Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via blogsnat@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo. :)
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Finalmente Junho, o Dia da Criança e a proximidade renovada do Verão, em Portugal… que saudades.
Este mês apresentamos alguns poemas, um desenho e um primeiro poema em 3D, para ser visto com os óculos próprios. Uma novidade que esperamos que gostem.
TERRA FERIDA por Simone Genari (Brasil)
A terra ferida, reclama sua vida
Tomaram-lhe o pulso,
Seu ar ficou escuro e seu olhar turvo
Abriram-lhe as chagas, roubaram-lhe a alma
Sufocaram sua voz, secaram sua foz
A terra ferida reclama sua vida
Em seu sonho há geleiras, tundras e cerrados
Se recorda dos lagos e dos verdes prados
Já não caem lhe as lágrimas, já não enxerga a beleza
Seu pranto seco causa-lhe dor e tristeza
A terra ferida, reclama sua vida
A esperança se foi assim como os rios
Só sobraram seus filhos e seus desvarios
No fio da sua vida entre tantos aparatos
Os filhos aguardam, sentindo-se ingratos
Ela suspira em vão, respira por aparelhos
Desfalece no chão, tem seus olhos vermelhos
A terra ferida, reclama sua vida
Ela que jovem, foi cortejada em verso
Só queria em seu sonho permanecer no universo
Febril e com suor escorrendo na testa
Ela se agarra aos minutos que o destino lhe empresta
Além de livros que nos façam viajar no tempo e nas ideias, bem como olhar o mundo com outros olhos, fica o sentimento, renovado ano após ano, que não estamos apenas perante uma montra de livros mas sim uma montra de sonhos de e para pessoas. Evidente que vale a pena procurar os novos autores ou autores menos conhecidos pois afinal de contas, quem era Pessoa antes de ser conhecido de todos?! Certamente, alguém sem habilitações para trabalhar numa biblioteca... Com efeito foi-lhe recusado um trabalho em biblioteca por não ter o conhecimento necessário para esse efeito. Vale a pena procurar e ficar um pouco a ler o livro de um autor ou autora desconhecidos, seja qual for a sua época. Será uma forma muito válida para conhecermos mais sobre literatura e podermos comparar. Porque não?
É mais uma aventura que se inicia. Certamente envolta no cheiro Brasileiro dos jacarandás que tendo sido trazidos do Brasil, agora nos presenteiam com as suas cores azuis e exóticas. Uma dose extra de encantamento a acompanhar os sacos de papel que este ano parecem querer ajudar na sustentabilidade ecológica do evento, pelo menos evitando o plástico, pois o consumo extra de papel pode dar origem a um novo olhar sobre a iniciativa.
Existem certamente outras Feiras do Livro muito interessantes noutros locais.
Convida-se o leitor ou leitora a enviar mais informação sobre esses eventos, por favor.
É até estranho falar que existem dentro de mim coisas tão pequeninas.
Elas se ajeitam e fazem tudo acontecer em minhas células.
Sem que eu o sinta, enquanto aqui fora a vida acontece também.
Não, não é simples assim, a meu ver....
Há um conjunto de fatores que transforma esta organela celular em algo importante.
Nesta energia que meu corpo precisa tanto!
Engraçado isto.
Pensei que a energia de que falo fosse fruto de meus pensamentos!
Na verdade, as tais mitocôndrias é que são as baterias do meu viver!
Sim, estes fios granulados , dinâmicos, sempre metabolizando ,
Quebrando carboidratos e ácido graxos geram energia em mim!
Sim! Estão relacionadas com a produção de energia para a célula,
Um processo conhecido como respiração celular.
E, até nos gametas estão, pois garantem sua capacidade de locomoção.
Mas, afinal, e eu? O que sou então?
Nada mais que um indivíduo que cria confusão,
Que cria medo, vingança, ódio e paixão!
Quisera ser mitocôndria no mundo, energia geradora de vida,
No trânsito, no trabalho, em casa, na avenida......
Mas, como qualquer um inserido no contexto social,
Me limito , entre acordar e dormir, a fazer o mal.
Com tanto estrutura em mim ( como lamento),
Não sou capaz de gerar energia para o bem!
Pobre de mim, ser civilizado,
Procurando mitocôndria onde ninguém tem!
Um poema por Regina G. (Brasil)
O silêncio tece o tempo.
Mansos os rebanhos,
plangentes os chocalhos.
A melancolia funde-se com o pó
que se evola do chão.
Esparsa, a sombra dos arvoredos.
Muros de xisto, centenários,
ostentam flores róseas nos silvedos,
anunciando as negras amoras
que aguardam o Verão.
Colho uma.
Tépido, um fio de sangue
desponta na mão.
in Quando o mel escorre nas searas
"IDAI!", por Emerson Zulu (Moçambique)
Porquê devastas a minha terra E me torturas depois de ter sido palco de uma desnecessária guerra Porquê tu matas as cenas? Tu me darás as pernas? Porque os seus ventos fortes À pista do zinco desgovernado, a elas amputaste
E daí se amo ficar a Beira do mar Tinhas é que me atirar por baixo da árvore? Ou lançar sobre mim a parede que jurei erguer para oprimir a minha vergonha!
IDAI! Ainda evocas a fúria das águas Para arrastar os corpos por si estatelados no seu grito de mágoa Veja a minha CHIVEVE, para um passeio já não serve Veja a minha MUNHAVA A sua cumplicidade já não caça o Mbava
IDAI!
Sabes tu o valor de uma vida? Vejo me em dívida! Porque a minha colheita tu e as águas destruíram Como farei então para pagar a dívida que os outros contraíram Te lembraste de ventanejar com força nos bolsos dos políticos Como na maternidade o fizeste?
Sem vergonha…!
Aos mortos mataste continuamente Nem em casa mortuária te convenceste Ao corpos as paredes derrubaste Lá vai o pranto malvado e veloz Exumar as sepulturas Destruir as infra-estruturas E ainda apagar a Luz Para no sombrio envergonhares a nossa espécie
Inundações! Vocês serão a educação para minha geração? Porque nesta noite te fizeste de mansinho para melindrar o meu coração. Acaso devo eu a ti alguma justificação? Veja quão descomunal é o meu aparecimento De que te ergues tu com o nosso sofrimento?
Vai para onde não desabroches mais Vai que a ti mesmo te sufoques da sua fúria Para que a minha nação outra vez sorria.
Um Segundo olhar sobre “Rosa Branca Floresta Negra”
O Livro “Rosa Branca Floresta Negra” também suscita interesse porque tem uma dimensão ecológica que desde logo cativa e envolve, começando pelo seu título que nos dá uma pista sobre a sua apologia implícita de defesa da natureza, que nos embala ao longo das nossas vidas tal qual ao longo desta história. É verdade que, aquando da instrução militar dada a John, o aviador norte-americano caído na Floresta Negra, se refere que a natureza tanto nos pode ajudar como voltar-se contra nós e por isso devemos estar sempre atentos, e também é verdade que se nomeia a guerra como um “animal feroz”, mas é a esta natureza em parte “neutra” em parte “benévola” que devemos as nossas vidas.
A Rosa Branca não é aqui apenas um nome puramente estético, cativo da beleza que nomeia, nem sequer unicamente um símbolo no contexto histórico das vivências que a autora nos propõe no decorrer temporal desta obra. É muito mais que isto, é mesmo algo intemporal. Na Antiguidade, era uma flor consagrada a deusas da mitologia, como Afrodite, a deusa Grega do amor, que seria Vénus para os Romanos. Afrodite teria nascido da espuma do mar e esta tomou a forma de uma rosa branca, significando pureza e inocência. Mais tarde, durante a Idade Média, a rosa, independentemente da sua cor, ao ser colocada no teto da sala de reuniões significaria o segredo relativo a tudo o que ali fosse falado. Atualmente, pode significar charme, humildade, pureza, verdade, segredo, jovialidade, sendo para a Igreja, símbolo da Virgem Maria. Sem que seja revelado o porquê de termos Rosa Branca no título do livro, podemos já tentar adivinhar o motivo e acreditar que ele é positivo. Todavia, não o revelarei aqui.
A Floresta Negra deve o seu nome ao verde-escuro dos seus pinheiros, o qual não evita a beleza da sua paisagem, garante quem a já visitou pessoalmente, e não emocionalmente, como a maioria de nós. Trata-se de um local com mística e inspirador de alguns contos tradicionais muito antigos. Esta floresta, em pleno Inverno, não irá dar alimento a Franka e John, mas sim abrigo, ou seja, permite-lhes preservar a vida e mesmo a neve e o gelo ajudam a camuflar a sua existência vulnerável e quase invisível. E esta observação é mesmo assim, porque, este não é um livro que se pretenda afastar da realidade; é a própria autora que logo no início nos diz que a narrativa é inspirada em acontecimentos reais, embora alguns factos e datas tenham sido alterados em seu benefício.
Assim, seres vivos como a rosa e os pinheiros da floresta, são elementos fundamentais desta história, por vezes mais aventura, por vezes mais romance. Biologicamente são-nos complementares, pois libertam o oxigénio que nós “consumimos” e consomem o dióxido de carbono que nós “produzimos”. Emocionalmente são-nos benéficos, na medida em que nos amparam nos momentos de maior debilidade, caso tenhamos a oportunidade ou bênção de os ver. Nesta obra, homens e plantas surgem num mesmo contexto histórico, ao mesmo nível de reflexão e esperança num futuro de paz e serenidade. A confiança entre estranhos e entre homens e natureza, em tempos de guerra, é também central neste livro, e a sua construção surge de forma gradual, tal qual o fim do Inverno e das neves, e é por tudo isto que este livro, na sua simplicidade e profundidade, se revela fascinante.
Finalmente, anunciamos os vencedores da Categoria Poesia, para a Edição 2018-2019 do Concurso Natureza.
Poesia:
“Vida ao vento” Bárbara Rocha de Brasil - 1º Lugar
“Submarino” por Renato TouzPin de Brasil - 2º Lugar
“Chuva” por Maria Catarina Canas de Portugal - 3º Lugar
Menções honrosas:
“CHAYA” por Anna de Freitas de Portugal
“Preservação da vida” por Cristina Cacossi de Brasil
“O Cosmonauta e o Poeta” por Paulo Caldeira de Brasil
“Dança das Flores” por Silvia Ferrante de Brasil
Parabéns a todos os vencedores e vencedoras.
O Concurso Natureza tem feito um percurso de reconhecimento dos autores e autoras que acreditam nesta aventura literária e sobretudo acreditam num mundo diferente, em que o ambiente e a sua preservação, por ser central para o nosso bem estar, tem um papel central nas nossas vidas, enquanto comunidade global.
Muitos trabalhos serão aqui divulgados, ainda que não premiados com primeiros lugares, assim os(as) autores(as) assim o autorizem. Até breve e boa escrita.
É com grande alegria que aqui apresentamos a lista de poemas e contos selecionados para entre eles escolher os finalistas do Concurso Literário “Natureza 2018-2019”
CONCURSO NATUREZA 2018-2019
CATEGORIA CONTO
Autor
País
Alberto Arechi
Itália
Juliana Mesquita
Brasil
Luísa Fresta
Portugal
José da Silva
Brasil
Alessandra Barselar
Brasil
Evandro Valentim de Melo
Brasil
Maia Piva
Brasil
Thalita Cini
Brasil
Regina Caires
Brasil
Marcos Neves Jr.
Brasil
Francisco Guilherme
Brasil
Diana Pinto
Portugal
Rafael Tsychiya
Brasil
Andrea Espindula
Brasil
Ilva Moraes da Silva
Brasil
David Ariru
Brasil
Maria Thereza Bicudo
Brasil
Murilo Christino
Brasil
Eugénia Maria Martins
Portugal
Jéssyca Carvalho
Brasil
Francisco Alcântara
Brasil
Thayanne Khésse Melo Silva
Brasil
Rosângela Dos Santos Oliveira Aragão De Matos
Brasil
Adônis Delano
Brasil
Luiz Otávio de Oliveira Alves
Brasil
Joaquim Bispo
Portugal
Zilmar Junior
Brasil
Adriano Figueiredo Monte Alegre
Brasil
Eduardo Soares
Brasil
Bruna Cristina Lima Nascimento
Brasil
Sonia Regina Rocha Rodrigues
Canadá
Lúcia de Fátima Carvalho
Brasil
Aldenor Pimentel
Brasil
Luís Amorim
Portugal
Juliana Karol Falcão
Brasil
Margareth Aparecida Leite
Brasil
Ana Carolina Machado
Brasil
CATEGORIA POESIA
País
Anchieta de Santana
Brasil
Nanci Oliveira
Brasil
Renato TouzPin
Brasil
Claudia Lundgren
Brasil
Odenir Follador
Brasil
Jhonatan Mata
Brasil
Osmarina Ferreira
Brasil
Gabriel Lima
Brasil
Lucicleide Nascimento
Brasil
Paulo Caldeira
Brasil
Agnes Messmer
Brasil
Silvia Ferrante
Brasil
Cristina Cacossi
Brasil
Regina Gouveia
Portugal
Bárbara Rocha
Brasil
Marcelo Feres
Brasil
Solange Santana
Brasil
Eloísa Ávilla
Brasil
Aiume Silva da Paixão
Brasil
Matheus Campos
Brasil
André Soares
Brasil
Cesar Theis
Brasil
Larisa Guimarães
Brasil
Luiza Azevedo
Brasil
José Mellega
Brasil
Bruna Lima
Brasil
Lucas Santos
Brasil
Luis Alencar
Brasil
Vitor Costa
Brasil
Augusto de Sousa
Brasil
António Ramalho
Portugal
Carmen Dias
Brasil
Ana de Freitas
Portugal
Jair dos Santos
Brasil
Maria Catarina Canas
Portugal
Getúlio da Silva Oliveira
Brasil
Davi Frazão
Brasil
Alex Alexandre da Rosa
Brasil
Márcio Evanmarc
Brasil
LASANA LUKATA
Brasil
Beatriz Gomes
Brasil
Carlos Jorge Gomes Azevedo
Portugal
David Ariru
Brasil
Thaísa Cristofoleti de Vasconcelos
Brasil
Diego Sônego de Souza
Brasil
Marcony Meneguelli Alhadas
Brasil
Cláudio Bertini
Brasil
Victor da Cunha Soares Trindade
Brasil
Alexandre Squara
Brasil
Bruno Augusto Valverde Marcondes de Moura
Brasil
João Victor Martins Ruyz
Brasil
Antonio Hudson Carneiro de Souza
Brasil
Jéssyca Carvalho
Brasil
Lucêmio Lopes da Anunciação
Brasil
Tiago Arauto
Brasil
Thayanne Khésse Melo Silva
Brasil
Julia Aguiar de Araujo
Brasil
Kárita Helen da Silva
Brasil
Zenair Borin
Brasil
Adônis Delano
Brasil
Valtair Evandro de Campos Grando
Brasil
Laryson Fonseca
Brasil
Jeanete Shimara Ferrão
Brasil
Francisco Carlos Rocha Fernandes
Brasil
Sara Timóteo
Portugal
Simone Lopes Genari
Brasil
Diobelso Teodoro de Souza
Brasil
Silvano Lyra
Brasil
Conceição Maciel
Brasil
Maikon Douglas
Brasil
Francisca Leide Rodrigues Freitas
Brasil
Matheus Jorge do Amaral de Souza
Brasil
Tatiane Marques Calloni
Brasil
Lúcia de Fátima Carvalho
Brasil
Anésio Fraga de Souza
Brasil
Jaqueline Rosa Fernandes
Brasil
Juliana Karol de Oliveira Falcão
Brasil
Telma Maria da Conceição
Brasil
Delaine Silva Santos
Brasil
Maria Ioneida Braga
Brasil
Renata Alves Torres
Brasil
José Wilson Teixeira Cardoso
Brasil
Leandro Bonizi
Brasil
Sidnéya Day Ramos
Brasil
Luis Laercio Pereira
Brasil
Jéssica Bastos Nascimento
Brasil
Getúlio Pereira
Brasil
Maria Gonçalves
Portugal
Claudete Soares
Brasil
Lúcio Fernandes
Brasil
Outros poemas serão escolhidos para publicação no blog.
Nada melhor do que começar o ano com sol e alguma bela poesia!
É interessante verificar que a par da publicação em papel surge imediatamente a publicação em formato digital. É algo que parece ser bom para o ambiente pois existe menor consumo de papel e o gasto de energia dos equipamentos de leitura parece ser negligenciável. A estes factos acresce que o formato digital é menos oneroso que o formato em papel. Para muitas pessoas, o livro continua a ser algo privilegiado na leitura de poemas e outra literatura, sendo que, podemos alegar, ainda contém a magia das coisas sem tempo e eventualmente sem grande complexidade.
Assim, com grande alegria, convidamos à leitura do livro “FAZENDO AMOR COM O UNIVERSO EM VERSOS” (Outubro 2018) de Claudete Soares (Brasil – Bento Gonçalves - RS), Editores Valdir Ben e Vânia Bortoletti, o qual nos apresenta um conjunto de poemas de grande sensibilidade estética e humana, a par de uma composição gráfica belíssima. Entre esses trabalhos encontra-se o seguinte:
Ainda outro livro de poesia, que vale a pena conhecer, é “Azul Instantâneo” (2018) por Pedro Vale (Portugal – Madeira). A poesia visual é muito importante neste livro e sem dúvida oferece uma diversidade na interpretação do que se pretende transmitir. Assim, não é de estranhar que o design gráfico da obra, nomeadamente na capa, apresente linhas tão simples, não ofuscando, de forma alguma, o conteúdo poético já de si tão gráfico.
Um poema, sem nome, a ler será:
Talvez um dia recordes
num qualquer espelho torto
quão simples fora a tua salva
e te lembres daquela vez
em que ceáramos apenas meia
laranja e nada de pão naquela casa cega
com o telhado a verter lágrimas
de fel.
E ainda este:
Para contactar o autor, recomenda-se o seguinte contacto: valedepedro@gmail.com
Finalmente, convida-se à leitura de um poema naturalista por Marcelo de Oliveira Souza, IwA (Brasil):