Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)
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A COP30 realizou-se e ficou um conjunto de decisões e informações sobre a nossa realidade ambiental atual. Um dos resultados mais relevantes deste evento, parece ser a iniciativa o Mutirão Global que surge pela sensibilidade ao fenómeno do calor extremo e algumas dificuldades em encontrar um consenso global para reduzir o consumo de combustíveis fósseis.
Aqui pode ser encontrada diversa informação: https://brasil.un.org/pt-br/305077-na%C3%A7%C3%B5es-unidas-e-cop30-mobilizam-mutir%C3%A3o-global-contra-o-calor-extremo
É muito inspirador ver os jardins urbanos que combinam a beleza das plantas com alguma arte. Como uma empatia entre áreas de conhecimento classificadas como distintas, nomeadamente a biologia e a arte, e consequentemente entre todas as pessoas que por ali passam, independentemente dos seus interesses ou atividades do dia-à-dia. Claro que uma das preocupações sublinhadas na conferência foi a de conciliar proteção da casa comum com qualidade de vida das populações ou resultados económicos, algo nem sempre equivalente. Fenómenos como as três semanas de calor extremo este verão, em Portugal, ou a subida do nível médio do mar, a afetar países formados por ilhas com baixa altitude, colocam pressão sobre as soluções. No final, fica-se com o sentimento que estamos perante outro encontro a meio de um percurso, que não se esgota nos poucos dias em que o tema da sustentabilidade ambiental se torna o foco de parte importante do planeta terra.
Ficam hoje estes poemas e contos recebidos no contexto do Concurso Literário Natureza 2025. Os resultados devem ser publicados na segunda metade de Dezembro.
CURSO D’ÁGUA, por Elizete C.
O lugar onde cresci Era um lugar sem mar E sem verde para olhar. Havia a luz dos vaga-lumes, Pardais malabaristas, E três rios (um ao lado do outro) Com nomes de peixe, na língua tupi. As moças ribeirinhas Banhavam-se nos rios da minha infância. Os rios seguiam o curso d’água sem pressa, Ajustando-se com simplicidade A pobreza do lugar. O sol iluminava as ruas sem calçadas, E a lua no espelho das águas dos rios Era a beleza que faltava mirar. Eu pisei o barro da terra em cores. Eu molhei meus pés nas águas enchentes. Mas não conheci as águas dos rios Que me encharcam a alma De uma saudade água nascente.
RAIZ DE SILÊNCIO, FLOR DE AUSÊNCIA, por Thaise N.
A natureza humana é uma caverna translúcida, onde ecos sussurram em línguas sem nome, o medo, pedra vestida, às vezes dança, enquanto a memória escava túneis — e some.
A terra não é chão: é o espelho onde se enreda o espanto do tempo em camadas invisíveis, cada folha é um verso que cai e se levanta, cada raiz, um braço que abraça a ausência.
O amor, esse alquimista sem rosto, transmuta o silêncio em melodia vibrante, é chama que não queima, mas apaga o vazio, é um rio que corre ao contrário de sua fonte.
Somos ar e barro, sombra e semente, língua que goteja em gestos de luz. O peito é bosque onde cresce o silêncio, e a alma, um fruto que amadurece em pudor.
No encontro do homem com o pulso da terra, a noite germina, a solidão se abre em flor. O tempo é a raiz que sonha com alturas, e o chão se dissolve nos braços do Inventor.
Na linguagem das coisas, a cadeira senta-se, o silêncio fala, e a memória esquece-se. Somos a dança entre o afeto e o absurdo, um universo que cabe no ventre do mundo.
Por isso choro — não lágrima, mas vento, pois no coração habita o som infinito, e na fusão da carne com o verde eterno, o humano desvela o segredo escondido.
Outros poemas recebidos:
NA CURVA DE UM RIO, por Isabella F. (Brasil)
Na curva de um rio, três amigos se calam enquanto as águas e a natureza falam de sobreviventes Na curva de um rio, as águas revelam cantigas represadas em manhãs ensolaradas de primaveras distantes Na curva de um rio, as águas são acordes, sonoridades são travessias, na outra beira estão as memórias erguidas de vento Na curva de um rio, três amigos se curvam ao chamado vivo da natureza, e se tornam águas, pássaros, pétalas amarelas sobre a terra úmida Na curva de um rio, tudo se movimenta na quietude que se faz e, na certeza do mar, em seu borbulhar, as águas vão em paz.
Borboletra, por Liliane S. (Brasil)
Largar ta no em ti n’erário da borboleta.
Não é alter nativa, e sim uma Oriente ação.
Vou ar Fogo Terra Água E ter Força para, ao cansar, seguir Cá Sã -ando.
O corpo é casulo na natureza da vida.
Nesta mesma vida, sem uma outra ex-pressão, borbo letramos.
Sugestão para este final de ano e Natal: comprar produtos mais amigos do ambiente.
Recentemente, começou a ser visível um fenómeno estelar que corresponde à chegada à atmosfera terrestre de meteoros oriónidas (ou oriônidas), os quais são visíveis sensivelmente entre 4 de Outubro e inícios de Novembro.
A seguinte publicação apresenta algumas fotos muito interessantes, retratando a beleza desta ocorrência: https://sapo.pt/artigo/orionidas-eis-as-melhores-fotografias-da-chuva-de-meteoros-desta-noite-68f8abdbe810181be8eebf64
Para assinalar este facto, aqui partilhamos o poema “Uma pequenina luz” de Jorge de Sena por aludir, quase impercetivelmente, à esperança que deve existir sempre nas nossas vidas.
UMA PEQUENINA LUZ, Jorge de Sena - Catarina Guerreiro
Os poemas seguintes surgem no contexto do Concurso Literário Natureza 2025 e trazem um pouco de “ar fresco” sobre a forma como olhamos a natureza, ou pensamos nela.
Soneto da Defesa da Mãe Natureza, por Mar Ciano
Com ela, a Mãe, não têm Destreza Que ódio para com quem cuida da Terra O grande diz: sou o dono, só que erra Quem planta, assim, cuida mãe natureza
Quem respeita a Bela Mãe de pureza?
Enquanto o mundo estiver em guerra Na sua ruindade o ponto encerra. Estarei, aqui, chorando na tristeza
Espera-se os belos pequis do norte Ainda estejam todos em floração Assim que todos nós partirmos
O mundo estará em oração O nosso bioma, um dia, decidirmos Defender dos que nos almejam a morte.
Borboletra, por Liliane N.
Largar ta no em ti n’erário da borboleta.
Não é alter nativa, e sim uma Oriente ação.
Vou ar Fogo Terra Água
E ter Força para, ao cansar, seguir
Cá Sã -ando.
O corpo é casulo na natureza da vida.
Nesta mesma vida, sem uma outra ex-pressão, borbo letramos.
O poema seguinte vem de Angola e ajuda-nos a recordar que está a decorrer o Concurso Literário Natureza África. Mais informações aqui:
O Coração Triste de um Jovem Sonhador, por Kemba Ntando
Numa cidade de muros cinzentos, caminhava um jovem com passos leves, como quem carrega dentro do peito um peso que o mundo não vê.
Chamavam-no de sonhador, não porque alcançava estrelas, mas porque, mesmo ferido, insistia em erguer os olhos para o céu.
O seu coração, triste como um outono sem cores, guardava segredos de perdas e silêncios. Ali, entre as rachaduras da alma, floresciam lembranças como ervas daninhas: o riso que partira cedo, a mão que já não o amparava, os dias em que foi invisível.
E, ainda assim, havia nele um rumor de esperança — um pássaro ferido que não sabe voar, mas canta, mesmo de asa quebrada.
Os que passavam riam dele, chamavam-no fraco, inútil, diziam que sonhar era desperdício num mundo feito de pedra. Mas ele respondia apenas com silêncio, porque sabia: as pedras também se desgastam, e os sonhos, não.
À noite, deitava-se sob um céu de enigmas, contando estrelas como quem conta cicatrizes. Cada estrela era um desejo não realizado, cada cicatriz, uma história que o moldara. E no centro da escuridão, ele imaginava uma voz — talvez divina, talvez apenas sua — sussurrando: “Continua.”
No coração triste do jovem sonhador não havia grandiosidade, apenas resistência. Resistência de quem perdeu, mas não se rendeu. De quem chorou, mas ainda escreve versos com as próprias lágrimas.
Um dia, talvez o mundo perceba que ele não sonhava por vaidade, mas por necessidade: porque sem sonho, o coração já teria parado.
E se há algo que nunca lhe roubaram, foi essa chama invisível, esse fogo quieto que arde no fundo dos olhos, e que, mesmo triste, faz de um jovem comum um eterno construtor de impossíveis.
Seguidamente, apresentamos dois projetos sociais com causas muito distintas, que se expressam através da arte.
O primeiro projeto, nas Caldas da Rainha, lembra que nunca devemos desistir.
Artistas Pintores com a Boca e o Pé https://apbp-portugal.pt/
O segundo projeto também é um exemplo de perseverança, mas tem uma forma diferente de se expressar. Está apenas disponível em Lisboa até finais de Dezembro de 2025. Mais informação aqui:
A sugestão ecológica que aqui deixamos hoje é a reutilização…
Aquele saco de plástico que vai deitar fora, pode ser ainda uma proteção de uma planta quando o mau tempo surge. Aquele livro que já não lhe interessa pode ainda ser utilizado por outra pessoa e ajudar a trazer algo de novo à sua vida, o que não sucederia se simplesmente o deitasse num qualquer caixote do lixo. São muitas as possibilidades de reutilização e cada um de nós poderá encontrar uma situação em que esta seja possível.
Alguns eventos literários: (i) Festival Internacional de Poesia do Porto (https://www.flipp.pt) (ii) Salão do Livro na Suíça (18-22 Março 2026) www.institut-cultive.com (iii) Feira do Livro de Paço de Arcos de 7 de Novembro (6ª feira) a 15 de Novembro (Sábado). No Mercado de Paço de Arcos, o qual fecha ao Domingo e 2ª feira.