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Contos das Estrelas

Neste blog são apresentados conteúdos literários. Para qualquer assunto podem contactar o autor via ruiprcar@gmail.com. Aceitam-se contributos de outros autores, de 4 a 24 de cada mês, relativos ao tema Natureza ou Universo. :)

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Acróstico de Fernando Pessoa dedicado a Ophélia - O fogo em Portugal

por talesforlove, em 16.10.17

Porque o furacão Ophélia ainda não "chora" e porque a prevenção florestal tem sido uma mentira, fica este belo poema de Fernando Pessoa:

 

Onde é que a maldade mora

Poucos sabem onde é

Há maneira de o saber

É em quem quando diz que chora

Leva a rir e a responder

Indo em crueldade até

A gente não a entender

 

Nota: estamos em LUTO por todos aqueles que já perderam a vida nos fogos.

Hoje devemos estar mais unidos.

 

Fogo da Floresta e Fogo do Amor

por talesforlove, em 15.10.17

Num dia em que arde Portugal continental, o norte de Espanha, a Califórnia e várias regiões da Austrália, em Portugal, em particular, aguarda-se a chegada do furacão Ophélia como uma grande esperança para o fim deste inferno de chamas.

 

Tanto quanto se sabe, a única namorada de Fernando Pessoa foi Ophélia Queiroz.

Fica aqui um poema que ele lhe dedicou:

 

Quando passo um dia inteiro

Sem ver o meu amorzinho

Cobre-me um frio de Janeiro

No Junho do meu carinho

 

Fonte: página 30 de

"Cartas de Amor a Ophélia Queiroz" por Fernando Pessoa (2009), com organização, postfácio e notas de David Mourão-Ferreira, Lisboa, Editora Ática, pp. 168

 

Nem que fosse apenas para conhecer esta obra já valeria a pena ir à Feira do Livro de Lisboa de 2017.

Boas leituras e votos de empenho ambiental.

Pelos fogos florestais de Pampilhosa da Serra e Arganil

por talesforlove, em 11.10.17

Porque o fogo deve ser também sinónimo de guerra e porque o bom senso de não destruir a natureza, a nossa casa, é também a causa deste blog, fica hoje um poema de Guerra Junqueiro (15 Setembro 1850 - 7 Julho 1923).

 

Canção da Batalha

Que durmam, muito embora, os pálidos amantes,
Que andaram contemplando a Lua branca e fria...
Levantai-vos, heróis, e despertai, gigantes!
Já canta pelo azul sereno a cotovia
E já rasga o arado as terras fumegantes...

Entra-nos pelo peito em borbotões joviais
Este sangue de luz que a madrugada entorna!
Poetas, que somos nós? Ferreiros d'arsenais;
E bater, é bater com alma na bigorna
As estrofes de bronze, as lanças e os punhais.

Acendei a fornalha enorme — a Inspiração.
Dai-lhe lenha — A Verdade, a Justiça, o Direito —
E harmonia e pureza, e febre, e indignação;
E p'ra que a labareda irrompa, abri o peito
E atirai ao braseiro, ardendo, o coração!

Há-de-nos devorar, talvez, o incêndio; embora!
O poeta é como o Sol: o fogo que ele encerra
É quem espalha a luz nessa amplidão sonora...
Queimemo-nos a nós, iluminando a Terra!
Somos lava, e a lava é quem produz a aurora!

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'

Morte do Sr. Jorge Listopad, a 2 de Outubro de 2017

por talesforlove, em 02.10.17

Hoje faleceu o Sr. Jorge Listopad, escritor e encenador Polaco, de 95 anos, nascido em Praga (Polónia) e que vivia em Portugal desde a década de 50 do século passado.
Entre os livros que escreveu contam-se:
"Meio conto" (1993), "Álbum de família" (1988), "Biografia de Cristal" (1992), entre muitos outros.
Entre as peças de teatro que encenou contam-se:
"Diário de um Louco", de Gógol, "O Porteiro", de Pinter, "Huis Clos", de Sartre, "Dança da Morte", de Strindberg, "A Vida é um Sonho", de Calderón de la Barca, "A Forja", de Alves Redol, e "Macbeth", de Shakespeare, entre muitas outras.

Com este trabalho e pela saudade que deixa, o Sr. Jorge Listopad é a prova de que uma vida nunca é demasiado Longa.
Pela Riqueza, Diversidade e Empenho no Trabalho e Mundo, a sua vida jamais poderia ser considerada Errante.

Um abraço para o Sr. Jorge Listopad.
Com saudade.

Em sua homenagem um excerto de poema por Lord Byron:

Por profundo que seja o teu torpor,
Teu espírito não vai adormecer,
Em ti as sombras nunca se dissipam,
Ideias que não sabes afastar.
Por virtude de ti desconhecida,
Não poderás tu nunca ficar só;
Serás envolto como num sudário.
E ficarás cativo de uma nuvem;
E para todo o sempre hás-de viver
Em tal encantamento prisioneiro.

Byron, L. (2002), "Manfredo", Tradução por João Almeida Flor, Relógio D'Água, Lisboa, p.37

"Oração da Árvore" por Veiga Simões em 1914 - Ontem 3 meses após Pedrógão

por talesforlove, em 18.09.17

Oracao da arvore.JPG

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Um filme a ver: Indice Médio de Felicidade (Portugal Agosto 2017)

por talesforlove, em 11.09.17

Podem ver o trailer aqui:

 

Na minha opinião, este filme aborda de forma agradável o tema delicado da crise financeira global que tem afetado Portugal nos anos recentes. É bom verificar como os amigos e família podem ajudar os protagonistas desta história a centrarem a sua via no essencial e a (re)construírem a sua vivência com base em sentimentos que podemos identificar como "de felicidade".
Sim, é um filme bonito que ajuda a encontrar horizontes renovados para o presente (e para o futuro). A imagem "final" do trailer, uma longa ponte, ajuda-nos neste sentido... Que bom!

 

Boas leituras.

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Flor que Renasce (Em Pedrógão) / Poema

por talesforlove, em 01.09.17

Flor que Renasce (Em Pedrógão)

Teimosa; como só uma mulher sabe ser.
Sabedora; como só uma Deusa sabe ser.
Feminina e bela entre o negro de morte,
renasce, viva, dependente de força e não da sorte.

Bela é a sua força que dá cor à Manhã.
Ágape do nascer do sol que renova a Esperança.
E o vento embala-a, envolta em pó cinza,
que tudo em seu redor contempla a sua Dança.

É ela, a Flor, que se ergue no monte,
de novo, a provar que tinha razão quem a semeou...
a provar que uma Deusa nos olha de fronte:
sem medo, pese embora as que o vento levou.

Lentamente renasce a obra humana em seu redor,
mas ágil ao ritmo da verde Graça,
ela se ergue mais rápida que todos,
e nítida enquadra o futuro: Pintura baça.

Deusa da Manhã, vestida de Esperança,
Dança em Graça; balouça no ar sua Trança.

Notas
Um poema espiritual e feminista em homenagem a Janine Canan

http://www.janinecanan.com/

Hoje o poema em

http://synchchaos.com/

 

 

Poema - "Novo Dia"

por talesforlove, em 20.08.17

mararcoiris.gif

 

Novo Dia


Que vens do sol, luz, que lhe escapa

Ninguém jamais te poderá deter...

Jamais és cativo de um livro na sua capa.

A tua força extravasa tudo; não te posso ter.


Não és de ninguém, viril e fero!

As distâncias tens de ganhar!

O sol tornar cativo do arco-íris!

E tornas a estrela sol um arco, vencido.


Tu és o que há de novo, destroços de inverno,

Vences raízes amaldiçoadas, canções escuras,

E és, em mim, um devir, alto do tamanho do oceano.

Os teus arautos são de fogo; Tu, tudo curas!

 

 

NOTA:

Hoje ficou-se a saber que regressam os Guardas Florestais, o que é uma excelente notícia, até porque será um investimento que se paga a si próprio.

Infelizmente, faleceu um piloto de helicóptero, durante o combate a um fogo. Teria sido evitável se o helicóptero fosse equipado com um sensor para detecção de cabos de alta tensão. Algo simples que deve ser tomado como lição em contextos em que mesmo de dia, devido ao fumo, não é possível avistar objectos de grande volume em serras sinuosas.

 

lixonapraia1.gif

 

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Alfama - Pedro Moutinho ft Mayra Andrade

por talesforlove, em 17.08.17

Porque é necessária a esperança no futuro.

Fica este fado sobre Alfama.

 

 

 

Sugestões relativas a fogos florestais em Portugal - Pedrógão

por talesforlove, em 17.08.17

Foi a 17 de Junho de 2017 que faleceram 64 pessoas diretamente devido ao enorme e cruel fogo em Pedrógão, o qual se ficou a dever às condições climatéricas desfavoráveis... mas não só. Não podemos esquecer estas pessoas e no futuro não pode ser colocado de parte todo o trabalho responsável e necessário, que exige a necessidade de evitar novas situações como esta. Estas duas sugestões são em memória e como apoio a todos os que sofrem com os fogos em Portugal.


1a - A criação de bocas de incêndio em locais estratégicos de algumas aldeias;

2a - Cativar o voluntariado nacional para apoio nos locais afetados. Por exemplo, para a reflorestação ou apoio a pessoas mais idosas.

 

Um abraço e boas leituras.

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