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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)

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“A grande extinção” por Joaquim B. - Antologia 2019 - Portugal

por talesforlove, em 09.02.21

A grande extinção


Albbano chegou cedo ao “Fetal”, com o coração de sangue frio em agonia. Na véspera,
vários dos seus torossauros poedeiros davam mostras de mal-estar e doença. Alongou o olhar
pelo extenso paúl em que habitualmente pastavam e não pôde evitar o desalento. Só meia
dúzia ainda era visível. Em ansiedade, apressou o passo para a chocadeira central.
O sol iniciava o percurso descendente sobre a área predominantemente agrícola que
será conhecida, sessenta e cinco milhões de anos depois, por Lourinhã e se estende bem para
dentro do espaço que será mar no futuro. Em todos os ninhos urbanos terminaram já as
diligências alimentares do período zenital, exceto no ninho de Albbano. Não é comum ele
atrasar-se, quanto mais não aparecer em tempo de tão vital necessidade. Almmina mantinha
quentes as fatias de ovos de anquilossauro com caules tenros de rhynia, enquanto, inquieta,
espreitava o caminho, na esperança da chegada iminente do companheiro. A certo momento,
achou que tamanho atraso não podia significar nada de bom e resolveu pedir ajuda ao filho de
ambos, através do comunicador. Alccino não se surpreendeu com a chamada da mãe, porque
era frequente ela ligar-lhe só para contar pequenas peripécias domésticas, mas quando ouviu a
voz angustiada da mãe a dizer que o pai ainda não chegara para se alimentar, entregou de
imediato as tarefas de extração salina que executava numa bacia marinha interior e correu a
procurar o pai. Já não era a primeira vez que ele se perdia ou dava sinais de desorientação.
— O teu pai saiu do ninho mal raiava o sol e disse que ia ao Vale Fetal, como todos os
dias — informou ela. — Estamos na época em que eclodem muitos ovos e é preciso não haver
descuidos com as dificuldades das crias.
— Está bem, mãe, não te preocupes que eu vou procurá-lo. Assim que o encontrar,
comunico contigo — sossegou-a ele.
Alccino transpôs rapidamente a distância até à exploração pecuária do pai. Com o olhar
percorreu as suaves ondulações cobertas de polipódios, onde pastavam pachorrentamente
uma dúzia de torossauros, e a tentar discernir que animais chafurdavam na lonjura dos paúis
das zonas baixas. Não viu a silhueta altiva do pai, um parassaurolofo corpulento, mas um pouco
dobrado pela idade. Entrou na chocadeira central, e os funcionários disseram que o tinham
visto cedo, mas que ficara abatido quando soubera de mais três eclosões goradas.

Alccino pediu a dois para, em conjunto, fazerem uma busca na exploração.
— Eu vou pela encosta do lado esquerdo, e vocês procurem no vale, junto à zona
húmida! A propriedade é grande e ele pode estar caído em qualquer lado.
Embora achasse que era mais provável encontrá-lo nas zonas baixas, pensou que, em
cotas mais elevadas podia avistar maiores distâncias e descobri-lo. Após um tempo de
caminhada atenta pela vertente da ladeira, alcançou o alto da colina. Cheiros adocicados
embebiam-no. Por momentos, abstraiu-se do que o trouxera ali. Olhou em toda a volta. Para
norte, a vista admirável e querida do seu Vale Fetal, com o verde de vários matizes a colorir a
distância até à vertente oposta e mais além. Para sul, a dois vales de distância, as manchas
redondas e ocres dos ninhos urbanos da povoação. Mais perto, os vales dos vizinhos e amigos
Olvvonos e as suas explorações pecuárias de alamossauros, os enormes herbívoros ternos e
pachorrentos. Seria possível que o pai tivesse vindo visitar os amigos? Antes de decidir procurálo junto dos vizinhos, pensou entender o que acontecera. O pai tinha ficado desanimado com as
notícias da manhã na chocadeira e, com a idade, isso desorientara-o. Veio-lhe à memória outro
episódio de há muitos anos, quando uma epidemia lhe matara dezenas de animais. Nessa
altura, foram encontrá-lo amodorrado numa enorme rocha lisa virada ao sol do oeste, donde se
avistava o mar e aonde só se chegava por uma vereda. Avisou a mãe e pôs-se a caminho.
Realmente foi encontrar o pai alapado na Pedra do Poente em grande prostração. A
crista, habitualmente alaranjada, era agora cinzento-esverdeada. Não parecia ferido, só
abatido. Aproximou-se suave, mas não furtivamente. Queria ajudá-lo, não invadir a sua
privacidade.
— Então, pai! Está aqui! Estávamos a ficar preocupados...
Não obteve reação. Albbano mantinha um olhar de enorme tristeza perdido na lonjura.
Nada parecia poder animá-lo.
— Não fique assim, pai! — disse Alccino cheio de ternura. — São só mais três ovos
gorados. Já aconteceu muitas vezes.
O rosto do ancião baixou, em dor interior, sem responder.
— Tem de aceitar, pai! Os tempos de fartura e fertilidade já lá vão. Este é o mundo que
temos agora.
Alccino comunicou com a mãe a sossegá-la e continuou a tentar animar o pai, com
argumentos racionais de relativização dos prejuízos. Finalmente, Albbano começou a falar em
voz baixa, pausadamente.
— Não são só mais três ovos gorados, filho! Nós estamos a extinguir-nos. O ambiente
está envenenado com os compostos de irídio que servem para tudo. As crias não conseguem

romper a casca. Está cada vez mais dura e inquebrável. E não é só com os animais. Como já te
contei algumas vezes, para tu nasceres, houve que quebrar a casca artificialmente. Nós, os
parassaurolofos, praticamente já só nascemos de crustatomia. Se não fossem os cuidados
obstétricos, desaparecíamos. O panorama geral é preocupante. As crias não conseguem romper
a casca, os ovos não são fertilizados, as populações de todas as espécies estão a diminuir a um
ritmo assustador. Todos os anos desaparecem muitas espécies para sempre.
Calou-se, por momentos, como que a lembrar-se de outros exemplos. Alccino respeitou
o silêncio do idoso.
— A destruição da vida no planeta, tal como a conhecemos, está a tomar proporções
gigantescas. Dantes, além, avistava-se o tremeluzir da superfície do mar. Agora, o que se vê são
reflexos de objetos a flutuar. Mantas de tralha a cobrir enormes áreas de oceano. Há quanto
tempo lá não vais? É triste, deprimente, apetece não voltar lá mais. Como nos deixámos chegar
a esta situação? Estamos mesmo em perigo, acredita!
Fez uma pausa, a ganhar alento.
— Eu vou-me informando, sabes! Recebo revistas científicas. Já houve outras épocas da
Terra com indícios semelhantes e que resultaram em enormes extinções. A maior foi há 185
milhões de anos, que fez desaparecer 96% das espécies marinhas e 70% das terrestres. Devido
à gravíssima situação que atravessamos, os cientistas já lhe chamam a Extinção em massa do
Cretácico, a época atual, ou a Quinta Extinção. Estão registadas cerca de 800 espécies extintas,
nos últimos quinhentos anos, mas, como a maioria não está documentada, os cientistas
calculam que é mais provável que se tenham extinguido entre vinte mil e dois milhões de
espécies, só no último século. E, tendo em conta os limites do conhecimento atual, a taxa anual
de extinção pode chegar às 140.000 espécies. Estamos no limiar da catástrofe.
Alccino agachou-se, abatido pela força terrível dos números que o pai lhe atirava. A
preocupação com o desaparecimento do progenitor desvanecera-se, mas agora um peso
inesperado acabrunhava-o. Como era possível que nunca tivesse ouvido falar disto?
— Percebes, agora, porque estou desanimado, sem esperança? — interpelou-o
Albbano. Há muito que me vou dando conta do que os cientistas vão divulgando.
— Mas, pai — reagiu Alccino —, não são só teorias malucas de tipos que veem um
mosquito e lhes parece um alamossauro? É que eu nunca ouvi falar disso…
— Não, Alcci, quem afirma que a extinção atual é um facto são cientistas conceituados
entre os seus pares. Dão conferências, mostram dados, mas parece que ninguém os ouve. E
dizem mais; dizem que somos nós — a espécie dominante —, que estamos a provocar a
extinção em curso. Com a caça intensiva, a introdução de organismos perigosos para os nativos,
a destruição dos habitats naturais, a desflorestação, a sobreexploração agrícola, a poluição e o
envenenamento com agrotóxicos e hormonas pecuárias. Isto, sem falar do problema que está
na raiz de todos estes: o crescimento populacional contínuo da nossa espécie e o consequente
sobreconsumo.
— Mas sempre houve espécies a desaparecer de maneira, digamos, natural, pela natural
seleção natural…
— Sim, só que com a nossa ação, a que alguns também chamam natural, mas de
extensão e intensidade avassaladoras, a perda de biodiversidade é dez a cem vezes mais rápida.
E seremos nós que acabaremos por pagar um preço demasiado alto, pela rápida diminuição do
único conjunto de vida que conhecemos no Universo. Ficaremos sozinhos.Sem a concorrência
que vencemos, extinguimo-nos também.
— Isso não pode ser assim tão dramático, pai. Nós somos a espécie mais bem sucedida
de toda a história do planeta...
— Este sucesso começa a parecer demasiado catastrófico. Quando há tipos que, como
eu, prestam atenção aos problemas ambientais, também não sabem como resolvê-los ou
ajudar a minorá-los. A minha “solução” hoje foi esta: deprimir-me. A da nossa espécie devia ser
positiva, assertiva, concertada, global, muito profunda. Eu não quero mostrar-te para onde
deves olhar, só gostava que tomasses consciência de que há muita coisa a distrair-nos e que
nos deixamos alegremente ocupar com problemas menores. A maior razão da minha
desesperança é que não acredito que algum dia consigamos inverter o caminho de razia que
trilhamos. Quando deteriorarmos o planeta a um nível irreversível, seremos nós a extinguirnos. Ironicamente, essa pode ser a solução para o planeta: livrar-se de nós.
Albbano calou-se. Pai e filho mantiveram-se pensativos ainda por algum tempo. Talvez por ter
desabafado, Albbano começou a sentir-se com forças para regressar. Em passos brandos,
porque já anoitecia, dirigiram-se para casa, em silêncio. Por cima do horizonte, ia nascendo o
cometa, que, havia meses, iluminava as noites em todo o mundo. A enorme cauda ocupava já
todo o lado nascente do céu. Caminhando para aquele clarão, pareceu-lhes que a esperança
num mundo renovado aumentava no seu ânimo.

 

Até breve.

Domingo - O Conto “Ilha de Santa Luzia” por Luísa F. - Pandemia

por talesforlove, em 22.11.20

Boa tarde.

Hoje apresentamos um conto por Luísa F. (Portugal) o qual foi premiado na Antologia Natureza 2018-2019. Nestes tempos de pandemia, recomenda-se cuidado na proximidade social em qualquer circunstância, de tal forma que as nossas vidas não sejam ainda mais afetadas. Neste momento, já temos a esperança de uma vacinação algures nos próximos meses.

 

Recomenda-se a leitura do conto “Ilha de Santa Luzia”.

 

Ilha de Santa Luzia


Quando me sentei, senti-os moverem-se debaixo das minhas pernas, sem os ver,
verdadeiramente, como se fossem transparentes; chamavam-lhes caranguejos fantasmas por terem a cor da areia fina e se confundirem com o ambiente. Tive
a clara impressão de estar em família e a sensação estranha de já ter estado
naquela ilha, a única com nome de santa no arquipélago das ilhas Afortunadas.
Por respeito a esses fantasmas tão familiares, por medo do ridículo, mas também
por ignorância, não me atrevi a falar no assunto ao meu pai, Branco (apesar de
ser um ilhéu muito tisnado) e um dos biólogos daquela pequena expedição.
Pedro era o seu assistente e tinha como missão principal a proteção da cagarra
de Cabo Verde, uma ave que nidifica no ilhéu vizinho e que o seu próprio pai
tinha caçado durante trinta e cinco anos, assim como muitos outros pescadores,
por se tratar de uma atividade tradicional. Milhares de crias foram dizimadas
nessa época, e não apenas as cagarras mas também os rabos-de-junco, com as
suas longas caudas, os alcatrazes, parecendo cavalheiros de nariz comprido, as
almas-negras de plumagem escura...que eram depois vendidos como cagarras.
Pedro achava que tinha uma dívida pessoal perante a natureza, contraída pelo
seu pai; mas, no seu entender, cabia-lhe a si e aos outros jovens devolver à ilha
essas espécies quase extintas.
A minha história começara muitos anos antes de eu nascer, mas os episódios
mais marcantes que recordava da infância eram os pesadelos frequentes com
enormes gatos e ratos vindos sabe-se lá de onde, que engoliam crias de aves
cujos ninhos estavam encravados na terra como pequenas manjedouras ou
berços de palha. O pediatra da altura descartou a hipótese de apneia do sono
mas tentou inteirar-se da nossa história familiar. Não foi difícil para o meu pai,
solteiro e dedicado, perceber que a explicação se encontrava naquele espantoso
lugar, que visitaríamos um dia. Explicou-me o que eram animais exóticos:
— Não são, como pensamos, aqueles animais estranhos e com um aspeto
diferente, fora da rotina e muito extravagantes, sabes? Quer dizer, não são só
esses; exóticos e invasores, para nós, são animais que vêm de outros sítios, de
outras terras e climas, estranhos à forma de vida da terra onde nos encontramos.
Exótico, como emigrante ou imigrante, como estrangeiro, está relacionado com
o nosso ponto de vista.
O meu pai não sabia exatamente o que era ser criança, porque ele próprio tinha
sido criado assim pelos meus avós, Luzia e Vicente. Quando as explicações se
alongavam, eu adormecia ao som das suas palavras, do alto dos meus seis anos,
sabendo que nessa noite não voltaria a ter pesadelos mas talvez sonhasse com
belas aves, com peixes-agulha e peixes-voadores muito curiosos e ágeis, com
águas cristalinas através das quais se viam os nossos próprios pés e o fundo do
mar.
Luzia era uma mulher falsamente seca e voluptuosa, que tinha abandonado a
ilha na década de 1970 com Vicente, quando ambos andavam pelos trinta. Não
se sabe em que circunstâncias se terão lá fixado, pois fizeram segredo disso até
à hora da partida, que ocorreu de forma misteriosa, depois de terem criados os
dois filhos, Branco e Raso, cujos nomes homenageavam os ilhéus vizinhos (os
outros dois integrantes da reserva natural), formando o que se tornaria, em
1990, património público, em conjunto com a ilha de Santa Luzia, deserta, mas
não solitária, ou, por assim dizer — deserta por deixar de sê-lo. Nessa época já
os dois irmãos tinham atingido a maioridade.
Acontece que a minha avó não engravidava porque a ilha estava interdita à presença humana,
salvo raras exceções, como eles, alguém que se batesse pelas espécies nativas; mas ainda assim
a santa exigiu que em troca da promessa de fertilidade o casal batizasse os filhos com os nomes
dos ilhéus circundantes, que seriam para sempre os seus orientadores de carácter e mentores,
quando os pais já não pudessem cumprir essa função por darem por terminada a sua vida terrena
(depois de se terem banhado em águas claras e convivido com as mais magníficas espécies de
aves da região, e aprendido a dar os bons dias aos caranguejos-fantasmas).
Os filhos vieram, assim, após inúmeras preces, depois de Vicente ter subido à
Topona, o ponto mais alto da ilha (quase quatrocentos metros acima do nível do
mar) e aí ter rogado a Santa Luzia que os abençoasse com descendência. Vicente
parecia por vezes um pouco distante, porque reservado, mas podia mostrar-se
também muito próximo, afetuoso e atento aos detalhes.
Luzia juntara-se ao marido nessas preces, apesar de estar cada vez mais
convencida de que era estéril; mas quando abandonaram a ilha tinham a certeza
de que seriam pais em breve. Santa Luzia era quem lhes poderia valer, por ser
mulher, por ser santa e por ser, também ela, desabitada de seres humanos.
Branco, o meu pai, ao contrário do meu tio, sempre tinha sido um cético e
escusava-se a falar de coisas que não pudesse explicar pela ciência, mesmo que
fizessem parte da sua história. A verdade é que oito meses depois dava-se ao
mundo, já com um tufo de cabelo como uma crista rochosa, e nove meses mais
tarde nascia o tio Raso, à distância de um olhar. Os dois irmãos sempre se
distinguiram em tudo, no feitio, no aspeto, nos interesses. Raso protegia dezenas
de aves marinhas que sobrevoavam as arribas aproveitando a riqueza das águas
que circundavam o seu patrono, de relevo quase predominantemente plano, e
seis espécies diferentes que aí construíam os seus ninhos. Era cada uma mais
bonita que a outra. O meu tio era um homem pequeno e castanho, mas bastavam
três dias de chuva para lhe converter o ar apagado numa exuberante alegria. Já
o meu pai tinha como mascote o lagarto-gigante, o qual, felizmente, nunca se fez
presente nos meus sonhos; constava que tinha sido extinto no início do século
XX, no entanto ele mantinha a convicção de que alguns espécimenes pudessem
ter sobrevivido nos rochedos escarpados do ilhéu Branco, seu homónimo e
padrinho.
Pedro e eu fomos dar uma volta pelos ilhéus antes de darmos por findo o dia em
Santa Luzia; contei-lhe dos meus pesadelos com gatos e ratos e ele confidencioume que começavam a ser um problema na ilha. Eram espécies exóticas — e não
pude deixar de sorrir ao lembrar-me das explicações detalhadas do meu pai.
Falei-lhe nos meus avós e com surpresa constatei que era um assunto do qual
não tinha o menor conhecimento. O meu pai não falava da família, era austero
e reservado, com um temperamento acidentado e espinhoso, a léguas do seu
irmão, plácido e previsível. Pedro apenas conhecia a lenda — a história que se
contava entre os pescadores — segundo a qual nos anos 1970 o casal que ali
vivia tinha abandonado a ilha de Santa Luzia.
Dizia-se, em conversas de homens do mar, que eles talvez não tivessem dali saído
e que ainda hoje andariam disfarçados de caranguejos confundindo-se com o
vasto areal para permanecerem em paz. Fiquei arrepiada com aquela
interpretação que assumi como uma revelação, uma vez que eu própria já o tinha
intuído. Mais um assunto que o meu pai não entenderia.
Estávamos em 2014, quando eu acabara de cumprir vinte anos e terminava uma
licenciatura em Biologia Marinha. Pedro mostrou-me as pequenas calhandras
do Raso e os seus ninhos no solo e eu tive que confessara-lhe que o meu pai
sempre me pedira que desse continuidade ao seu trabalho na proteção dessa e
de outras espécies exclusivas da região, que chamávamos endémicas. Tal como
as tartarugas-marinhas, também essas espécies estão em vias de extinção,
principalmente por causa da predação humana. Santa Luzia era um local onde
se fazia caça indiscriminada, longe dos olhares indiscretos, mas agora também
os pescadores estão sensíveis aos problemas ambientais e ajudam a protegê-las.
Entretanto os turistas não são ainda bem-vindos, assim como no tempo em que
Luzia e Vicente ali conceberam o seu primeiro filho.
Voltámos finalmente a Santa Luzia e junto com o resto da equipa rumámos a
São Vicente, mesmo em frente. Pedro e eu fomos ficando cada vez mais
próximos e decidimos acampar em Santa Luzia, completamente isolados,
enquanto tentávamos perceber como varia a fauna da região e procurávamos
conhecer-nos melhor. O meu pai acatava tudo o que fosse para o bem da região
e das espécies endémicas, porém reagiu com alguma desconfiança.

Prometemos trazer-lhe resultados em breve, para o convencer. O biólogo
concordava mas o pai resistia. A nossa rotina incluía a vigilância de ninhos de
cagarras para verificar o crescimento das crias. Pedro e eu pesámos
criteriosamente todas essas pequenas aves e sei que, nessa agradável rotina,
ele sentia que resgatava a dignidade do pai. A ilha já não era deserta, mas
tampouco era habitada: nós fomos privilegiados por, durante alguns dias,
poder acompanhar o pulsar da vida naquelas paragens. Agora fazemos idas e
vindas regulares com os pescadores, sem o pai de Pedro, que já cristalizou no
fundo do mar. Tentamos reintroduzir a raríssima calhandra em Santa Luzia,
essa ilha que nos habita e que apadrinha a nossa descendência.

 

Até breve.

 

 

 

"A Borboleta e o Pássaro" por Maria P. (Brasil - 1º Lugar na Antologia Natureza 2018-2019)

por talesforlove, em 30.07.20

Em dia de viagem a Marte, ficamos como uma viagem aos sentimentos terrestres. Algo muito importante e talvez mais marcante.

 

"A Borboleta e o Pássaro"

 

Era uma vez uma borboleta. Linda como as manhãs de primavera e colorida como as
flores do jardim. Ela morava com sua mãe num canteiro florido, por onde voava, toda orgulhosa
de suas asas aveludadas e de seus rodopios pelo ar. Quando pousava, os raios de sol, batendo
no colorido de suas asas, produziam um brilho especial que deixava todas as flores morrendo
de inveja.
Essa borboleta chamava-se Céu. Sua mãe lhe deu esse nome por causa do efeito azulado
de suas asas ao sol. Céu era muito esperta, passava o dia todo voando de flor em flor e fazendo
peripécias de borboleta pelo ar. Mas ela não tinha amigos. No canteiro havia formigas, lagartas,
famílias inteiras de joaninhas e besouros. Mas a linda borboleta não queria saber de ninguém.
Achava que ser amiga de seres tão inferiores não ficava bem para uma borboleta tão linda e
especial.
Céu achava que era a única borboleta linda de toda a face da terra e que nenhuma outra
borboleta ou bicho pudesse se comparar a ela. Quando saía de casa, de manhã bem cedinho,
para pegar os primeiros raios de sol nas asas coloridas, Céu nem prestava atenção ao dia que
nascia, ou na água do lago, ou no orvalho que refrescava as flores, ou no canto dos pássaros.
Ela só se preocupava em aparecer bela e formosa mais uma vez e arrancar suspiros por onde
passava.
Todos que moravam no canteiro realmente a achavam especial e maravilhosa, e tinham
até medo de chegar perto dela porque Céu era tão orgulhosa que, das duas uma: ou ignorava
completamente o coitado que quisesse falar com ela ou dava uma resposta atravessada,
malcriada mesmo. E lá se ia embora, toda emproada. E assim o tempo ia passando.
Até que, certa vez, numa manhã ensolarada, como de costume, Céu saiu de casa para o seu
passeio matinal. Passando pela alameda das azaleias, ouviu algo estranho, como um farfalhar
de asas. E o barulho não era de asa boa, que pode voar, era de asa machucada, se arrastando
pelo chão.

Céu não aguentou a curiosidade e resolveu investigar. Foi voando bem baixinho, no
meio do canteiro, sem fazer nenhum ruído, bem suave, até que o barulho ficou bem perto. Ela
continuou voando em completo silêncio, até que, ao sair detrás de uma grande folha, viu um
pássaro no chão, lutando para levantar voo, sem conseguir. Uma de suas asas estava
machucada.
Céu pensou: "Se eu chegar muito perto, ele pode querer me devorar. Mas se eu não for
até lá, não vou saber quem é ele. E ele também não vai saber quem sou eu!". Assim, orgulhosa
como sempre, Céu se aproximou do pássaro que, ao vê-la, fez aquela cara que todo mundo
fazia quando via a linda borboleta pela primeira vez. Ela percebeu a cara de admiração do
pássaro e ficou radiante, tomando confiança para chegar ainda mais perto.
- Olá! Meu nome é Céu! - foi logo se apresentando.
- Nome bonito. O meu é Flauta - disse o pássaro, com uma ponta de dor na fala.
- O que aconteceu com você? - quis saber a curiosa.
- Eu machuquei minha asa. Não vi a cerca e vim voando muito depressa. Quando
percebi, já estava em cima dela e... levei o maior tombo! - disse o pássaro e deu um trinadinho
de dor.
- Ah, coitadinho! - disse Céu, sem nenhum pingo de sinceridade na voz.
- Pois é. Agora preciso me arrastar para um lugar mais seguro até minha asa sarar. E o
problema é que enquanto eu não conseguir voar, não vou conseguir encontrar comida nem
água. E pode demorar um bocado até eu ficar bem o suficiente.
- Eu posso te ajudar - falou a borboleta.
- Pode? Como?
- Bem, eu posso encontrar um bom lugar para você ficar, aqui perto, e trazer um pouco
de comida.
- Puxa! Isso seria muito bom! - animou-se o pássaro.
Claro que a intenção de Céu não era só ajudar o pássaro ferido, mas, assim, ela poderia
ver a sua expressão de admiração toda vez que viesse vê-lo. Já estava cansada das mesmas
caras que olhavam para ela todos os dias no canteiro. Ele era alguém novo e isso a deixava mais
envaidecida ainda. Não era um pássaro bonito, mas, pelo menos não eram aqueles bichos
chatos do canteiro.

E assim, Céu se despediu do forasteiro, depois de arranjar um lugar mais escondido,
onde ele pudesse ficar sem perigo, prometendo voltar mais tarde com um pouco de água e
comida. E saiu radiante, já pensando em que piruetas podia fazer, quando voltasse, para deixálo boquiaberto. Foi até em casa, pegou um pouco de água e comida e voltou para o lugar onde
havia deixado o pássaro. Ele ainda estava lá, com a asa machucada, mas quietinho num canto.
- Olha, eu não consegui trazer muito, mas acho que é o suficiente.
- Muito obrigado, linda borboleta - disse o pássaro, fazendo um elogio à sua benfeitora.
- De nada - respondeu Céu, se enchendo de orgulho.
E assim, os dois passaram o dia juntos, conversando. Quer dizer, só Céu falou, contando
todas as suas peripécias dentro do canteiro, de como os outros bichos admiravam sua beleza,
de como ela tinha nascido linda, do porque sua mãe colocou esse nome nela, de quando ela foi
pedida em casamento pelo feioso Louva-a-Deus. O pássaro prestava muita atenção nas
histórias contadas pela borboleta e ia imaginando as cenas. Às vezes ria junto com ela de
alguma parte engraçada ou apenas suspirava quando ela falava da admiração dos outros
bichos.
E, aos poucos, foi percebendo que a linda borboleta era um tanto egoísta, vaidosa e
orgulhosa, e que não se importava muito com os outros. Mas resolveu ficar calado porque não
queria perder a nova amiga.
Ouviu com paciência suas histórias naquele dia e no outro e no seguinte, esperando que
sua asa ficasse boa para ir para casa. Em todos esses dias, a borboleta sempre vinha, no mesmo
horário, e trazia um lanche.
Quando ela começou a se cansar de contar as mesmas histórias, ele resolveu contar um
pouco de suas aventuras no mundo lá fora do canteiro. E contou sobre um lago muito grande
onde moravam peixes de todas as cores, e sobre os grandes animais da floresta, e as árvores
que dão frutos maravilhosos e tão diferentes que não acabam nunca, e de outros pássaros com
seus cantos tão bonitos e suas penas de cores vibrantes... Céu foi ouvindo tudo e ficando cada
vez mais incomodada. Como assim? Então existiam, fora do canteiro, outros bichos e plantas
que eram tão ou mais bonitos e interessantes do que ela? Isso não podia ser verdade. Devia ser
história daquele pássaro maluco, ela pensou.
Mas o pássaro continuava contando suas histórias. Agora falava de outras terras onde
havia bichos muito diferentes, frutas exóticas, águas limpinhas e frescas, flores gigantes e
animais minúsculos. E Céu pensava: "mas como eu nunca soube de nada disso? Então o mundo
não é igual ao canteiro?" E uma coceirinha foi tomando conta de Céu, uma vontade de
conhecer aquelas coisas todas que o pássaro estava contando, uma comichão de saber mais, de
ver com os próprios olhos.

E foi assim que, numa tarde, o pássaro achou que já era hora de experimentar a asa
machucada, para ver se conseguia voar. Preparou-se, deu um impulso e... conseguiu! A asa
estava boa. Céu olhou para o voo do pássaro e sentiu uma pontada estranha, uma dorzinha
bem fininha lá dentro de si. Achou esquisito e se assustou um pouco. Nunca havia sentido nada
parecido. Mas ali, olhando o pássaro alçar voo, preparando-se para retomar seu caminho e ir
embora, Céu sentiu que não queria ficar longe dele.
Ela não entendia muito bem ainda, mas estava com medo de sentir saudades, pois não
sabia o que era isso. Era a primeira vez que sentia medo de que alguém lhe fizesse falta.
Quando o pássaro pousou ao seu lado, Céu estava murcha. O pássaro notou sua tristeza.
- O que foi? - perguntou preocupado.
- Você já está bom, agora pode ir embora... - disse, numa voz sumida.
O pássaro, enternecido pela tristeza da nova amiga, abraçou-a com cuidado e disse:
- Sempre seremos amigos. Eu virei visitar você e poderemos sair por aí, conhecer outros
lugares, beber água fresca do rio. Olha, eu sou muito grato por sua ajuda, mas preciso voltar.
Tenho um mundo inteiro para voar... Mas a nossa amizade nunca vai acabar, eu prometo.
Um meio sorriso se abriu no rosto de Céu. Um sorriso que era um misto de dor, alegria,
tristeza, saudades... mas sem nenhum pingo de vaidade ou de orgulho. Céu também não sabia
disso, mas a amizade com o pássaro tinha mudado alguma coisa dentro dela.
Então o pássaro se preparou para ir embora. Os dois se despediram com muito carinho,
prometendo se encontrar em breve. Como lembrança, Céu deu a ele um ramo de miosótis, que
o pássaro guardou.
- Até breve, querida amiga.
- Até breve, querido amigo.
E antes de levantar voo, o pássaro também deu seu presente a Céu. Um presente tão
maravilhoso que ela nunca mais esqueceria. Não era nada de guardar, nem de comer, nem de
pegar. Não era sequer algo que ela pudesse mostrar para alguém. O pássaro se ajeitou no galho de azaleia e cantou. Um canto tão doce, tão terno, tão magnífico que Céu sentiu como se o verdadeiro céu tivesse descido na terra. E então ele se foi. E Céu finalmente entendeu porque seu nome era Flauta.
Ele era um rouxinol.

 

Até breve.

Frases 1 - Sophia

por talesforlove, em 27.04.20

natal 2019 cantora anabela.jpg

Por Sophia

Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio 

E livres habitamos a substância do tempo

 

Até breve.

Natal 2019 Lx - Luso

por talesforlove, em 03.04.20

Como um pedaço de vida perdida, que não podemos recuperar... Assim é o Natal 2019 em todos nós. Não é só em Lisboa, como na foto "tremida" que aqui vos deixo, mas em todo o lado.

Enquanto que em alguns pontos do país e do mundo, a tragédia do Covid-19 é ignorada, como se não existisse, ficam nos limites dos nossos medos (ou da minha esperança ?!) as possibilidades de termos outro Natal assim este ano.

Como era tão bom e não pudemos reconhecer... quanto tempo perdido com "nadas".

 

É tempo de virar a página,

e aguardar a canção 

da alegria, a andorinha p'la janela,

O sol vem a nós,

em nossas casas...

SONHOS PARA OLHARES APERTADOS.

 

Natal 2019 Tremido.jpg

Nota: perto da Rua da Misericórdia 

Até breve.

A Luz da Feira da Luz e Roberto Leal

por talesforlove, em 15.09.19

Este ano, mesmo a Feira da Luz em Carnide (Lisboa) tem claras preocupações ambientais, com o controlo de resíduos. Como é habitual, a sua localização próxima de transportes públicos, facilita o acesso a todos que desejam fruir dos seus eventos culturais e animação indicada para todos os que desejam fazer compras e divertir-se, integrados no belo Jardim da Luz.

Mais informação aqui:

https://www.jf-carnide.pt/para-a-populacao/iniciativas/Feira-da-Luz-2019/6348/

 

Hoje, é também o dia em que Roberto Leal partiu... Vítima de cancro (como se diz em Portugal) ou câncer (como se diz no Brasil). Ele era um excelente artista, amado por muitos e dotado de uma postura humilde e trabalhadora que a todos nos cativava, tanto em Portugal como no Brasil, e em todo o mundo em que era conhecido.

Era um verdadeiro exemplo da força da natureza humana, até mesmo nos momentos mais complicados da sua vida. Era uma Luz para todos nós.

Fica agora o choque e a saudade.

Obrigado Roberto Leal, um grande abraço.

Ficamos com o seu primeiro sucesso "Arrebita":

E ainda "Verde Gaio":

 

Até breve.

A Antologia Natureza 2018-2019

por talesforlove, em 11.08.19

Caros Amigos e Autores,

É com enorme prazer que informamos estar “concluída” a produção da Antologia Natureza 2018-2019.

A conclusão deste trabalho poderia nunca ser dada como real, dada a tamanha beleza dos trabalhos recebidos e selecionados e a inspiração por ela suscitada.

Este ano, a Antologia divide-se em Caderno 1 e Caderno 2, em quase 300 páginas de sucesso crescente.

 

Fica um abraço suave e incondicional, como o de uma árvore, tal qual a árvore e o amor na música seguinte:

“Ombra Mai Fu” (“Sombra nunca foi” ou “A árvore nunca foi sombra”) por Franco Fagioli.

 

 

E como estamos em Agosto, tempo de regresso a Portugal de imensos Emigrantes Portugueses, fica uma música de homenagem, com um vídeo realizado durante uma dessas viagens de regresso, por exemplo, a partir de França.

 

“Meu querido mês de Agosto” por Dino Meira.

 

https://www.youtube.com/watch?v=KmIQws6geFY

 

Um enorme Muito Obrigado a todos e Até Breve.

 

Julho e Agosto 2019: poesia 2

por talesforlove, em 31.07.19

Agosto começa com as suas promessas habituais de mês a meio caminho do final do ano: “como uma renovação sempre reafirmada na pausa das férias”. E muitos de nós olhamos com um pouco mais de atenção os dias que passam, como se o azul fosse mais azul. Fica hoje o convite para leituras que nos convidam a renovar o nosso olhar de leitor(a) e nos levam a crer em literatura renovada.

 

O livro “Requiem pelo planeta azul”, por Regina Gouveia, é um belo exemplo de obra literária inspirada pela natureza. Vale certamente muito a pena, conhecer este livro para o ler com o interesse de quem procura poesia naturalista e por vezes ativista da causa da conservação da natureza. Chegamos ao fim deste livro e lamentamos o seu final.

 

Cinzel

Entalhando o tempo, burilando o espaço,

um cinzel de artista

esculpiu este planeta azul de fundos oceanos.

Na memória, aprisionado,

o pó de um longínquo passado.

 

13.

 

Água, esquife de Ofélia,

fonte de vida para o lírio,

a bromélia, a rosa, a camélia,

para as flores no altar.

Água de sangues e linfas,

de sereias e ninfas,

dos homens cativa,

cada dia mais ténue o seu respirar.

 

O livro “Thoughts” (Pensamentos) de Mr. Ben (Chimezie lhecuna) é uma Antologia poética bastante introspetiva, que nos faz pensar sobre o mundo e sobre o que sentimos através dos olhos do autor, que nos colocam perspetivas diferentes das que alguma vez teríamos, pelo menos nas formas filosóficas de as conceber. Um bom exemplo é o seguinte poema:

 

Your Imagination is Your Reality

 

The beauty of the world is explained by its imagination

Hence, the reality behind its existence

 

The essence of humanity’s influence is predicated on the perceptive power of

Imagination

Hence, the reality behind its feats

 

The dynamic power of nature has its deep-rooted meaning in imagination

Hence, the reality behind its peculiar principles

 

The experiences you go through as a person have their foundations embedded

in your imaginations

Hence, the reality behind what shaped you as human.

 

Tradução, por Rui M.:

A Tua Imaginação é a tua Realidade

 

A beleza do mundo é explicada pela sua realidade

Portanto, a realidade que suporta a sua existência

 

A essência da influência da humanidade é explicada pelo poder percetivo da

Imaginação

Portanto, a realidade que suporta dos seus factos

 

O poder dinâmico da natureza tem o seu significado fortemente ancorado na imaginação

Portanto, a realidade suporta os seus princípios peculiares

 

As experiências que vives enquanto pessoa têm as suas fundações alicerçadas

nas tuas imaginações

Portanto, são a realidade do que te formatou enquanto ser humano.

 

Podemos encontrar algumas obras deste autor, em Inglês, em:

“Santa In Two Worlds” (“O Pai Natal em Duas Palavras” ou “O Papai Noel em Duas Palavras”)

https://www.ukiyoto.com/books/santa-in-two-worlds

https://pothi.com/pothi/book/mr-ben-santa-two-worlds

https://www.amazon.com/dp/B07RDYKQD6

 

“Twists of Life” (“Mudanças da Vida”)

https://www.amazon.com/dp/B07RC8JGFP

https://www.ukiyoto.com/books/twists-of-life

https://pothi.com/pothi/book/mr-ben-twists-life

 

“The Broken Mirror” (“O Vidro Partido”)

https://www.amazon.com/dp/1096652412

https://pothi.com/pothi/book/mr-ben-broken-mirror

https://www.smashwords.com/books/view/937179

 

Para terminar a nossa viagem poética deste início de Agosto de 2019, fica aqui um poema de Pedro Vale, cheio de e a transbordar de natureza marítima:

 

 

Açores

 

Nos campos de verde-chá 
Dorme a alva frescura habitada.

Sentir o azul cheiro no ar,

 
Sem gente

No lugar.

 

- Ah, o mar, o mar dos Açores!

 
           Ouvir a espuma desse mar enxuto no olhar…

 

 

Esperamos que gostem dos poemas aqui publicados, caso tenham interesse por algum dos autores e falhe aqui algum link para alguma obra, basta contactarem-nos e iremos, se possível, facultar, com todo o gosto.

 

Até breve.

 

Julho e Agosto 2019: Seca em Angola, Fogos em Portugal, Vaga de Calor na Europa e Calor em Nova York (1)

por talesforlove, em 26.07.19

Neste preciso momento, praticamente em simultâneo, verificamos seca em Angola (estará o deserto do Namibe a crescer?), fogos em Portugal (teremos nós percebido os reais impactos da alteração climática, ou será apenas o mal dos eucaliptos?), uma vaga de calor na restante Europa (iremos no futuro, nós em Portugal, de férias para o Reino Unido para ter dias de calor e um verão azul suficientemente longo?) e o calor em Nova York (será normal?). Esta é apenas uma observação, sem respostas, apenas perguntas e percebemos que muitas vezes a pergunta é ainda mais importante que uma resposta.

Este é mais um texto neste blog, para nos fazer pensar, nada mais. Estamos já de seguida a ler poesia, talvez a suavidade das palavras nos inspire.

 

Peixinhos, por KARINA ALDRIGHIS

 

Peixinho dourado,

Peixinho listrado,

Borbulha no aquário

Blu, blu, blu, blu…

 

Batendo no vidro,

De um lado ao outro,

Ele fica nervoso!

Blu, blu, blu, blu…

 

Nadadeiras em riste,

Cauda empinada,

Nado sincronizado.

Blu, blu, blu, blu…

 

Algas no aquário,

O baú do pirata

A ostra gigante.

Blu, blu, blu, blu…

 

Ele abre e fecha

Sua boca engraçada,

E borbulha hilário!

Blu, blu, blu, blu…

 

Com pedrinhas ao fundo

Multicoloridas

Ele sobe e desce.

Blu, blu, blu, blu…

 

Não cansa de viver

Em um mundo quadrado

De vidro transparente?

Blu, blu, blu, blu…

 

Até agora que eu saiba

Nenhum morreu afogado,

Que fato inusitado!

Blu, blu, blu, blu…

 

NOTA: Do livro “Ninho de Borbuletas” (2018), com tradução para Inglês por Leandro Monteiro

 

Amizade de Verdade, por Marcelo de Oliveira

 

Amizade de Verdade

Tempestade,

Luta, letargia

Aborrecimento todo dia

Quem diria...

Que a amizade sobrepõe a tudo

Tudinho...

 

Fortalece, quando de verdade

Nem sempre a gente sabe tudo

Nunca a gente sabe nada

Mas o que sempre sabemos

É que a amizade de verdade

Fica para sempre.

 

Nota: Instagram de Marcelo de Oliveira: marceloescritor

 

Dois discursos por Greta Thunberg (Suécia - em Inglês com legendas)

UN COP24 - Discurso de Greta Thunberg (com legendas)

https://www.youtube.com/watch?v=EpvuS0EbywI

 

https://www.youtube.com/watch?v=H2QxFM9y0tY

 

 

Ainda, embora sem legendas (dublagem), fica este vídeo para podermos perceber a dimensão das manifestações inspiradas por Greta Thunberg. Sem dúvida, um movimento único e oportuno.

https://www.youtube.com/watch?v=uRgJ-22S_Rs

A Antologia "Natureza 2018-2019" estará disponível no final da próxima semana.

Até breve.

Poema de Verão - Um simples dia

por talesforlove, em 14.07.19

Um simples dia

 

Sol

nuvem

céu

Assim é o dia,

ilusão de luz,

tempo de rir,

vontade de partir.

ceu1.jpg

Até breve.

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