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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo :-)

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Perspetivas em Flor

por talesforlove, em 21.02.21

"Perspetivas em Flor", por Rui M.  

 

Num campo profundo um ponto branco.

Pétalas num mar verde…

Improvável sobrevivente: como se a vida ganhasse forma,

quando ela está no palco da natureza.

 

Se:

A flor morre sozinha, ela é uma ruína.

Fragmentação de branco após branco.

 

Se:

A flor é colhida e oferecida,

É herança, dos significados embutidos em comportamentos.

 

Se a flor habita verdadeiramente o vale verde,

então o possível é tudo.

 

Nota: pesar pelo falecimento de Carmen Dolores (Atriz e Escritora)

Até breve

“A grande extinção” por Joaquim B. - Antologia 2019 - Portugal

por talesforlove, em 09.02.21

A grande extinção


Albbano chegou cedo ao “Fetal”, com o coração de sangue frio em agonia. Na véspera,
vários dos seus torossauros poedeiros davam mostras de mal-estar e doença. Alongou o olhar
pelo extenso paúl em que habitualmente pastavam e não pôde evitar o desalento. Só meia
dúzia ainda era visível. Em ansiedade, apressou o passo para a chocadeira central.
O sol iniciava o percurso descendente sobre a área predominantemente agrícola que
será conhecida, sessenta e cinco milhões de anos depois, por Lourinhã e se estende bem para
dentro do espaço que será mar no futuro. Em todos os ninhos urbanos terminaram já as
diligências alimentares do período zenital, exceto no ninho de Albbano. Não é comum ele
atrasar-se, quanto mais não aparecer em tempo de tão vital necessidade. Almmina mantinha
quentes as fatias de ovos de anquilossauro com caules tenros de rhynia, enquanto, inquieta,
espreitava o caminho, na esperança da chegada iminente do companheiro. A certo momento,
achou que tamanho atraso não podia significar nada de bom e resolveu pedir ajuda ao filho de
ambos, através do comunicador. Alccino não se surpreendeu com a chamada da mãe, porque
era frequente ela ligar-lhe só para contar pequenas peripécias domésticas, mas quando ouviu a
voz angustiada da mãe a dizer que o pai ainda não chegara para se alimentar, entregou de
imediato as tarefas de extração salina que executava numa bacia marinha interior e correu a
procurar o pai. Já não era a primeira vez que ele se perdia ou dava sinais de desorientação.
— O teu pai saiu do ninho mal raiava o sol e disse que ia ao Vale Fetal, como todos os
dias — informou ela. — Estamos na época em que eclodem muitos ovos e é preciso não haver
descuidos com as dificuldades das crias.
— Está bem, mãe, não te preocupes que eu vou procurá-lo. Assim que o encontrar,
comunico contigo — sossegou-a ele.
Alccino transpôs rapidamente a distância até à exploração pecuária do pai. Com o olhar
percorreu as suaves ondulações cobertas de polipódios, onde pastavam pachorrentamente
uma dúzia de torossauros, e a tentar discernir que animais chafurdavam na lonjura dos paúis
das zonas baixas. Não viu a silhueta altiva do pai, um parassaurolofo corpulento, mas um pouco
dobrado pela idade. Entrou na chocadeira central, e os funcionários disseram que o tinham
visto cedo, mas que ficara abatido quando soubera de mais três eclosões goradas.

Alccino pediu a dois para, em conjunto, fazerem uma busca na exploração.
— Eu vou pela encosta do lado esquerdo, e vocês procurem no vale, junto à zona
húmida! A propriedade é grande e ele pode estar caído em qualquer lado.
Embora achasse que era mais provável encontrá-lo nas zonas baixas, pensou que, em
cotas mais elevadas podia avistar maiores distâncias e descobri-lo. Após um tempo de
caminhada atenta pela vertente da ladeira, alcançou o alto da colina. Cheiros adocicados
embebiam-no. Por momentos, abstraiu-se do que o trouxera ali. Olhou em toda a volta. Para
norte, a vista admirável e querida do seu Vale Fetal, com o verde de vários matizes a colorir a
distância até à vertente oposta e mais além. Para sul, a dois vales de distância, as manchas
redondas e ocres dos ninhos urbanos da povoação. Mais perto, os vales dos vizinhos e amigos
Olvvonos e as suas explorações pecuárias de alamossauros, os enormes herbívoros ternos e
pachorrentos. Seria possível que o pai tivesse vindo visitar os amigos? Antes de decidir procurálo junto dos vizinhos, pensou entender o que acontecera. O pai tinha ficado desanimado com as
notícias da manhã na chocadeira e, com a idade, isso desorientara-o. Veio-lhe à memória outro
episódio de há muitos anos, quando uma epidemia lhe matara dezenas de animais. Nessa
altura, foram encontrá-lo amodorrado numa enorme rocha lisa virada ao sol do oeste, donde se
avistava o mar e aonde só se chegava por uma vereda. Avisou a mãe e pôs-se a caminho.
Realmente foi encontrar o pai alapado na Pedra do Poente em grande prostração. A
crista, habitualmente alaranjada, era agora cinzento-esverdeada. Não parecia ferido, só
abatido. Aproximou-se suave, mas não furtivamente. Queria ajudá-lo, não invadir a sua
privacidade.
— Então, pai! Está aqui! Estávamos a ficar preocupados...
Não obteve reação. Albbano mantinha um olhar de enorme tristeza perdido na lonjura.
Nada parecia poder animá-lo.
— Não fique assim, pai! — disse Alccino cheio de ternura. — São só mais três ovos
gorados. Já aconteceu muitas vezes.
O rosto do ancião baixou, em dor interior, sem responder.
— Tem de aceitar, pai! Os tempos de fartura e fertilidade já lá vão. Este é o mundo que
temos agora.
Alccino comunicou com a mãe a sossegá-la e continuou a tentar animar o pai, com
argumentos racionais de relativização dos prejuízos. Finalmente, Albbano começou a falar em
voz baixa, pausadamente.
— Não são só mais três ovos gorados, filho! Nós estamos a extinguir-nos. O ambiente
está envenenado com os compostos de irídio que servem para tudo. As crias não conseguem

romper a casca. Está cada vez mais dura e inquebrável. E não é só com os animais. Como já te
contei algumas vezes, para tu nasceres, houve que quebrar a casca artificialmente. Nós, os
parassaurolofos, praticamente já só nascemos de crustatomia. Se não fossem os cuidados
obstétricos, desaparecíamos. O panorama geral é preocupante. As crias não conseguem romper
a casca, os ovos não são fertilizados, as populações de todas as espécies estão a diminuir a um
ritmo assustador. Todos os anos desaparecem muitas espécies para sempre.
Calou-se, por momentos, como que a lembrar-se de outros exemplos. Alccino respeitou
o silêncio do idoso.
— A destruição da vida no planeta, tal como a conhecemos, está a tomar proporções
gigantescas. Dantes, além, avistava-se o tremeluzir da superfície do mar. Agora, o que se vê são
reflexos de objetos a flutuar. Mantas de tralha a cobrir enormes áreas de oceano. Há quanto
tempo lá não vais? É triste, deprimente, apetece não voltar lá mais. Como nos deixámos chegar
a esta situação? Estamos mesmo em perigo, acredita!
Fez uma pausa, a ganhar alento.
— Eu vou-me informando, sabes! Recebo revistas científicas. Já houve outras épocas da
Terra com indícios semelhantes e que resultaram em enormes extinções. A maior foi há 185
milhões de anos, que fez desaparecer 96% das espécies marinhas e 70% das terrestres. Devido
à gravíssima situação que atravessamos, os cientistas já lhe chamam a Extinção em massa do
Cretácico, a época atual, ou a Quinta Extinção. Estão registadas cerca de 800 espécies extintas,
nos últimos quinhentos anos, mas, como a maioria não está documentada, os cientistas
calculam que é mais provável que se tenham extinguido entre vinte mil e dois milhões de
espécies, só no último século. E, tendo em conta os limites do conhecimento atual, a taxa anual
de extinção pode chegar às 140.000 espécies. Estamos no limiar da catástrofe.
Alccino agachou-se, abatido pela força terrível dos números que o pai lhe atirava. A
preocupação com o desaparecimento do progenitor desvanecera-se, mas agora um peso
inesperado acabrunhava-o. Como era possível que nunca tivesse ouvido falar disto?
— Percebes, agora, porque estou desanimado, sem esperança? — interpelou-o
Albbano. Há muito que me vou dando conta do que os cientistas vão divulgando.
— Mas, pai — reagiu Alccino —, não são só teorias malucas de tipos que veem um
mosquito e lhes parece um alamossauro? É que eu nunca ouvi falar disso…
— Não, Alcci, quem afirma que a extinção atual é um facto são cientistas conceituados
entre os seus pares. Dão conferências, mostram dados, mas parece que ninguém os ouve. E
dizem mais; dizem que somos nós — a espécie dominante —, que estamos a provocar a
extinção em curso. Com a caça intensiva, a introdução de organismos perigosos para os nativos,
a destruição dos habitats naturais, a desflorestação, a sobreexploração agrícola, a poluição e o
envenenamento com agrotóxicos e hormonas pecuárias. Isto, sem falar do problema que está
na raiz de todos estes: o crescimento populacional contínuo da nossa espécie e o consequente
sobreconsumo.
— Mas sempre houve espécies a desaparecer de maneira, digamos, natural, pela natural
seleção natural…
— Sim, só que com a nossa ação, a que alguns também chamam natural, mas de
extensão e intensidade avassaladoras, a perda de biodiversidade é dez a cem vezes mais rápida.
E seremos nós que acabaremos por pagar um preço demasiado alto, pela rápida diminuição do
único conjunto de vida que conhecemos no Universo. Ficaremos sozinhos.Sem a concorrência
que vencemos, extinguimo-nos também.
— Isso não pode ser assim tão dramático, pai. Nós somos a espécie mais bem sucedida
de toda a história do planeta...
— Este sucesso começa a parecer demasiado catastrófico. Quando há tipos que, como
eu, prestam atenção aos problemas ambientais, também não sabem como resolvê-los ou
ajudar a minorá-los. A minha “solução” hoje foi esta: deprimir-me. A da nossa espécie devia ser
positiva, assertiva, concertada, global, muito profunda. Eu não quero mostrar-te para onde
deves olhar, só gostava que tomasses consciência de que há muita coisa a distrair-nos e que
nos deixamos alegremente ocupar com problemas menores. A maior razão da minha
desesperança é que não acredito que algum dia consigamos inverter o caminho de razia que
trilhamos. Quando deteriorarmos o planeta a um nível irreversível, seremos nós a extinguirnos. Ironicamente, essa pode ser a solução para o planeta: livrar-se de nós.
Albbano calou-se. Pai e filho mantiveram-se pensativos ainda por algum tempo. Talvez por ter
desabafado, Albbano começou a sentir-se com forças para regressar. Em passos brandos,
porque já anoitecia, dirigiram-se para casa, em silêncio. Por cima do horizonte, ia nascendo o
cometa, que, havia meses, iluminava as noites em todo o mundo. A enorme cauda ocupava já
todo o lado nascente do céu. Caminhando para aquele clarão, pareceu-lhes que a esperança
num mundo renovado aumentava no seu ânimo.

 

Até breve.

“Mentes reutilizáveis” por Diana Pinto

por talesforlove, em 07.02.21

Partilhamos um conto selecionado para a Antologia 2018-2019.

 

“Mentes reutilizáveis” por Diana Pinto, Portugal

 

– Temos que separar! É uma necessidade. – Disse a professora de português no final da aula
aos seus alunos do nono ano.
Rita saiu da escola e caminhou até à paragem de autocarro sempre a pensar nas palavras da
docente. Em casa nunca separavam o lixo. Sempre colocavam os sacos nos caixotes de lixo
comum. Era o único que tinham perto de casa.
A estudante sabia que seria um problema convencer a mãe a separar o lixo. A progenitora era
de mente pouco aberta, tinha medo da mudança e ainda possuía pensamentos do século XX.
Era uma mulher cinquentona, trabalhadora e honesta. Seria um desafio para a jovem, mas ela
parecia animada. Iria convencer a mãe. Ela tinha a certeza disso.
Chegou a casa e entrou na cozinha. A mãe estava a preparar alguma coisa que Rita não
conseguiu saber.
– Então, querida, como correram as aulas?
– Bem.
Antes de falar em separar o lixo, Rita começou a tentar convencer a mãe a retirar o plástico do
lar.
– Podemos começar a utilizar sacos de tecido.
– Foi a tua professora quem te disse isso?
– Sim.
– Pelo menos, não pago dez cêntimos por cada saco.
Rita sorriu.
– E sem garrafas de água de plástico. Copo térmico para tudo!
A mãe olhou, escandalizada. A filha continuou a dizer que teriam que usar cotonetes 100%
algodão, ou de metal. A mãe nem sequer sabia que isso existia.
– E temos de escolher sempre as embalagens de papel. É pena, mas temos poucas alternativas,
de momento. Mas ainda acredito que vamos a tempo de salvar as florestas!
34
A mãe respirou fundo.
– Já entendi que percebeste o que aconteceu durante a última aula.
– Sim, mãe, sabias que, para os peixes, plástico é uma refeição?
– Sim, sei. Mas diz-me uma coisa, tu por acaso sabes que não deitar lixo para o chão também é
uma sugestão que todos fazem?
Rita engoliu em seco. Era um erro que cometia quando estava a passear na rua. Ela era
“adepta” da chamada “lei do menor esforço”.
– Quando começares a fazer isso, deixo-te separar o lixo. Caso não saibas, também eu conheço
a política dos 3 R’s.
Rita saiu da cozinha, envergonhada. Afinal, a mãe já sabia. Mas, pelo menos, agora as duas
iriam ajudar o planeta. Iriam fazer a coisa certa.

 

Até breve.

José Saramago em 2020

por talesforlove, em 01.02.21

O ano 2020 foi um ano atípico, por causa da pandemia. Nele acabamos por encontrar todas as fragilidades possíveis dos seres humanos. 2021 continua a ser 2020. O calendário mudou mas tudo continuou, o que em boa verdade, já seria de esperar pois o vírus não tem nada a ver com o nosso calendário.
Ficam os fogos de artifício extemporâneo resultado de uma vontade reprimida de normalidade. O Autor deste blog não participou nesta alegria tão desprecavida mas compreende-se esta situação, quem a pode criticar?! Mas temos temos de esperar que o vírus se vá embora ou fincando que não seja uma ameaça.

Ironia foi o filme "O Ano da Morte de Ricardo Reis" ter estreado no ano em que a morte começou a estar presente no nosso dia a dia. Que falta de pontaria! À tragédia das salas de cinema fechadas somou-se o tópico do filme. Veja-se o filme de apresentação, do Inglês trailer, algo que eventualmente poderíamos traduzir de forma mais resumida como cinpub (ou cinematográfica publicidade). Fica a sugestão para uma nova palavra.

Fica ainda uma sugestão de áudio livro para a obra de José Saramago, a qual bebe inspiração em Fernando Pessoa.

Audio Livro:

https://www.bing.com/videos/search?q=o+ano+da+morte+de+ricardo+reis+trailer&&view=detail&mid=B2895CC97F058B39E08DB2895CC97F058B39E08D&rvsmid=331A5FEE166A0ECE01C8331A5FEE166A0ECE01C8&FORM=VDQVAP

 

Finalmente, para que fique claro que vale a pena confinar, que vale a pena aguardar pelo Verão, fica aqui uma música com um bom ritmo, por Zé Amaro. Pode ser que a variante Europeia do Covid-19 vá de férias no Verão e nos deixe em paz, afinal está claro que prefere as temperaturas mais baixas, ao contrário da variante Amazónica.

 

O Zé Amaro é um Artista que buscou a sua inspiração na música Brasileira, por sua vez inspirada noutras fontes.

Veja-se um pouco mais sobre ele em:

Zé Amaro | Costa e Ramos

 

Ainda um poema “A essência” por Getúlio O. (Brasil,

Poesia da Antologia 2018-2019)

 

Gosto dos andares tortos

De insetos felizes.

Admiro o soldadinho alvinegro

Que busca o amarelo, ao invés

Da roupa branca do homem engomado.

Sinto a fragrância do mato

Como estivesse sentindo um perfume francês.

Tenho bem querer por pessoas

De almas sorridentes.

Prezo olhos que sorriem

Mais do que bocas que se amostram.

O essencial não está no que se vê,

Mas no que se sente.

 

Entretanto, qualquer que jeja a vossa idade, sejam responsáveis: protejam-se!

Até breve.

Dois poemas do Brasil

por talesforlove, em 28.01.21

Hoje partilhamos dois poemas do Brasil.

 

Sem nome, por Viviane P. (Brasil, 2021)

 

Eu queria viver em um mundo de sonhos dourados!

Mas, a realidade é uma floresta cheia de perigos e  desafios.

Não sei como permanecer  serena diante de tantos horrores.

Como  manter o meu olhar  nas flores que eu sei que ainda estão pelo caminho

 quando o que os meus olhos enxergam é dor e solidão?

Não, não, me recuso a ser assim infeliz para sempre.

Eu quero  viver no mundo de promessas que minha infância me mostrou nos livros  de contos de fadas!

Quero reis e rainhas que não adoecem nunca,

quero viver em um castelo

poupada da desilusão  de ser apenas um humano fadado à morte!

Ainda que eu saiba que são desejos inatingíveis ,

deixe-me  sonhar ,

porque é isso que torna minha travessia  por esses campos áridos possível.....

 

I wanted to live in a world of golden dreams!

But the reality is a forest full of dangers and challenges.

I don't know how to stay calm in the face of all these horrors.

How do I keep my gaze on the flowers that I know are still in the way

 when what my eyes see is pain and loneliness?

 No, no, I refuse to be this unhappy forever.

I want to live in the world of promises that my childhood showed me in fairy tale books! I want kings and queens who never get sick,

 I want to live in a castle spared the disappointment of being just a human doomed to death!

Although I know that they are unattainable desires,

 let me dream,

because that is what makes my crossing through these arid fields possible.....

 

Circo, por Maria C. (Brasil, 2021)

 

Pequenino, mascarado, espalhafatoso,

rebolando qual  enlouquecido  bailarino,

ele é vendaval  adentrando o picadeiro.

A multidão aplaude, grita, gargalha...

- Viva o palhaço, gritam da arquibancada.

 

           Compenetrado, ele imita os animais:

           ora é touro brabo, o toureiro enfrentando;

          ora é gato tristonho conclamando

          as gatas  todas espalhadas no telhado.

          Depois, é cão amigo, latindo a seu dono.

          Enfim, braços abertos, é pássaro voador.

          Aplausos mil aprovam a performance.

 

Falsa cara de choro, despedia-se o palhaço,

quando interrompido  pela voz infantil:

- Espere, meu palhaço, gosto de você,

volte, não tenho gato nem cachorro.

Você me convenceu, agora quero ter.

 

Ele agradece a todos tantos aplausos,

em especial, abraça e beija a menina.

Voltará logo a sua casa, sem crianças.

Ele é apenas um velhinho solitário.

O circo? Sua única alegria nesta vida.

 

Este segundo poema, lembra o papel do Circo também enquanto entidade que apoia os animais e merece ser apoiada em tempos de pandemia.

 

Até breve,

Rui

 

 

 

 

Tempo de Ciência, Esperança, Pandemia e Poesia

por talesforlove, em 21.01.21

Hoje, é tempo de recolhimento, mais velhos, mais novos, todos juntos, porque todos contam e todos devem estar protegidos, para a esperança prevaleça. Fica este apelo. E que haja sentido de comunidade. Protejam-se.

Fica ainda o apelo a que apoiem não só os Profissionais de Saúde mas também os Profissionais de Ciência.

Podem apoiar aqui:

Carta aberta por um investimento urgente em Ciência em Portugal : Petição Pública (peticaopublica.com)

https://peticaopublica.com/mobile/pview.aspx?pi=movimento8

E participem, em Abril, no Concurso Natureza 2020-2021, algumas publicações atrás neste blog.

Partilha-se ainda um poema de Antonio Cisneros - Então, nas águas de Conchán (Verão de 1978) no programa O Som que os Versos Fazem ao Abrir.

O Som que os Versos Fazem ao Abrir de 20 Jan 2021 - RTP Play - RTP

https://www.rtp.pt/play/p3076/e518950/o-som-que-os-versos-fazem-ao-abrir

 

Até breve.

 

 

 

Bom Dia, Concurso e Ciência

por talesforlove, em 12.01.21

Bom dia!

A partir de hoje temos o Jornal Bom Dia connosco como parceiro do nosso Concurso Literário Natureza 2020-2021.

Jornal Bom Dia aqui:

BOM DIA - Portugal no Mundo

https://bomdia.eu/

 

Reune-se, lentamente, a alcateia literária.

Fica ainda o apelo a que apoiem não só os Profissionais de Saúde mas também os Profissionais de Ciência.

Podem apoiar aqui:

Carta aberta por um investimento urgente em Ciência em Portugal : Petição Pública (peticaopublica.com)

https://peticaopublica.com/mobile/pview.aspx?pi=movimento8

 

Fica uma canção de TonY Carreira:

 

Em breve uma canção de Nel Monteiro. Saudades do Verão e dos Bailes.

O que seria este blog sem as(os) leitoras(es)...

Até breve.

A Força das Estrelas

por talesforlove, em 10.01.21

Hoje partilha-se neste blog um poema de Henrique Segurado "Post Scriptum" (ou Tílias ou À Sombra das Tílias):

 

Post Scriptum

 

Por baixo das tílias

Há sombras, raízes.

Se escavarmos mais:

Palácios e casas

E lá mais fundo:

Cidades, países,

Reis, imperatrizes

E formigas de asas.

 

Debaixo das tílias

Crescem os jacintos,

Os bicos de lacre

Mais os flamingos.

Debaixo das tílias

Mandam os instintos.

Debaixo das tílias

É sempre domingo!

 

Convida-se ainda a encontrar mais em:

http://bibliotecariodebabel.com/geral/tres-poemas-de-henrique-segurado/

https://omeuinstante.blogs.sapo.pt/tag/henrique+segurado+pavão

 

Partilha-se ainda o trailer do Filme "Alpha", para o qual se promete uma tentativa de crítica quando tal for possível. Aqui o original, sempre preferível com legendas:

Pode ser encontrada versão com legendas aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=GDqNF_PUkaQ

 

O filme parece vindo da Idade do Gelo ou do Frio Físico para a Idade do Frio Psicológico. E relembra a irmandade, sempre no fio da navalha, entre a Humanidade e a Natureza. O filme tem o enorme apelo de ter honestamente um final feliz, o único que se deseja. Vale a pena ver este monumento à Natureza.

 

Relembra-se o Regulamento do Concurso Natureza 2020-2021, já publicado.

Até breve.

Um ano pela positiva.

por talesforlove, em 02.01.21

 

endo em conta as circunstâncias em que vivemos e pela importância de uma mensagem positiva e pela obrigação de uma publicação pública a disseminar neste ano de retoma das nossas vidas "normais", fica aqui o compromisso de que vamos ignorar Olimpicamente qualquer notícia menos positiva deste ano. Ainda que o blog possa parecer um pouco Autista, mas será no bom sentido.

Vamos acreditar e correr para a luz que surge já à nossa frente!

Fica uma nova foto para o nosso Concurso Literário:

fotoflores.jpg

Flores como sóis que nos toldam a vista,

de beleza plena e completa,

que prosperem e tinjam de amarelo, alegre,

os nossos dias.

Mares, ventos cósmicos, pó reluzentes.


Até breve.

Fado e Carlos do Carmo no Novo Ano

por talesforlove, em 01.01.21

Começamos o Ano com uma notícia triste: faleceu Carlos do Carmo, mas fica a sua força e trabalho.

Partilha-se um texto do Autor deste Blog, de 2012… no Jornal “Os Fazedores de Letras”.

E um Fado, claro, porque Fado é também superação e alegria: o legado.

pag1.jpg

pag2.jpg

Em 2014:

 

E pelo próprio:

 

Saúde.

Até breve.

 

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