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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)

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Alguns poemas em tempos de tempestade

por talesforlove, em 27.09.25
Boa tarde.
 
Em tempos de tempestades no sul da China, por exemplo, em Macau e Hong Kong, mas também em Portugal Continental e Açores, aqui ficam alguns poemas e contos. 
 
https://www.publico.pt/2025/09/27/azul/noticia/tempestade-postropical-gabrielle-traz-chuva-ventos-fortes-2148774
 

 

CURSO D’ÁGUA, por Elizete C. (Brasil)


O lugar onde cresci
Era um lugar sem mar
E sem verde para olhar.
Havia a luz dos vaga-lumes,
Pardais malabaristas,
E três rios (um ao lado do outro)
Com nomes de peixe, na língua tupi.
As moças ribeirinhas
Banhavam-se nos rios da minha infância.
Os rios seguiam o curso d’água sem pressa,
Ajustando-se com simplicidade
A pobreza do lugar.
O sol iluminava as ruas sem calçadas,
E a lua no espelho das águas dos rios
Era a beleza que faltava mirar.
Eu pisei o barro da terra em cores.
Eu molhei meus pés nas águas enchentes.
Mas não conheci as águas dos rios
Que me encharcam a alma
De uma saudade água nascente.

 

Amorosidade, por Vera A. (Brasil)

 

A Nina é uma cachorrinha que adotei há muitos anos. O antigo dono a havia abandonado, trancada num quintal de muros altos. Só não morreu graças ao senhorio da casa, que estranhou não receber os aluguéis, foi até lá e encontrou tudo fechado. Colocou a cadelinha na calçada e foi embora. Soube do fato por uma vizinha e resolvi adotá-la.

No início, Nina era muito assustada, mas aos poucos, sentindo-se acolhida, passou a confiar em nós e virou nossa mascote. Meu marido a enche de mimos e faz coceirinhas nas orelhas, que ela adora.

Com o tempo, foi se acostumando aos nossos rituais familiares — quase sempre acrescentando alguma particularidade sua. Aprendeu o que significa “almoçar” e “nanar”, sabe quem é o pai e quem é a mãe, e até percebe quando estou triste. Nessas horas, encosta-se em mim e me enche de lambeijocas, como se dissesse: “coragem, vai passar.”

Atendendo aos apelos do meu cardiologista para que eu fizesse exercícios, vesti um velho e confortável legging, uma camiseta folgada e me sentei para calçar as meias e os tênis. Imediatamente, Nina pulou ao meu lado — tenho certeza de que, se pudesse, buscaria sua coleira! Desde o dia em que a levei comigo para caminhar, basta que eu calce os tênis para que ela se anime toda, antevendo a hora do passeio.

É curioso como os cães entendem mais de natureza humana do que muitos humanos. Nina não me cobra palavras, não exige explicações; basta estar comigo. Durante a caminhada, me olha como quem dissesse: “viver é simples: só precisamos estar juntos e caminhar lado a lado.”

Foi então que me peguei pensando na expressão “natureza humana”. Somos feitos de sentimentos — alegria, esperança, tristeza, carinho — e também das nossas ações: o gesto de oferecer atenção, o esforço de prosseguir, o simples ato de nadar, correr, cantar… ou até regar uma planta. Lembrei-me de minha mãe, que mesmo em tempos difíceis nunca deixava de cuidar das flores do quintal. Talvez fosse o modo dela de acreditar que a vida, apesar das dores, sempre encontra um jeito de florescer.

A amizade, também, é um ramo dessa árvore. Assim como o amor. Lembrei do meu primo Cleto, apenas um mês mais novo do que eu, meu inseparável companheiro de travessuras. Sou filha única; sem a presença dele, minha infância não teria o mesmo encanto. Com quem eu iria pescar girinos? Quem inventaria máquinas de passar filmes, feitas de papelão e palitos? Quem me ensinaria a fazer um canhão de mamonas? E os amigos da escola, então — quanta cumplicidade!

Mais tarde, recordei os bailinhos da juventude, as risadas divididas, os namoricos que vinham e iam como estações. Cada amizade, cada amor, era como uma planta regada: algumas florescem e ficam, outras secam e deixam apenas a lembrança da sombra que um dia nos acolheu.

Nina latiu, tirando-me do devaneio. Percebi que ela havia parado diante de uma árvore enorme, de tronco grosso, que parecia guardar segredos de gerações. Acariciei seu pelo e, naquele instante, compreendi: a natureza — humana e não humana — se encontra sempre no mesmo lugar: no gesto de estar junto, no cuidado silencioso, no amor sem alarde.

Talvez seja essa a missão da vida: aprender com a natureza a seguir em frente, mesmo quando a folha cai, mesmo quando a chuva atrasa a florada. Seguir em frente, mas juntos — nós, os humanos com nossas emoções complicadas, e eles, os cães, simples e inteiros, lembrando-nos de que a felicidade pode estar em algo tão singelo quanto dividir uma caminhada.

 

Filhos da Terra, por Cláudio M. (Portugal)

A natureza não nos pertence:
somos apenas sopro no seu coração antigo.

O lince ensina-nos silêncio e resistência,
a pétala, ternura e renascimento.

Entre rios rebeldes e raízes que abraçam,
vemos espelhos do nosso próprio ser.

E se um dia aceitarmos ser filhos,
e não donos,
a terra voltará a chamar-nos
pelo nome verdadeiro.

 

Raízes Espelhadas na Natureza, por Rita C. (Brasil)

 

Era uma manhã úmida e ao som que vinha da natureza, Clara caminhava pelo bosque como quem buscava respostas que ainda não havia encontrado nos livros. A cada passo, observava as árvores, ali firmes e altivas, que pareciam imponentes diante dela. Aquelas árvores tinham uma energia de anciãs, eram como velhas sábias ou guardiãs de segredos que somente através de uma profunda conexão seria possível decifrar. Ela sentiu que cada raiz presa à terra mostrava para si, o reflexo de suas raízes invisíveis entrelaçadas em emoções, sentimentos e sensações.

Enquanto adentrava pelo bosque, a cada olhar uma nova descoberta surgia... Observando o curso do riacho, ela percebeu o que antes não havia dado atenção - a água seguia adiante sem resistir às pedras, ela apenas as contornava. Clara pensou em quantas vezes havia se ferido, por tentar enfrentar o intransponível, em vez de fluir como a correnteza. Através do som do vento que agitava as copas das árvores, reconheceu seus próprios sentimentos... Que em alguns momentos eram como suaves brisas de afeto, já em outros, eram como tempestades que vinham para lhe arrancar à calma tirando-a do chão.

Foi então que Clara entendeu que a natureza não apenas existia, mas também nos ensinava a existir! O ciclo das estações refletia o movimento de sua alma. Eram primaveras de entusiasmo, os verões de intensidade, outonos de desapego e invernos de recolhimento. Tudo começou a fazer mais sentido, assim como na própria natureza faz... A natureza estava ali o tempo todo disponível, lhe mostrando que ela também precisaria se renovar a cada novo ciclo, para que pudesse desta forma florescer novamente.

Com este despertar de consciência, Clara ajoelhou-se sobre o solo úmido e tocou a terra em reverência a sua importância e magnitude. Sentiu que se conectar com a mãe natureza, era também um ato de cuidar de si própria. Sua percepção se estendeu a um olhar diferente para o real equilíbrio humano... Sua nova consciência lhe mostrava que o equilíbrio não estava em querer dominar ou controlar o mundo, mas em se reconhecer como parte dele. Assim, erguendo-se do chão, elevando seu olhar para o céu, ela viu na delicadeza das nuvens a promessa de um novo tempo... Um tempo que anuncia um convite magistral para que não só ela, mas toda a humanidade possa enfim aprender a viver em harmonia com a natureza e seus mistérios, que representam o coração da Terra.

 

O gato do stand, de Gil S. (Portugal)


À porta de um stand de automóveis vive um gato.
Um gato rabino, que gosta de lamber os pés de todos aqueles que
não lhe fazem carinho.
Ele sabe onde conseguir comida. Ou no café do outro lado da rua ou
na casa de uma velha com verrugas que vive no andar de cima de
um pequeno prédio cinzento separado por uma casa do stand de
automóveis.
Um dia, o gato, na sua normal ida ao café em busca de comida,
atravessa a rua. Porém, e como não é humano e não sabe olhar
para um lado e para o outro quando vai atravessar a estrada, não
se apercebe que vem um camião cheio de gasolina para ir
abastecer um posto que ali ficava perto.
Esse camião, que era alto em relação à estrada, o que não permitiu
o condutor ver o gato, vinha rápido de mais para a zona em que se
encontrava naquele momento.
De um instante para o outro, ouve-se um barulho estranho e
agonizante.
O camião pisou e esmagou o gato, deixando-o espalmado no chão
num relevo de três milímetros. O camião não parou, já que o
condutor nem se apercebeu do sucedido.
Todos os anos, naquele dia, um estranho cheiro a gasolina sente
se fortemente naquela rua e o gato fica com um tom mais
acinzentado.
O gato espalmando ainda lá esta, com uma cara de aflição não
sentida. Nunca ninguém o conseguiu dali tirar. Quase que se pode
dizer que o gato é também estrada.

 

Concursos a decorrer:

https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/concurso-literario-africa-mocambique-194439
 
O Concurso Natureza 2025 termina a 4 de Outubro.
https://contosdasestrelas.blogs.sapo.pt/concurso-literario-internacional-193354
 

 

Está também a decorrer a Festa do Livro em Belém:

Festa do Livro em Belém 2025 - Tudo o que precisa de saber - APEL

 

Até breve.

Guia Turístico e Ambiental de Lisboa: 1ª Parte - Belém

por talesforlove, em 29.03.25

Bom dia amigos Leitores.

 

Com a chegada da Primavera cresce gradualmente em nós aquela vontade, cada vez mais assumida, de passear pela belíssima cidade de Lisboa, ou outros locais do nosso planeta. Todavia, esta atividade não é isenta de riscos para os ecossistemas, por exemplo, com o possível aumento da poluição atmosférica, devido à utilização de veículos automóveis movidos com a energia de fontes de energia não renováveis. Assim, será uma boa opção visitar locais de interesse sem que seja esquecido qualquer um dos possíveis motivos que nos levou a tomar tal iniciativa. Adicionalmente, tal visita requererá mais tempo de estadia, mas também um maior conhecimento da realidade em causa, nas suas diversas vertentes.

Em Lisboa, Belém é um desses locais que nos preenche e nos leva a conhecer, em pouco espaço, uma parcela importante da história da cidade bem como aquilo a que poderemos apelidar de “alma da cidade”, ou seja, uma certa forma de estar.

Em Belém poderemos conhecer: (i) os pastéis de Belém; (ii) o Centro Cultural de Belém; (iii) a Torre de Belém; (iv) o Padrão dos Descobrimentos; e (v) o Mosteiro dos Jerónimos. Seguidamente apresenta-se uma sua descrição sucinta.

 

Pastéis de Belém

 

Tendo em conta que neste espaço existe um número elevado de motivos de interesse, o melhor será iniciar o passeio parando na pastelaria onde são confecionados os maravilhosos pastéis de Belém. Será uma excelente forma de ganhar energia!

É na “Oficina do Segredo”, desde 1837, que esta doçaria conventual e bem conhecida é fabricada. Em Portugal é bastante comum encontrar uma versão não exatamente igual ao original, em qualquer pastelaria. Assim, é mesmo importante sublinhar que apenas em Belém conseguimos encontrar o original, sendo a receita original um segredo bem guardado desde o início. Isto não significa que a versão não original seja desagradável, bem pelo contrário, mas quem tiver a possibilidade de comparar não poderá deixar de notar que existe uma diferença, ainda que sempre a canela seja uma opção para colocar sobre o bolo e a distinção seja mais fácil sem que esta especiaria seja adicionada.

 

Horário: das 10h00 às 21h00 Todos os dias.

Rua de Belém nº 84 a 92

Fonte: https://pasteisdebelem.pt

 

 

Centro Cultural de Belém (CCB)

O CCB foi inaugurado em 1992, tendo como principal objetivo a difusão da cultura, ou seja, a música, desde a clássica ao jazz, o teatro, a dança, a opera, a literatura, a arquitetura, o cinema, a fotografia. Possui também um conjunto de lojas, restaurantes e o jardim da água, que permitem visitas, por exemplo, de famílias, a qualquer hora.

O CCB tem como objetivo “verde” atingir a neutralidade carbónica até 2030 e para este objetivo está a tomar várias medidas de controlo dos consumos de energia e água, entre outras. Muito interessante é ver os dois jardins verticais que cobrem uma parte importante da superfície interior da área aberta do CCB.

 

Horário: das 10h00 às 19h00 Todos os dias. Encerra às 2as Feiras.

Fonte: https://ccb.pt

 

Padrão dos Descobrimentos

Este monumento foi construído em 1960, com o intuito de homenagear os descobridores, por ocasião dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique.

Ao olharmos para esta construção, parece surgir uma forma de barco e um gesto de apontar para o horizonte. O facto de ser branco também lhe parece conferir alguma semelhança com as estátuas da antiguidade, as quais nos surgem habitualmente sem qualquer vestígio visível da sua eventual tinta original.

Atualmente, o Padrão dos Descobrimentos apresenta um serviço educativo com temas como a proteção do ambiente, nos mares, a poesia de Fernando Pessoa e ainda atividades para grupos escolares do 1º Ciclo, 2º Ciclo ou mesmo ensino Secundário e grupos com necessidades específicas. Existe ainda o acompanhamento a uma visita orientada o qual se destina a todos os públicos.

Quando se descobre o que é este momento, fica-se com algum sentimento de surpresa pois à distância assemelha-se “apenas” a uma estátua gigante, só que a proximidade revela um edifício… com um pequeno mundo a descobrir.

 

 

Horário de Outubro a Fevereiro: das 10h00 às 18h00 Todos os dias.

Horário de Março a Setembro: das 10h00 às 19h00 Todos os dias.

Fonte: https://padraodosdescobrimentos.pt

 

Mosteiro dos Jerónimos

O Mosteiro dos Jerónimos ou Real Mosteiro de Santa Maria de Belém, foi construído pelo rei D. Manuel I, o qual reinou entre 1495 e 1521. Foi classificado como monumento nacional em 1907 e como património mundial da UNESCO em 1983.

Este é um monumento de grande dimensão no qual ressaltam elementos esculpidos que retratam animais marinhos e objetos típicos de barcos, por exemplo, cordas.

Horário: das 9h30 às 17h30 Todos os dias. Encerra às 2as Feiras.

Fonte: https://www.museusemonumentos.pt

 

Torre de Belém

A Torre de Belém foi pensada por D. João II (1455-195) mas construída por D. Manuel I entre os anos 1514 e 1520, com o objetivo de proteger o Mosteiro dos Jerónimos, o porto de Lisboa e a barra do Tejo.

A Torre faz parte de uma defesa tripartida, da qual fazem também parte a Fortaleza de São Sebastião da Caparica e o baluarte de Cascais. Eventualmente valerá a pena olhar o mar e o Tejo, sobretudo se o dia for claro, na tentativa de avistar a outra margem e alguma construção de grande dimensão.

 

Horário: das 9h30 às 17h30 Todos os dias. Encerra às 2as Feiras.

Fonte: https://www.patrimoniocultural.gov.pt

 

 

O passeio neste local deverá ser iniciado pela manhã, de tal forma que seja possível também apreciar o jardim que se encontra entre o CCB e o Mosteiro dos Jerónimos.

Em alguns canteiros podem ser vistas plantas ornamentais, mas noutros podemos encontrar espécies devidamente identificadas. No passeio entre os canteiros, podem ser vistos mapas e mesmo a indicação de pontos cardeais.

Mais ou menos no centro do jardim, é possível apreciar um pequeno lago com repuxo de água e em redor existem alguns bancos e degraus que podem ser utilizados para descansar. Sem dúvida, para alguns de nós, uma paragem quase ao final da tarde, ou mesmo ao por do sol, pode não só permitir recuperar forças, mas também apreciar a luz de toda aquela zona, com todas as suas variações.

 

Não nos podemos esquecer que este é apenas um dos locais que merece uma visita nesta cidade, pelo que um pouco de tranquilidade vai ajudar a preparar a próxima aventura.

 

Até breve.

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