Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via blogsnat@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo. :)
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Finalmente, anunciamos os vencedores da Categoria Poesia, para a Edição 2018-2019 do Concurso Natureza.
Poesia:
“Vida ao vento” Bárbara Rocha de Brasil - 1º Lugar
“Submarino” por Renato TouzPin de Brasil - 2º Lugar
“Chuva” por Maria Catarina Canas de Portugal - 3º Lugar
Menções honrosas:
“CHAYA” por Anna de Freitas de Portugal
“Preservação da vida” por Cristina Cacossi de Brasil
“O Cosmonauta e o Poeta” por Paulo Caldeira de Brasil
“Dança das Flores” por Silvia Ferrante de Brasil
Parabéns a todos os vencedores e vencedoras.
O Concurso Natureza tem feito um percurso de reconhecimento dos autores e autoras que acreditam nesta aventura literária e sobretudo acreditam num mundo diferente, em que o ambiente e a sua preservação, por ser central para o nosso bem estar, tem um papel central nas nossas vidas, enquanto comunidade global.
Muitos trabalhos serão aqui divulgados, ainda que não premiados com primeiros lugares, assim os(as) autores(as) assim o autorizem. Até breve e boa escrita.
É com grande alegria que aqui apresentamos a lista de poemas e contos selecionados para entre eles escolher os finalistas do Concurso Literário “Natureza 2018-2019”
CONCURSO NATUREZA 2018-2019
CATEGORIA CONTO
Autor
País
Alberto Arechi
Itália
Juliana Mesquita
Brasil
Luísa Fresta
Portugal
José da Silva
Brasil
Alessandra Barselar
Brasil
Evandro Valentim de Melo
Brasil
Maia Piva
Brasil
Thalita Cini
Brasil
Regina Caires
Brasil
Marcos Neves Jr.
Brasil
Francisco Guilherme
Brasil
Diana Pinto
Portugal
Rafael Tsychiya
Brasil
Andrea Espindula
Brasil
Ilva Moraes da Silva
Brasil
David Ariru
Brasil
Maria Thereza Bicudo
Brasil
Murilo Christino
Brasil
Eugénia Maria Martins
Portugal
Jéssyca Carvalho
Brasil
Francisco Alcântara
Brasil
Thayanne Khésse Melo Silva
Brasil
Rosângela Dos Santos Oliveira Aragão De Matos
Brasil
Adônis Delano
Brasil
Luiz Otávio de Oliveira Alves
Brasil
Joaquim Bispo
Portugal
Zilmar Junior
Brasil
Adriano Figueiredo Monte Alegre
Brasil
Eduardo Soares
Brasil
Bruna Cristina Lima Nascimento
Brasil
Sonia Regina Rocha Rodrigues
Canadá
Lúcia de Fátima Carvalho
Brasil
Aldenor Pimentel
Brasil
Luís Amorim
Portugal
Juliana Karol Falcão
Brasil
Margareth Aparecida Leite
Brasil
Ana Carolina Machado
Brasil
CATEGORIA POESIA
País
Anchieta de Santana
Brasil
Nanci Oliveira
Brasil
Renato TouzPin
Brasil
Claudia Lundgren
Brasil
Odenir Follador
Brasil
Jhonatan Mata
Brasil
Osmarina Ferreira
Brasil
Gabriel Lima
Brasil
Lucicleide Nascimento
Brasil
Paulo Caldeira
Brasil
Agnes Messmer
Brasil
Silvia Ferrante
Brasil
Cristina Cacossi
Brasil
Regina Gouveia
Portugal
Bárbara Rocha
Brasil
Marcelo Feres
Brasil
Solange Santana
Brasil
Eloísa Ávilla
Brasil
Aiume Silva da Paixão
Brasil
Matheus Campos
Brasil
André Soares
Brasil
Cesar Theis
Brasil
Larisa Guimarães
Brasil
Luiza Azevedo
Brasil
José Mellega
Brasil
Bruna Lima
Brasil
Lucas Santos
Brasil
Luis Alencar
Brasil
Vitor Costa
Brasil
Augusto de Sousa
Brasil
António Ramalho
Portugal
Carmen Dias
Brasil
Ana de Freitas
Portugal
Jair dos Santos
Brasil
Maria Catarina Canas
Portugal
Getúlio da Silva Oliveira
Brasil
Davi Frazão
Brasil
Alex Alexandre da Rosa
Brasil
Márcio Evanmarc
Brasil
LASANA LUKATA
Brasil
Beatriz Gomes
Brasil
Carlos Jorge Gomes Azevedo
Portugal
David Ariru
Brasil
Thaísa Cristofoleti de Vasconcelos
Brasil
Diego Sônego de Souza
Brasil
Marcony Meneguelli Alhadas
Brasil
Cláudio Bertini
Brasil
Victor da Cunha Soares Trindade
Brasil
Alexandre Squara
Brasil
Bruno Augusto Valverde Marcondes de Moura
Brasil
João Victor Martins Ruyz
Brasil
Antonio Hudson Carneiro de Souza
Brasil
Jéssyca Carvalho
Brasil
Lucêmio Lopes da Anunciação
Brasil
Tiago Arauto
Brasil
Thayanne Khésse Melo Silva
Brasil
Julia Aguiar de Araujo
Brasil
Kárita Helen da Silva
Brasil
Zenair Borin
Brasil
Adônis Delano
Brasil
Valtair Evandro de Campos Grando
Brasil
Laryson Fonseca
Brasil
Jeanete Shimara Ferrão
Brasil
Francisco Carlos Rocha Fernandes
Brasil
Sara Timóteo
Portugal
Simone Lopes Genari
Brasil
Diobelso Teodoro de Souza
Brasil
Silvano Lyra
Brasil
Conceição Maciel
Brasil
Maikon Douglas
Brasil
Francisca Leide Rodrigues Freitas
Brasil
Matheus Jorge do Amaral de Souza
Brasil
Tatiane Marques Calloni
Brasil
Lúcia de Fátima Carvalho
Brasil
Anésio Fraga de Souza
Brasil
Jaqueline Rosa Fernandes
Brasil
Juliana Karol de Oliveira Falcão
Brasil
Telma Maria da Conceição
Brasil
Delaine Silva Santos
Brasil
Maria Ioneida Braga
Brasil
Renata Alves Torres
Brasil
José Wilson Teixeira Cardoso
Brasil
Leandro Bonizi
Brasil
Sidnéya Day Ramos
Brasil
Luis Laercio Pereira
Brasil
Jéssica Bastos Nascimento
Brasil
Getúlio Pereira
Brasil
Maria Gonçalves
Portugal
Claudete Soares
Brasil
Lúcio Fernandes
Brasil
Outros poemas serão escolhidos para publicação no blog.
O filme “O que de verdade importa”, realizado por Paco Arango, tem como personagem central Alec (Oliver Jackson-Cohen) o qual possui um negócio de reparação de equipamentos elétricos e leva uma vida desregrada. Além de jogar a dinheiro continuamente, pese embora perca quase sempre, dorme com todas as mulheres que pode, não obstante tal realidade não preencher o vazio que sente no seu coração. Evidentemente, o seu negócio, com a marca “O Curandeiro”, ressente-se e está à beira da falência; facto evidente quando o seu único empregado recebe a visita do senhorio que o ameaça de despejo. É neste contexto que surge o seu tio, oferecendo-lhe a “salvação”: paga-lhe todas as dívidas se ele se deslocar de Inglaterra, onde vive, para Nova Escócia (Canadá).
Não, o objetivo desta tentativa de crítica cinematográfica não é contar toda a história do filme, por este motivo, paro por aqui esta descrição, a qual considero ser já suficiente para enquadrar o leitor neste universo muito particular.
A primeira imagem que me vem à cabeça quando me recordo deste filme, é a luz refletida nas águas de um lago, uma cena que nos transporta para um mundo de paz, serenidade, no qual, tal como na publicidade desta película, tudo é 100 % positivo. Tanto mais que a câmara se vai gradualmente afastando dessa luz cintilante, como um conjunto de pontos nas pequenas ondulações, a fazer lembrar as estrelas no azul celeste, das quais nos afastamos, ao encontro do verde das encostas montanhosas. Numa mesma panorâmica, o verde esperança e a oportunidade cósmica com o calor atómico feito escuro. Aquele dia de sol empresta-nos a calma que merecemos. Aliás, durante os 120 minutos durante os quais esta história se desenrola somos confrontados com estes pontos de vista, contrapondo alguma tensão emergente em dado momento, com a sensibilidade pictórica que nos abraça; torna mais leve o drama que por vezes parece dominar.
Alec, talvez o herói deste filme, é confrontado consigo próprio e são os outros e não ele próprio que o levam a aceitar-se tal qual é: não apenas um “curandeiro” da eletricidade mas também, e principalmente, um curandeiro da saúde de quem o rodeia, ou mais ainda, alguém capaz de reparar a vida dos outros, que afinal já o esperavam antes mesmo de ele chegar… Ele nunca aceitaria tal tarefa, a qual considera estar muito além de tudo o que considera razoável ser possível, ficando pois em plena crise de identidade quando em choque frontal com essa realidade. Tal como Alec, que se perdeu devido à morte do seu irmão, todos podemos reparar as nossas vidas quando também temos as mãos certas estendidas na nossa direção.
Em determinados momentos da vida, somos todos confrontados com estas duas visões sobre a nossa identidade: o nosso ponto de vista sobre nós próprios e o ponto de vista dos outros, quando nos veem, ou julgam ver… e como é de positividade que aqui se fala, quero dizer que queremos sempre em nós negar alguma capacidade que efetivamente temos. Não a conseguimos reconhecer. Por exemplo, apenas uma mínima parcela das pessoas que vão ler este texto é médico(a) mas todos podemos ajudar na luta contra o cancro, com um pequeno donativo para o IPO (Instituto Português de Oncologia), bastando assistir a este filme no cinema, uma ou mais vezes, em Portugal.
No final da película o propósito MAIOR desta história é revelado a todos: apelar à solidariedade. Não admira que o “tema cancro” surja nesta história, encarnado na personagem Abigail (Kaitlyn Bernard), a par e passo com o sofrimento das outras pessoas que julgam nada poder fazer para lutar contra a doença. Afinal, neste contexto, como noutros, todos nós podemos fazer algo de positivo, por pequeno que possa parecer o nosso contributo. É de facto uma excelente iniciativa, uma bela oportunidade para fazermos algo de bom.
100 % solidário é também o comovente sucesso, visível em cada sala de cinema que se apresenta sempre composta. Os cenários, a trama, as interpretações, na minha modesta opinião, são muito boas, sem que seja óbvia alguma pretensão de obter um OSCAR. Parece-me que, para esta equipa de realização, o maior prémio é ser ela própria o agente de cura nas vidas de muitos de nós. E consegue, pois que com a simplicidade despretensiosa com que o drama se interliga com a comédia, somos levados a refletir e a concordar com o que Margarida Rebelo Pinto defende: “é na arte da simplificação que reside 80 % da felicidade”. Quando acaba este filme sentimo-nos felizes.
A partir do espaço, a terra é um pequeno ponto de luz azul. Somos um pequeno grande nada, a esperança feita vida. Claro que a maioria de nós apenas teve a possibilidade de ver esse azul em ecrãs de televisão ou computador... ou em uma fotografia num livro. Todavia, acende-se no peito uma emoção estranha, quando nos deparamos com essa imagem.
Esse estado de espírito não nos prende, ainda assim, e somos tentados a olhar em redor, para o universo: para o profundo desconhecido que vai além da nossa imaginação, que nos impõe, as suas cores, as suas químicas, as suas leis da física, as suas vidas.
Enquanto a nossa ação em terra nos faz pensar, dadas as reações da natureza, sob a forma de inundações, tufões e fogos florestais enormes, o universo mantém-se uma "terra" de oportunidades. Até mesmo a literatura parece ter a obrigação de não repetir os erros do passado; tudo deve ser melhor.
A natureza do universo serve-nos de musa para mais este concurso literário. E mesmo um romance de Nicholas Sparks parece ser diferente se pensado nesse contexto imenso e cósmico. Tão impossível quanto um amor dito impossível, tão impetuoso como a vida no meio do nada...
É neste contexto que, com grande alegria, anunciamos o início do Concurso Internacional de Literatura "Natureza 2018-2019", que este ano vai de 15 de outubro de 2018 a 15 de dezembro de 2018. Em 1 de fevereiro de 2019 são anunciados os pré-finalistas e no dia 28 de fevereiro de 2019 os principais vencedores.
Pode a poesia sobreviver a um universo que parece ser tão avesso à vida? O que temos nós a dizer sobre algo que nos é ainda tão desconhecido? Haverá alguma ligação, alguma comparação, que possamos fazer com a nossa realidade terrestre? Como pode surgir a ciência na literatura neste nosso contexto? Tudo isto é um desafio e nos faz pensar. Acima de tudo, deve ser visto como uma ação de boa disposição e alegria: um exercício de escrita entre amigos.
Todos(as) são bem vindos(as).
Detalhes do Regulamento 2018-2019:
1. A participação neste concurso é gratuita.
2. Qualquer pessoa de qualquer país pode participar desde que submeta trabalhos escritos em português.
3. Cada participante pode enviar um poema, sem limite de palavras, e um conto, com um máximo de 3000 palavras.
4. As obras devem ser enviadas por e-mail para Rui M. (ruiprcar@gmail.com) juntamente com nome, país, contacto eletrónico. O assunto do email deve ser "Concurso Literário Internacional 'Natureza - 2018-2019'". Espaçamento entre linhas: espaçamento simples; Dimensão da letra: 12; Tipo de letra: Calibri; textos no corpo do e-mail e não em ficheiro.
5. Os autores participantes concordam em receber e-mails no futuro que tenham como objetivo principal divulgar futuras iniciativas literárias. Devem subscrever o blog (caixa no topo).
6. Os finalistas vencedores de primeiros prémios têm direito a um certificado digital.
7. Todos os poemas selecionados serão publicados em antologia, que estará disponível em formato PDF (possibilidade de existir no Windows), com um custo de 2,5 € (pagamento de uma doação pelo PayPal). Os autores premiados têm direito a uma versão gratuita.
8. Direitos do autor: os autores têm seus direitos sobre os trabalhos publicados, a fim de publicar como quiserem em qualquer outro lugar. A organização do concurso detém direitos totais sobre os trabalhos publicados no contexto da Antologia do concurso.
9. Prazo final para participação: 15 de dezembro de 2018.
10. Pré-finalistas anunciados em 1 de fevereiro.
11. Os resultados finais serão anunciados no dia 28 de fevereiro em http://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt e, quando possível, em outros websites a indicar no futuro próximo.
12. O primeiro de cada categoria terá direito a um prémio: obra de arte (uma pintura A4) enviada pelo correio.
Membros do júri: [Lista não definitiva]
A) Edweine Loureiro (Brasil - Japão) Escritor Brasileiro radicado no Japão. Premiado internacionalmente.
B) Membro da Universidade de Lisboa (Portugal) Anónimo.
C) Karina I. (Brasil) Escritora premiada internacionalmente.
D) Membro da Universidade de Lisboa (Portugal) Anónimo. Formação em Astrofísica.
É com enorme satisfação e alegria que divulgamos os primeiros classificados desta edição do nosso concurso literário.
Categoria Poesia:
Título
Autor
País
Classificação
As tempestades de areia
Arzírio Cardoso
Brasil
1º Lugar
A última árvore do Universo
Celso Lopes
Brasil
2º Lugar
Antropoceno
Gervásio Paulus
Brasil
3º Lugar
Categoria Conto:
Título
Autor
País
Classificação
Cada rio é uma voz
Wilson Filipe da Silva Vieira
Portugal
1º Lugar
O fio
Sihan Felix
Brasil
2º Lugar
Liberdade
Tiago Monteiro
Brasil
3º Lugar
Parabéns!
A Organização do Concurso Literário Natureza 2017-2018 agradece o empenho de Edweine Loureiro enquanto júri. A escolha meticulosa e apaixonada, de contos e poesia que nos tocam, sugere a profundidade de uma dádiva genuína de tempo que nos impele a ler com atenção redobrada os trabalhos seleccionados. A protecção da Natureza elevada à categoria de Arte, embalada pela música de Shawn Mendes.
Fevereiro começa hoje... talvez o melhor seja vermos algumas fotografias “de alegria” em Dezembro, em Lisboa.
Com a naturalidade com que uma águia-de-bonelli caça durante o dia ou uma coruja-das-torres durante a noite, assim chega ao fim o Concurso Literário Natureza 2017-2018! Ainda em Fevereiro contamos divulgar os resultados das categorias poesia e conto.
Antes de lermos um poema por António do C., ainda antes de lermos um conto vencedor de 2017, e ainda antes de ler a Revisão crítica de “Adágios” por José Vieira, ou ouvir dois programas “O Amor é”, por Inês Meneses e Professor Júlio Machado Vaz, e finalmente ainda antes de ler “Esperança em pedaços (2)” por Rui M., do livro “Pedaços de esperança” a editar em 2018, convém-nos refletir sobre a ligação “perigosa” entre literatura, natureza e arte.
Por exemplo, o quadro “A Primavera”, por Sandro Botticelli (1444 ou 1445 - 1510), nascido em Florença, cidade berço do Renascimento Italiano. Sem querer olhar com um detalhe exaustivo para esta obra, será de enfatizar a existência da figura da Deusa Flora, Deusa floral, com o seu vestido florido e recebe como dote um jardim fecundo, com floração abundante. Vénus, a Deusa do amor, surge como elemento apaziguador da natureza, por vezes, rigorosa, do amor. E cometendo a “traição à obra” de por simplicidade de análise esquecer todos os seus outros elementos, fica ainda a observação da existência de uma profusão de flores que para alguns botânicos é um notável efeito pictórico... com laranjeiras, acianos, miosótis, cravos, etc. Finalizando, esta pintura possui também uma dimensão de mudança, que surge associada à própria identidade da natureza, e é envolta em mistério. Afinal, quais as mudanças a que se aludem na pintura?! A obra tem uma dimensão mística, naturalística e literária, dado que o próprio pintor assumiu influências poéticas nas suas obras, sem exceção. Algo é certo, as muitas poesias recebidas ao longo do nosso Concurso Literário ligam natureza a humanidade mas também ao desejo mutante da natureza. Fica, por agora, o convite a continuação de boas leituras e contributos para uma natureza mais conservada e respeitada.
Por António do C. em 14/01/2018
Deram-me uma fotografia
Como no título do livro de Paula Hawkins, estava escrito na água, que esta fotografia seria minha: luz em redomas de vidro, cercadas pela escuridão, aprisionadas por ela, irmãs de um mesmo meio de dispersão que nos solta espetros de contraluz.
Tão simples, tão redondas, como as flores de um jardim: como o Jardim da Estrela, tudo cheio de uma cor, e tudo tão sem festa sem ilusão ou necessidade de perdão
Serenidade é esta fotografia. Como se eu fosse um miúdo, de novo, e me sentisse em paz com o mundo. A bênção da infância é crer que basta crer, que ele nos deixa fazer tudo e sermos essa única ilusão. Verdadeiro refúgio.
Um dos contos vencedores em 2017
4º Lugar
CHUVA NO DESERTO, por Alberto Arecchi, Itália
Está chovendo. Chove no deserto do Saara.
Com certeza, não se trata da nossa "chuva de março", nem do tempo triste do outono.
Na noite passada, vimos umas grandes nuvens negras engrossando para oeste, um pouco acima do maciço de Adrar, a antiga montanha sagrada que se levanta no meio do deserto. Depois do pôr do sol, a escuridão do céu estrelado foi subitamente atingida por raios, a partir daquela mancha negra, sobre a montanha distante. Nosso guia perscrutou o horizonte e nos mandou deslocar o campo para uma posição mais elevada. Geralmente arranjamos o campo em alguma depressão, abrigada dos ventos. Ontem à noite, porém, fomos para um morro bastante alto, fora do vale do rio, a salvo de súbitas inundações.
Parece paradoxal falar de cheias aqui, a frente do leito de um rio seco como uma esponja espremida, depois de quarenta dias de seca absoluta, sob o céu claro, sem que a gente veja uma única gota de água. No entanto, cerca das cinco horas da manhã, acordou-nos um ruído distante, que logo se tornava um rugido maçador. Um fenômeno bastante preocupante, que parecia aproximar-se. Crescidos com os filmes de cowboys, tínhamos a impressão de uma manada de bisões galopando em volta da nossa posição.
Vinte minutos depois, precedida por uma frente de ar muito frio, no álveo do rio chega uma montanha de água preta, com uma altura de cinco metros e a velocidade de um trem. O leito do riacho enche-se rapidamente. Se tivéssemos acampado lá, estaríamos reduzidos a escombros e arrastados até alguns quilômetros mais adiante, juntamente com as pedras que rolam no fundo, levadas pela cheia. Nossa sorte foi nos encontrar a uma pequena distância dos montes e da nuvem negra, e podermos assim nos tornar conscientes da chuva iminente. Cinquenta quilômetros mais adiante, a cheia iria chegar e atingir as caravanas sem nenhum aviso de alarme.
Ficamos atordoados, enquanto nosso guia se apressa para pegar as barracas, e cravar tudo o que possa ser arrastado pelo vento, e grita para nos colocar em lugares protegidos. Na verdade, após a onda de água suja da cheia - quase imediatamente - está chegando uma violenta tempestade de vento, com poeira grossa e com as primeiras rabanadas de chuva. É como se alguém estivesse lançando, em ondas repetidas, uma enorme quantidade de areia, terra e pequenas pedras afiadas, tudo misturado com água. Estamos fechados nos caminhões, mas nenhuma vedação poderia guardar-nos dos salpicos de água e terra, que penetram no interior. Pelas janelas não podemos ver além de poucos metros, nem perceber se - por acaso - escorregarmos no fundo do rio, tirados pela força da água. Somente os choques do forte vento, que balançam os meios de transporte, confortam-nos a não ser debaixo da água e ainda termos as rodas apoiadas no chão, e tranquilizam-nos por não ser sido arrastados pela força da água.
Na escuridão total, jogados como um trem desgovernado, em uma tempestade de poeira de carvão molhado. O ar é irrespirável, saturado de umidade. Um pesadelo de quarenta minutos.
Rápida e súbita, como quando ela chegou, a chuva vai acabar. A luz aparece timidamente entre os vapores emanados a partir do solo molhado, cheio de poças.
A tempo para ver o nascimento de um grande arco-íris para o leste, em torno dos primeiros raios do sol que perfuram as nuvens.
Abaixo de nós, no leito do rio, a água parou a formar uma barreira, que nos impede qualquer passagem.
Ao nosso redor, o deserto enche-se rapidamente, animando-se como o passeio do sábado. Enxames de insetos voam no ar e concentram-se sobre as poças, moscas, mosquitos, efemerópteros com asas iridescentes. Besouros de cores vivas emergem do solo. Reconheço um inseto vermelhão, que aqui é chamado “o anjo da chuva”: claro que não podia faltar. Lagartos e sapos pequenos aparecem do nada, e com eles uma infinidade de pássaros. Afinal, há até alguns mamíferos que chegam para beber. Uma pequena gazela tenta pegar uma bebida, mantendo sua distância de nós. Um fenech (raposa do deserto) ousa em vez mais e se aproxima de nossas provisões, em busca de comida. Antes da tarde, os horizontes distantes aparecem como pastagens. Não é uma miragem, mas o resultado da revitalização de sementes que estavam na terra, esperando umas gotas de água - talvez por anos. É como se a terra tivesse aberto seu ventre, para desencadear uma segunda criação. Aqui no deserto a gente percebe e entende todo o esplendor e a energia total dos elementos primordiais: fogo, terra, ar, água. A água é o elemento final, em que tudo acaba e tudo renasce com um novo ciclo de vida.
Decidimos ficar por alguns dias neste pequeno oásis improvisado. O recomeço da nossa viagem, agora, entre as rochas e as areias molhadas, poderia ser muito perigoso, porque correríamos o risco de afundar com as rodas na lama. Mas - o que é mais importante - não queremos perder esta alegria primordial, a maravilha de sentir-nos no início da criação, para ver o nascimento e a primavera da vida, onde havia primeiro o Saara, o ‘grande nada’.
O sol desce no horizonte, nem sequer vê-se uma nuvem. Um escorpião captura a sua presa, uma pequena rã, já paralisada pelo veneno da sua cauda. Um grande lagarto de cabeça amarela assiste à cena e balança a cabeça, como um ser humano continuando a negar a evidência. O fenech decide ir-se embora: ele sabe que o lagarto se deu conta da sua presença, e sabe que é mais ágil do que ele. Hoje terá que encontrar outro jantar.
Nosso guia alarga o tapete para a oração do pôr do sol e se inclina em direção ao leste, onde o céu escurece rapidamente. Movimentos antigos, no seio de uma natureza em que acabaram de repetir-se os eternos rituais de nascimento, vida e morte. Sentimo-nos como folhas leves, transportadas neste cenário por uma nuvem passageira e um sopro de brisa.
Chegou a noite, outro dia passou. Brincamos como crianças, olhando com binóculos e lentes de telefoto para todas as espécies de plantas e animais que apareciam, para fixar a memória daquele fenômeno raro. O deserto agora vive e é como se todos os seres que nele habitam surgissem de um jogo de armário, e cada um vai, para ocupar seu lugar, num espetáculo teatral. Mas sabemos que amanhã será outro dia, acordaremos e nos encontraremos no deserto de sempre, murcho e seco.
Revisão crítica de “Adágios” por José Vieira 21 Julho 2017
“Adágios” (2017) é o terceiro livro publicado por José Vieira, pseudónimo da autora Teresa Vieira Lobo, nascida na década de 80 do século passado em Gaula . Esta obra surge após o amadurecimento literário proporcionado pelo primeiro livro “Estranhas Coincidências”, publicado em 2014, e pouco depois, em 2016, com o romance “Dedicação, Palavra e Honra”. Alguns contos publicados na revista literária “Submersa” e na plataforma “Quem conta um conto”, somam-se a esta atividade literária laboriosa. “Adágio significa provérbio popular com mensagens de teor moral, ditado. Assim, considerando apenas o título “Adágios”, poderíamos supor que no interior deste livro iríamos encontrar uma coletânea de ditados, todavia, tal não é verdade pois, encontram-se 5 contos autónomos, todos eles, é certo, com mensagens morais explícitas com diversa gradação na forma como nos surgem. Em prosa cativante, em ritmo marcado pela ação e emoção, surgem diante de nós as vidas, realistas, de cinco mulheres que procuram o melhor para si, e para os seus, em contextos frequentemente tormentosos mas também frequentemente felizes, muitas vezes em simultâneo, sem dúvida que a par e passo; em relato de luta entre o bem e o mal. Na contracapa diz-se que “Adágios é um livro de vidas. De mulheres. De luta. Um dia foram elas... Amanhã seremos nós.” Convém olhar com algum cuidado esta sequência afirmativa. As vidas são, sem dúvida, o núcleo central deste trabalho, são elas que lhe dão corpo. São-no na perspetiva das mulheres, o que adiciona detalhes comoventes e familiares ou mesmo de “amor quase maternal”, como às páginas tantas se menciona, de tal forma que, quando em certo momento se fala de “essência”, já compreendemos, antecipadamente, o que se pretende referir ou pelo menos isso assumimos, dada a profundidade de alguns dos conflitos éticos com que se deparam as personagens. Quero todavia acreditar que vários destes elementos dramáticos seriam parte destas histórias caso se de homens se tratasse... A luta ética é algo que pode dizer muito a todo o ser humano e é de seres humanos que versam estas páginas, sensíveis e cativantes. Todavia, não se concorda com a afirmação que remete para amanhã esta luta, pois por vezes podemos esquecer mas ela nos envolve a cada momento e em cada ação pois somos seres dotados de livre arbítrio. Em resumo, a leitura de “Adágios” leva-nos longe, quem sabe a olhar “por dentro” a natureza humana. A certa altura com um prisma religioso e em outros tantos momentos tão só pelo sentir que, de facto, nos transmite. Se assumirmos que a literatura proporciona mudança ou alicerces a quem dela frui, este livro pode ser entendido como um bom caso de “literatura de catarse”. São páginas que valem a pena ser lidas.
Referência da obra:
Vieira, J. (2017), “Adágios”, Chiado Editora, Lisboa, pp. 97
Este mês apresentamos dois programas “O Amor é”, de Inês Meneses e o Professor Júlio Machado Vaz, com sua autorização. É com grande satisfação que os partilhamos. O primeiro dos programas que partilhamos é o “O Amor é (Fim de Semana) - Eugénio de Andrade e os amigos. | 27 Jan, 2018”. Eugénio de Andrade, a sua escrita, poesia, é o foco de uma conversa que nos procura elucidar um pouco mais acerca dos meandros do amor. A natureza humana é aqui observada pelo prisma, fascinante, da amizade. Igualmente se fala da vida do escritor, e de uma forma um pouco mais abrangente das vidas dos escritores, bem como com a possibilidade da sua escrita ser o reflexo dessas vidas ou não ser necessariamente assim. A escrita pode não refletir mesmo a vida do escritor. O melhor é mesmo ouvirmos este programa que nos permite vaguear também pela vida literária.
O segundo programa que aqui se partilha é o “O Amor é (Fim de Semana) Pedrogão - dar a volta. | 30 Dez, 2017”. Como o próprio nome nos revela, tem um tema também ligado ao ambiente, tanto quanto a tragédia dos fogos florestais em Portugal nos permite, por fatalidade, admitir. A abordagem é a da psicologia, ou será antes, poderemos dizer, a estrita visão humanista desta situação, ainda associada à mudança de ano, e a tentativa de nos libertarmos de fantasmas, ou por outras palavras, nos vermos livres de situações adversas nas nossas vidas. Pedrógão é o exemplo aqui sublinhado e o efeito, positivo, da solidariedade gerada nas e pelas pessoas. As famílias humanas são claramente uma realidade profundamente ligada à natureza. Nós somos a natureza. Fica o convite, a ouvirem este programa que nos elucida sobre uma ou várias vertentes das nossas vidas. Quem sabe nos poderemos tornar melhores pessoas, que apoiem a natureza, mas também melhores escritores?
Fica uma parte da Opera "A Flauta Mágica" de Mozart
(em Alemão) Sprecher: Ihr Fremdlinge! was sucht oder fordert ihn von uns? Tamino: Freundschaft und Liebe. Sprecher: Bist du bereit, es mit deinem Leben zu erkämpfen? Tamino: Ja.
(em Inglês)
Speaker: Stranger, what do you seek or ask from us? Tamino: Friendship and love. Speaker: And are you prepared even if it costs you your life? Tamino: I am.
Orador: Estrangeiro, o que procuras ou o que nos pedes?
Tamino: Amizade e amor.
Orador: E estás preparado ainda que te custe a vida?
Tamino: Sim eu estou.
Nota:
Com efeito Madalena Iglésias afirmou que deixaria de cantar assim que se casasse e cumpriu a sua promessa.
Faleceu ontem 16 de Janeiro de 2018.
Fica a informação que quem desejar adquirir uma t-shirt do Concurso Literário Natureza "2017-2018" o pode fazer através de donativo no valor de 5 Euros mais custos de envio. Envie e-mail para ruiprcar@gmail.com.
É com grande alegria que anunciamos o início do Concurso Literário Internacional “Natureza 2017-2018” o qual este ano decorre entre 1 de Dezembro de 2017 e termina a 1 de Fevereiro de 2018. A 19 de Fevereiro são anunciados os pré-finalistas e a 28 de Fevereiro os principais vencedores.
Referimos alegria neste anúncio porque este é o reencontro de todos nós nesta aventura literária que tem por um dos seus grandes objetivos sensibilizar para a proteção da natureza. Um reencontro entre amigos. Este ano, pelo menos em Portugal, as alterações climáticas são mais evidentes: os grandes fogos florestais de 17 de Junho e de 15 de Outubro, parecem provar essa realidade. O sofrimento das pessoas foi enorme e notar a substituição de um manto verde pela cor da cinza, é triste. No mundo, o facto de as concentrações de CO2 na atmosfera estarem em níveis muito elevados, só nos pode deixar também atentos.
É tempo de agir, pelo que fica aqui também o convite à vossa participação neste concurso e de seguida as condições de participação e outros detalhes.
Nesta edição, procuramos novamente HOMENAGEAR também a comunidade emigrante Portuguesa, através da homenagem a Shawn Mendes!
O vídeo de “Nunca Estarás Só (Escrito à mão)” tem uma proximidade com a natureza e uma imagem de uma floresta conservada e verde que só nos pode inspirar e a letra é muito apelativa. Com efeito, é importante que não estejamos sós neste trabalho em prol da natureza.
Fica a nossa tradução desta letra para Português:
Nunca Estarás Só (Escrito à mão)
Eu prometo que um dia eu estarei do teu lado
Eu te manterei sã e salva
Neste momento tudo é uma loucura
E eu não sei como parar ou ir mais devagar
Ei
Eu percebo que há muito para falar entre nós
E eu não posso ficar
Deixa-me apenas abraçar-te um pouco mais agora
Toma um pedaço do meu coração
E faz com que seja todo uma parte de ti
Assim, quando estivermos separados
Nunca estarás só
Nunca estarás só
Tu nunca estarás só
Quando sentires a minha falta, fecha os olhos
Eu Posso estar longe, mas não ausente
Quando adormeceres hoje à noite
Lembra-te que nos deitamos sob as mesmas estrelas
E, ei
Eu percebo que há muito para falar entre nós
E eu não posso ficar
Deixa-me apenas abraçar-te um pouco mais agora
Toma um pedaço do meu coração
E faz com que seja todo uma parte de ti
Assim, quando estivermos separados
Nunca estarás só
Nunca estarás só
Tu nunca estarás só
Tu nunca estarás só
Tu nunca estarás só
Tu nunca estarás só
E toma
Um pedaço do meu coração
E faz dele um pouco de ti
Assim, quando estivermos separados
Nunca estarás só
Nunca estarás só
Detalhes de Regulamento 2017:
A participação neste concurso é gratuita.
Qualquer pessoa de qualquer país pode participar desde que submeta trabalho redigido em português.
Cada participante pode submeter um poema, sem limite de palavras, e um conto, com um máximo de 3000 palavras.
Os trabalhos devem ser enviados por e-mail para Rui M. (ruiprcar@gmail.com) juntamente com nome, país, contacto electrónico. O assunto do e-mail deve ser “Concurso Literário Internacional ‘Natureza – 2017-2018’”.
Os autores premiados finalistas têm direito a certificado em formato digital.
Todos os poemas seleccionados serão publicados em antologia, a qual estará disponível em formato PDF (possibilidade de vir a existir em Windows), com um custo de 2,5 € (pagamento de donativo por PayPal). Após descontados os custos do concurso, o valor restante será utilizado na compra de árvores e sementes. Os autores premiados têm direito a uma versão gratuita.
Data limite de participação: 1 de Fevereiro de 2018.