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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 10 a 14 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo. :)

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Entrevista a Paula Hawkins na Feira do Livro de Lisboa em 2017

por talesforlove, em 09.07.17

Autora das obras "Escrito na Água" e "A Rapariga no Comboio"

 

O que ser escritora significa para si?
Escrever é mais uma vocação que uma profissão: sou suficientemente sortuda para poder ganhar a vida a escrever, mas penso que escreveria – tal como sempre escrevi – mesmo que eu não fosse publicada. Desde a infância sempre tive grande prazer em escrever histórias: todavia foi apenas quando cheguei aos meus 30 anos que ganhei confiança suficiente para mostrar essas histórias a outras pessoas, mas a necessidade de criar ficção nunca me abandonou.

Que período da sua vida pensa que mais influenciou a sua escrita?
Possivelmente a fase final da minha adolescência ou os meus vinte anos mais jovens que correspondem ao tempo em que abandonei o Zimbabué, onde cresci, e em que me mudei para Londres, onde vivo atualmente. Esses anos foram agitados, e frequentemente solitários – escrevi muito durante esse tempo. Aos dezanove anos, mudei-me para Paris e vivi lá durante um ano. Essa foi a primeira vez que vivi sozinha, numa cidade estrangeira, a falar uma língua que eu tentava dominar mas com dificuldade. Foi solitário, novamente, mas excitante também.

É possível para um escritor criar o seu trabalho sem ter em conta os sentimentos das pessoas em seu redor?
Penso que talvez seja possível, embora eu não esteja certa que tal deva suceder. Escrever é, para mim, um exercício de empatia, na compreensão dos outros, em ser capaz de se colocar na posição do outro e imaginar os seus pensamentos e sentimentos. Assim, seria estranho, se ao imaginar os pensamentos e sentimentos de personagens ficcionais, ignorássemos os sentimentos das pessoas reais da sociedade em que vivemos.

Texto de quase Crítica literária - "No topo das árvores" por Kiara Brinkman

por talesforlove, em 02.07.17

No topo das árvores, Kiara Brinkman
Editorial Estampa (2009), Lisboa, pp. 295

A escritora Kiara Brinkman nasceu em 1979 no Omaha, Nebraska (EUA) e é autora da obra “No topo das árvores” a qual foi muito bem acolhida pela crítica e leitores. Também escreveu pequenos contos, de qualidade assinalável. Viu alguns dos seus contos justificarem o reconhecimento do The Best American Short Stories 2006 (Melhores Contos Americanos de 2006).
O livro é o relato, na 1ª pessoa, feito por um rapaz, sensível e poético, portador de Síndrome de Asperger, autismo. Muito cedo, a sua voz começa por descrever-nos, de forma cristalina e tranquila, o mundo que o rodeia, bem como as experiências que este lhe proporciona. No entanto, a partir do momento em que a sua mãe morre inesperadamente, sucedem-se acontecimentos que o forçam a olhar o mundo de renovadamente, sem que tal abale a paz que a sua narrativa nos transmite.
A prosa deste romance é leve, lê-se facilmente, sem sobressaltos, mas ensina-nos a ver com os olhos de alguém que pode ser classificável de “diferente”, deixando para trás a suspeita de essa adjectivação poder ser fútil, pois, afinal, todos somos “diferentes”, sem que tal seja taxativamente negativo.
Adicionalmente, eventualmente quase subliminarmente, surge a ligação à natureza, que vem à tona, em referências tais como "jardim“, “flores”, “vegetais comestíveis” ou as “copas das árvores”, logo no título. Não é inocente. É como se o protagonista fosse como as árvores: o resultado de uma força mais forte, invisível, dominadora, que “está lá” sem pedir permissão, sem sequer ser digna de questionamento, por ser tão óbvia a inevitabilidade da sua presença. Foi a nossa mãe natureza que criou as árvores e a todos nós. Tem a força do “que é”, sem que possamos duvidar desse facto.
Quando morre a mãe do protagonista, todo o rumo da história muda, levando-nos a pensar o que seria se fosse a mãe natureza que apresentasse sintomas de morte. Todavia, a tragédia é retratada com uma proximidade fria e quente, simultaneamente. Quente porque a morte é sentida profundamente no desenrolar dos eventos e fria porque o rapaz continua a sua vida, sofredor, mas inesperadamente vitorioso, quando os sentimentos poderiam ditar desfecho oposto.
A prosa deste romance transmite a simplicidade da nossa ligação naturalística, tão evidente quanto o amanhecer, fresco, a cada novo dia. Uma renovada mensagem ecologista e humanista, talvez “eco-humanista”.

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