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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)

Contos das Estrelas

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Férias até Setembro 2020

por talesforlove, em 01.08.20

Boa tarde!

Estamos de férias até Setembro. Não se esqueçam de visitar, subscrever, partilhar, olhar.. e serem felizes.

Vem de novo mar e lava tudo o que nos pode fazer olhar turvo,

sem que vejamos o belo e o profundo, como o universo, 

como tu, como a luz do teu azul e do ter verde puro e reluzente.

 

guincho1.jpg

 

Até breve.

"CHAYA" por Anna F. (em Antologia Natureza 2018-2019)

por talesforlove, em 01.08.20

Eu ando pelas escadarias de cristal
- embaixo o mar –
Um navio de velas brancas
e dourado o mastro
vejo singrar.
Ponho as paredes de minha casa
de vento e pó
O meu limite é o Universo
- não estou só.
Lá fora gritam os homens,
cantam os pardais,
passos distantes no horizonte
descansam em paz.
E ao por do sol, a bênção desce
como orvalho, chuva e neblina
E para dormir recito as preces
de menina.

Apanhem todos os átomos do infinito;
com eles vou construir
sino,
melodia,
canção.

É forte e viva a alma
que não se dobra
e só entende a linguagem
do coração.

 

NOTA: apenas texto, sem formatação especial de texto.

 

"Espelho das lindas estrelas" por Ana M. (Brasil - 3º Lugar - Antologia 2018-2019)

por talesforlove, em 01.08.20

 

É incrível como tudo na natureza e no nosso universo está conectado de alguma forma. Um
exemplo dessa doce conexão são os rios e as estrelas.
Os rios são muito abundantes na região Norte do Brasil que é onde moro. Morar em lugar que
tem rio é muito bom, pois durante o dia eles podem servir de meio de transporte, principalmente
nas regiões um pouco mais afastadas das cidades e podem proporcionar diversão, pois sempre é
possível dá um mergulho e nadar neles. Um banho gelado que acalma um pouco o calor.
Já durante a noite os rios se transformam em um lindo espelho da Lua e das estrelas. Tanto que
tem até uma lenda indígena que fala de uma índia que mergulhou atrás do reflexo da Lua por
acreditar se tratar da própria Lua que ela tanto admirava. E em um local com muitas árvores é
quase como se as estrelas ficassem mais brilhantes, mais felizes por não terem que competir com
as luzes artificiais da cidade. É como se por alguns momentos o próprio rio adquirisse um pouco
do brilho delas. Na natureza admiramos as muitas belezas da criação de Deus.
O ser humano quer chegar cada vez mais perto das estrelas, sem entender que elas já estão
perto dele. Basta ele se conectar com a natureza para as admirar em toda sua beleza. Os olhos
humanos assim como os rios são espelhos das lindas estrelas.

 

 

"A VIAGEM DO GRÃOZINHO DE AREIA" por Alberto A. (Itália - 2º Lugar - Antologia Natureza 2018-2019)

por talesforlove, em 01.08.20

A VIAGEM DO GRÃOZINHO DE AREIA

Antes do que o ar for criado, o céu era preto e a luz era dura, sem esfumaduras. Tudo era silêncio, as
árvores ficariam firmes... Na verdade, se querermos expressar toda a verdade, nem havia árvores ou
animais. Só uma paisagem fantasmagórica, feita de montanhas ásperas e vulcões. As rochas - que
pareciam cortadas com um machado - ressaltavam como silhuetas contra um céu sempre preto. Os rios
corriam impetuosos, negros como tinta, refletindo o céu. Um dia, do nada, uma pequena esfera
transparente começou a inchar, como uma bolha de sabão, tornou-se cada vez mais gigantesca, e em
seguida abriu-se e lançou o vento. Foi como um sopro de liberdade... O azul explodiu no céu e as águas
reverberavam-no com mil tonalidades. Finalmente, a vida das plantas e dos animais podia começar, as
árvores podiam roçar, alguém poderia ouvir o barulho do vento e das pedras caindo. O que tinha
acontecido? Um elfo, livre de herança e riqueza, implorou ao Criador para dar-lhe um sopro de vento,
algo que não custaria nada, apenas um sopro, e foi assim que houve o ar. Como todos sabem, a
respiração e a palavra não custam nada, mas são o mais que exista de vital. As cores se mexiam num
arco-íris iridescente com reflexões e transparências evanescentes, como as asas de uma libélula enorme.
O mesmo elfo que tinha aplicado para se tornar "mestre do vento", olhando no seu rosto reflexo em
uma poça de água, descobriu as próprias sombras e esfumaduras... Detalhes que faltavam até um
momento antes, quando seu rosto parecia uma meia-lua, meio claro e meio completamente preto.
Até aquele tempo, não havia pássaros nem outros seres voadores, até mesmo faltavam todos os
animais que respiram. Também faltavam as plantas, que precisam de ar para viver. Portanto, em toda a
Terra, apenas os elfos e os cristais foram testemunhas do evento maravilhoso. Os elfos contam isto em
suas tradições, que permanecem gravadas em uma veia de ouro puro, como em um livro secreto, na
parede mais escondida, na caverna mais profunda de todo o planeta. Esta página de sua história não
tem título "O nascimento do ar", mas começa com a frase: "No dia em que se viu o primeiro arco-íris".
Os elfos, de fato, não precisam de ar para respirar, mas ficaram tão impressionados com a grande
explosão das cores, como em uma bolha de sabão iridescente, ricas de tons e matizes, nunca vistas
antes, que marcaram a data, desde então e para sempre, como "tempo zero" de seu calendário.
A primeira rajada de vento levantou turbilhões. A coisa mais leve do mundo, na época, era um grãozinho
de areia, porque ainda não havia folhas ou penas. Esta é a história de um grãozinho que foi levantado,
nos desertos da Ásia Oriental, e começou a rodopiar com os redemoinhos de areia. Conheceu muitos
outros grãozinhos como ele, arranjou um monte de amigos e descobriu o mundo com gosto. Tanto
gosto que, a partir daquele momento, nunca mais voltou para o chão. Ele percorreu um caminho igual a
mil vezes em torno da Terra, mas - mesmo assim - não foi capaz de ver tudo. Nosso grãozinho ficou por
muito tempo confuso em uma nuvem vermelha, que girava acima dos desertos da Mongólia. Não poderíamos dar-lhe um nome mais familiar? O chamaremos Paulinho, permitindo-nos um pouco de
familiaridade, apesar de sua idade. Então, o grãozinho Paulinho se embarcou para uma longa viagem,
velejando com alguns amigos para a costa do Oceano, e então viu pela primeira vez, abaixo dele, o
verde das árvores.
Paulinho sentiu o fardo da umidade, quando o vento forte do deserto se mudou com a brisa do mar. A
viagem tinha-lhe - por assim dizer - entrado para a corrente sanguínea, e não queria parar. Sob ele
estava voando uma criatura estranha, nunca antes vista, com duas grandes asas abertas, deslizando
suavemente, e conseguindo assim pegar cada mínimo sopro de ar, de maneira que nunca descia da
altitude. Com uma manobra inteligente, Paulinho entrou em uma pena da asa desse grande pássaro.
Agora, ele poderia aproveitar a viagem sem se preocupar com a umidade ou com o calmo de vento. Ele
tinha certeza de que seu carreiro iria levá-lo para qualquer lugar do mundo, sem sequer fazer-lhe pagar
o bilhete. Veio porém um dia em que o grãozinho percebeu que seu transportador não estava mais em
movimento. Paulinho já não sentia a sensação do ar e percebeu que seu hospedeiro não podia mais se
mexer. Uma comoção, muito barulho ao redor. Bicos enormes batendo de todos os lados, para comer a
carne da ave que o tinha guiado pelos céus do mundo. De repente, tudo em volta dele ficou escuro e
Paulinho encontrou-se em um mundo de enzimas quentes e úmidos, ricos em ácidos e outras
substâncias estranhas que ele não conhecia. Foi uma sorte que a sua compleição forte, de quartzo e
sílica, lhe permitiria evitar ser digerido, e nem sequer ser atacado por todos aqueles sucos. Ele ainda
podia sentir o movimento da viagem, mas por um tempo não sentiu mais o ar por cima de si.
Finalmente, a libertação. Paulinho viu novamente a luz e logo se encontrou rodando em um céu
flamejante, feito de fogo ardente. Não era um pôr do sol tropical, mas a erupção de um vulcão enorme.
Paulinho de areia se viu apanhado no vórtice de uma enorme nuvem de cinzas, que pairava sobre o
planeta. De lá, via os continentes, mares e rios. Uma paisagem verdadeiramente estupenda.
Uma partícula minúscula de pedra-pomes se agarrou a ele. Paulinho nunca tinha-se visto a si mesmo em
um espelho. Naquele dia, sua amiga disse-lhe que era uma maravilhosa peça de quartzo iridescente,
uma gota de vidro vulcânico, que refratava as mais belas cores do espectro... Uma pena verdadeira, que
ela não se pudesse admirar!
Por muitos séculos, a nuvem da erupção cobriu os céus do mundo. Foi a longa lua-de-mel com a
Pomicinha sempre ligada com ele. Abaixo deles, as cores se tornaram obscuros. Era a sombra de sua
nuvem, que cobria e resfriava o globo. Na altitude, no entanto, que maravilha de luz e cores! Os
grãozinhos rodavam, arrastados por cada sopro de vento, para compor todas as tonalidades do arco-íris,
todas as reflexões, todas as transparências que podem sair dos jogos entre os minerais nascidos no
ventre da Terra. Nessa altura a Terra, vista do espaço, deve ter parecido um grande globo luminoso, ou
pelo menos cercado por uma espécie de lenço brilhante.
Ao longo do tempo, a nuvem era destinada a assentar-se. Um dia, finalmente, Paulinho viu a superfície
da Terra: quanto tinha mudado! Tudo era verde, o mundo era povoado por animais de todos os tipos. A
corrente de vento que levava os grãozinhos foi assentando-se. Foi então que Paulinho e a sua parceira
decidiram não parar nunca mais na superfície do globo. Era demasiado agradável viajar, levados pelo
vento, e ver o mundo mudando, com todas as cores e todos os seus perigos. Quantas vezes arriscaram de ser queimados pela erupção de um vulcão! Um par de vezes as correntes do ar, nas montanhas, os
levaram até os limites da atmosfera. Nessas altitudes, Paulinho viu novamente o céu negro acima dele,
como no início de sua existência.
As coisas ao seu redor mudavam. Os sopros de ar os arrastavam de cima a baixo, por todos os
continentes e sobre os mares, e faziam sentir vivo o Paulinho, com a sua parceira Pomicinha. Os dois, no
entanto, não mudavam, ficando sempre os mesmos que no primeiro momento da sua existência. Eles
nunca foram alterados, não respiravam, não cresciam, não estavam vivos. Durante a longa viagem,
suspensos no ar do planeta, tinham visto muitos seres vivos nascendo, crescendo, envelhecendo e
morrendo. Os dois, no entanto, como todos os grãozinhos de areia, mantiveram-se sempre iguais, como
no primeiro dia da sua existência. O ar era importante, essencial para o movimento contínuo, mas
podiam também existir sem ele. Até viam com maravilha que os seres vivos do mundo animal e do
mundo vegetal, nesse globo rico de cores, ao qual eles também pertenciam, não poderiam existir sem
aquela camada de ar, que não só dava-lhes as cores, as sombras, mas também o movimento e mesmo a
vida.
Um dia apareceu um longo cilindro branco, flamejante, subindo rapidamente, disparado a partir do solo.
Eles queriam experimentar a emoção de apanhar esse objeto: eles tinham ouvido dizer que era a mais
recente descoberta, em termos de viagens, e que poderia levantar-se muito mais alto, até onde
ninguém tinha ido antes. O longo tubo de metal branco foi rapidamente para o céu azul, mas alguns
instantes depois, o céu tornou-se negro, completamente preto e cheio de estrelas, como no primeiro dia
do mundo. Em princípio, Paulinho e Pomicinha não percebiam a sensação de viajar com uma velocidade
assustadora. Então eles viram debaixo deles o globo azul, que se tornava visivelmente mais pequeno, e
eles sabiam que aquele era o mundo em que sempre tinham sido, desde o primeiro de seus dias. Por um
momento, sentiram uma sensação nunca experimentada, um tipo de medo ou ansiedade, algo que um
grãozinho de areia nunca deveria sentir. O ar não estava mais lá, mas voavam, com uma velocidade
impressionante, no espaço profundo, sem ruídos, sem toques, porque não havia mais o fluxo de ar
sobre eles.
A expedição espacial terminou com um pouso na superfície da Lua. Com o impacto, os dois grãozinhos
de areia foram lançados a partir da casca do navio e caíram sobre uma pilha de poeira lunar. A viagem
de Paulinho e Pomicinna tinha parado. Nos céus negros desprivados da atmosfera, nunca mais poderiam
encontrar nem um sopro de ar para os levantar. Só podiam observar desconsolados - para sempre -
aquele grande globo azul, alto no céu da Lua, em que podiam ver ventos e tempestades a mover
continuamente enormes nuvens brancas, rodando em forma de espirales. Em Paulinho e na sua
companheira surgia, a partir de profundo, uma espécie de saudade.
O mundo do movimento contínuo tinha-se mudado para eles no mar da Paz Eterna, onde nada muda e
onde o céu é sempre preto. O reino da quietude eterna. Próximo a eles, plantado no solo da Lua, um
mastro com uma bandeira que nunca poderia bater no vento.

 

 

Até breve.

 

Bombeiros Voluntários e Fogo

por talesforlove, em 01.08.20

IMG_3962 pt.JPG

 

Ser Bombeiro Voluntário é mesmo algo muito nobre e revela uma enorme capacidade de entrega de quem veste essa camisola voluntarista. E ano após ano, em Portugal, assistimos a uma triste expectativa, porque sempre não alcançada, de não ter um Verão sem fogos florestais.

Em 2017 a tragédia do fogo abateu-se sobre nós mas, em 2020, até hoje, sente-se a infelicidade de uma realidade marcada pela morte de bombeiros voluntários… em locais distintos e em circunstâncias sempre dispares. Afinal, se tivemos meses sem aviões, e poder fruir de um céu perfeitamente limpo, porque não meses sem bombeiros voluntários no combate às chamas? Não merecem mais proteção estes profissionais? Com efeito, se existem pessoas pagas e também preparadas para lutar contra os fogos, porque não mais o exército na luta contra os incêndios florestais? E porque não os bombeiros voluntários combaterem os fogos florestais aplicando o seu esforço na prevenção? Se limpassem em redor das casas, não se evitaria o stress de ter de lutar desesperadamente contra as chamas quando vidas estão eminentemente em perigo? É uma sugestão, em Homenagem aos Bombeiros Voluntários.

 

Partilha-se ainda o link para o Programa de Humor de Bruno Nogueira sobre os animais mortos em fogo em Santo Tirso:

https://www.tsf.pt/programa/tubo-de-ensaio/emissao/o-maior-inimigo-do-maior-amigo-do-homem-12441292.html

 

Até breve.

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