Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)
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Hoje, apresenta-se um primeiro olhar relativo ao filme Hamnet, a estrear em breve nos cinemas em Portugal. Um filme literário e com natureza.
Apresenta-se a primeira lista de autores premiados cujo trabalho será incluído na e-Antologia Natureza 2025-2026.
Todavia, antes fica a informação que será encontrado outro endereço para este blog, porque infelizmente a plataforma SAPO será descontinuada no dia 30 de Junho de 2026. Situação que muito desagrada, mas que não se pode evitar... Será aqui partilhado o novo endereço, logo que possível.
Hamnet: intimista e poderoso, sim.
Parte I
Hamnet é um filme tributo à mãe natureza e ao amor que a move. E, todavia, no reverso desse seu amor conhecemos a mão firme, por vezes incompreensível e aparentemente cruel que nos encaminha para paisagens de vida e morte, esperança e humildade. O trabalho da realizadora Chloé Zhao, e dos produtores Steven Spielberg e Sam Mendes, revela que estes não sucumbiram ao peso da responsabilidade de realizar algo sobre a suposta vida de William Shakespeare.
A cena primordial é ela própria tal qual um baú que esconde um tesouro, uma simbologia. A câmara desce suavemente, lentamente, respeitando o ritmo da natureza, a cadência leve das folhas de faia, tais quais pequenos pedaços de papel verde, recortados pelos ventos, como que à espera de alguém que nelas escreva histórias de encantamento. Ao primeiro olhar e ao encarar a dupla copa podemos imaginar duas faias próximas, mas, surpresa, quando a lente se aproxima do chão revela-nos que, afinal, são dois troncos vindos da exata mesma raiz. Afinal, tal qual o par amoroso desta tragédia-romântica-com-esperança: Agnes (Jessie Buckley) e William Shakespeare (Paul Mascal), ambas as copas são apenas uma; suportam-se uma à outra. Podemos mesmo imaginar, crer, que a ausência de uma delas significaria o desequilíbrio de toda aquela estrutura natural: a árvore tombaria com se procurasse na terra os restos do seu próprio “par”. Mas lá, ali mesmo, no chão está Agnes; enrolada como uma criança no ventre materno, envolta em placenta vermelha, uma semente por nascer. Dormira por ali, por um tempo indefinido, ignoto, e cujo questionar esquecemos quando deparamos com o seu olhar, acompanhando nos céus o seu falcão. O seu vestido é de um vermelho que a nossa memória poderá associar à cor do sangue e à massa argilosa, molhada e fresca. Como um dos pedaços de carne que dá ao falcão que ela chama com um silvo maternal e lhe obedece, pousando na sua mão. A heroína do filme conhece a floresta intimamente, identifica as plantas e usa-as para curar, temperar, amar: encanta o herói, a quem trata por Will, diminutivo de William. E Will, em inglês também remete para futuro, para ação, tomada de decisão resoluta. Não estamos perante um filme trivial.
HAMNET - Trailer Oficial Legendado PT
Primeira lista de autores também incluídos na e-Antologia Natureza 2025-2026.
Davi Cesar (Brasil)
Poema: Elegia ao Atlântico Exótico
Cláudio Malheiro (Portugal)
Conto: O Coração de Pedra e Raiz
Poema: Filhos da Terra
Bárbara Stewart (Brasil/Irlanda)
Conto: Sapatos de sonhos
Luiz Reis (Brasil)
Conto: Singularidade
Jeferson dos Santos (Brasil)
Poema: DIVINA NATUREZA HUMANA - Sir Jey Litterattus -
Hoje apresenta-se uma breve definição de desenvolvimento sustentável. Seguida de dois poemas do Concurso Literário Natureza 2025. Finalmente, apresenta-se o filme "Lindo" o qual nos permite saber mais sobre o impacto da poluição marinha nas tarturas e peixes que vivem nas águas de São Tomé e Príncipe.
Logo que possível inicia-se a divulgação dos outros trabalhos seleccionados para a Antologia. Os trabalhos que já foram publicados neste blog, recebidos no contexto do Concurso Literário Natureza, farão todos parte deste livro digital.
Conceito de desenvolvimento sustentável
Desenvolvimento que permite a satisfação das necessidades do presente sem comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras.
A sustentabilidade ambiental surge em igualdade com a sustentabilidade financeira e outras dimensões de sustentabilidade.
Fonte:
Assembleia Geral das Nações Unidas. (1987). Report of the world commission on environment and development: Our common future (Relatório da comissão mundial sobre ambiente e desenvolvimento: o nosso futuro comum). Oslo, Noruega, Desenvolvimento e Cooperação Internacional: Ambiente.
Alguns poemas do Concurso Literário Natureza 2025:
Nossa Lei, por Simone S. (2º Lugar)
As leis se dobram como véus,
Sobre os olhos de quem cala...
Enquanto o grito do justo ecoa
Num tribunal que não fala.
Prometem justiça às claras...
Mas operam na penumbra do texto.
Onde há norma, há exceção...
Onde há réu pobre, há pretexto.
O tempo da lei é cego e mudo...
Caminha lento, ou se arrasta...
Mas corre, se for conveniente,
Na pele do fraco, a espada gasta.
Brechas? Não são descuidos.
São passagens cuidadosamente esculpidas,
Por mãos que escrevem a norma...
E apagam as feridas.
O interrogatório, tardio ou não,
É só o espelho do que se quer mostrar.
Mas nos bastidores do processo,
A verdade aprende a se calar.
E eu, que estudei cada artigo,
Vejo o silêncio como sentença...
Pois não é a lei que falta,
É a justiça ─ e sua presença.
A Montanha do Ser, por Shirley L. (3º Lugar)
Há dias em que o peito quer voar, Outros o chão parece sumir Somos feitos de ânsia de alcançar, E de medos que vêm insistir.
Num instante, a coragem se acende, Logo após, a incerteza nos chama. Entre o caos e o amor que surpreende, Respira a nossa natureza humana.
Queremos amar sem nos ferir, Mas do amor vem também a dor. Queremos sorrir sem desistir, Mesmo quando o mundo perde a cor.
Ser humano é subir e escorregar, É cair sem perder a direção. É no abismo também se encontrar, E no erro aprender compaixão.
É lutar contra o próprio espelho, Encarando a verdade no olhar. Ser inteiro, mesmo sendo imperfeito, E, em silêncio, também se perdoar.
Cada passo é um novo renascer, Mesmo em noites de sombra e neblina. Há beleza em continuar a viver, Pois ser humano é luz, é rotina.
Fica aqui o convite a conhecer o filme "Lindo". Com as suas imagens coloridas de verde e das cores de aves e frutas nativas, enquadra a nossa descoberta da vida das tartarugas marinhas, sempre confrontada com a pesca e a poluição marinha. Por exemplo, os plásticos que são levados pelas correntes marítimas até aos locais mais improváveis.
Uma cena muito cativante é a da "caminhada" de uma tartaruga recém-nascida até às águas do mar. Um percurso feito muito vagarosamente e deixando ficar um rasto na areia: o das barbatanas a impulsionar o corpo deste pequeno ser vivo. A filmagem é feita durante a noite e a escuridão do horizonte e o som das águas tornam ainda mais envolvente esta cena.