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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)

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Resultados do Concurso Literário Natureza 2025

por talesforlove, em 30.12.25

Boa tarde.

 

É com enorme satisfação que divulgamos os vencedores do Concurso Literário Natureza 2025! Ficando apenas por divulgar os autores premiados com a participação na Antologia digital. Muito obrigado a todas as pessoas que participaram e aos membros do júri pela sua leitura cuidada dos muitos trabalhos recebidos.

 

Categoria Poesia

 

1º Lugar

Solo roto, por Emanuelly Nascimento

 

2º Lugar

Nossa Lei, por Simone Santos

 

3º Lugar

A Montanha do Ser, por Shirley da Luz

 

Aqui fica o poema vencedor.

 

Solo roto, por Emanuelly Nascimento

 

No ventre da terra, germina o silêncio,

como pensamentos que não ousamos dizer.

Chove dentro do caule,

e o tronco aprende a suportar sem se partir.

 

Folhas são promessas

verdes no início, depois caem,

como as certezas dos homens ao vento

das primeiras decepções.

 

Montanhas guardam segredos que ninguém escuta,

mas todo mundo escala,

como corações orgulhosos

que não sabem pedir ajuda.

 

O mar engole tudo o que é grito,

mas devolve em ondas brandas,

ensinando-nos a respirar fundo

antes de devolver ao mundo o que nos afoga.

 

Somos rios buscando foz,

mas desviando por medo da imensidão.

Espelhos d'água refletimos o céu,

mas guardamos lodo no fundo.

 

O sol nasce inteiro,

mesmo quando os homens amanhecem partidos.

E a lua observa em silêncio,

como quem já cansou de consolar.

 

Somos árvores sem solo,

de braços nus que tremem ao vazio,

buscando na noite a sombra

que nunca nos pertenceu.

 

Carregamos no peito a seca da terra,

um deserto que cresce por dentro,

enquanto fingimos florescer,

mas só exalamos o cansaço das raízes.

 

No fim, somos só natureza

que aprendeu a usar sapatos,

mas ainda tropeça nos galhos

que crescem dentro de si.

 

 

Categoria Conto

 

1º Lugar

Crônica de um paciente interno, por Valmir Barbosa

 

2º Lugar

Por entre a bruma da manhã, por João Araújo

 

3º Lugar

Natureza e amizade, por Mateus Muinza

 

Aqui fica o conto vencedor.

Crônica de um paciente interno, por Valmir Barbosa

 

O barulho do grande portão de ferro do hospital tirou sua atenção do inseparável caderno vermelho que repousava em seu colo.

Um homem bem trajado, carregando na mão uma elegante pasta preta de couro, entrou pelo pátio ao lado de um funcionário.

O interno baixou o capuz do agasalho que o protegia do frio, fechou o caderno e saiu de sua cadeira, uma velha espreguiçadeira. Foi em direção aos dois homens que seguiam para a sala dos médicos. A poucos passos de entrarem no espaço reservado, exclusivo da administração, ele os interceptou.

— Se não me engano, essa é a primeira vez que o senhor visita o nosso clube, disse ele, acentuando de forma sarcástica a última palavra.

Antes que o visitante pudesse responder, ele continuou falando para reafirmar a sua imprudente independência.

— E esse nosso encontro vai se repetir?

O funcionário fez um sinal com a mão para que Rodolfo não desse atenção ao interno, mas ele ficou impressionado com a forma correta do homem se expressar, a boa dicção e, principalmente, com a bela voz. Tudo isso não combinava com aquela aparência desprovida de cuidados, em seu uniforme cinza. Contrariando o agente da portaria, Rodolfo voltou-se na direção de seu interlocutor.

— Sim, é a primeira vez que venho aqui. E dependendo do resultado da conversa que terei com o diretor, virei outras vezes.

O diálogo interrompeu a rotina e o funcionário expressou na fisionomia toda a sua impaciência. Ao contrário do visitante, ele conhecia todos os internos e sabia o que esperar de cada um deles, suas manias, suas reações. Mas nem sempre conseguia impedir que eles quebrassem o bom andamento do seu trabalho.

— Se não for de todo incômodo, gostaria que o senhor me trouxesse esses materiais de papelaria para o nosso próximo encontro. Garanto que não vou mais importuná-lo, disse com a uma folha de papel na mão estendida.

— Meu nome é Rodolfo. A quem devo entregar a encomenda?

— Entregue, por favor, diretamente a Homero Moderno. É assim que sou conhecido aqui, resultado de uma brincadeira de um antigo diretor. Porém meu nome de batismo é Cristóvão. Boa sorte na sua entrevista e até a próxima vez.

Depois de apresentar o visitante formalmente ao diretor, o funcionário fechou a porta e se afastou, deixando os dois a sós.

Rodolfo então foi orientado a evitar maiores contatos com os pacientes do hospital, pois aquele que hoje se apresentava normal, tranquilo, a conversar de forma educada, poderia estar dali a uma semana em outra ala, sedado, incomunicável, completamente fora de contato. Disse ainda, que essa recomendação era passada a todos os que visitavam o hospital pela primeira vez, de forma geral, sem exceção.

Na saída, Rodolfo caminhou lentamente até o portão de ferro, observando de forma atenta todos os detalhes. O pátio, uma área com piso de cimento e sem qualquer vegetação, encontrava-se deserto pois, segundo o funcionário que o acompanhou em direção à portaria, já estava no horário de recolhimento de todos os internos. Porém, antes de chegar ao final da caminhada, um saco plástico transparente caiu a poucos passos deles. Rodolfo reconheceu o caderno vermelho no qual Homero fazia suas anotações quando de sua chegada. Em seguida, uma voz, que imediatamente identificou, cortou o grande espaço vindo de uma das grades do alto do prédio: "presente para o senhor". Ele se antecipou ao funcionário, pegou o saco, retirou o caderno e guardou em sua pasta.

— Desculpe, senhor. Nós somos orientados a não permitir que os internos entreguem ou recebam objetos e nem mesmo alimentos sem autorização prévia da direção. Eu gostaria de...

— Fique tranquilo. Neste caso, não há nada descumprindo o seu regulamento. Eu, como visitante do diretor administrativo, acabei de receber um presente e seria indelicado recusá-lo, não é mesmo? Tenha um bom dia e até a semana que vem, disse ele, já se dirigindo ao estacionamento, deixando o funcionário sem reação.

Na manhã seguinte, de saída para sua rotina de trabalho, Rodolfo abriu a pasta para consultar a agenda e viu o caderno vermelho. Jogou-o na poltrona ao lado da cama e seguiu para o carro, preocupado com a quantidade de compromissos.

E assim se passaram os dias. Algum tempo depois, quando se preparava para visitar novamente o hospital, lembrou que Homero estaria a esperá-lo. Pegou o caderno que ficara jogado no seu quarto e procurou dentro dele o pedido, a lista de compras solicitada. Viu que eram pequenos objetos, como lápis, borracha e cadernos. Dobrou, colocou no bolso do paletó e então folheou o caderno. Ficou impressionado com a bela letra, com os desenhos e com a organização. Sentiu uma ponta de culpa por não ter dado nem uma olhada durante todo aquele tempo. Sentou-se na poltrona junto à janela, esticou as pernas sobre a cama e perdeu-se na leitura.

 

"Que fique claro, os apontamentos feitos aqui, à mão, sempre me deixam em dúvida se representam com precisão os fatos ou se tratam de ficção.

Confesso que, para minha própria proteção, uso minha condição de louco, ou seja, aquele que perdeu tudo, menos a razão.

Como vocês devem saber, a frase não é minha. Eu peguei emprestada, pois ela cai como uma luva nesta minha argumentação.

Feito este preâmbulo, fico à vontade para contar a vocês, com cronológica exatidão, dos que aqui morreram, seja no laboratório de testes, seja na sala de operação.

Calma, não se assuste, meu caro irmão. Aqui dentro há duas categorias de gente: os internos e os cidadãos.

Os primeiros são os pacientes, muito pacientes, vigiados, etiquetados e estocados como materiais para serem usados, sim, usados como material de trabalho. Quando um não dá certo, joga-se fora, pois há outro disponível na prateleira para reposição.

Os cidadãos? Bem, esses são funcionários que funcionam bem, pois são treinados exaustivamente para nos ver como "coisas", como material de uso para experiências. São gente de precária formação.

Comigo eles não mexem por causa dos meus cadernos. Os meus registros, indevidos e indiscretos, são uma espécie de salvo-conduto para minha sobrevivência. Pelo menos até agora foi assim. Daí eu ser tratado como uma "coisa" imprestável para o "trabalho" deles. Porém, continuam fazendo parte da minha rotina os choques, as torturas e a reclusão. Tudo em vão.

Eu sou o eterno retorno. Volto para cuspir na cara deles a minha indignação em forma de prosa, de poesia e por vezes uma canção.

Agora vou dar alguns exemplos das aberrações que aqui testemunhei. São casos acontecidos no laboratório de testes. Infelizmente, ou não, o material foi danificado, foi descartado, pois não tinha mais serventia nem função".

 

Depois de mais algum tempo de leitura, Rodolfo fechou o caderno, respirou fundo e caiu de costas na cama. De olhos fechados, ficou ruminando a poética de Homero. Perdeu a noção do tempo e deixou de cumprir alguns dos compromissos agendados para aquela manhã de inverno. Sentia-se pesado, com o estômago embrulhado, como se tivesse acabado de ingerir uma comida gordurosa, indigesta.

Nas visitas seguintes ao hospital, Rodolfo não conseguiu ver Homero. Entregou ao supervisor a sacola com o material solicitado pelo interno e tentou obter informações sobre ele. As respostas eram sempre as mesmas. Ora estava com o banho de sol suspenso por indisciplina, ora em tratamento de saúde, ora pesquisando na biblioteca.

Rodolfo sentia que algo de errado estava por trás daquelas explicações. Teria sido Homero mais um daqueles casos por ele mesmo relatado? Só havia uma maneira de obter a resposta. Solicitou, formalmente, uma visita ao paciente Cristóvão Siqueira Campona, o Homero Moderno.

O barulho do grande portão de ferro anunciou a entrada de três veículos da polícia. Rodolfo estava no banco dianteiro do último carro, ao lado de seu irmão, o delegado Roberval Maranhão.

Como poderia um interno desaparecer sem deixar rastro, mesmo depois de minuciosa busca? A exemplo de um “caixa-dois” de empresas ou de partidos políticos, haveria uma administração paralela naquele hospital? Uma para atender a rotina diária e outra para prestar contas às autoridades?

Com base na denúncia de Rodolfo, um inquérito policial foi aberto para apurar o caso, tendo como peça principal um certo caderno vermelho.

Com câmeras de TV, diversos microfones e gravadores, os repórteres registravam a entrevista coletiva de Rodolfo Maranhão, o diretor do novo Centro Cultural Homero Moderno. Ele explicava aos entrevistadores que o nome da nova instituição era uma homenagem àquele que dera sua vida para derrubar o monstro. E não se referia ao belo prédio do antigo hospital, que agora, restaurado, abrigava o Centro Cultural, mas ao grupo que por longo tempo administrara a entidade. Informou ainda que o enorme portão de ferro, outrora símbolo do mau uso da medicina, ficaria agora permanentemente aberto, simbolizando a liberdade, a porta de entrada para a divulgação e para o conhecimento da história das formas de tratamento da saúde mental dos habitantes da cidade.

 

 

 

 

 

Outros trabalhos com menções honrosas:

 

Indagações naturais, por Nian Freire

Controvérsia, por Anne Almeida

O Jardim Valença, por Thaemy Blackthorn

Harmonia natural, por Daiana Schauss

Fim de linha, por Asdrúbal Vieira

Dom Gavião, por Paulo Florindo

O Céu Esmeralda, por Hugo Medeiros

Vazios, por Idalina Gurjão

Naturalmente um poeta, por Luigi Boscariol

(Duna), por André Ramos

 

Como já referido, outros trabalhos são incluídos na Antologia Natureza 2025.

Pedimos aos autores que aguardem, por favor, a receção do seu exemplar digital, a qual poderá demorar alguns meses.

 

Desejamos um 2026 com saúde e paz para todos.

Votos de boa escrita e muitas ações com consciência ambiental.

 

Até breve.

Um poema, um conto e uma notícia

por talesforlove, em 29.12.25

Boa noite.

 

Amanhã divulgamos os resultados do Concurso Literário Internacional Natureza 2025.

Hoje aqui fica um poema, um conto e uma notícia.

 

Alma da Mata, por R. Santi

 

Antiga é a neblina na floresta.
O verde desperta e me resta.
O cipó se enrola em tronco antigo.
Segredo que guarda, mistério amigo.

O sabiá canta no ar silencioso.
A vida vibra em tom precioso.
A chuva cai, cristalina e fina.
Banha a terra, pura e divina.

Macacos saltam de galho em galho.
Flores abrem-se em suave trabalho.
O rio murmura contos ancestrais.
Ecoam na alma, sons imortais.

Amar a mata é sentir a vida.
Cada raiz desperta a alma contida.
Abraçar o verde é ato de paixão.
Viver a Terra é pura devoção.

 

O peru, por Eduardo da Silva

 

Seu José, um homem simples do interior tinha uma fazenda, quatro metros de terra, sim, uma fazenda, lá criava não galinhas d’angola, pavões de resplendorosas plumas, perus.
Todos criados com muita dedicação e zelo, afinal, fazia parte do sustento da família, mas um deles em particular era o xodó, chamado carinhosamente de Clarêncio pela neta do fazendeiro e sua esposa. Ruana tinha um apreço muito grande pelo bicho, ele era um dos mais fortes do lugar, respeitado pelos outros machos e aclamado pelas fêmeas, mas sempre ficava isolado e nem dava valor aos filhotes.
Todos os dias quando acordava a garota nem escovava os dentes ou lavava o rosto, saia em disparada para ver seu bichinho de estimação, ela aos gritos chamava pelo nome dele: “Clarêncio, Clarêncio, ele de longe respondia, não como um canto bonito do sabiá, ou qualquer outra ave de sonoridade audível, era um tal de “gluglu” para lá e “gluglu” para cá, bicho sem graça, se deixasse a menina passava o dia inteiro lá.
Da janela, os avós observavam encantados e de certo apreensivos, todos sabiam o destino deles, mesmo assim, ao observá-la as rugas em suas faces eram evidenciadas após o sorriso que ia de canto a canto da boca, ela era as alegrias dos velhinhos.
Às vezes o avô preocupado conversava com a esposa e pensava em reclamar desse apego que a garota tinha ao animal, mas a esposa argumentava: “Deixa ela, a menina é carente de pai e mãe!”.
Clarêncio era dotado de certa esperteza e frieza, não ficavam junto dos outros, sempre perto da cerca e sozinho, parecia que estava com a cabeça em outro lugar. Tinha um olhar de cólera para seus criadores e quando se aproximavam ele sempre os bicava, só ficava quieto com a menina. Também não dava valor e parecia não gostar dos filhotes, sempre que se aproximavam eram logo afugentados.
A mãe da garota engravidou de um homem atraente que aparecia de tempos em tempos quando tinha festa da quermesse, era encantador, deixava todas garotas aos seus pés, mas depois desaparecia, diziam até que ele era parente do boto. Ela o procurou muito, depois descobriu que era sobrinho de uma vizinha, ela disse que mal tinha contato, era um parente distante, mas que conseguiria o endereço dele para ela mandar carta, tempos depois, estava já com três meses de grávida quando conseguiu o endereço, enviou inúmeras cartas, ele só respondeu depois de muito tempo dizendo em letras garrafais:
“TEM CERTEZA QUE É MEU?”
Depois disse que não poderia assumir porque era casado e mesmo assim não gostava de crianças.
Que ironia, a garota amava seu animal de estimação que tinha as mesmas características do seu pai, não ligava para esposa e filhos, mas o primeiro é irracional até onde sabemos.
Nunca mais teve contato com ele...
A moça teve um final de gestação complicado e acabou morrendo no parto, a bebê ficou sob os cuidados dos avós.
O fazendeiro acostumado a lidar com os bichos sabiam quais eram os mais fortes e saudáveis só de olho, eram anos naquela lida. Aos sábados ele separava os mais gordos, colocava na carroça e seguia para a feira, onde vendia ou trocava por outros mercadorias com os outros feirantes. Dona Antônia ficava em casa cuidando da horta e do pomar, enquanto a neta estava estudando.
Todos os anos era costume em dezembro, dia 24, fazer a ceia para comemorar a data festiva e o aniversário da neta, no dia, deixaram ela na casa de uma vizinha distante para não ver os preparativos da festa, todos os anos faziam “surpresa”, achavam que ela não sabia de nada, mas fingia para não os deixar tristes. A avó foi buscar a neta, entrou pela porta dos fundos e logo mandou ela tomar banho e se arrumar para jantar, colocou na menina um vestido de chita florido, escovou os cabelos dela várias vezes e colocou um laço de fita rosa.
Na cozinha, a mesa com uma toalha de plástico fazendo alusão à data festiva, em cima, no centro, um gordo peru assado, ao redor arroz, farofa, bolos, frutas locais e suco de maracujá, parece que adivinhara que alguém precisaria de calmante. Ao lado da árvore de Natal simples um embrulho de presente, dentro um lindo vestido de crochê e uma boneca de pano, ambos, feitos por Dona Antônia.
Quando a garota, com os olhos cobertos pela avó chegou na cozinha que viu aquele animal na mesa ficou estarrecida, era educada e calma, mas caiu no choro e começou a gritar e rolar pelo chão como uma menina birrenta
“Quero meu bichinho de volta, porque fizeram isso com o Clarêncio?”
“Que maldade, que maldade”, repetiu isso várias vezes.
Os avós acalmaram a garota e disseram que aquele ali da mesa não era ele, mas sim, seu irmão, mas que seu bichinho de estimação tinha morrido pela manhã após uma tentativa de fuga, mas como estava fraco, com “gogo”, um tipo de gripe que dá nas aves, tentou fugir e não resistiu, explicou Seu José. A garota correu ao quintal e viu que ele estava em uma caixa, morto, enfeitado com algumas flores que a avó colheu e colocou, enterraria com a garota no outro dia para não estragar a festa.
Como se tivesse traçado um plano há tempos, o galo marcou carreira e tentou voar por cima da cerca, caiu enrolado no arame farpado e ficou grugulejando, até que após alguns minutos a senhora ouviu e foi ajudar, mas já era tarde demais, estava muito fraco.
A garota se despediu do amigo, dos sonhos e do espírito natalino.
Coitado, acabou morrendo de véspera de qualquer jeito, foi carma ou destino, sei lá.

 

É notícia o evento do dstgroup que, em parceria com a Associação Paisagem Periférica e com o apoio da Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Braga, promoveu, pelo segundo ano consecutivo, as Consultas Poéticas, uma iniciativa que voltou a aproximar a arte das pessoas em situação de sem-abrigo e vulnerabilidade social.

Sem dúvida algo muito único.

 

Até breve.

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