma determinada “Idade das Trevas”. Algo que, em boa verdade, não é totalmente certo, sendo que para este contexto interessa apenas a 1ª impressão mais vulgarmente aceite.
As imagens do filme permitem-nos ser transportados para um tempo diferente do nosso, sendo nós levados, confiantes, pois o retrato corresponde ao que já havíamos preconcebido. Os efeitos visuais, adicionados ao trabalho dos atores, no mesmo plano, conferem um grau extra de impacto ao drama que nos envolve, passo a passo, suavemente, como se nos puxasse para dentro da tela.
Eventualmente, por vezes, os efeitos especiais podem ser usados em demasia em certas zonas de conjunto, a tal ponto que por vezes podemos ficar confundidos com a imagem de um qualquer jogo de computador. Esta situação, não sendo algo necessariamente mau, pode contribuir para que alguns espetadores não se sintam tão atraídos. Adicionalmente, o desempenho dos atores principais parece ser excelente, na minha modesta opinião, sendo que talvez um pouco mais de tratamento da cor da pele dos atores, poderia acentuar o “ar” grave e de extremo contacto com a natureza rude que a ação parece exigir.
O filme é excelente, muito interessante e envolve-nos; sendo que vale a pena ser visto, tanto pelo imaginário Europeu como pelo realismo dramático de várias sequências.

Leva-nos a crer que tem uma certa aura, no sentido de Walter Benjamin.

 

Biografia:

Timeless Myths (2017), https://www.timelessmyths.com/arthurian/excalibur.html.

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